Paulo Guedes põe o Brasil à venda
É preciso resistir nas ruas para deter a destruição do País
O ministro Paulo Guedes resolveu tirar a máscara e revelar os
verdadeiros objetivos de sua política econômica de terra arrasada.
Em longa entrevista ao jornal
Valor Econômico,
órgão destinado aos grandes empresários, ele revelou seu
plano estratégico para servir aos interesses do imperialismo, dos
banqueiros e rentistas, do grande capital e do agronegócio. Sem meias
palavras e um pouco também sem cerimônia, Guedes afirmou que seu
objetivo é realizar uma privatização acelerada de todas as
empresas públicas ("todas de uma só vez", disse),
desvincular todo o orçamento do governo federal, dos Estados e
Municípios, desindexar a economia e avançar contra os
salários, direitos e garantias, e estabilidade dos funcionários
públicos. Ou seja, um desmonte completo do Estado, a
destruição dos direitos e a entrega do patrimônio
público do País ao capital privado nacional e internacional.
Guedes quer ainda congelar o salário mínimo, rebaixar os
salários, privatizar o ensino público e, especialmente, as
universidades públicas e a ciência, quebrar o pacto federativo,
reduzir os impostos para os ricos e, pasmem, realizar um arrocho fiscal que
significará cortes drásticos em 24 das 31 áreas do
governo. É uma política de destruição e desmonte do
estado para engordar os bolsos dos banqueiros e rentistas com os pagamentos de
juros da dívida interna. Ironicamente, ele chama esse plano de
"Caminho da Prosperidade". Em outras palavras, isso significa que
Paulo Guedes vai vender a preço de banana todas as empresas
públicas brasileiras, como já fez com a Embraer, entregar para as
multinacionais as riquezas do pré-sal descobertas pela Petrobrás,
além dos recursos minerais e da biodiversidade. Num gesto que mistura
sinceridade e cinismo ele garante que vai desinvestir e desmobilizar os ativos
públicos e, para tanto, deverá colocar o BNDEs como financiador
do processo de privatização. É como se você vendesse
a sua casa para um estranho e ainda concedesse um financiamento generoso para
quem vai adquirir o seu imóvel.
Sob o argumento de que o orçamento público está vinculado
ou carimbado, como costuma dizer, ele afirma que vai desvincular das garantias
constitucionais todo o orçamento público. Como nós
sabemos, os Constituintes de 1988, para garantir as verbas para
educação e saúde e outros itens da pauta social, definiram
que tanto o governo federal, quanto os governos estaduais e municipais deveriam
obrigatoriamente investir um percentual do orçamento em saúde e
educação e áreas sociais. Na educação, o
percentual é de 18% para o governo federal, 25% para os governos
estaduais e 25% para os municipais. Na área da saúde o percentual
é de 13,2% do orçamento federal, 12% do estadual e 15% do
municipal. Mas Guedes quer acabar com a obrigatoriedade e deixar tudo por
conta dos políticos locais, que deverão aplicar os recursos de
acordo com suas conveniências.
A educação pública ficará sem recursos para atender
as demandas dos estudantes e será completamente destroçada.
Aí então então aparecerão os conhecidos abutres
financeiros, que irão justificar a privatização do ensino
público porque a educação está sucateada. A
saúde também sem verbas ampliará o caos no atendimento
público, e aí mais uma vez os abutres financeiros
aparecerão para reivindicar a privatização da saúde
e o fim do SUS (Sistema Único de Saúde). As pessoas
morrerão na porta dos hospitais porque não terão dinheiro
para pagar os tubarões da mercantilização da saúde.
É a volta da política típica do período da
República Velha, quando os coronéis dos Estados e
Municípios definiam as prioridades de acordo com seu curral eleitoral.
Quem pensou que o saco de maldades do governo estaria satisfeito com a reforma
da previdência, deve estar profundamente decepcionado. Agora, Guedes se
prepara para um desmonte completo do Estado mediante a retirada de direitos dos
funcionários públicos. Partidário radical do Estado
mínimo, Guedes disse que vai redesenhar a estrutura do governo central,
que está com excesso de funcionários públicos. Por isso
ele vai reduzir de maneira drástica o número de
funcionários públicos, acabar com a estabilidade desses
trabalhadores, reduzir os salários e transformar função
pública num entreposto a serviço dos governantes de
plantão. Ou seja, quando as pessoas não tiverem mais atendimento
nos hospitais, nem funcionários e professores na rede pública
não se esqueça: foi o Guedes que mandou reduzir a
prestação dos serviços públicos.
Na sanha para implantar a austeridade e reduzir as despesas do Estado para
sobrar recursos para pagar os juros e amortizações da
dívida interna para os rentistas, Guedes vai colocar todo o dinheiro
arrecadado com a venda das estatais e com a economia de recursos em
função da austeridade para pagar os rentistas, afinal o objetivo
central do governo é favorecer o grande capital. Vale lembrar que os
donos dos títulos da dívida pública ganharam rios de
dinheiro com a política de juros escorchantes que vigorou durante a
maior parte da dos últimos 30 anos de política neoliberal no
Brasil. Como os juros eram mais elevados que o crescimento dos recursos
fiscais, a dívida foi crescendo como uma bola de neve. Transformou-se
numa dívida puramente financeira: não serviu para construir um
hospital, nem uma escola, ou uma estrada. Apenas se transformou num instrumento
confortável para os rentistas em geral acumularem rios de dinheiro
à custa dos cofres públicos.
Guedes também quer mexer nos programas sociais, como o Bolsa
Família, implantar mais impostos para a população pobre e
reduzir os impostos para os ricos. Nem as camadas médias, que tanto
apoiaram Bolsonaro nas últimas eleições, ficarão de
fora do austericídio que Guedes quer implantar na economia. Ele disse
que vai acabar com as deduções da saúde e
educação no imposto de renda e estimular a
pejotização,
ou seja, a contratação de trabalhadores sem os direitos e
garantias previstos na Consolidação das Leis do Trabalho, a CLT,
e ainda diminuir os impostos para as empresas. Ou seja, é a
barbárie institucionalizada com nome e sobrenome.
Como até agora as propostas de Guedes não tiveram uma resposta
à altura dos trabalhadores, ele se torna mais ousado nessa ofensiva. Sua
última proposta é retirar da Constituição os
reajustes do salário mínimo. Pela proposta da equipe
econômica, a ideia é congelar os reajustes do salário
mínimo por alguns anos até que as contas públicas fiquem
equilibradas. Não se pode esquecer que o congelamento dos reajustes do
salário mínimo ou reajuste abaixo da inflação foi
uma prática permanente no período da ditadura. Essa proposta de
Guedes prevê uma economia de R$37 mil milhões por ano com essa
medida. Vale lembrar ainda que até 2016 a lei previa que o
salário mínimo seria reajustado pela inflação, mais
o percentual de aumento do Produto Interno Bruto de dois anos anteriores. Essa
política resultou em aumentos reais do salário mínimo ao
longo de mais de uma década, o que melhorou as condições
de vida de uma parcela expressiva dos trabalhadores que recebem salário
ou benefícios nessa faixa de renda. Com o golpe, essa política
foi revogada.
Ainda na ofensiva para privilegiar o grande capital, Paulo Guedes quer
desonerar de qualquer forma a folha de pagamento e outros tributos dos
empresários, ou seja, quer reduzir o conjunto dos impostos que os
empresários pagam Tesouro. O argumento mais uma vez é
cínico: as desonerações serão feitas para aumentar
o emprego. É a mesma mentira: recentemente se prometeu a
criação de 5 milhões de empregos se a reforma trabalhista
fosse aprovada. Vale lembrar que este presente aos empresários, que
somará R$326 mil milhões, representa recursos bem maiores que os
orçamentos da educação e meio ambiente, por exemplo. E
para completar o desmonte do Estado, a proposta orçamentária para
2020 prevê corte em 24 das 31 áreas do governo: os investimentos
públicos, que já eram baixos, deverão cair de R$89,1 mil
milhões para R$19 mil milhões. É a politica de terra
arrasada para destruir direitos, salários e entregar o País ao
grande capital.
Acontece que esse tipo de política fracassou em todos os países
do mundo onde foi aplicada e deixou os países em que foi implementada
quebrados e destroçados. O exemplo mais recente é o da Argentina,
que vive atualmente o caos econômico em função da
política neoliberal. Mesmo assim Guedes teima em implantar no Brasil uma
política que a vida já se encarregou de desmoralizar em todos os
países do mundo. Acadêmico medíocre e condutor incompetente
da política econômica, Paulo Guedes quer implantar a mesma
política da ditadura chilena, a quem serviu, num gesto patológico
e vingativo, pois até hoje não se conforma de não ter sido
aceito pela academia (mesmo composta em sua maioria por economistas
neoclássicos), em função de suas ideias rasteiras e pouco
fundamentadas. Por isso, seu apelido entre os economistas era
Beato Salu,
personagem louco e folclórico de uma novela da rede Globo.
Portanto, é hora de organizar a resistência e a contra-ofensiva
contra a política desse ministro ensandecido. Se essa política se
consolidar, aumentará ainda mais a desigualdade e a miséria entre
a população brasileira. Ou seja, a catástrofe nos
ameaça e só a luta nas ruas, nos locais de trabalho e moradia, as
grandes mobilizações de massas serão capazes de derrotar
esse governo e reconstruir o País.
19/Setembro/2019
[*]
Secretário Geral do PCB
Este artigo encontra-se em
http://resistir.info/
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