Colaborador de resistir.info ascende a secretário-geral do PCB
Edmilson Costa substitui Ivan Pinheiro na secretaria geral
Comunicado da Comissão Política Nacional do PCB
Carta de Ivan Pinheiro
O camarada Ivan Pinheiro formalizou na reunião do Comitê Central,
de 8 e 9 deste mês, seu pedido de afastamento da Secretaria Geral do PCB,
que já vinha anunciando internamente desde 2014, em razão do
desgaste físico natural por conta de um longo e ininterrupto
período de dedicação quase exclusiva ao trabalho de
direção partidária, agravado por problemas de saúde.
Em sua carta de afastamento daquela função, que publicamos em
seguida, Ivan renova seu compromisso com a revolução socialista e
com o PCB, no qual continuará militando, e expõe a opinião
de que as principais razões do afastamento são de ordem
operacional, destacando a necessidade de renovação e
revitalização do trabalho da Secretaria Geral.
O pleno do Comitê Central compreendeu as razões apresentadas e,
através de absoluto consenso, designou o camarada Edmilson Costa como o
novo Secretário Geral do PCB, como uma sucessão natural.
Edmilson Costa foi um dos principais quadros da luta em defesa do PCB, a partir
da segunda metade dos anos 1980, quando a maioria reformista do então
Comitê Central tentou acabar com o partido. Economista e professor,
Edmilson é membro da Comissão Política Nacional do partido
desde o seu IX Congresso, em 2001. Nas tarefas de direção, o novo
Secretário Geral vinha desempenhando as funções de
Secretário de Relações Internacionais e de
Secretário Político do PCB em São Paulo.
15 de outubro de 2016
Comissão Política Nacional
Partido Comunista Brasileiro
Carta de Ivan Pinheiro
Camaradas:
Na reunião do Comitê Central do PCB, nos dias 8 e 9 deste
mês, formalizei meu pedido de afastamento da honrosa tarefa que vinha
desempenhando como Secretário Geral do Partido.
Trata-se de uma decisão madura, que eu já vinha repercutindo com
os camaradas do CC desde a primeira reunião logo após a
conclusão do XV Congresso do Partido, em São Paulo (abril de
2014), que me havia reconduzido à Secretaria Geral.
O afastamento desta que foi a mais importante atividade política que
exerci em toda a minha vida e que me orgulha por marcar minha identidade
tem variadas razões que exporei nestas linhas e que certamente
serão compreendidas pela nossa militância e nossos simpatizantes,
como o foi pelos camaradas do CC que as avaliaram.
Nenhuma dessas razões tem a ver com divergências políticas
ou problemas internos. Tenho total identidade com as linhas gerais da
estratégia socialista da revolução brasileira, para a qual
creio ter contribuído, dentro das minhas limitações.
Nossos importantes debates internos sobre conjuntura, mediações
táticas, políticas de alianças e de
organização se dão sempre num elevado nível de
respeito às divergências, buscando o convencimento e o consenso,
algumas vezes contando votos depois de longos debates, sem vencidos nem
vencedores, no respeito ao princípio do centralismo democrático.
Não se trata tampouco de desesperança nas possibilidades da
reconstrução revolucionária do PCB, até porque
vivemos um momento em que nosso Partido cresce em qualidade e quantidade,
conquista o respeito da militância socialista em nosso país e se
inscreve no campo revolucionário do Movimento Comunista Internacional.
Se continuar perseverando no esforço para sua inserção no
seio do proletariado e orientando-se no marxismo-leninismo, o PCB se
constituirá numa alternativa para a revolução brasileira.
Nossos maiores patrimônios, para assegurar essa trajetória
ascendente, são a coerência política, a unidade de
ação e o fortalecimento da Unidade Classista e da União da
Juventude Comunista.
Minha decisão também não tem a ver com desânimo na
luta do proletariado. Estou convencido de que, em breve, assistiremos uma
grande explosão do movimento de massas, à frente a classe
operária, em resposta à ofensiva que movem a burguesia e o
imperialismo, em âmbito mundial, para tentar superar a crise do
capitalismo às custas da intensificação da mais valia e da
exploração dos trabalhadores.
Muito menos se trata de uma "aposentadoria" como militante ou
dirigente comunista, pois a consciência adquirida desde a
adolescência se torna cada vez mais inabalável quanto mais
testemunho as iniquidades e desumanidades de que é capaz o capitalismo,
ainda mais nesta dramática fase de crise sistêmica e de
agravamento das contradições interimperialistas, que recolocam
para a humanidade a dicotomia da paz e da guerra.
Continuarei militante do PCB e membro do atual Comitê Central, tendo
assumido em sua última reunião tarefas auxiliares que me permitam
um ritmo de trabalho menos intenso, para poder enfrentar em melhores
condições uma doença reumática crônica,
mitigando seus efeitos para buscar uma vida saudável e longeva,
inclusive para melhor servir ao nosso Partido.
Eu não seria honesto com os camaradas se não dissesse aqui que,
mais do que os 70 anos de idade recém completados e além dos
problemas de saúde, começam a pesar nos meus ombros os
últimos 35 anos dedicados ininterrupta e intensamente ao cotidiano do
trabalho de direção partidária, membro do Comitê
Central, da Comissão Política Nacional e de tarefas de
Secretariados, desde o VII Congresso, em 1982.
Mas essas não são razões apenas de natureza pessoal, mas
sobretudo políticas. Para enfrentarmos os desafios da complexa
conjuntura que se anuncia, marcada pelo acirramento da luta de classes e pela
hegemonia burguesa, nosso Partido precisa na Secretaria Geral de camarada
não só com mais saúde e juventude, mas principalmente com
mais ligação com as células do Partido, com as
organizações com as quais construímos unidade de
ação e com os movimentos de massa. A concentração
de tarefas na reconstrução do Partido, a partir de 2005, e as
recentes limitações de saúde me afastaram desses
requisitos indispensáveis para o pleno exercício da Secretaria
Geral.
Essa saudável renovação na Secretaria Geral garante uma
continuidade positiva da trajetória ascendente do Partido, sem qualquer
ruptura com a linha política e os princípios do Partido,
até porque superamos os tempos do culto à personalidade,
fortalecemos o critério de direção coletiva e valorizamos
a democracia interna. Além do mais, o PCB tem hoje um Comitê
Central legitimado e respeitado por sua militância, contando com
vários quadros políticos à altura da responsabilidade da
Secretaria Geral.
Essas linhas não são de despedida, mas de
reafirmação de um compromisso de vida. É em nome dele que
disponibilizei ao meu Partido a Secretaria Geral, para rejuvenescê-la e
renová-la.
De forma agora mais discreta, seguirei na luta pelo socialismo, entendido como
caminho da construção do comunismo, um mundo sem classes e sem
fronteiras, sem opressores e oprimidos.
Rio de Janeiro, 8 de outubro de 2016
Ivan Pinheiro
Ver também:
Artigos de Edmilson Costa em resistir.info
Este comunicado e esta carta encontram-se em
http://resistir.info/
.
|