A entrevista de Lula: entre a crítica e a
conciliação
A entrevista de Lula
[1]
revela aspectos muito importantes para pensar sobre o atual cenário do
país e o futuro da esquerda. Primeiro, é
importante ressaltar que Lula, mesmo preso há mais de um ano, segue
sendo uma figura central na política nacional.
A omissão da entrevista pela
Globo
e pela [TV]
Record
revela muito. E
Bolsonaro acusou o golpe das comparações e análises feitas
pelo ex-presidente, ao afirmar que a justiça errou ao conceder o direito
de Lula ser entrevistado. Lula, ao fazer comparações entre o seu
governo e o início do governo bolsonarista, deixa constrangidos e na
defensiva os defensores de Bolsonaro. A crítica que ele faz a Guedes foi
uma paulada, ao perguntar onde o super-ministro estudou economia.
Lula articula pautas importantes: abre fogo contra a
Globo
e os grandes meios
de comunicação; desmascara a Lava Jato; critica as
políticas neoliberais; denuncia a submissão do atual governo aos
EUA e pauta questões econômicas que afetam o cotidiano dos/as
brasileiros/as.
Sua capacidade de comunicação é impressionante. A
questão é que Lula, mesmo preso, se mostra mais agressivo em suas
críticas, mas não o suficiente para romper com o projeto de
conciliação de classes, ao apontar para a saída dos
problemas pela via do consumo e do crédito, sem tocar na
politização e mobilização das massas.
Ele revela suas mágoas com o empresariado e com os militares, como se os
mesmos o tivessem traído, já que nenhum presidente fez tanto por
estes setores. Sua esperança de sair da prisão e poder disputar
uma eleição novamente mostra sua crença na
institucionalidade. O que é um erro.
Da entrevista fica uma lição importante para a esquerda. Do
lulismo há de se destacar a capacidade de comunicação com
as massas, de falar sobre os problemas do povo e dos trabalhadores brasileiros
e a articulação de um projeto político.
Também fica o aprendizado que a retomada dos marcos do lulismo, com a
conciliação de classes e a crença na institucionalidade
não são as saídas para o Brasil. O quadro em que vivemos
não permite mais um pacto de classes, a não ser em níveis
rebaixadíssimos para os/as trabalhadores/as.
Lutar pela liberdade de Lula é uma tarefa da esquerda e dos setores
progressistas do país. Como também é uma tarefa superar o
lulismo e seu projeto de conciliação de classes.
É preciso um projeto radical, popular e socialista! Possível e
necessário!
28/Abril/2019
[1]
A entrevista de Lula aos jornalistas Florestan Fernandes Júnior e Mônica
Bergamo encontra-se em
brasil.elpais.com/brasil/2019/04/27/politica/1556391281_348638.html
[*]
Do PCB.
O original encontra-se em
pcb.org.br/portal2/22932/a-entrevista-de-lula-entre-a-critica-e-a-conciliacao/
Este artigo encontra-se em
http://resistir.info/
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