Manifesto do PCB aos trabalhadores e à juventude
Contra a reforma da previdência, reforma trabalhista, a
terceirização e o ajuste fiscal.
Pelo poder popular e o socialismo!
O Brasil vive a mais grave crise de sua história, resultado tanto do
fracasso dos governos do PT e de sua política de aliança com o
empresariado e os velhos políticos tradicionais, bem como do ataque
brutal desse governo golpista de Michel Temer contra os trabalhadores e a
juventude. Na verdade, não se trata de um governo, mas de uma quadrilha
encastelada no Planalto, no Parlamento e na Administração
Pública, que rouba descaradamente os cofres públicos e que agora
realiza todo tipo de manobras para se safar da cadeia. O país
está há quatros em recessão profunda, com crescimento
médio negativo e um brutal desemprego que atinge mais de vinte
milhões de trabalhadores, considerando os treze milhões a procura
de vagas, somados aos sete milhões que desistiram de procurar emprego. A
essa situação se juntam o caos no sistema de transporte, a
degradação da saúde pública, os baixos
salários, a insegurança nas grandes cidades, a crise financeira
dos Estados e a falta de saneamento para amplas faixas da
população.
Não bastasse essa situação dramática, o governo
ilegítimo de Michel Temer, a serviço dos patrões, vem
realizando um conjunto de medidas antipopulares para favorecer os bancos, o
agronegócio e as grandes empresas em geral. Aprovou no Parlamento um
ajuste fiscal por 20 anos
, cujo objetivo é congelar por duas décadas os gastos
públicos, reduzir as verbas para saúde e educação,
de forma a privatizar os hospitais e as escolas públicas, além de
cortar os recursos para as áreas sociais. Os primeiros resultados desses
cortes já podem ser sentidos na crise financeira dos Estados e
Municípios, com atraso e parcelamento dos pagamentos de
funcionários e aposentados, fechamento de postos de saúde,
redução da merenda escolar, falta de creches, além da
violenta crise nas penitenciárias, cuja face mais visível
são as cenas de barbárie nos presídios de vários
Estados.
Na sua escalada para servir aos milionários e poderosos, o governo
aprovou a
lei das terceirizações
do trabalho, que na prática revoga grande parte da CLT
(Consolidação das Leis do Trabalho),
reduzindo direitos, salários e garantias dos trabalhadores. Com esta
lei, as empresas podem terceirizar todas as suas atividades, o que vai resultar
no rebaixamento de salários e na precarização das
condições de trabalho. Além disso, governo quer aprovar
ainda uma
reforma trabalhista
para acabar de vez com os direitos dos trabalhadores, que foram
conquistados com muita luta na década de 40 do século passado.
Essas duas medidas favorecem o trabalho escravo no campo, retiram os direitos
dos trabalhadores nas cidades, configurando-se assim o mais brutal retrocesso
contra o proletariado brasileiro em toda sua história moderna.
Para completar o ciclo de barbárie, o governo quer aprovar ainda a
reforma da previdência
, a partir da qual os trabalhadores só poderão receber o
benefício pleno se trabalharem ao longo de 49 anos. As mulheres e homens
terão que trabalhar até os 65 anos para ter direito à
aposentadoria. Num país onde, em muitos Estados e, especialmente, na
área rural, a média de vida é de 65 anos, isso significa
que grande parte da população irá morrer sem poder se
aposentar. A juventude, além de perder a perspectiva da aposentadoria,
vai ser prejudicada também com a
reforma do ensino médio
, que reduz as disciplinas de ciências sociais, implanta o obscurantismo
e a repressão contra o ensino crítico e democrático.
Que os ricos paguem pela crise
Na verdade, é importante entender claramente que essas medidas
antipopulares têm como objetivo favorecer os ricos e poderosos às
custas dos trabalhadores, da juventude e do povo pobre dos bairros.
As terceirizações
vão baratear o preço da mão-de-obra, aumentar a
rotatividade no trabalho e reduzir salários;
a reforma trabalhista
tira nossos direitos e vai acabar com férias, 13º salário, a
licença maternidade, o descanso semanal renumerado e um conjunto de
outros direitos trabalhistas. A
reforma da previdência
, além de inviabilizar a aposentadoria dos trabalhadores e da juventude,
visa a desmontar e privatizar o sistema previdenciário e deixar que
esses recursos públicos sejam administrados por bancos e financeiras
privados. Esse governo usurpador quer roubar o nosso futuro para servir aos
agiotas nacionais e internacionais, ao grande capital e ao agronegócio.
A crise que o país vive foi provocada pelos patrões e seus
aliados. Portanto, que eles paguem pela crise e não os trabalhadores.
Esse é um governo sem legitimidade, nem popularidade, odiado pela grande
maioria da população, um governo que não foi eleito e por
isso mesmo não tem nenhum respeito para com os trabalhadores e a
juventude e que só está se sustentando porque faz o trabalho sujo
para seus patrocinadores, o grande capital, a oligarquia financeira e o
agronegócio. Um governo cheio de corruptos, desde o presidente,
ministros e funcionários da administração governamental,
que transformaram a coisa pública em um balcão de
negócios. Governa com um Parlamento que é uma vergonha nacional,
cheio também de corruptos, com mais da metade envolvidos nas
investigações em curso. Alguns deles já foram presos, como
o ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha. Ou seja, governantes desse tipo
deveriam estar na cadeia e não aprovando medidas contra o povo.
Por que tudo isso está acontecendo? Primeiro, porque o sistema
capitalista está em crise no mundo inteiro. A burguesia mundial realiza
uma ofensiva contra os direitos e garantias dos trabalhadores procurando
colocar na conta dos assalariados todo o ônus da crise internacional. O
que está ocorrendo atualmente no Brasil acontece também na maior
parte dos países capitalistas. A crise brasileira também é
parte da crise mundial do capital. Mas a crise brasileira encerra um ciclo que
se fechou dramaticamente com o impeachment da presidente Dilma. Um ciclo que
demonstrou o fracasso da política de conciliação de
classes e que também foi pedagógica para todos, pois evidenciou
claramente que as alianças com a burguesia sempre levarão os
trabalhadores à derrota.
Por isso, o PT também tem grande responsabilidade nessa crise, pois, ao
longo dos seus 13 anos de governo, se aliou com o grande empresariado e com
todos aqueles políticos corruptos que no passado criticava e não
realizou as mudanças necessárias para reduzir o poder dos
milionários e poderosos. Amarelou diante da luta pelas
transformações sociais e foi descartado pelas classes dominantes
quando já não servia mais. Fez muito pouco pelos trabalhadores.
Para se ter uma ideia, os gastos com o Bolsa Família, por exemplo,
representam apenas 10% do que é embolsado pelos bancos e rentistas em
geral por conta do pagamento dos juros da dívida interna. Esses recursos
pagos aos rentistas dariam para investir na produção, retomar o
crescimento econômico, ampliar as verbas para saúde e
educação, construir creches nos bairros e mais escolas, hospitais
e universidades públicas. É sempre assim: quem dorme com o
inimigo acorda morto, ou quase.
Só a luta organizada muda a vida
Em outras palavras, estamos à beira de uma catástrofe social que
precisa ser evitada de qualquer maneira. O PCB, com sua longa experiência
de luta contra os patrões e o governo, quer alertar a todos que
não adianta ficar acomodado em casa esperando a fatalidade chegar.
Não adiante se fingir de morto como se nada estivesse acontecendo. A
crise atinge a imensa maioria do povo. Se não reagirmos agora, iremos
pagar um preço terrível pela omissão: levaremos uma vida
pior do que a que estamos vivendo atualmente. Nossos filhos e nossos netos
terão também uma vida mais difícil que a nossa, uma vida
de pobreza, miséria, baixos salários, péssimas
condições de vida, desemprego, saúde pública
privada, onde se você não tiver dinheiro morre na porta do
hospital; ensino também privado, onde só os ricos e poderosos
terão educação de qualidade e poderão cursar uma
universalidade, além de uma juventude marginalizada, sem qualquer
futuro, aliciada pelo banditismo e assassinada diariamente nas periferias.
Esse será nosso destino se não lutarmos. O PCB acredita que
somente a organização e a luta dos trabalhadores, da juventude e
do povo pobre dos bairros pode reverter essa conjuntura dramática.
É necessário generalizar a luta contra o corte de direitos e
garantias dos trabalhadores e da juventude. Chegou a hora de transformar a
grande insatisfação que envolve a maioria da
população em luta concreta e organizada para derrotar esse
governo ilegítimo. As lutas que estão sendo realizadas nas ruas,
os protestos nos estádios de futebol, nas manifestações
culturais, as recentes paralisações e manifestações
dos dias 15 e 31 de março apontam no sentido de que é fundamental
intensificarmos a luta nas ruas, nos locais de trabalho e estudo, organizar a
população nos bairros num processo de acumulação de
forças rumo à
greve geral
contra todas essas medidas de arrocho.
As centrais sindicais e os movimentos sociais estão chamando uma greve
geral contra as reformas antipopulares, sob o lema
Dia 28 de abril vamos parar o Brasil
. É nosso dever trabalharmos ativamente para o sucesso dessa jornada de
lutas, procurando transformar o
28 de abril
num marco histórico que irá mudar a correlação de
forças em favor dos interesses populares até a queda desse
governo, a revogação de todas as medidas antipopulares, a
colocação dos corruptos na cadeia e o confisco de seus bens para
pagar o que foi roubado dos cofres públicos. Portanto, cada trabalhador,
cada jovem, cada morador dos bairros, cada dona de casa deve se incorporar a
essa luta em cada cidade brasileira formando os
Comitês Populares Contra as Reformas
. É importante pressionar para a realização de assembleias
nos sindicatos, reunir os amigos nos bairros ou nas associações
de moradores, realizar debates nos grêmios e centros acadêmicos,
conversar com os vizinhos, explicar as consequências dos ataques que
estão sendo realizados contra os trabalhadores e a juventude e convencer
a todos a participar dessa luta.
Um programa alternativo para o Brasil
Para contribuir com a unidade das forças contra Temer, o PCB
propõe um calendário de reuniões com
organizações da esquerda socialista e dos movimentos sociais,
assim como as entidades nacionais da luta sindical e democrática, dentre
outras, visando à articulação de um espaço de lutas
mais amplo, para além dos blocos e frentes da esquerda socialista, pois,
diante da gravidade da situação brasileira, dos ataques contra os
trabalhadores, das ameaças às liberdades democráticas e
à soberania nacional, há um vasto campo progressista que
poderá ser atraído para engrossar e fortalecer as lutas
anticapitalistas e contra a barbárie que o governo Temer quer nos impor.
Sabemos pela própria experiência histórica que nem todos os
componentes desse processo de lutas têm os mesmos objetivos. Por isso,
é imprescindível que, no interior do campo unitário, se
fortaleça a esquerda socialista e classista visando a constituir uma
frente política permanente, um campo alternativo no qual os interesses
dos trabalhadores não sejam trapaceados por quem quer apenas canalizar a
insatisfação popular das ruas para as eleições em
2018. É fundamental que, nesse processo de debate e entendimentos, se
produzam as ferramentas para a realização do
Encontro Nacional dos Trabalhadores e do Movimento Popular
, com vistas à construção de um projeto alternativo para o
país que se transforme em referência organizativa para a grande
insatisfação que hoje existe na sociedade brasileira. Quanto mais
forte esse bloco estiver, maiores serão as possibilidades para se
avançar nas conquistas populares.
O ano de 2017 será decisivo para o futuro do Brasil. Do resultado das
lutas que realizarmos dependerá o futuro próximo do país.
Nesse sentido, é preciso varrer do poder os velhos políticos e
seus partidos corruptos. Queremos construir uma outra sociedade onde as
decisões não sejam tomadas nos salões da burguesia, mas
entre os trabalhadores e o movimento popular. Uma sociedade sem
exploração, sem miséria, sem fome, uma sociedade nova onde
todos possam ter uma vida digna e feliz. O PCB conclama os trabalhadores, a
juventude e o povo pobre dos bairros para uma longa jornada de lutas para
destruir os podres poderes do decadente sistema de representatividade eleitoral
brasileiro e conquistar um novo governo, que tenha como norte de
ação os interesses populares, na perspectiva de
construção do poder popular e do socialismo.
11/Abril/2017
O original encontra-se em
pcb.org.br/portal2/14083
Este manifesto encontra-se em
http://resistir.info/
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