Fora governo assassino!
Organizar a luta popular contra a política genocida e golpista de
Bolsonaro e Mourão
O Brasil avança rapidamente para se tornar o novo epicentro da pandemia
do novo Corona Vírus. Chegamos à assustadora marca oficial de
quase 20 mil mortos, mais de 250 mil infectados e cerca de 800 óbitos
diários. Em várias cidades o sistema público de
saúde já entrou em colapso, com sua capacidade de leitos de UTI
totalmente ocupada e milhares profissionais da saúde infectados.
Apesar dos números alarmantes, o governo Bolsonaro/Mourão segue
em sua cruzada para espalhar o caos e a barbárie, estimulando
manifestações dos grupos de extrema-direita em todo o
país, com suas carreatas da morte e atos em favor da abertura do
comércio e da intervenção militar. Bolsonaro continua
pregando o fim do isolamento social e a utilização da cloroquina
como medicamento para combate ao vírus, demitiu mais um ministro da
Saúde e desafia permanentemente os limites da já combalida
institucionalidade burguesa.
O presidente genocida reúne-se com os capitalistas da FIESP convocando
uma guerra aberta contra os governadores e prefeitos que adotam medidas de
isolamento horizontal, promove marcha com empresários para invadir e
atentar contra o STF, participa de manifestações públicas
desafiando as normas de segurança sanitária, além das
ameaças constantes às liberdades democráticas duramente
conquistadas na luta contra a ditadura empresarial-militar de 1964-1985.
O governo continua sabotando o pagamento da renda básica aos
trabalhadores e trabalhadoras sem condições mínimas de
sobrevivência, impondo sofrimento e dificuldades, atrasando a
liberação do dinheiro e provocando as filas da fome em frente
às agências da Caixa Econômica Federal. Todas essas
ações visam criar uma conjuntura de caos na qual possa se
apresentar como solução autoritária para a crise
política por ele mesmo fabricada.
GOVERNO CHAFURDA EM ESCÂNDALOS DE CORRUPÇÃO
Explodem novos escândalos de corrupção demonstrando que as
movimentações de Bolsonaro têm o propósito de
desviar a atenção da opinião pública e de paralisar
as investigações em curso contra si mesmo e sua família. A
recente entrevista do empresário Paulo Marinho, ex-apoiador do
presidente genocida, põe a nu as relações
promíscuas do clã Bolsonaro com setores da Polícia Federal
e as tramas para garantir a eleição de Bolsonaro. Marinho
denunciou que, ao final do primeiro turno das eleições de 2018,
Flávio Bolsonaro foi avisado do andamento das
movimentações da PF e em particular da Operação
Furna da Onça, que investigava os esquemas criminosos do ex-governador
Sérgio Cabral e que chegara a Fabrício Queiroz, capanga do
primogênito do então candidato à presidência. O
escândalo foi abafado para não prejudicar a eleição
no segundo turno.
Há também o caso da compra superfaturada e sem
licitação de cloroquina em pó pelo Exército, que
pagou 6 vezes mais pelo medicamento, em comparação com a compra
anterior feita pelo Ministério da Saúde em 2019. O esquema
fraudulento e as relações de Bolsonaro com empresário dono
de laboratório fabricante do remédio, de eficácia
não comprovada no combate ao Covid-19 e causador de efeitos colaterais,
evidenciam as razões para a insistência do presidente genocida na
propaganda em favor do uso do medicamento, algo que é divulgado pelos
seus seguidores por meio da rede nacional de notícias falsas.
Ao mesmo tempo em que acena com ameaças golpistas para tentar barrar a
apuração das denúncias e impedir o avanço das
investigações, Bolsonaro investe num rearranjo político
com o Centrão, grupo de parlamentares reacionários e
oportunistas, praticantes da velha política burguesa do
"toma-lá-dá-cá", oferecendo cargos em
escalões do governo para garantir apoio mais sólido no Congresso,
atitude esta que contraria frontalmente o discurso moralista e
anticorrupção que o levou ao governo.
Em paralelo a tudo isso, Mourão, ao dizer em artigo que a pandemia
é uma questão de segurança pública, se apresenta
para as classes dominantes como alternativa à crise política,
defendendo abertamente um governo ainda mais centralizador,
"disciplinador" das instituições e controlador da
imprensa e fiador da "garantia da ordem", acenando com mais
repressão para conter possíveis reações populares
ao quadro caótico da pandemia, agravado pelas medidas do governo a que
ele pertence e do qual é cúmplice.
CONTRA A POLÍTICA ASSASSINA, IMPEACHMENT JÁ E
ORGANIZAÇÃO POPULAR!
Apesar das diferenças na condução das políticas de
combate à pandemia, o Governo Bolsonaro/Mourão, a imensa maioria
do Congresso Nacional e governadores seguem unidos na aprovação
de medidas contrárias aos direitos da classe trabalhadora, para atender
unicamente aos interesses das frações hegemônicas da
burguesia brasileira e do capital internacional.
O Congresso Nacional aprovou, contando inclusive com votos favoráveis de
toda a bancada do PT no Senado, a PEC 10/2020, golpe financeiro que permite ao
Banco Central gastar trilhões de reais para comprar papeis podres dos
bancos privados, mandando a conta para o povo trabalhador pagar, na forma do
aumento da dívida pública. Além disso, a MP 910 (MP da
Grilagem) virou Projeto de Lei 2633 e pretende regularizar terras da
União ocupadas por grileiros desde 2012, principalmente na
Amazônia, onde derrubaram matas, provocaram incêndios, invadiram
florestas, parques nacionais e territórios indígenas, para os
transformar em pastagens ilegais voltados à criação de
gado.
Prosseguem os ataques aos trabalhadores, por meio do congelamento salarial dos
servidores federais, estaduais e municipais, além da
ratificação das medidas que permitem redução de
salários e mais demissões. Várias empresas que recorreram
à ajuda do governo prevista na MP 936, suspendem contratos para receber
o auxílio governista, mas obrigam seus funcionários a seguir
trabalhando. Outras anunciam demissões em massa.
A crise econômica se aprofunda radicalmente: já são muito
mais que 13 milhões de desempregados, 40 milhões na informalidade
e 30 milhões na miséria absoluta. Ao contrário do que
afirma a mídia burguesa, a pandemia não tem nada de
democrática: atinge principalmente as comunidades proletárias, os
pobres, negros e negras, povos indígenas, onde os serviços
públicos de saúde, saneamento, água e esgoto não
chegam há tempos, em decorrência das políticas criminosas
de privatização e destruição dos direitos sociais
para beneficiar apenas os lucros capitalistas.
Diante deste quadro conjuntural adverso, o PCB vem participando das
articulações em torno do pedido de impeachment de Bolsonaro,
iniciativa coordenada por organizações e entidades ligadas a
movimentos populares sociais e populares, com apoio de partidos da
oposição, porque entendemos que barrar a política genocida
do governo federal é a tarefa mais urgente da classe trabalhadora na
atual conjuntura.
A assinatura do PCB e dos nossos coletivos na petição do
impeachment parte da premissa de que é uma obrigação dos
comunistas agir sobre todas as possibilidades capazes de acelerar as
contradições internas do bloco dominante e que contribuam para
fragilizar a extrema direita, abrindo caminho para a mobilização
de massas, de forma a fortalecer a luta mais consequente dos partidos e
organizações que apostam na alternativa anticapitalista e
anti-imperialista.
Esta decisão tática não significa ilusão alguma em
relação ao vice-presidente, que é do mesmo campo
político reacionário do presidente e, como este, servil aos
interesses da burguesia brasileira e do imperialismo estadunidense. Tanto um
como outro são inimigos dos trabalhadores e, por isso, seguiremos firmes
em nosso projeto estratégico de acumular forças para a conquista
do poder popular e do socialismo em nosso país, qualquer que seja a
conjuntura.
EM DEFESA DO EMPREGO E DA RENDA BÁSICA
O PCB privilegia a luta de massas, para além das ações no
campo institucional. É preciso responder à conjuntura buscando
organizar, mesmo na quarentena, grupos, comitês e espaços que
potencializem a construção de um programa da classe trabalhadora
e da contraofensiva popular, na perspectiva de realizar, em futuro
próximo, atos massivos contra os novos ataques que virão e em
defesa dos direitos da classe trabalhadora e das liberdades
democráticas. A necessária unidade de ação contra
as medidas ultraliberais, o golpismo e as ameaças fascistas exige, mais
do que nunca, a independência política da classe trabalhadora.
Devemos participar das iniciativas de auto-organização dos
trabalhadores e trabalhadoras, por meio da formação de brigadas
de solidariedade, comitês populares de luta por direitos e de autodefesa
contra o fascismo, além de fortalecer associações e
movimentos populares, entidades estudantis e sindicatos classistas. Vamos
intensificar a tarefa de agitação e propaganda contra a
política de terra arrasada do governo, pela deslegitimação
do discurso neoliberal, em defesa dos serviços públicos, contra
todos os inimigos do povo trabalhador e por uma alternativa que abra
espaço para o poder popular e o socialismo.
É hora de organizar as lutas por meio dos nossos coletivos, juntamente
com o Fórum Sindical, Popular e de Juventudes por Direitos e Liberdades
Democráticas, com a Frente Povo Sem Medo, movimentos populares e em
articulação com organizações políticas do
campo democrático e da esquerda socialista.
POR UMA CAMPANHA NACIONAL CONTRA O DESEMPREGO E EM FAVOR DO PAGAMENTO DA
RENDA BÁSICA PARA TODOS(AS) OS(AS) TRABALHADORES(AS).
PELA FORMAÇÃO DE COMITÊS EM DEFESA DA RENDA
BÁSICA E DO EMPREGO.
POR UMA AÇÃO CONJUNTA COM AS BRIGADAS ANTIFASCISTAS NAS
PRINCIPAIS CIDADES BRASILEIRAS.
FORA BOLSONARO/MOURÃO! IMPEACHMENT JÁ!
ORGANIZAR A LUTA POPULAR POR DIREITOS E PELAS LIBERDADES DEMOCRÁTICAS!
PELO PODER POPULAR NO RUMO DO SOCIALISMO!
Comissão Política Nacional do Partido Comunista Brasileiro
19/Maio/2020
O original encontra-se em
pcb.org.br/portal2/25561/fora-governo-assassino/
Esta nota encontra-se em
https://resistir.info/
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