Como os coreanos do Norte encaram a "crise nuclear"
por Deirdre Griswold
Eis como os coreanos do Norte encaram a presente situação entre a
República Democrática Popular da Coreia e os Estados Unidos,
baseado em conversações com um membro do principal partido
daquele país, o Partido dos Trabalhadores da Coreia.
O povo coreano quer viver pacificamente, mais do que qualquer outro. O nosso
país experimentou os horrores da guerra várias vezes. Ela
não é uma abstracção para nós, não
é algo jogado em écrans de computador. Toda família
coreana foi afectada pela guerra.
Hoje, quando já não há mais uma União
Soviética ou um bloco do Leste de países socialistas, para a
Coreia a Guerra Fria continua. A RDPC é o seu alvo. A Coreia do Sul
é uma colónia do imperialismo estado-unidense e sempre o foi
desde que as tropas dos EUA tomaram o comando após a derrota do
Japão na II Guerra Mundial. Elas ocuparam a Coreia do Sul em 1945 sob o
pretexto de desarmar as tropas japonesas, mas o seu objectivo real era capturar
toda a Coreia e transformá-la numa cabeça-de-ponte para a
dominação da Ásia.
De 1910 a 1945 a Coreia foi uma colónia do Japão. Os EUA
apoiaram-se fortemente naqueles que haviam colaborado com a
dominação japonesa quando estabeleceram um governo de
ocupação no Sul. Contudo, foram os combatentes da
resistência contra o Japão que formaram a RDPC no Norte.
Durante cinco anos os EUA prepararam-se para uma guerra na Coreia, a qual
estalou em 25 de Junho de 1950. De 1950 a 1953 os EUA comprometeram na guerra
um terço das suas forças terrestres, um quinto da sua
força aérea e a maior parte da sua frota do Pacífico.
Juntamente com tropas dos seus países satélites e do
exército da sul-coreano, o qual incluía remanescentes do antigo
Exército Imperial Japonês, um total de mais de 2 milhões de
tropas foram lançados contra a RDPC. Os EUA utilizaram 73 milhões
de toneladas de material de guerra 11 vezes mais do que na Guerra do
Pacífico e gastaram US$165 mil milhões, uma quantia enorme
naqueles dias.
A RDPC tinha apenas dois anos de idade quando começou a guerra. Era
sobretudo um país agrícola com recursos materiais e armamentos
muito limitados.
No entanto, ao contrário de todas as suas expectativas, os EUA
não puderam vencer a guerra e sofreram grandes perdas. O combate parou
em 1953 após um acordo de armistício, ou cessar-fogo. Foi
estabelecida uma zona desmilitarizada (ZDM) entre o Norte e o Sul. Abaixo da
ZDM, os EUA mantiveram tropas com mais de 40 mil homens, prontos a retomar a
guerra.
Desde então, nunca houve acordo de paz entre os dois países.
Enquanto os coreanos tentaram muitas vezes colocar as
conversações de paz na agenda, os EUA recusaram. Isto significa
que a guerra poderia ser retomada a qualquer momento. Desde a sua
fundação em 1948, a RDPC tem estado exposta à
ameaça de um ataque nuclear por parte dos Estados Unidos.
O povo coreano é muito orgulhoso da sua história de luta contra a
dominação estrangeira. Estamos orgulhosos da nossa
independência e determinados a desenvolver o nosso país de acordo
com as nossas próprias vontades, num caminho socialista, não numa
direcção que nos seja ditada do exterior.
É devido a estas ameaças infindáveis de outra guerra na
Coreia que a RDPC está determinada a desenvolver a sua própria
defesa nuclear. Por isto estamos a ser atacados como uma "ameaça
à paz mundial". Tal acusação é
ridícula. Desde que os EUA inauguraram a era dos testes nucleares, em
1945, já houve 2.054 testes de armas nucleares. Quase todos estes testes
foram efectuados pelos cinco membros permanentes do Conselho de
Segurança da ONU. Apenas dois dos 2.054 testes foram executados pela
RDPC e estes são os únicos testes a serem considerados
para sanção pelo Conselho de Segurança.
Isto mostra a arrogância e unilateralismo dos imperialistas e das
potências poderosas contra países mais pequenos. Não
há justiça. Países pequenos e fracos devem obedecer
às grandes potências.
Mas hoje nenhuma nação quer ser tratada desta forma. Nas
Nações Unidas, a RDPC apresentou um protesto vigoroso. Faremos
que for preciso para nos defendermos, apesar de quaisquer sanções.
18/Junho/2009
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O original encontra-se em
http://www.workers.org/2009/world/north_korea_0625/
Este artigo encontra-se em
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