O Pentágono roubou mísseis à Bolívia !

  • O imperialismo agora comete roubos a forças armadas de um país soberano
  • por Marcos Domich [*]

    . A embriagues eleitoral e a absurda discussão da designação de pastas faz perder a visão dos problemas de fundo que ameaçam os interesses nacionais e populares. Os dois aspectos mencionados, eleições e pastas, estão relacionados com os aspectos que abordaremos, mas não são assuntos de princípio nem de grande alcance.

    O PCB adverte a opinião pública de que há vários indícios a apontarem a preparação de uma interrupção do processo democrático. Verificaram-se mudanças, nos comandos de algumas divisões muito importantes, que aparentemente não têm nenhuma explicação, não são mudanças "por melhor serviço" nem as que vêm na ordem anual de destinos.

    Outro indício perigoso é a circulação de "manifestos", relatórios de inteligência e outros que — aparentando apoio a alguma candidatura do campo popular ou semeando temores e confusão — procuram na realidade dar pretextos ao gorilismo não desaparecido e alentado pelo Pentágono e por serviços estrangeiros de inteligência.

    LEVARAM OS MÍSSEIS !

    Contudo, o mais grave acontecimento militar foi a usurpação que o Pentágono e o Ministério da Defesa dos Estados Unidos da América efectuaram contra a segurança nacional. Levaram mísseis pertencentes às Forças Armadas da Bolívia. A explicação dada na ocasião, pelos círculos oficiais, de que eram equipamentos obsoletos, não corresponde à verdade. Trata-se de mísseis do tipo SAM (terra-ar), fabricados na República Popular da China e cedidos ao nosso país mediante um crédito suave ainda não cancelado. Pelas condições do contrato, estes mísseis não podiam ser entregues a terceiros sob nenhum pretexto.

    Os pormenores importam pouco, o que importa é que o país foi despojado talvez dos únicos elementos para uma defesa eficaz no caso de sofrer uma agressão. Isto significa um gravíssimo acto contra a segurança nacional seriamente ameaçada, dados os prováveis resultados da disputa eleitoral. Como oportunamente denunciámos em "Unidad", a construção da base militar, do tipo Estabelecimento Operacional Avançado (EOA), em Estigarribia, no departamento paraguaio de Boquerón, financiada pelos EUA e a uns 200 quilómetros da fronteira boliviana, é algo que deve tirar o sono aos bolivianos, aos verdadeiros patriotas. É preocupante que as Forças Armadas não se tenham pronunciado expressamente sobre este facto.

    Se ligarmos o antecedente às declarações de personagens do Departamento de Estado, como a sra. Condolezza Rice; às declarações, encontros e acordos de altos funcionários de países vizinhos como o Chile e a Argentina, na verdade a Bolívia está a atravessar um dos momentos mais preocupantes da sua história nacional e estatal.

    Por último, devemos referir-nos às acções da oligarquia de Santa Cruz de la Sierra que, pela via da chantagem regionalista e inclusive da secessão da Bolívia, pode provocar a desgraça nacional. Tudo isso nada mais do que para continuar a servir interesses transnacionais e a preservação dos seus privilégios de classe dominante e exploradora. Felizmente o verdadeiro povo crucenho está a despertar para esta amarga realidade e, por fim, começa a resistir à oligarquia que não é eternamente poderosa e impune. Há que acrescentar que a burguesia ocidental, subordinada e entrelaçada com a oriental, observa este factos, de forma complacente e submissa. O que confirma que o enfrentamento é de classes: explorados contra exploradores, oprimidos contra opressores.

    Para finalizar: O povo boliviano no seu conjunto deve fazer um esforço inaudito que busque a unidade mais ampla possível para preservar o futuro da Pátria. O verdadeiro inimigo não está entre os bolivianos, qualquer que seja sua língua, sua cultura ou sua cor de pele. O verdadeiro inimigo é o imperialismo ianque secundado por um punhado de oligarcas e traidores.

    La Paz, 30/Outubro/2005

    [*] Primeiro Secretário do CC do PCB.

    Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .
    02/Nov/05