Declaração de Cochabamba
Transcrição oficial da Declaração de Cochabamba,
subscrita quinta-feira à noite pelos presidentes, delegados
presidenciais e embaixadores enviados a esta cidade no centro da Bolívia
para reunião extraordinária da União de
Nações Sul-Americanas (UNASUL).
Perante a situação
a que foi submetido o Presidente do Estado Plurinacional da Bolívia, Evo
Morales, por parte dos governos da França, Portugal, Itália e
Espanha, denunciamos perante a comunidade internacional e os diversos
organismos multilaterais:
A flagrante violação dos Tratados
Internacionais que regem a convivência pacífica, solidariedade e
cooperação entre nossos Estados, que constitui um acto
insólito, inamistoso e hostil, configurando um facto ilícito que
afecta a liberdade de trânsito e deslocação de um Chefe de
Estado e sua delegação oficial.
O atropelo e as práticas
neocoloniais que ainda subsistem em nosso planeta em pleno século XXI.
A falta de transparência sobre as motivações das
decisões políticas que impediram o trânsito aéreo da
nave presidencial boliviana e do seu presidente. O agravo sofrido pelo
presidente Evo Morales, que ofende não só o povo boliviano como
todas as nossas nações.
As práticas ilegais de espionagem
que põem em risco os direitos cidadãos e a convivência
amistosa entre nações.
Frente a estas denúncias, estamos
convencidos que o processo de construção da Pátria Grande,
no qual estamos comprometidos, deve consolidar-se no pleno respeito à
soberania e independência dos nossos povos, sem a ingerência dos
centros hegemónicos mundiais, superando as velhas práticas pelas
quais se pretende impor países de primeira e de segunda classe.
Nós, as Chefas e Chefes de Estado e de Governo de países da
União de Nações Sul-americanas, UNASUL, reunidos em
Cochabamba, Bolívia, a 4 de Julho de 2013,
1- Declaramos que a
inaceitável restrição à liberdade do Presidente Evo
Morales Ayma, convertendo-o virtualmente num refém, constitui uma
violação de direitos não só ao povo boliviano como
a todos os países e povos da América Latina e assenta um perigoso
precedente em matéria do direito internacional vigente.
2. Recusamos as
actuações claramente violatórias de normas e
princípios básicos do direito internacional, como a
inviolabilidade dos Chefes de Estado.
3. Exigimos aos governos da
França, Portugal, Itália e Espanha que expliquem as razões
da decisão de impedir o sobrevoo do avião presidencial do Estado
Plurinacional da Bolívia pelo seu espaço aéreo.
4. De
igual maneira exigimos aos governos da França, Portugal, Itália e
Espanha que apresentem as desculpas públicas correspondentes quanto aos
graves factos provocados.
5. Apoiamos a Denúncia apresentada pelo
Estado Plurinacional da Bolívia perante o Gabinete do Alto Comissariado
das Nações Unidas para os Direitos Humanos, pela grave
violação de Direitos Humanos e colocação em perigo
concreto da Vida de Presidente Evo Morales. Além disso, apoiamos o
direito do Estado Plurinacional da Bolívia de realizar todas as
acções que considere necessárias perante os Tribunais e
instâncias competentes.
6- Acordamos formar uma Comissão de
Acompanhamento, encarregando nossos Chanceleres da tarefa de realizar as
acções necessárias para o esclarecimento dos factos.
Finalmente, no espírito dos princípios estabelecidos no Tratado
Constitutivo da UNASUL, exortamos à totalidade das Chefas e Chefes de
Estado da União a acompanhar a presente Declaração. De
igual modo, convocamos a Organização das Nações
Unidas e organismos regionais que ainda não o fizeram, a pronunciar-se
sobre este facto injustificável e arbitrário.
Cochabamba, 4 de Julho de 2013.
Ver também:
Sobre a decisão do Governo português de negar direito de sobrevoo e aterragem ao avião presidencial boliviano
PCP exige esclarecimentos imediatos sobre o caso do avião presidencial da República da Bolívia
Requerimento do PCP sobre o impedimento do sobrevoo e aterragem do avião presidencial da República da Bolívia
www.flightradar24.com/data/airplanes/fab-001
Esta declaração encontra-se em
http://resistir.info/
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