Paulo Guedes, um assassino social a serviço dos rentistas, grandes
empresários e do imperialismo!
O governo Bolsonaro não pode ser considerado um governo clássico.
Cada dia alguém em sua equipe fala uma barbaridade, toma uma
decisão absurda, publica uma notícia falsa, provoca um
escândalo ou diz alguma coisa que gera chacota pelo mundo afora. Parece
uma
troupe
alucinada constituída por folclóricos e desqualificados, o que
tem certo sentido de verdade. No entanto, não se pode pautar esse
governo pela cortina de fumaça que diariamente inventa para fidelizar
sua tropa e distrair a oposição. Mesmo sabendo que é um
condomínio constituído por assassinos sociais, fundamentalistas,
corruptos, milicianos, lumpesinato político e títeres do
imperialismo, não se pode subestimar seus verdadeiros objetivos, pois
estão a serviço de uma poderosa classe dominante que bancou
politicamente e financiou a eleição desse governo.
A lógica do circo é um método funcional para esconder o
essencial, que é a violenta ofensiva do grande capital nacional e
internacional contra os trabalhadores, a juventude e as massas pobres urbanas e
rurais, para rebaixar o custo de mão-de-obra, saquear o fundo
público e entregar o patrimônio nacional ao capital privado, cujo
síndico é o ministro da Economia, Paulo Guedes. Ele não se
expõe diariamente, prefere manter o estilo discreto para não se
queimar, mas é eficiente na conspiração às sombras,
com chantagens, clientelismo, argumentos falaciosos e oferta de vantagens aos
parlamentares e governadores, de forma atingir os objetivos da burguesia
brasileira e do imperialismo, mesmo que para isso tenha que rasgar a
Constituição, destruir os direitos e garantias dos trabalhadores
e da população em geral, implodir as conquistas
democráticas e implantar a barbárie social no País.
Paulo Guedes foi o escolhido pelo mercado para realizar o trabalho sujo.
Considerado um intelectual medíocre, apelidado pelos colegas economistas
de
Beato Salu
(personagem folclórico de uma novela brasileira, que anunciava o fim
dos tempos), nunca produziu um trabalho acadêmico substancial (sua tese
de doutorado tem apenas 63 páginas,
[1]
nunca foi publicada ou teve alguma repercussão), mas é muito
esperto nas operações de especulação financeira,
onde fez fortuna e dirigiu até recentemente um fundo gestor de recursos
financeiros, a Bozano Investimentos. Guedes comanda agora um
superministério, que absorveu parte dos antigos ministérios da
indústria e comércio, do Trabalho, Planejamento e Fazenda.
Portanto, se tornou o czar da maior parte do Produto Interno Bruto brasileiro,
responsável pelos principais setores que comandam a economia. Não
é pouco para quem sempre viveu marginalizado entre seus pares porque
não tinha perfil acadêmico nem uma obra substancial.
Considerado um neoliberal radical, com doutorado pela Universidade Chicago, de
todos conhecida pela tragédia que gerou nos países onde seus
Chicago Boys
comandaram a economia, escolheu a dedo a sua equipe, formada pelo que
há de mais ortodoxo no pensamento neoliberal, muitos com
formação em Chicago como Joaquim Levy, presidente do BNDEs,
Rubens Novaes, do Banco do Brasil e Roberto Castelo Branco, presidente da
Petrobrás, além de banqueiros, grandes empresários,
ex-participantes da equipe de Temer e burocratas que rezam por essa cartilha.
Trata-se de uma casta que representa o que há de mais antipopular e
antinacional de toda a história do último meio século. Um
conjunto de fundamentalistas que, se não forem derrotados pelas massas
nas ruas, irão implantar a devastação social, esfrangalhar
as instituições e entregar as riquezas nacionais para o capital
privado nacional e o imperialismo.
Servindo a ditadura e governos autoritários
Aliás, é importante ressaltar que Guedes, assim como todos os
neoliberais, não têm escrúpulos em relação a
governos autoritários. Eles prosperam muito melhor entre as ditaduras e
governos antidemocráticos porque seus projetos antinacionais e
antipopulares necessitam de repressão e restrições
às liberdades democráticas para serem aplicadas. Guedes serviu
à ditadura Pinochet nos anos 80 e deu aulas na Universidade do Chile,
levado àquele País por um colega chileno de Chicago, que se
tornou
Diretor de Orçamento
da ditadura pinochetista e depois grande empresário após as
negociatas com o programa de privatizações, do qual também
era diretor de operações. Quando questionado sobre o fato ter
servido a uma ditadura sanguinária, ele responde cinicamente: "Eu
sabia que era uma ditadura, mas para mim isso era irrelevante do ponto de vista
intelectual".
[2]
Agora serve novamente a um governo autoritário. Nada de novo em sua
trajetória.
Guedes sempre foi um apaixonado pelos ideais dos
Chicago Boys
chilenos, mas não conseguiu aplicar seu projeto no Brasil porque sempre
foi marginalizado pelos economistas do
mainstream
em função de suas ideias extremistas. Foi exatamente do
período da ditadura de Pinochet que Guedes recolheu o ideário e a
experiência que está tentando implantar no Brasil com a reforma da
previdência, o sistema de capitalização, a
educação privada, a privatização da saúde e
abertura econômica. Os chilenos já constataram amargamente o
fracasso das políticas neoliberais e agora lutam para reconquistar seus
direitos, como educação pública e uma previdência
decente, porque as várias décadas de experimentos neoliberais
significaram uma tragédia para os trabalhadores e a
população em geral do Chile.
Mas esse frio e calculista economista ultraortodoxo não é apenas
um limpinho, cheiroso e grande especulador na órbita das
finanças, que considera todos os governos eleitos após a ditadura
brasileira como construtores de um Estado dirigista, assistencialista e um
obstáculo ao seu projeto autoritário. Como todo neoliberal que se
preze, Guedes também tem seu lado obscuro e podre: está sendo
investigado pela Polícia Federal na
Operação Greenfield
por suspeitas de operações fraudulentas em fundos de
pensão de companhias estatais que eram administrados pela empresa de
consultoria que dirigia antes de ser ministro. A operação
investiga ainda a suspeita de que outro fundo administrado por Guedes, o FIP
Brasil de Governança Participativa, emitiu e negociou títulos sem
lastro ou garantias. Aliás, é raro encontrar um economista
neoliberal que não tenha feito fortuna manejando influência,
informação privilegiada ou operações
ilícitas nos meandros do mercado financeiro ou em governos
autoritários.
Mas os problemas de Guedes não se restringem apenas à
crônica policial: há sérios indícios de
atuação suspeita entre o período de afastamento das
atividades na Bozano Investimentos e a posse no Ministério da Economia.
Antes de sair, Guedes deixou os participantes dos fundos que administrava e,
possivelmente seus próprios investimentos, muito bem posicionados no que
se refere às áreas que poderão ser privatizadas. A raposa
vai cuidar do galinheiro. Um levantamento feito por
The Intercept
em relação a 23 empresas que negociam ações na
Bolsa, e nas quais a Bozano se posicionou, demonstra a esperteza do agora
ministro. Entre os setores em que a Bozano aplicou na Bolsa estão as
área de Educação (onde espera implantar os
vouchers
para os estudantes, como no Chile), e Saúde, (onde possui interesses em
hospitais e laboratórios), dois setores com grande aporte de recursos e
que Guedes espera que sejam privatizados. Também há fortes
aplicações da Bozano na área de energia (onde
também espera a privatização da Eletrobrás) e
construção civil, área na qual Bolsonaro já
anunciou que vai ampliar o programa, que deve se chamar de Casa Brasileira.
[3]
Portanto, em breve se poderá saber se as apostas de Guedes e seus
parceiros de investimentos correspondem a uma esperteza especulativa ou se foi
uma miragem que será atropelada pelo movimento social.
A natureza da ofensiva mundial do capital
O que está acontecendo no Brasil, com o governo Bolsonaro e sua
política de terra arrasada, não é um fato isolado.
Trata-se de uma ofensiva mundial do capital, uma declaração de
guerra aberta contra os trabalhadores, a juventude e o povo pobre da cidade e
do campo, que vem se aprofundando de maneira radical desde a crise
sistêmica de 2007-2008. Como a crise vem castigando o sistema capitalista
há mais de 10 anos, com a maior parte das economias capitalistas em
lento crescimento ou na estagnação (algumas com desenvolvimento
alavancado por maciças injeções de dinheiro sem lastro que
alimenta a órbita das finanças), as classes dominantes precisam
esconder a crise econômica e evitar que o povo tome conhecimento da
realidade. Mas a crise é real apesar da cortina de fumaça
construída pelos meios de comunicação. Não
é sem razão que o ex-secretário do Tesouro dos Estados
Unidos, Lawrence Summers, mais realista que os propagandistas de segunda linha
do grande capital e suas notícias otimistas plantadas nos meios de
comunicação, reconhece que após a crise de 2007-2008 o
sistema capitalista está vivendo uma "estagnação
secular".
As ideias que buscam implantar no mundo já foram derrotadas em
vários momentos históricos. A Grande Depressão sepultou o
ideário liberal praticado pela maioria dos governos capitalistas antes
dos anos 30. A partir da Segunda Guerra Mundial as políticas
keynesianas, de intervenção do Estado na economia, além de
políticas redistributivas conquistadas tanto pelo movimento
operário quanto realizadas como instrumento para se contrapor as
conquistas sociais da União Soviética, se tornaram
hegemônicas nos países centrais, especialmente na Europa. Essa
construção perdeu força a partir da segunda metade de
década de 70 do século passado e foi substituída por
políticas neoliberais que rapidamente envolveram a grande maioria dos
países capitalistas marcando assim uma virada radical na economia
mundial.
As políticas atuais do neoliberalismo implementadas pelos governos
capitalistas a partir dos anos 80, como a transformação do
mercado em agente exclusivo de regulação da vida social, a
retirada do Estado da economia e privatização das empresas
públicas, a desregulamentação financeira, a livre
mobilidade dos capitais, a iniciativa privada como operadora exclusiva do
sistema econômico, também foram derrotadas pela vida e fracassaram
com a crise sistêmica global de 2007-2008. Isso porque a crise
começou exatamente na iniciativa privada e atingiu em cheio o sistema
financeiro, que era o coração dessas práticas. O mercado
não regulou nada. A desregulamentação e as chamadas
inovações financeiras especulativas foram as principais
detonadoras da crise. Teoricamente, mais uma vez essas ideias faliram, mas os
neoliberais, sem qualquer cerimônia, foram se agasalhar justamente nas
asas do Estado para os salvar da bancarrota. Coerência não
é o forte dos neoliberais.
Quem imaginava que as classes dominantes iriam refletir sobre a conjuntura e
corrigir as políticas que fracassaram, enganou-se redondamente. Pelo
contrário, a elite parasitária que hoje hegemoniza o capital
financeiro internacional está realizando uma fuga para frente,
radicalizando ainda mais as políticas neoliberais e impondo a todos os
povos subordinados à economia líder uma agenda predatória
que retroage os direitos e garantias para os períodos do inicio da
revolução industrial e avança de maneira impressionante
sobre o fundo público, através dos mecanismos de pagamento do
serviço da dívida pública e envolvimento das empresas
produtivas na especulação financeira, uma vez que os fundos de
investimento que essa elite dirige estão bem posicionados nas
direções empresariais para exigir retornos de curto prazo
semelhante aos que obtêm na órbita das finanças.
Fascismo de mercado, nova fase neoliberal
Nessa conjuntura, cada vez mais se torna claro que a política da elite
parasitária está se tornando incompatível com a democracia
formal dos tempos do capitalismo monopolista de Estado, porque as medidas
neoliberais são predatórias, antipopulares ao extremo, geram
resistência e luta. Por isso, o capital está apelando com
frequência para as soluções autoritárias,
restrições às liberdades democráticas e muitas
vezes aos grupos paramilitares declaradamente fascistas. Neoliberalismo e
fascismo articulam uma comunhão de interesses em várias partes do
mundo e as classes dominantes têm sido obrigadas a tirar a
máscara e mostrar seus verdadeiros interesses. O que está
acontecendo no Brasil atualmente é parte desse processo de
mudança de método do capital financeiro internacional nessa nova
fase ultraliberal.
Dessa forma, não é de se estranhar o projeto radical de Paulo
Guedes. Ele tem um enorme desprezo pelos seres humanos que não fazem
parte da elite que hoje domina o governo brasileiro. São os fascistas de
mercado, para os quais os direitos sociais dos trabalhadores, os direitos
humanos, as liberdades democráticas e os movimentos sociais e populares
são obstáculos para os seus lucros e, portanto, devem ser
criminalizados, reprimidos e destruídos. As declarações
recentes de Guedes à imprensa sobre os objetivos da reforma da
previdência revelam muito bem sua personalidade. Candidamente, ele
afirmou que não importa se as pessoas possam morrer antes de se
aposentar, o importante é que a reforma renda a economia R$ 1
milhão de milhões para continuar engordando os lucros do
grande capital e dos rentistas mediante o pagamento dos juros da dívida
interna. Um ministro que faz publicamente uma declaração com esse
teor não é um estadista, é uma escória humana.
A política que Paulo Guedes está planejando implantar no Brasil
pode ser considerada também uma espécie de genocídio lento
e gradual das futuras gerações e sofrimento e dificuldades para
os que estão atualmente no mercado de trabalho. Com uma equipe de
tecnocratas arrogantes e sem escrúpulos, são os cães de
guarda a serviço do que há de mais conservador e
parasitário na economia brasileira. Eles estão querendo implantar
um estado de exceção permanente contra os direitos e garantias
dos trabalhadores e da população pobre. São mais perigosos
que os marginais que infernizam a vida da população nas favelas e
periferias porque, com os programas econômicos-sociais que estão
querendo impor aos trabalhadores, vão aumentar a
concentração da riqueza nas mãos dos ricos, ampliar a
miséria entre a maioria da população e matar
silenciosamente milhões de pessoas de fome, miséria e desamparo.
Estamos vivendo um dos mais tensos momentos de luta de classe aberta em nosso
País, uma ofensiva brutal para devastar os direitos sociais e
trabalhistas, com a destruição da Consolidação das
Leis do Trabalho (CLT) e das conquistas da Constituição de 1988.
Eles querem impor aos trabalhadores a terceirização generalizada,
o trabalho intermitente com a chamada carteira verde-amarela, a
flexibilização generalizada e os salários ainda mais
baixos. Para dificultar a luta organizada do movimento social, estão
tentando emplacar um conjunto de medidas draconianas para asfixiar os
sindicatos, como a proibição às empresas e
órgãos governamentais de repassarem, em folha de pagamento, a
contribuição dos associados, além de outras medidas
buscando criminalizar todas as ações do movimento popular.
Contrareformas, entreguismo e implosão institucional
Diante de todo esse conjunto de questões, é fundamental
não perdermos de vista o caráter de classe desse governo e
fundamentalmente entender suas táticas operacionais para melhor
combatê-lo. Nessa lógica, é importante compreender que os
fundamentalistas medíocres como a ministra Damares Alves e os ministros
Ricardo Velez e Ernesto Araújo são funcionais ao capital porque,
além de desviar o foco das discussões centrais que interessam
realmente às classes dominantes e manter a agenda conservadora junto
às bases sociais, servem também para desqualificar as lutas
contra as opressões, justificar a perseguições às
mulheres, negros e negras, LGBTs e pobres em geral. Além disso, realizam
ainda um alinhamento subserviente com os Estados Unidos na política
exterior e buscam impor o obscurantismo nas escolas e universidades.
Mas o centro dos interesses das classes dominantes pode ser expresso em quatro
pontos fundamentais:
a) a reforma da previdência; b) a desvinculação do
orçamento das regras constitucionais; c) o aprofundamento da reforma
trabalhista; e d) a entrega das empresas públicas e do patrimônio
nacional ao capital privado nacional e estrangeiro.
Por isso, é estratégico o papel de Paulo Guedes no
Ministério da Economia, o que explica também sua
sustentação por todas as frações da burguesia, do
imperialismo e dos meios de comunicações, que diariamente
envenenam o povo brasileiro com manipulações e mentiras para que
as classes dominantes atinjam os seus objetivos. Neste artigo não vou me
ater as questão técnicas envolvendo esses quatro temas, mas
às questões políticas e de classe, procurando
desmistificar a falácia dos argumentos da burguesia e mostrando
claramente seus interesses em cada um desses temas.
Reforma da previdência
Nunca uma mentira foi repetida tantas vezes, da maneira mais sem
cerimônia possível, para ludribriar o povo como essa lorota de que
a previdência é deficitária. Ao contrário do que
é divulgado diariamente por autoridades governamentais e reproduzido
incessantemente pela mídia, a previdência brasileira não
é deficitária. Não existe rombo da previdência nem
problema fiscal em relação a esse tema. É tudo
manipulação para encher o cofre dos banqueiros e dos capitalistas
em geral que vivem do rentismo. Recente relatório Comissão
Parlamentar de Inquérito do Senado, presidida pelo senador Paulo Paim,
provou isso de maneira cristalina, com números irrefutáveis. Mas
não importa a verdade: o objetivo é desinformar, mentir para
alcançar as metas do grande capital. A catástrofe financeira que
eles anunciam se a reforma não for aprovada é terrorismo
midiático, um fantasma artificial, uma fantasia criada para enganar a
população e justificar o assalto ao fundo público.
O problema fiscal existe realmente, mas está localizado em outro ponto
do orçamento. O rombo nas contas públicas brasileiras está
exatamente ligado ao pagamento do serviço da dívida
pública brasileira, especialmente a dívida interna. Toda a
política econômica brasileira está subordinada, há
décadas, ao pagamento dessa dívida, que funciona como uma bomba
de sucção dos recursos públicos para saciar o apetite
voraz dos abutres financeiros. Segundo dados do próprio Tesouro, nos
últimos 10 anos a dívida mais que dobrou, passando de R$ 1,33
milhão de milhões em 2007 para 3,55 milhões de
milhões em 2017. E o pagamento dos juros dessa dívida equivale a
um verdadeiro saque contra os cofres públicos; "Desde que a
série histórica passou a ser registrada no MF
(Ministério da Fazenda) em 1997, o Brasil destinou o equivalente a R$
4,7 milhões de milhões a valores atuais de seu orçamento
federal para o pagamento de juros. Isso nos dá uma média anual ao
longo desses 21 anos correspondente a R$ 221 mil milhões".
[4]
Esse é o centro do problema fiscal brasileiro e responsável por
toda essa tragédia social e econômica que estamos vivendo.
Todos sabem, especialmente o governo e seus ministros, que a previdência
faz parte da seguridade social, juntamente com a saúde e a
assistência social. Para financiá-la, os
Constituintes
estabeleceram, no artigo 194 da Constituição de 1988, um
conjunto de receitas para garantir o aporte de recursos à
previdência. As receitas envolvem a contribuição dos
próprios trabalhadores para o INSS, impostos sobre o lucro
líquido dos empresários (CSLL) e a parte empresarial sobre a
folha de salários, impostos sobre importação de bens e
serviços, venda de produção rural, receitas do PIS, entre
outras. O mais impressionante é a constância das mentiras
propagadas pelo governo e meios de comunicação, numa permanente
manipulação dos fatos: Desde a aprovação da
Constituição, a seguridade foi superavitária até
2015. Vejamos alguns números: "A sobra de recursos foi, por
exemplo, de 72,7 mil milhões em 2005; 53,9 mil milhões em 2010;
R$ 76,1 mil milhões em 2011; R$ 82,8 em 2012; R$ 76,4 em 2013; R$ 55,7
em 2014; e R$ 11,7 em 2015".
[5]
A crise econômica, o desemprego, a informalidade e as
desonerações fiscais, a partir de 2015, reduziram drasticamente a
arrecadação previdenciária, mas os superávits
obtidos desde 1989 compensam plenamente pequenos déficits em
períodos de crise aguda. Acontece que, desde o governo de Fernando
Henrique Cardoso, parcela expressiva dos recursos da seguridade social foram
desviados para pagamento dos serviços da dívida interna.
Na verdade, o que se busca com a reforma da previdência é
retroagir os direitos sociais para os tempos da República Velha (quando
a questão social era tratada como caso de polícia), transformar
em mendigos as futuras gerações que não poderão se
aposentar, rebaixar as aposentadorias dos que estão no sistema atual,
mediante uma série de artifícios como o reajuste abaixo da
inflação e jogar na lata de lixo as conquistas
democráticas obtidas com a Constituinte. Para se ter uma ideia da
barbárie em marcha, basta dizer que, segundo a
Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag),
90% dos agricultores familiares não poderão se aposentar com as
novas regras. Da mesma forma, são poucos os que conseguirão
trabalhar 40 anos para se aposentar com o salário mínimo. Tudo
isso está sendo realizado com o objetivo de transferir para a
gestão do sistema financeiro privado os cerca R$ 640 mil milhões
que são movimentados anualmente pela previdência social no Brasil.
Em termos práticos, eles querem acabar com o
sistema de repartição,
que criou um vínculo de solidariedade entre as várias
gerações (os que contribuem hoje viabilizam as
gerações anteriores e estes, quando se aposentarem,
receberão contribuições das novas gerações),
bem como definiu a participação dos trabalhadores, dos
empresários e governo na constituição do fundo
previdenciário. Em seu lugar pretendem implantar o
sistema de capitalização,
como ocorre atualmente no Chile, no qual empresários e governo
não mais contribuirão para a previdência e somente o
trabalhador será responsável pelo que vai ganhar na sua
aposentadoria futura, de acordo com o que poupou individualmente. Toda essa
montanha de recursos deixa de ser gerida pelos bancos públicos e vai
proporcionar enormes lucros para o sistema financeiro privado, como ocorreu com
a implantação do sistema de capitalização na
previdência chilena em 1981, em plena ditadura de Pinochet.
Uma rápida análise do que aconteceu no Chile nas mais de
três décadas naquele País nos dá a dimensão
do que pode ocorrer no Brasil se esta reforma for aprovada. Lá cinco
fundos financeiros privados administram os recursos depositados pelos
trabalhadores e cobram altas taxas de administração para gerir
esses recursos. Se por acaso aplicarem mal as contribuições, azar
dos trabalhadores. Perdem parte do que foi depositado, como aconteceu com
vários fundos de pensão na crise de 2007-2008. De acordo com
dados da Fundação Sol, organização no Chile que
analisa economia e trabalho, 90,9% dos aposentados chilenos ganham menos que um
salário mínimo local, que não dá para se alimentar
e comprar remédios. Diante do desespero de uma vida na miséria
preferem acabar com a própria vida. Por isso, o Chile é o
campeão mundial de suicídio de idosos. Nos últimos tempos
têm sido constantes as grandes mobilizações de rua para
mudar esse sistema previdenciário perverso. É esse tipo de
barbaridade que estão querendo implantar no Brasil.
Desvinculação do Orçamento da União
Outro pilar das contrareformas de Paulo Guedes é desmontar o
pacto federativo da Constituição mediante a
desvinculação orçamentária da União. Como se
sabe, a Constituição estabelece um percentual obrigatório
das verbas orçamentárias tanto dos governos federal, estadual e
municipal para investimento em saúde, educação,
além de outras áreas, visando garantir um mínimo de
recursos para estes setores fundamentais. Caso não houvesse esse
vínculo, interesses paroquiais ou oportunistas poderiam muito bem
desviar esses recursos para áreas clientelistas. Por exemplo, o governo
é obrigado a investir 17% do orçamento em educação,
enquanto os Estados e Municípios devem aplicar em educação
pelo menos 25% das receitas e repasses. Agora, Guedes quer implodir o pacto
federativo e voltar ao período da
política dos coronéis
como na década de 20 do século passado.
O argumento é de que as verbas vinculadas engessam o orçamento,
restando poucos recursos para o governo manejar livremente. Portanto, com a
desvinculação, Governo Federal, Estados e Municípios
estariam livres para aplicar os recursos de acordo com suas
conveniências. Mas esses argumentos também fazem parte de nova
cortina de fumaça para esconder os verdadeiros objetivos do governo, que
é retirar legalmente o percentual de recursos definidos para
saúde, educação e verbas sociais, de forma a viabilizar
ainda mais o pagamento dos serviços da dívida. Mesmo com as
vinculações, os governos, desde Fernando Henrique Cardoso,
encontraram uma fórmula de burlar a Constituição.
Primeiro, aprovaram a criação de um Fundo Social de
Emergência, a partir do qual poderiam desvincular 20% do orçamento
de sua livre e espontânea vontade. Depois esse fundo foi mudando de nome
e agora se chama
Desvinculação das Receitas da União (DRU),
pela qual o governo pode dispor livremente de 30% das receitas
orçamentária.
Grande parte dessa desvinculação tem destino certo: pagar o
serviço da dívida. Mas o governo ainda acha pouco. Agora quer
desvincular todo o orçamento para que os banqueiros e rentistas em geral
embolsem mais dinheiro do orçamento público. A
desvinculação é o caminho chave para a
precarização ainda maior da educação e da
saúde públicas. Com esses dois setores precarizados e sucateados,
está aberto o caminho para as privatizações, como é
o desejo maior do projeto que encabeça Paulo Guedes. Ele sonha com uma
educação privada, na qual o Estado possa transferir os recursos
antes vinculados obrigatoriamente à educação
pública para a rede privada através de
vouchers
(espécie de cheque que o governo fornece aos alunos para frequentar uma
escola privada, como no Chile de Pinochet), além de uma saúde
também privatizada com a destruição do Sistema
Único de Saúde (SUS) e a implantação da
saúde privada, onde quem não tiver dinheiro morre na porta do
hospital.
Em outras palavras, sem a vinculação obrigatória,
voltaríamos à política dos coronéis que vigorou na
República Velha, onde governadores e prefeito atendiam as necessidades
públicas de acordo com os seus interesses pessoais ou locais.
Implodiríamos as precárias conquistas sociais que o povo
brasileiro alcançou com a Constituinte e alteraria drasticamente o
funcionamento do Estado brasileiro, sempre no sentido de favorecer a elite
parasitária em detrimento dos interesses da população
pobre. Acabaríamos com a obrigação Federal, dos Estados e
Municípios em investir em saúde e educação e
deixaríamos nas mãos de tecnocratas federais, governadores e
prefeitos clientelistas a decisão sobre os percentuais que deveriam
investir nesses setores, deixando a população sem direito
à previdência, sem acesso à educação e
saúde públicas. Afinal, como diz Guedes com seu habitual desprezo
à população, a Constituição é apenas
um "documento" escrito há 30 anos.
Privatizar tudo ou vender aos pedaços
O processo de privatização já está bastante
avançado no Brasil, pois o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (FHC)
privatizou todo o setor siderúrgico, petroquímico,
elétrico, de fertilizantes, ferroviário, de
telecomunicações, bancos estaduais, marinha mercante e quebrou o
monopólio estatal do petróleo, entregando assim a maior parte do
patrimônio público ao setor privado. Posteriormente, ocorreram as
privatizações disfarçadas como as parcerias
público-privadas, as concessões de serviços
públicos, como rodovias e portos, e agora recentemente a
privatizações dos aeroportos. Como Guedes não se cansa de
afirmar, seu desejo é privatizar tudo que é do Estado, mas como
ele mesmo sabe que encontrará resistências, já definiu a
estratégia: a ordem privatizar aos pedaços, desossar por dentro
as empresas públicas, sucateá-las ao ponto de se tornarem
ineficientes porque aí se tornará mais fácil a
privatização. Nesse quesito, toda a classe dominante está
de acordo, afinal serão os grandes beneficiários do desmonte do
patrimônio público.
Como sobraram somente quatro grandes empresas públicas:
Petrobrás, Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e
Eletrobrás, o plano é inicialmente vender todas as
participações acionárias que o governo detenha nessas
empresas, resultado dos empréstimos e participações do
BNDEs, abrindo mão assim de importantes recursos oriundos de dividendos
acionários. Posteriormente, o governo vai vender as subsidiárias
das quatro grandes e, finalmente, preparar o assalto ao que restou do
patrimônio Público. Como se pode observar em praticamente todas as
privatizações, esses negócios foram eivados de
ilegalidades, falcatruas, negociatas e corrupção aberta. A
maioria absoluta das empresas privatizadas foi vendida a preço de
banana, como continua até hoje. Cada um dos aeroportos recentemente
privatizados valeu menos que a compra de um Boeing, isso sem falar dos
investimentos que o governo fez nesses aeroportos antes da
privatização. Portanto, se conseguirem seus intentos,
haverá novamente um festival de corrupção no País.
Além das empresas públicas e das concessões ao capital,
está na agenda desse governo antinacional e antipopular a entrega das
riquezas naturais do País ao capital privado, especialmente o
pré-sal, que era a principal riqueza nacional e hoje está
passando para as mãos das companhias transnacionais dos Estados Unidos e
da Europa. Vale ressaltar que a entrega do pré-sal é uma
espécie de crime de lesa-pátria, pois o Brasil investiu em
recursos humanos e desenvolvimento tecnológico nos laboratórios
da Petrobrás e conseguiu desenvolver a mais avançada tecnologia
de exploração em águas profundas. Após a
Petrobrás brasileira descobrir e identificar uma das maiores jazidas de
petróleo do planeta (o Pré-sal), os diversos governos, inclusive
do Partido dos Trabalhadores, resolveram conceder a exploração de
vastas áreas às grandes multinacionais, marginalizando a
Petrobrás, que tem melhores condições que todas para
explorar essa riqueza.
Recentemente, o ministro Guedes, em um gesto servil e desprezível, na
visita que fez aos Estados Unidos mostrou uma subserviência típica
de um vira-lata de república de bananas: praticamente ofereceu o
País aos norte-americanos: "Se vocês forem lá podem
comprar várias coisas ... Nós estamos vendendo. Sexta-feira
passada nós vendemos 12 aeroportos. Daqui três a quatro meses
nós vamos vender petróleo, o pré-sal", declarou o
homem de Chicago, mais parecendo um títere norte-americano que um
ministro de Estado brasileiro. Também está no pacote a
biodiversidade da Amazônia, os aquíferos de água doce e a
entrega aos Estados Unidos da base estratégica para lançamento de
satélites de Alcântara, no Maranhão, o que vinha sendo
perseguindo pelos norte-americanos há décadas sem sucesso. Agora,
com Bolsonaro, o Brasil sepulta de vez as possibilidades de desenvolvimento da
tecnologia de lançamento de foguetes, que era exatamente o objetivo dos
Estados Unidos, para continuar mantendo a hegemonia nessa área.
A devastação dos direitos trabalhistas
A burguesia nunca engoliu os direitos trabalhistas e conquistas sociais
obtidas com a Constituição de 1988. Viciadas na
truculência, no autoritarismo e nas desigualdades sociais, qualquer
direito conquistado pelo povo representa uma afronta aos seus
privilégios. Como a correlação de forças logo
após o fim da ditadura não permitia que revelassem plenamente
suas garras, afinal fora parceira da ditadura desde os primeiros dias, teve que
engolir as conquistas sociais e democráticas da
Constituição de 1988. Mas sempre esperou o momento
propício de vir à forra, realizar a vingança de classe,
destruir os direitos e garantias instituídos naquele período. A
primeira oportunidade veio com FHC que, com sua política neoliberal e
antipopular, tentou acabar com que chamara de "era Vargas", a
destruição dos direitos instituídos pela
Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), mas naquele momento a
correlação de força não foi suficiente para que
obtivesse plenamente êxito, apesar dos estragos que causou aos direitos
de nossa classe.
A oportunidade de dar o bote final contra os trabalhadores veio com o golpe
parlamentar-judicial que destituiu a presidente Dilma Rousself e impôs um
governo puro sangue da burguesia. Com uma agenda neoliberal, o governo de
Michel Temer conseguiu aprovar uma reforma trabalhista que, na prática
desmonta a estrutura de direitos conquistados pelos nossos avós durante
a década de 40 do século passado. Essa reforma altera mais de 200
pontos da CLT, impõe uma enorme regressividade no mundo do trabalho,
generaliza as terceirizações, destrói a
regulação estatal entre capital e trabalho e legaliza as
relações de mercado entre patrões e empregados, onde o
acordado
valerá mais que o
legislado.
Ou seja, os acordos entre empresa e trabalhadores valem mais do que a
legislação trabalhista. Num ambiente de ofensiva do capital,
desemprego e asfixia do movimento sindical essa norma significa a
desestruturação do mercado de trabalho e um convite à
barbárie social.
Mas quem imaginava que a burguesia estava satisfeita com a
devastação das relações de trabalho, pode se
considerar profundamente enganado, pois a fúria neoliberal do ministro
Paulo Guedes quer ampliar ainda mais a devastação social. Guedes
é partidário dos mesmos objetivos que Bolsonaro já definiu
antes das eleições: "os trabalhadores têm que optar se
querem mais direitos e nenhum emprego ou não possuir direitos e ter
emprego". Além da desconstrução implementada pela
reforma trabalhista, o ministro da Economia quer ainda o fim do 13º.
salário, reduzir o tempo de férias e o terço que é
pago além do salário, acabar com o vale refeição e
vale transporte, o descanso semanal remunerado, com a Justiça do
Trabalho e rebaixar ainda mais os baixos os salários dos trabalhadores.
Se a sociedade brasileira não reagir à altura regrediremos ao
século XIX em pleno século XXI.
Resistência e construção da nova maioria
As políticas neoliberais fracassaram em todos os países do mundo
em que foram aplicadas, mas isso não importa aos fundamentalistas. A
verdade não é uma ferramenta utilizada por esses senhores.
São mais propensos à mentira, à manipulação
e às promessas não cumpridas. Quando tudo dá errado eles
nunca são os culpados. Jogam a culpa no fato de que não foram
aplicadas plenamente as medidas receitadas ou que ocorreu interferência
do Estado nas leis do mercado. São muito semelhantes aos pastores
pentecostais que prometem curas milagrosas aos enfermos e quando isso
não ocorre é porque não tiveram fé suficiente. Um
dos exemplos mais próximos do fracasso das políticas neoliberais
está ocorrendo no País vizinho, a Argentina, que está com
a economia em colapso, aumentou de maneira acentuada o desemprego, a
miséria no País e, para completar a tragédia, foi obrigada
a cair nos braços do Fundo Monetário Internacional.
Guedes vai utilizar todas as artimanhas e chantagens para tentar aprovar a
reforma da previdência e emplacar posteriormente o sistema de
capitalização, além das outras medidas antipopulares. Para
tanto, já vem articulando tanto nas sombras como publicamente uma
série de táticas para dobrar os parlamentares e a opinião
pública. Recentemente, afirmou que se a reforma for desidratada em
relação ao seu objetivo de economizar R$ 1 milhão de
milhões ele deixa o governo, porque perderia sentido o seu projeto. Nos
bastidores, realiza a mesma política clientelista dos governos
anteriores como, por exemplo, prometer liberar R$ 1 mil milhões em
emendas aos deputados para que esses parlamentares se fortaleçam
politicamente em suas regiões de influência. Aos governadores e
prefeitos promete liberação de verbas sempre levando em conta o
esforço desses executivos para ganhar voto dos deputados para a reforma
da previdência e acena com a desvinculação de verbas do
orçamento para dar liberdade a eles de gastarem de acordo com seus
interesses.
Até agora, o governo não conseguiu os dois terços de
deputados necessários para aprovar a reforma, tanto em
função da radicalidade antipopular das medidas, quanto das
trapalhadas que o governo vem realizando, bem como de
contradições sobre as pautas fundamentalistas. É
importante compreender que, no que se refere à contrareforma da
previdência e o aprofundamento das medidas anti-trabalhistas, todas as
frações da burguesia estão unidas, mas em outras pautas,
como a questão da hostilização à China e
alinhamento com Israel, encontra certa resistência em setores empresarias
em função dos seus negócios. O Brasil tem grande
superávit comercial com a China, para onde exporta a maior parte de suas
commodities,
bem como também tem vasta pauta de exportação com os
países árabes. O desejo de Bolsonaro de apoiar uma
intervenção militar norte-americana na Venezuela encontra
resistência entre os militares, que conhecem muito mais a realidade nesse
terreno que o servilismo governamental aos Estados Unidos. Essas são as
principais contradições no seio das classes dominantes.
Por seu turno, no campo popular, as pessoas começam a sair do coma e
acordar do trauma da derrota eleitoral. Ainda não é uma
mudança de qualidade na correlação de forças, mas
uma série de elementos da conjuntura permite compreender que há
espaço para a retomada das forças populares. Um dos sintomas
desse processo é a grande queda de popularidade do governo num
período bastante curto. Outros dos sintomas do descontentamento popular
foram as manifestações do oito de março nas principais
cidades do País e o dia nacional de mobilizações realizado
em 22 de março, isso sem falar da rebeldia alegre que tomou conta das
ruas de todo o
País no carnaval, com marchinhas, fantasias e enredos de escolas de
samba contra Bolsonaro, o que levou o governo a acusar o golpe e divulgar um
vídeo pornográfico (para desqualificar os foliões), de uma
performance
realizada num bloco de carnaval, cuja divulgação resultou num
efeito contrário ao que o governo esperava. Não se trata ainda de
uma contraofensiva popular, mas pode ser um embrião de uma
mudança na correlação de forças que crescerá
na mesma proporção do desgaste do governo.
Portanto, esse é o momento em que as forças de
oposição, especialmente aquelas comprometidas com a perspectiva
classista, deverão intensificar o trabalho de massas nos bairros, nos
locais de trabalho, nas escolas, nas ruas contra a reforma da
previdência, que é um tema de fácil entendimento porque
atinge toda a população que vive do trabalho. Essa é uma
batalha que exige trabalho paciente de convencimento e diálogo com as
massas porque é o nosso futuro e o futuro de várias
gerações que está em jogo. Por isso, não se pode
ter ilusões de negociar migalhas com o inimigo: só poderemos
mudar a correlação de forças, com a
construção de uma nova maioria, se colocarmos as massas em
movimento nas ruas de maneira a derrotar essa violenta ofensiva das classes
dominantes no Brasil.
24/Março/2019
[1] Salem, J. Hoelever, H. Brasil, novo laboratório da direita
[2] Gaspar, M. O Fiador, trajetória e as polêmicas do economista Paulo Guedes,
o ultraliberal que se casou por conveniência com Jair Bolsonaro
[3] Costa, B. Todos os conflitos e interesses de Paulo Guedes
[4] Kliass, P. Despesas com juros e dívida pública.
Carta Maior,
18 de março 2018
[5] Fattorelli. M. L.
O déficit da previdência é fake
.
[*]
Doutorado em economia pela Unicamp, com pós-doutorado no Instituto
de Filosofia e Ciências Humanas da mesma instituição.
É autor, entre outros de
A Globalização e o capitalismo contemporâneo
(Expressão Popular, 2009) e
A crise econômica mundial, a globalização e o Brasil
(Edições ICP, 2013), além de vários ensaios
publicados no Brasil e no exterior.
É secretário-geral do PCB.
Este artigo encontra-se em
http://resistir.info/
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