O Pentágono roubou mísseis à Bolívia !
O imperialismo agora comete roubos a forças armadas de
um país soberano
A embriagues eleitoral e a absurda discussão da designação
de pastas faz perder a visão dos problemas de fundo que ameaçam
os interesses nacionais e populares. Os dois aspectos mencionados,
eleições e pastas, estão relacionados com os aspectos que
abordaremos, mas não são assuntos de princípio nem de
grande alcance.
O PCB adverte a opinião pública de que há vários
indícios a apontarem a preparação de uma
interrupção do processo democrático. Verificaram-se
mudanças, nos comandos de algumas divisões muito importantes, que
aparentemente não têm nenhuma explicação, não
são mudanças "por melhor serviço" nem as que
vêm na ordem anual de destinos.
Outro indício perigoso é a circulação de
"manifestos", relatórios de inteligência e outros que
aparentando apoio a alguma candidatura do campo popular ou semeando
temores e confusão procuram na realidade dar pretextos ao
gorilismo não desaparecido e alentado pelo Pentágono e por
serviços estrangeiros de inteligência.
LEVARAM OS MÍSSEIS !
Contudo, o mais grave acontecimento militar foi a usurpação que o
Pentágono e o Ministério da Defesa dos Estados Unidos da
América efectuaram contra a segurança nacional. Levaram
mísseis pertencentes às Forças Armadas da Bolívia.
A explicação dada na ocasião, pelos círculos
oficiais, de que eram equipamentos obsoletos, não corresponde à
verdade. Trata-se de mísseis do tipo SAM (terra-ar), fabricados na
República Popular da China e cedidos ao nosso país mediante um
crédito suave ainda não cancelado. Pelas condições
do contrato, estes mísseis não podiam ser entregues a terceiros
sob nenhum pretexto.
Os pormenores importam pouco, o que importa é que o país foi
despojado talvez dos únicos elementos para uma defesa eficaz no caso de
sofrer uma agressão. Isto significa um gravíssimo acto contra a
segurança nacional seriamente ameaçada, dados os prováveis
resultados da disputa eleitoral. Como oportunamente denunciámos em
"Unidad",
a construção da base militar, do tipo Estabelecimento
Operacional Avançado (EOA), em Estigarribia, no departamento paraguaio
de Boquerón, financiada pelos EUA e a uns 200 quilómetros da
fronteira boliviana, é algo que deve tirar o sono aos bolivianos, aos
verdadeiros patriotas. É preocupante que as Forças Armadas
não se tenham pronunciado expressamente sobre este facto.
Se ligarmos o antecedente às declarações de personagens do
Departamento de Estado, como a sra. Condolezza Rice; às
declarações, encontros e acordos de altos funcionários de
países vizinhos como o Chile e a Argentina, na verdade a Bolívia
está a atravessar um dos momentos mais preocupantes da sua
história nacional e estatal.
Por último, devemos referir-nos às acções da
oligarquia de Santa Cruz de la Sierra que, pela via da chantagem regionalista e
inclusive da secessão da Bolívia, pode provocar a desgraça
nacional. Tudo isso nada mais do que para continuar a servir interesses
transnacionais e a preservação dos seus privilégios de
classe dominante e exploradora. Felizmente o verdadeiro povo crucenho
está a despertar para esta amarga realidade e, por fim, começa a
resistir à oligarquia que não é eternamente poderosa e
impune. Há que acrescentar que a burguesia ocidental, subordinada e
entrelaçada com a oriental, observa este factos, de forma complacente e
submissa. O que confirma que o enfrentamento é de classes: explorados
contra exploradores, oprimidos contra opressores.
Para finalizar: O povo boliviano no seu conjunto deve fazer um esforço
inaudito que busque a unidade mais ampla possível para preservar o
futuro da Pátria. O verdadeiro inimigo não está entre os
bolivianos, qualquer que seja sua língua, sua cultura ou sua cor de
pele. O verdadeiro inimigo é o imperialismo ianque secundado por um
punhado de oligarcas e traidores.
La Paz, 30/Outubro/2005
[*]
Primeiro Secretário do CC do PCB.
Este artigo encontra-se em
http://resistir.info/
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