Aprofunda-se a dominação imperialista no Brasil
Há crescimento econômico? É sustentável? Em que
setores?
Que classes ou frações de classe ganham com o
crescimento?
por Marco Antonio V. dos Santos
[*]
Neste artigo procuraremos tratar das questões enunciadas no
subtítulo, colocadas pelas classes dominantes no centro do debate
político e econômico no país, num esforço de, ao
partir do ponto de vista das classes dominadas, fazer emergir o aspecto
principal que tem norteado e determinado a tendência da conjuntura
nacional: a dominação imperialista sobre o Brasil e a
submissão total do governo federal a esta dominação. Ou,
mais precisamente, a posição do PT, com hegemonia da
nomenklatura petista, como instrumento político desta
dominação. Esta análise, mesmo que breve, necessita de um
horizonte mais amplo: explicitar o grau da crise econômica,
social e política no Brasil e de detectar o estágio da luta de
classes, a atual correlação de forças.
Um primeiro ponto a destacar: para tratar da conjuntura nacional
é indispensável nos situar na conjuntura mundial da luta de
classes, na compreensão da crise do sistema imperialista, mesmo que
minimamente.
CRISE DO IMPERIALISMO
Já afirmávamos em boletins anteriores do CeCAC o
agravamento e generalização da crise econômica estrutural
do imperialismo crise de sobreacumulação de capital e
superprodução de mercadorias dominada pela lógica
do capital financeiro, de sua esfera rentista, especulativa. E que
ao atingir o pólo principal do sistema imperialista, a economia
norte-americana, com a recessão de 2001, se irradia para o conjunto dos
países imperialistas e pela economia mundial como um todo.
E para contrarrestar sua crise econômica e manter a hegemonia
mundial, o Estado norte-americano responde com uma violenta luta militar,
econômica, política e ideológica, intensificando a
exploração dos trabalhadores em todo o mundo e, em especial, dos
povos dos países dominados, o que vem colocando em primeiro plano, como
contradição principal no campo internacional, a luta
interimperialista. Com a estratégia de superar sua crise econômica
às custas do resto do mundo, promovendo guerras para conquistar
zonas de influência de valorização do capital,
controlar fontes de matéria-prima (como o petróleo) e mercados,
as classes dominantes dos EUA entram em disputa aberta, principalmente, com o
bloco imperialista europeu. A guerra de agressão ao Iraque iniciada em
1992 se coloca como uma expressão deste novo quadro internacional, onde
a precária aliança entre os países e blocos imperialistas
na exploração dos países dominados se rompe.
A guerra, a fascistização e a barbárie são impostas
pelos EUA como alternativas globais. Porém, a resistência dos
povos contra as agressões imperialistas, com destaque para a
heróica resistência do povo iraquiano contra a
ocupação, impõe limites à exploração
e intensifica a luta de classes no mundo.
A política
econômica interna dos EUA para enfrentar sua crise não cumpriu seu
objetivo de retomar um crescimento com taxas altas e estáveis e tende a
se exaurir. Política que implementou corte dos impostos, taxas baixas de
juros as menores dos últimos 43 anos para estimular os
gastos em consumo e os investimentos. E assim enfrentar a recessão e
sustentar as taxas de lucro do grande capital, empurrando a crise para
frente. A enorme bolha especulativa norte-americana se deslocou do
mercado de ações para o imobiliário, resultado desta
política de estímulo ao endividamento das famílias.
RECUPERAÇÃO VIRTUAL DOS EUA
No artigo
Será que o colapso econômico dos EUA acontecerá em 2005?
,
o economista F.William Engdahl esclarece que: Estes empréstimos,
ligados aos preços ascendentes do imobiliário, permitiram
às famílias americanas financiarem novo mobiliário, carros
e inúmeras outras coisas. Em 2003 os bancos atingiram um récord
de US$ 324 mil milhões em empréstimos para casa própria,
no topo de US$ 1 milhão de milhões
(trillion)
de novos empréstimos hipotecários. Todo este consumo criou a
ilusão de uma recuperação da economia. Abaixo da
superfície, no entanto, um enorme fardo de dívidas foi acumulado.
Desde 1997, o total da dívida com lares hipotecados de americanos
cresceu 94% chegando a colossais US$ 7,4 milhões de
milhões... Mais à frente irá ressaltar que: A
família americana está altamente endividada, e não
é apenas por causa da sua casa. Os dados do Federal Reserve mostram
agora um nível de dívida total acima dos US$ 35 milhões de
milhões, ou uns US$ 450 mil para uma família típica de
quatro membros. (de 26/07/04, disponível em http://resistir.info).
Os mega déficits fiscal e da balança comercial, o início
do aumento da taxa de juros nos EUA de 1% para 1,25% e 1,5%, apontam para uma
tendência de crise econômica aberta nos EUA após as
eleições, o que agravará a crise estrutural da economia
dos EUA e a mundial. Várias matérias na imprensa, que não
têm o destaque de outras notícias, informam que nos últimos
dez meses o
Déficit fiscal americano chega a US$ 396 mil milhões:
A deterioração fiscal do país ocorreu devido
à alta dos gastos com segurança e dos custos com a Guerra do
Iraque, além da redução de impostos aprovada pelo
presidente George W. Bush. (Folha de S. Paulo, 12/08/04). Segundo outra
matéria, no mês de julho o
Déficit comercial americano bate recorde:
O crescimento do rombo foi explicado principalmente pelo declínio
de 4,3% nas exportações, a maior queda desde setembro de 2001...,
para US$ 92,82 mil milhões. As importações foram novamente
impulsionadas pelo maior preço do petróleo e cresceram 3,3%, para
US$ 148,64 mil milhões, também novo recorde. 'É
extraordinário, nunca vi uma mudança tão grande em um
único mês no déficit comercial', afirmou Kevin Logan,
economista do Dresdner Kleinwort Wasserstein em Nova York. (Folha de
S.Paulo, 14/08/04).
Até as denúncias de torturas praticadas pelo exército
norte-americano e algumas ridicularizações de aspectos
emblemáticos do modo de vida americano que ganham maior
dimensão nos meios de comunicação e cinema refletem, em
certa medida, a crise instalada na sociedade americana.
O que se observou, neste último período, a partir de 2001, foram
pequenos crescimentos setoriais da produção industrial e do PIB,
uma "recuperação virtual, ao lado de taxas de
desemprego que insistem em não diminuir, permanecendo em torno de 6 %
nos EUA.
Na tentativa de garantir a reeleição de Bush, o Banco Central
norte-americano (FED) executa, no limite, esta política.
A crise do imperialismo expressa também o agravamento da luta de classes
e, ao mesmo tempo, a intensifica. Assim, a política belicista e fascista
é uma resposta ao crescimento da resistência das classes dominadas
contra a intensificação da exploração e, nesse
sentido, exacerba todas as contradições do sistema imperialista e
sinaliza para a perspectiva de guerra entre os países imperialistas,
mundial. E é a luta de classes, a resistência e vitória dos
povos que pode barrar essa possibilidade ameaçadora.
A CONJUNTURA INTERNACIONAL E O BRASIL
É importante registrar que este quadro conjuntural de pequeno
crescimento econômico mundial sustentado pelos EUA e pelas altas taxas de
crescimento do PIB de países da Ásia (China), mesmo dentro de uma
crise geral do imperialismo que se agrava e prenuncia uma recessão
mundial, significou neste primeiro semestre de 2004 (e em 2003) um
espaço para um crescimento econômico também nos
países da América Latina.
Este momento conjuntural internacional favoreceu países como
o Brasil, pois houve um crescimento do comércio internacional com
valorizações históricas, raras, dos preços dos
produtos primários, o agronegócio, as
commodities
, como soja, minério de ferro, o que permitiu o crescimento
econômico nestas áreas, em detrimento da produção
industrial, da produção voltada para o mercado interno.
As baixas taxas de juros nos EUA também estimularam entradas de
dólares no Brasil, principalmente nos mercados especulativos,
atraídos por altas taxas de juros, que ajudou a fechar o balanço
de pagamentos, mantendo a estabilidade e a
credibilidade, que também correspondem a uma maior
submissão do Brasil ao imperialismo, com a garantia da
remuneração do capital especulativo internacional.
Diante desta conjuntura internacional e das diretrizes da política
econômica e social do governo federal, tais como a reforma da
previdência, o aumento do superávit primário para 4,25% do
PIB, as taxas de juros reais de 10%, as metas de inflação, o
acordo com o FMI, os aumentos ridículos do salário mínimo,
o apoio ao agronegócio e à exportação de produtos
primários, os acordos comerciais internacionais como os firmados
com a China e os projetos de lei das falências, das Parcerias
Público-Privadas, (PPP), em votação no Congresso, e das
propostas de reformas trabalhista e sindical, em suma, um
verdadeiro saco de maldades, podemos reafirmar que o governo
Lula/PT aprofunda e continuará aprofundando a dominação
imperialista sobre o Brasil.
O atual governo, com tais medidas, radicaliza a política neoliberal e
assim aumenta a exploração do Brasil e do nosso povo com objetivo
de atender aos interesses do imperialismo, garante colossais taxas de lucro na
valorização do capital, reforça a inserção
subordinada do Brasil na economia mundial, sua condição de
país dominado. Política que faz parte da estratégia
imperialista de reestruturação do Estado brasileiro para ampliar
esta impiedosa máquina de valorização do grande capital
financeiro, de acordo com a nova divisão internacional do trabalho.
CRESCIMENTO?!
Vemos hoje uma campanha monocórdica dos aparelhos ideológicos de
Estado de difusão e informação martelando que a economia
brasileira está em franco crescimento, que a tendência do
desemprego é diminuir e que o desenvolvimento é
sustentável. Por outro lado, não se fala mais em
espetáculo do crescimento, insiste-se agora na paciência que
é necessário ter. Também é lembrado (com o que
concordaria o conselheiro Acácio) que não se pode esperar tudo do
governo, cada um tem o seu papel.
E então... seriam alvissareiras tais notícias marteladas sobre um
momento especial de crescimento e desenvolvimento que o
país estaria atravessando? A política do governo federal estaria
finalmente começando a engrenar, e poderíamos esperar agora uma
nova fase em que as promessas de campanha de melhorias significativas nas
condições de vida do povo estariam por se consumar?
Não. Categoricamente não. Apesar das tentativas de
paramentá-la, há uma realidade nua e crua. Vamos a alguns dados.
A expectativa de crescimento do PIB para 2004 foi estabelecida num patamar
baixo, em cerca de 3,5%, uma das menores previsões de taxa de
crescimento econômico para os países dominados, os chamados
países em desenvolvimento. Se no ano passado houve um
crescimento negativo do PIB de -0,2%, a base de comparação
é fraca, fácil de ser atingida e ultrapassada, devido à
recessão do ano passado. E a partir de tal comparação
vende-se a ilusão para o povo de que as coisas estão melhorando
de forma expressiva.
Os empregos criados no primeiro semestre deste ano não absorvem nem os
novos trabalhadores que ingressam no mercado de trabalho. A altíssima
taxa de desemprego aberto (IBGE) de junho/2004 é a mesma de
janeiro/2004, 11,7%, o que pode indicar que o saldo entre admissão e
demissão se anulou no período. Mesmo com o crescimento de 1,6% do
emprego na indústria em junho deste ano, na comparação com
junho do ano passado, quando comparamos o 1º semestre de 2004 com o mesmo
período do ano passado o quadro fica estável, com crescimento de
0,1%. Como afirma o economista J. Carlos de Assis: É
também verdade que o desemprego oficial, em maio e junho, acusou uma
ligeira queda. Mas ele havia aumentando quatro meses seguidos, de janeiro a
abril. Por qual razão se vai considerar que a queda mais recente
é uma tendência de longo prazo? Não gosto de brigar com
números, mas o fato é que, quando se procura visualizar
tendência, é necessário levar em conta todo o ambiente
macroeconômico em volta. E ele é péssimo para o
crescimento. Temos um superávit primário que tira recursos da
economia para esterilizá-los na política monetária; e
continuamos com taxas de juros estratosféricas (10% reais). (
Os limites efetivos do suspiro de crescimento
, Editorial de 07/08/04,
http://www.desempregozero.org.br
).
A tímida recomposição da renda do trabalhador, nos dois
últimos meses, nem de longe compensa os 15% de perda do último
ano (conforme
http://www.consciencia.net/arquivo/ce-renda.html
).
A conjuntura econômica internacional do primeiro semestre de 2004,
favorável a este pequeno crescimento econômico no mundo e no
Brasil, tende a se tornar desfavorável, pois o que se vislumbra é
a desaceleração da economia norte-americana e
mundial.
O aumento da taxa de juros básica nos EUA, mesmo que gradativo, empurra
a economia norte-americana para a estagnação ou recessão,
acaba com o crédito fácil (que levou ao endividamento das
famílias) e o pesado estímulo aos investimentos. Diante desse
quadro, existe a tendência para diminuição do volume do
comércio mundial e do recuo ou estagnação dos
preços das
commodities
, como também uma tendência à fuga de capitais para o
mercado financeiro norte-americano com taxas de juros melhores e com um risco
menor, que irão abalar a dependente e subordinada economia brasileira. E
se realmente ocorrer o estouro da bolha especulativa imobiliária nos EUA
a economia norte-americana e mundial poderão ser levadas a uma crise
aberta de maiores proporções com reflexos mais violentos no
Brasil.
O VERDADEIRO ESPETÁCULO DO CRESCIMENTO
O superávit primário no valor de 4,25% do PIB (estimado em R$ 71
mil milhões) para pagamento de juros da dívida pública,
acordado com o FMI e as estratosféricas taxas de juros real (a segunda
maior do mundo), são dois dos principais instrumentos da cada vez mais
monumental e inesgotável sangria de verbas públicas para
remuneração do capital financeiro especulativo. Como exemplo,
temos o crescimento do lucro dos bancos. A coluna Fatos do Dia da
Oficina de Informações, de 13/08/04, assinala que apenas Os
quatro maiores bancos do país tiveram no primeiro semestre lucro
líquido de R$ 4,5 mil milhões, 11,4% superior ao do mesmo
período de 2003, conforme levantamento da ABM Consulting feito a pedido
da
Folha.
E mais: As receitas dos quatro maiores bancos cresceram 38,2% no primeiro
semestre, totalizando R$ 41,1 mil milhões
(
http://www.oficinainforma.com.br/fatos.php?dt=2004-08-13
).
Esteriliza-se dinheiro público na especulação financeira
para pagamento de juros, enquanto a falta de recursos para a saúde,
educação, demais áreas sociais e para investimentos leva
ao desmonte do setor público social e de setores estratégicos do
Estado brasileiro. A matéria da Folha de S.Paulo
Arrocho derruba investimento público
aponta que: De janeiro a junho deste ano, o investimento realizado pela
União foi de apenas R$ 700 milhões, uma parcela de 5,74% em
relação ao total de R$ 12,2 mil milhões programados no
Orçamento. Nos últimos três anos, os investimentos
públicos despencaram de R$ 14,6 mil milhões (em 2001) para R$ 6,5
mil milhões em 2003. Os valores sempre foram muito inferiores aos
programados (FSP, 19/08/04). Neste mesmo período, o
superávit primário foi de R$ 46,189 mil milhões,
correspondendo 5,6% do PIB acumulado até junho, superando em R$ 13,85
mil milhões (41,7%) o valor correspondente a 4,25% do PIB, acordado com
o FMI. É o recorde de recursos públicos para pagamento de juros;
em outras palavras, para a remuneração da agiotagem financeira.
E O SUSPIRO DE CRESCIMENTO...
Em que setores da economia ocorreu este suspiro de crescimento?
Basicamente no setor de produtos primários (agronegócio,
minério) voltados para a exportação. O Brasil vai
regredindo à condição colonial de exportador de produtos
primários. Fica mais dependente das oscilações de
preços no mercado internacional, historicamente desfavorável para
os países dominados.
E, secundariamente, em alguns setores industriais voltados para a
exportação e áreas correlatas à
exportação. E, no mercado interno, na produção
voltada aos ricos, o setor de bens duráveis. O economista J. Carlos de
Assis, avalia também: A produção de bens
duráveis, consumidos principalmente pelos ricos e pelas
exportações, aumenta velozmente para 28,28% acima do nível
de 2002, enquanto a de semiduráveis e não duráveis,
consumidos principalmente pela massa dos segmentos pobres, está 0,83%
inferior a 2002. (
O que está por trás do crescimento industrial
, Editorial de 10/08/04,
http://www.desempregozero.org.br
).
Ao aprofundar a política econômica de Collor e FHC, o PT e a
maioria de seus principais dirigentes assumem a representação
política das classes dominantes brasileiras, que mantêm a
tradição de se amoldarem sem grandes resistências à
lógica do imperialismo, do capital financeiro internacional.
Assim, palavras mágicas, com uma grande carga ideológica como
desenvolvimento, crescimento, estabilidade, credibilidade
são utilizadas pelo governo e pela mídia para fugir
da identificação de quais classes são beneficiadas pela
política econômica e pelo suspiro de crescimento.
Na verdade, estabilidade e desenvolvimento da economia para garantir os
fantásticos lucros do capital financeiro internacional com o
pagamento da dívida externa, remessa de lucros e demais
compromissos externos do Brasil e da grande burguesia
brasileira com sua histórica aliança com o latifúndio.
Em suma, uma política para círculos cada vez mais restritos da
sociedade e que necessita para sua implementação, por um lado, de
uma carga ideológica muito pesada para mascará-la e, por outro,
tende à fascistização a fim de tentar intimidar a
resistência da imensa maioria da população atingida por tal
política.
Nesse contexto, uma das últimas novidades no ar é a campanha
publicitária da auto-estima, que tem como protagonista o presidente da
República já totalmente enquadrado e à vontade na
defesa das posições ideológicas das classes dominantes
brasileiras e do imperialismo para inculcar no povo um dos aspectos mais
atrasados e reacionários da ideologia burguesa, neoliberal: o
individualismo. Seriam o esforço, a vontade, a fé e o ânimo
individuais as soluções para enfrentar a miséria e o
desemprego, na verdade, um estímulo à divisão dos
trabalhadores, contra a unidade da classe, contra a solidariedade e luta
coletiva, um dos fundamentos da ideologia do proletariado. Um brasileiro
desempregado, ou melhor, os milhões de brasileiros desempregados, devem
mirar-se no exemplo de Ronaldinho, um brasileiro que não desiste nunca,
que num esforço pessoal superou crises e descrenças e retomou a
carreira. Essa é a verdadeira luz no final do túnel que a
propaganda oficial oferece de concreto, bem concreto, não a um ou outro
desempregado, mas aos milhões de desempregados no País. A
essência mesmo do imperialismo, a superexploração, o
desemprego estrutural resultado da política neoliberal, a
violenta desigualdade social de classe, tudo que é verdadeiro e real
tenta-se nublar com um palavrório vazio e ilusório.
Procuraremos, nos próximos boletins, continuar tratando de
questões aqui pinceladas, inclusive para debater mais amplamente estas
condições que levam, mesmo num quadro geral de
intensificação de crise econômica, política e
social, a comportar episódios de recuperação
econômica setorial, que interessam especialmente às classes
dominantes para fazer apanágio político, particularmente em
momentos eleitorais.
E principalmente discutir, dando continuidade aos boletins anteriores,
questões colocadas para a contrapartida dessa ofensiva ideológica
e política das classes dominantes que tentam, desesperada e
obsessivamente, minar nos corações e mentes a iniciativa
revolucionária, a unidade dos trabalhadores, a ação
coletiva, a organização do povo e de sua vanguarda. Pressentem
que sua ofensiva tem pés de barro diante da resistência que essa
política engendra, pois mesmo desfavorável em curto prazo, o
horizonte político das conquistas que interessam ao conjunto da classe
operária e do povo está em suas próprias mãos, na
colossal força revolucionária de sua ação coletiva
e organizada, política e sindical, que é urgente reconstruir.
[*]
Dia 9 de Setembro, quinta-feira, às 18h30, o autor fará uma
palestra-debate no CeCAC, Av. 13 de Maio, 13 - sala 1907, na Cinelândia,
Rio de Janeiro. "O 'crescimento' sustentável é da
dominação imperialista 'Suspiro de crescimento' favorece
ao grande capital", é o título da palestra.
O original encontra-se no "Boletim do CeCAC", órgão
informativo do Centro Cultural Antonio Carlos Carvalho, do Rio de Janeiro, ano
X, nº 2, Ago-Set/2004.
cecacbr@hotmail.com
.
Este artigo encontra-se em
http://resistir.info
.
|