18 de Março: às ruas contra Bolsonaro/Mourão e aliados
golpistas!
O Governo de Bolsonaro, Mourão, Guedes e Moro impõe ao povo
trabalhador uma política de terra arrasada. Veio para aprofundar, de
forma ainda mais rápida e violenta, os ataques aos direitos duramente
conquistados pela classe trabalhadora ao longo de décadas de
história. Quer transformar o Brasil num país totalmente à
mercê dos interesses imperialistas estadunidenses, com a entrega das
riquezas nacionais, a privatização plena das empresas estatais, o
desmonte completo dos serviços públicos, a
destruição dos direitos de trabalhadores, mulheres, negros e
negras, povos indígenas, LGBTs e juventude, tudo isso para beneficiar
unicamente os interesses dos monopólios privados nacionais e
estrangeiros.
Até hoje não apresentou nenhuma medida concreta para resolver os
problemas da população, há bastante tempo cansada de
sofrer com o desemprego, a crescente privatização dos
serviços públicos, baixos salários, altos preços
dos produtos, violência e aumento da pobreza. Muito pelo
contrário, as políticas adotadas foram no sentido de retirar
garantias sociais e atacar a legislação trabalhista, apenas para
favorecer os grandes capitalistas. Nenhuma das promessas de Guedes, no sentido
de retomar empregos e crescimento econômico, aconteceu. Ao
contrário, o Produto Interno Bruto teve uma alta insignificante, houve a
maior fuga de dólares dos últimos anos, com
desvalorização da moeda brasileira, a indústria não
cessa de fechar postos de trabalho, o desemprego atinge altas taxas sobretudo
na juventude, o custo de vida e o endividamento das famílias cresceram e
o Brasil volta a viver o flagelo da carestia em diversos centros urbanos.
Tudo isso só faz piorar a vida do povo trabalhador. A única
resposta do governo à crise é tornar o Estado brasileiro mais
repressor, através da militarização dos espaços
públicos, do aumento da violência policial sobre o povo e do
desrespeito aos direitos sociais, estimulando o massacre de povos, comunidades
proletárias e lutadores sociais, como no recente assassinato do
coordenador do MTST em Uberlândia (MG).
A classe trabalhadora brasileira, entretanto, começa a reagir de forma
organizada, com as greves e mobilizações ocorridas no mês
de fevereiro, com destaque para a forte greve petroleira, que foi vitoriosa em
virtude da grande participação da categoria, da
obtenção de solidariedade junto à população
e da abertura das negociações. A greve também demonstrou
na prática, através da venda de gás por preço
popular, que se as empresas estatais estivessem sob controle popular a
relação e prestação de serviços seria
diferenciada em benefício do povo trabalhador. Novas greves e
mobilizações dos trabalhadores estão previstas para este
mês de março, como as da educação pública, de
diversas categorias de servidores públicos e dos correios.
Diante da retomada de ações do movimento sindical, popular e da
juventude e da incapacidade do governo federal de apresentar respostas efetivas
à crise econômica e social em que o país se afundou,
Bolsonaro e aliados convocam manifestações de rua que pedem o
fechamento do Congresso Nacional e do STF, numa clara atitude golpista. Os
objetivos dessa convocação são os de fortalecer o
presidente frente a iniciativas de impeachment que vêm sendo anunciadas
por grupos de parlamentares, que têm, como base, as
acusações de ligações de Bolsonaro e sua
família com facções milicianas e as frequentes quebras de
decoro e regras de convívio democrático que vêm sendo
desrespeitadas pelo presidente.
Bolsonaro, ao fazer essa convocação e ao cercar-se de militares
no seu círculo palaciano mais próximo, procura responder a um
certo isolamento em que se encontra, em relação a grupos e
forças políticas e de partes da sociedade que haviam marchado com
ele nas eleições de 2018. Ao mesmo tempo, há a necessidade
de manter mobilizadas suas bases mais radicalizadas, o que faz através
de cotidianas declarações reacionárias, em que
estão sempre presentes os ataques homofóbicos, misóginos,
as agressões às mulheres, aos indígenas, às
esquerdas, aos negros, aos pobres, num discurso que muito contribui para
desqualificar a luta pelos direitos civis, políticos e sociais,
extremamente funcional à superexploração capitalista.
Parte da burguesia mantém apoio integral ao governo e flerta com a
possibilidade de um golpe que restrinja ainda mais as liberdades
democráticas para a imposição das reformas liberais. Parte
dela, no entanto, está incomodada e até gostaria de substituir o
presidente pelo vice, dado o enorme desgaste do governo junto a diversos
segmentos da sociedade, principalmente nos aspectos políticos e
culturais, como na esfera ambiental e em questões ligadas a alguns
negócios, mas teme que uma medida dessa ordem pode gerar problemas que
saia de seu controle.
No entanto, a burguesia está unida na defesa dos ajustes neoliberais,
das privatizações de empresas públicas, dos ataques
à legislação social, trabalhista e previdenciária,
como a aprovação da MP da Carteira de Trabalho Verde e Amarelo.
Agora se articula em favor das reformas administrativa e tributária, em
tramitação no Congresso, ações que agudizam a
exploração do trabalho em favor dos grandes grupos empresariais
brasileiros e estrangeiros que atuam no país e buscam manter e aumentar
seus lucros. O desmonte do Estado nas áreas de Educação,
Saúde, Ciência e Tecnologia e outros s setores faz parte do mesmo
projeto.
Essa tentativa de escalada autoritária e antipopular de Bolsonaro e
aliados fascistas precisa ter a devida resposta da classe trabalhadora, da
juventude e dos setores populares. Entidades representativas dos trabalhadores
e trabalhadoras da Educação, juntamente com a UNE haviam definido
que o próximo dia 18 de março como um Dia de Greve Nacional pela
Educação e em Defesa do Serviço Público. Agora, com
a adesão das Centrais Sindicais, Frentes de entidades populares (Frente
Brasil Popular, Frente Povo Sem Medo e Fórum Sindical, Popular e de
Juventude por Direitos e pelas Liberdades Democráticas), partidos
políticos de oposição e entidades da sociedade civil, 18
de Março será o Dia Nacional de Lutas, greves,
paralisações e manifestações pelos direitos
sociais, contra as privatizações, pelas liberdades
democráticas e contra o fascismo.
O Partido Comunista Brasileiro (PCB) e seus Coletivos de luta conclamam as
organizações sindicais e populares a participar ativamente da
convocação e organização destes atos, aglutinando
forças para as batalhas contra o desmonte da saúde, da
educação, do Estado como um todo e dos serviços
públicos, contra a privatização das empresas
públicas, a entrega das riquezas brasileiras e do patrimônio
nacional aos interesses imperialistas. É preciso avançar a luta
por emprego e direitos sociais, denunciando as falácias e mentiras
alardeadas pelo Governo e pela direita em geral, como a de que o Estado gasta
demais com os servidores, que a Petrobras estava destruída ou que as
Universidades e Institutos Federais são ineficientes.
Não nutrimos simpatia nem ilusão com a maioria do Congresso e do
STF, mas o golpe de Bolsonaro e aliados quer, acima de tudo, destruir as
tímidas liberdades conquistadas na luta contra a ditadura de 1964-1985,
aumentar a repressão e a violência policial, calar a classe
trabalhadora, suas organizações representativas, sindicatos e
partidos de esquerda, para fazer valer apenas os interesses dos capitalistas e
do imperialismo.
TODOS ÀS MANIFESTAÇÕES DE 18 DE MARÇO!
EM DEFESA DOS DIREITOS DA CLASSE TRABALHADORA E DAS LIBERDADES
DEMOCRÁTICAS!
PELO PODER POPULAR NO RUMO DO SOCIALISMO!
Comitê Central do Partido Comunista Brasileiro (PCB)
10/Março/2020
O original encontra-se em
pcb.org.br/...
Esta nota política encontra-se em
https://resistir.info/
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