PCB repudia condenação de Lula e política petista de
conciliação de classe
A condenação em primeira instância do ex-presidente Luiz
Inácio Lula da Silva pelo reacionário juiz Sérgio Moro,
divulgada em 12/07/2017, expressa uma evidente parcialidade jurídica
através da espetacularização midiática, uma clara
negação de princípios elementares do direito e
um plano de criminalização deliberada das lideranças
petistas, que perderam o apoio do grande capital, seu principal aliado no
período em que estiveram à frente do governo federal.
A condenação de Lula ocorre no dia seguinte à
aprovação, pelo Senado Federal, da contrarreforma trabalhista, o
mais brutal ataque aos direitos da classe trabalhadora nos últimos
tempos. A iniciativa do Juiz Moro, amplamente anunciada nos meios de
comunicação burgueses, parece querer retirar de foco as
investidas do governo e dos capitalistas contra os trabalhadores, a juventude e
os setores populares.
No mesmo dia em que Lula foi condenado, Geddel Vieira Lima, braço
direito de Temer, foi conduzido para prisão domiciliar, Aécio
Neves continua livre e atuando no Senado, e Michel Temer ainda consegue
arregimentar apoios no Congresso Nacional, tentando evitar, a qualquer
preço, sua queda. As operações de combate à
corrupção comandadas pela Polícia Federal e por setores do
Judiciário, em especial a Operação Lava Jato, demonstram
haver um direcionamento político, de cunho abertamente
reacionário. O alvo das operações não é o
poder econômico corruptor. Os acordos de leniência e as
insignificantes multas impostas às grandes empresas envolvidas, diante
do orçamento destas, comprovam que o intuito das operações
não é o de combater a raiz econômica das
relações promíscuas entre empresários e as diversas
frações do Estado Burguês. Nem poderia ser assim. A
Justiça burguesa age, no fundamental, para manter a ordem presidida pelo
capital. E a corrupção é prática endêmica ao
capitalismo.
Até agora, o principal crime já provado do
ex-presidente Lula, do ponto de vista político e dos interesses da
classe trabalhadora, foi a decisão de governar com o programa e os
métodos da burguesia. A conciliação petista foi
fundamental para o fortalecimento de monopólios nacionais e
internacionais, do agronegócio e do sistema financeiro. Lula e demais
lideranças petistas atuaram como verdadeiros serviçais lobistas
para a expansão dos negócios de capitalistas nacionais na
América Latina e na África. Essa opção
política do PT implicou no abandono das bandeiras históricas da
esquerda brasileira, como a reforma agrária, a centralidade da luta de
massas, o respeito à democracia de base, o fortalecimento da
educação e da saúde públicas, assim como a luta
contra as privatizações e pela soberania nacional. Para fazer
valer o programa voltado a aprofundar o capitalismo monopolista no Brasil, os
governos petistas adotaram papel apassivador dos sindicatos e movimentos
populares, além de se envolverem profundamente com toda lama da
corrupção intrínseca à democracia burguesa.
Portanto, ao mesmo tempo em que o PCB repudia a condenação
jurídica do ex-presidente Lula, destaca fortemente o fato de que o
líder petista está sendo mais uma das vítimas de um
processo de avanço do conservadorismo e fortalecimento da direita que
têm íntima relação com a decisão do PT em
priorizar as alianças com o grande capital e o cretinismo parlamentar.
Na atual conjuntura, marcada pela crise econômica e as disputas no
interior do Estado, a burguesia realiza uma verdadeira tática de guerra
contra os trabalhadores. A fim de manter os seus lucros, atrair investimentos
internacionais e manter a economia brasileira subordinada aos centros
imperialistas, a burguesia brasileira adota um programa de retirada de direitos
trabalhistas, sociais e políticos dos trabalhadores. Para grande parte
dos capitalistas, não mais interessa a política de
conciliação, e a ação desenvolvida pelo capital
é no sentido de arrancar à força um novo patamar de
reprodução do sistema, visando à retomada do crescimento
econômico com base na brutal desvalorização da força
de trabalho, por meio da destruição de direitos sociais e
trabalhistas. Por isso, sem dúvida, a perspectiva da
conciliação de classes representada por Lula e o PT é uma
perspectiva ultrapassada e uma falsa alternativa para a luta dos trabalhadores.
O próprio Lula, dias antes a sua condenação, dava
declarações segundo as quais, caso eleito em 2018, não
iria anular as reformas impostas pelo governo golpista de Temer.
Reforçamos, então, a necessidade de fazer avançar a luta e
a organização popular desde já, para além da
perspectiva eleitoral. O que vai determinar a anulação da reforma
trabalhista, o impedimento da aprovação da reforma da
previdência e a garantia dos direitos democráticos dos
trabalhadores é a pressão e a organização dos
movimentos dos trabalhadores e da juventude. Neste sentido, o PCB
continuará reforçando as manifestações, frentes e
iniciativas unitárias que, realmente, se contraponham aos ataques e ao
programa de retrocessos da burguesia brasileira.
Pela reorganização da classe trabalhadora, sem
conciliação!
Pela derrubada do governo golpista, com anulação das
contrarreformas!
Pelo Poder Popular e o Socialismo!
13/07/2017
O original encontra-se em
https://pcb.org.br/portal2/15039
Este artigo encontra-se em
http://resistir.info/
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