Nossas visões sobre a olaria do tijolo preto e outros incidentes e recomendações ao 17º Congresso do Partido

por Ma Bin e outros [*]

Clique a imagem para ver o vídeo. Secretário Geral Hu Jintao e membros da Comissão Política do Comité Central do PCC, membros permanentes do Comité Central e membros suplentes:

No seu discurso de 25 de Junho, na Escola Central do Partido, realçou a importância de fortalecer a democracia interna do Partido, pedindo a todos os militantes para aumentar a sua consciência para a ansiedade. De acordo com este pedido, fazemos as seguintes recomendações.

O caso da olaria do tijolo preto de Shanxi [1] foi revelado e alguns casos semelhantes ainda estão a ser descobertos. Para nós comunistas, não é nem correcto nem possível tratar ou mesmo falar de tais incidentes como fenómenos inevitáveis da fase primária do socialismo. Isto foi obviamente uma cena capitalista, incorporando algumas cenas de exploração cruel e o trágico cão come cão, o mundo da acumulação primitiva sob o feudalismo e a escravidão. A missão do Manifesto Comunista e do PCC é eliminar a exploração e libertar toda a Humanidade, e estes incidentes estão em total contradição com a nossa filosofia.

O caso da olaria do tijolo preto de Shanxi mostra que há muitos lados negros no nosso país que se verificam completamente ao arrepio do sistema socialista e da ideologia comunista. Por exemplo, acidentes em minas que têm ocorrido constantemente ao longo de anos ceifaram as vidas preciosas de muitos bons trabalhadores. Os proprietários das minas de carvão privadas aproveitam-se destes trabalhadores para extorquir milhões e milhões a fim de financiar os seus carros e residências de luxo – algumas das grandes empresas dos homens mais ricos crescem aos milhares de milhões todos os anos. Se estas coisas continuarem a desenvolver-se sem peias, será que aquilo que estamos a construir ainda será um sistema socialista? Por exemplo, as empresas estatais em que muitos de nós trabalhámos arduamente durante décadas para construir foram arruinadas por uma variedade de métodos, vendidas ou até mesmo dadas em troca de nada, tornando-se o que é eufemisticamente chamado de empresas colectivas, embora na realidade sejam privadas. Antigos secretários do Partido e chefes de fábricas tornaram-se grandes capitalistas, continuando a actuar como membros do Partido e secretários. Será isto coerente com o Manifesto Comunista e os princípios fundadores do Partido Comunista? Será desnecessário dizer que em todo o país a grande maioria das empresas estatais também foram desenvolvidas pelo trabalho árduo de centenas de milhões de trabalhadores sob a liderança do Comité Central do PCC.

Agora, a maioria dos direitos de propriedade já não pertence ao povo e tornou- se propriedade de patrões privados. Estes operários, trabalhadores migrantes e até crianças operárias do sector privado, oficinas, minas e lojas recebem baixos salários para fazer trabalho extraordinário enquanto outros sofrem a injustiça do trabalho não pago em ambientes sombrios. Receamos que o caso da olaria do tijolo preto não seja o único exemplo de abusos, pode haver muitos casos semelhantes noutros lugares. Todo os anos eliminamos pornografia e publicações ilegais, mas diz-se que milhões de mulheres são forçadas a entrar na cruel ruína física da prostituição. Como resultado, muitos pais e filhos destas famílias sofrem durante toda a vida. Não teremos nós realmente nenhuma forma de tratar destes problemas? Teremos nós de adoptar uma abordagem "laissez-faire?"

Ainda temos muitas empresas estatais de grande e média dimensão que podem ser bem administradas. Não há razão para que sejam leiloadas a empresas estrangeiras só para que estas tomem conta do nosso mercado interno e condicionem o nosso desenvolvimento económico nacional. Os media informaram recentemente que o Estado irá permitir ao capital estrangeiro que entre nas empresas da indústria militar chinesa e que compre acções em joint ventures. Mesmo que esta aprovação fosse concedida só para a produção de equipamentos auxiliares e peças, ainda assim é muito perturbadora e deveria ser impedida. Sem peças auxiliares confiáveis, como podemos nós esperar armas confiáveis? Independentemente das armas, basta um problema com peças para tornar uma operação normal impossível, e qualquer explosão pode causar acidentes fatais! Além disso, eles roubarão a nossa informação (intelligence), conhecerão as nossas capacidades e invadirão todo o nosso sistema de produção militar!

Temos um certo número de lideres provinciais, municipais e regionais que não respeitam muito a riqueza e a propriedade nacional e nada farão quando esta for vendida a preço de saldo para outros. Comparadas com as empresas privadas nacionais, as joint ventures e aquelas empresas totalmente possuídas por estrangeiros, quanto do PIB actual da China é produzido por empresas estatais? Poderão as nossas instituições económicas básicas, onde se destaca a propriedade pública, resistir ao teste do tempo? Por que os departamentos de gestão do Estado, incluindo o Departamento de Estatística, nos últimos muitos anos não revelam as estatísticas sobre a proporção da propriedade entre os diferentes sectores na economia? Os trabalhadores e agricultores perderam o seu estatuto de mestres (masters) e os trabalhadores ou são temporariamente despedidos ou permanentemente desempregados com pequenas compensações. A nova exploração da terra por parte dos agricultores e camponeses ricos, que erradicáramos na década de 1950, já começou a acontecer em áreas rurais.

No processo de reforma económica, o estilo de cima para baixo de corrupção crescente, a degradação de muitas estruturas de chefia, e a traição à pátria e ao povo crescem desenfreadamente. As questões anteriores são realmente chocantes e enfurecedoras. Mas tais questões são sempre abordadas separadamente durante um período de tempo específico. Em seguida, os grandes assuntos são transformados em pequenos e, uma vez pequenos, são transformados em nada. Houve muito poucos exemplos em que os problemas foram tratados de maneira adequada à sua severidade. Nenhum dos líderes principais é responsabilizado pelas suas acções e é despedido ou processado. Só uns poucos casos extremamente severos de corrupção resultaram nuns poucos anos de prisão, ou no máximo na condenação à morte com pena suspensa. Raramente funcionários corruptos são condenados à morte. No passado, muitos destes quadros podem ter sido bons e foram tendências ideológicas erradas que os levaram a trair o Partido e o povo.

Há incontáveis preocupações e perturbações que acontecem diariamente e a lista continua:   bolhas no mercado de acções, preços acrescidos, remoção de fábricas sem orientação, transferência de pessoas, especulação de bens imobiliários, preços elevados. Além disso, a política de exportação de produtos baratos conduziu a baixos salários e à exploração de trabalhadores, consumo de energia alto e poluição elevada, etc. Mais seriamente, algumas localidades desafiam ordens centrais e não informam o governo central ou simplesmente ignoram as ordens que vêm de cima. O escândalo da olaria ilegal do tijolo preto expôs-nos a problemas muito sérios relativamente ao futuro do Partido e do país, que deveríamos enfrentar já e sem hesitação. Esta é a "causa" para a qual estamos a trabalhar. Será possível que nos tenhamos desviado para a estrada errada, que nos conduzirá para outro lugar?

Agora, o crescente fosso social tornou-se um dos maiores do mundo. De acordo com recentes estimativas do Banco Mundial, o Coeficiente de Gini da China de 0,469 já ultrapassou o do Reino Unido, o dos EUA e do Japão, e até mesmo o de países em desenvolvimento como a Índia, Indonésia e Egipto. O camarada Deng Xiaoping disse certa vez que se a reforma e a abertura levam à polarização, é óbvio que estamos no caminho errado. O desvio não é nada mais do que um erro e a estrada para o capitalismo. A reforma e a abertura já se verificaram durante muitos anos e no entanto as referidas questões sociais só estão a tornar-se mais sérias com o desenvolvimento. Porque ainda insistimos nas coisas erradas?

Na aparência das coisas, foram construídos alguns arranha-céus, juntamente com muitos empreendimentos conjuntos ou de empresas estrangeiras, e empresas estatais fundiram-se e expandiram. Mas se olharmos para lá das aparências, veremos que os problemas estão a crescer, especialmente as supracitadas questões sombrias. Como deveríamos responder? Podemos nós afirmar que por trás da fachada está o caminho para uma vida melhor? A burguesia estrangeira e os líderes dos Estados capitalistas estão secretamente encantados com duas coisas:   esta fachada e os discursos que evitam e encobrem conflitos. O nosso povo vê que estas questões negativas afinal não mudaram de todo, e está ansioso e com medo em relação ao Partido, ao país, ao futuro e destino dos povos e com a preocupação de que eles próprios acabem por não ter nada nem ninguém em quem confiar.

A tragédia da União Soviética e o colapso dos países socialistas da Europeu do Leste e as lições do declínio do movimento comunista internacional que se verificou depois dos anos oitenta ainda estão frescos nas nossas memórias. O imperialismo, o capitalismo e os seus agentes, cercaram e suprimiram-nos nas áreas da política, ideologia, finanças, economia e política financeira, métodos educativos, defesa nacional e militar, assuntos diplomáticos e nacionais e religião. Eles penetraram muito profundamente. Contudo, vemos que os efeitos não são grandes, e as suas medidas não são efectivas. Embora falemos frequentemente sobre paz, cooperação e harmonia, há indicações de que eles estão a fazer tudo o que podem para preparar o cerco militar contra nós, prontos para lançar uma guerra de agressão ou a ameaça de uso da força. Podemos actualmente dizer que o Partido e o governo se separaram seriamente do povo. O socialismo da China é precário! O povo chinês atingiu novamente um momento extremamente crítico!

Confrontada com esta espécie de situação interna e internacional, a maioria dos membros do Partido, especialmente os velhos camaradas que haviam recebido formação do Partido por muitos anos, reagem com imensa ansiedade, esperando que Partido Central tome medidas efectivas e actue rápida e corajosamente para conduzir de forma resoluta todo o Partido, as forças armadas e o povo para longe do "caminho do mal", perigo para o qual o Camarada Deng Xiaoping advertiu há muito tempo.

Esperamos que no próximo futuro seja necessário convocar o 7º Plenário do 16º Congresso do Partido o qual deveria, tendo o incidente da olaria do tijolo preto como ponto de viragem, resumir e reflectir sobre a nossa ideologia política e as linhas orientadoras básicas a fim de, novamente, defender a verdade e corrigir os erros. No 17º Congresso do Partido deveríamos tomar a decisão de estabelecer o Marxismo-Leninismo que Mao Zedong pensou como ideologia política que atende as necessidades da maioria do povo. Recomendamos sinceramente ao Comité Central do Partido que incidentes como o da olaria de tijolos não sejam excluídos. Não podemos falar superficialmente sobre este assunto enquanto nada fazemos (a recente 28ª reunião do NPC do Comité Permanente adoptou uma "Lei do Contrato de Trabalho", contudo os media não mostraram o presidente, vice-presidente e membros do Comité Permanente a dizer uma palavra sobre o incidente do olaria do tijolo preto de Shanxi). Ele deveria ser encarado como um ponto de viragem muito importante e um sinal de alarme conclamando todo o Partido a corrigir o caminho errado em que estamos.

O Presidente Mao disse: "o Partido Comunista é o núcleo do poder condutor da nossa actividade e o Marxismo-Leninismo é o princípio orientador do nosso pensamento, e se a nossa linha ideológica e política estiver correcta, decide tudo". Esta é a verdade inegável. O Camarada Hu Jintao disse: "a qualquer momento e sob quaisquer circunstâncias, devemos sempre elevar bem alta a bandeira do pensamento de Mao Zedong". Isto está absolutamente correcto. Apoiamos plenamente e fortemente tal reforma e esperamos ansiosamente que seja implementada prática e efectivamente no futuro.

O nosso partido tem uma tradição gloriosa:   ser aberto e vertical, não participar em maquinações; gerar a unidade e não a divisão; unir sob a decisão correcta. Nos interesses do povo, nós superamos dificuldades e empenhamo-nos por uma grande vitória. Para ter um ambiente plenamente democrático, o Comité Central deve dar um exemplo a todo o partido, e criar uma nova situação de liberdade que permita as boas tradições do espírito crítico do partido e a capacidade dos quadros de exprimir as suas opiniões. O comité central do PCC precisa de ouvir a maioria do povo, especialmente os trabalhadores e os camponeses, concentrado na linha com a visão marxista correcta e estabelecer o 17° congresso do partido como aquele que abre o caminho correcto, consegue a vitória na unidade, e terá um grande significado histórico. Devemos aderir à verdade sem hesitações, e estar prontos para corrigir os erros, o que é uma tarefa muito árdua.

Recomendamos lançar um estudo da teoria marxista antes do 7º Plenário do 16º Comité Central e do 17º Congresso do Partido. O governo central deveria decidir seleccionar alguns importantes documentos do marxismo-leninismo, do pensamento de Mao Zedong, tais como: o "Manifesto Comunista", "Anti-Dhuring", "O Estado e a Revolução", "Imperialismo, etapa superior do capitalismo", "Servir o Povo", "Yu Gong Yi Shan", "Estudo Bethune", "Opor-se ao Liberalismo", "Tratar correctamente a contradições internas dentro povo" e outras obras do Presidente Mao, bem como as líricas completas de duas canções: "A Internacional" e "As três regras principais de disciplina e oito pontos a ter em atenção", e ter membros da Comissão Central de Inspecção de Disciplina do Comité Central e representantes do 17º Congresso do Partido a efectuar seriamente classes de estudo. Deveríamos organizar e ajudar todos os membros do Partido a estudar enquanto tiverem capacidade para ler.

Recomendamos que antes do 7º Plenário do 16º Congresso do CCP Partido e do 17º Congresso do Partido deveríamos começar a criticar o socialismo democrático, o revisionismo socialista e a liberalização burguesa de acordo com o marxismo. Sem revogação nada se estabelece, sem dificuldade não há êxito. Sem criticar estas ideias erróneas é verdadeiramente impossível manter o marxismo como princípio orientador e guia político, e isto minaria mesmo a construção do socialismo. Na passagem da Primavera para o Verão de 1989, devido à liberalização burguesa, estalou um tumulto contra-revolucionário. O camada Deng Xiaoping destacou que a natureza do tumulto era "a liberalização burguesa e a oposição aos 'Quatro Sustentáculos' " (Quatro Princípios Básicos). O objectivo do tumulto foi "subverter o nosso país e o nosso partido". A lição mais importante é que "afirmámos a importância dos 'Quatro Sustentáculos', o trabalho ideológico e político, a liberalização anti-burguesa, e a poluição anti-espiritual, mas faltou-nos firmeza, acção, ou não cuidámos destes problemas adequadamente". Ele também destacou: "No 6º Plenário do 16º Congresso do Partido eu disse que precisávamos de mais 20 anos para combater contra a liberalização burguesa. Agora parece que serão mais do que 20 anos. A desenfreada difusão da liberalização burguesa conduzirá a consequências extremamente graves" (Obras Seleccionadas de Deng Xiaoping, 3º volume, 305, 374).

Hoje a difusão da liberalização burguesa é maior do que nunca. Além da propaganda agressiva da liberalização burguesa, há um outro pensamento de liberalização burguesa que se disfarça a si próprio como marxismo, e que é o socialismo dito democrático. Ele distorce seriamente o socialismo científico marxista e nega os princípios fundamentais do socialismo científico — propriedade pública dos instrumentos de produção e ditadura do proletariado. É tentador tornar a China um país burguês, ou seja, o vassalo dos países ocidentais. Ele pode confundir as pessoas porque disfarça-se sob a capa de marxismo. Deveríamos criticá-lo seriamente.

Em suma, devemos criticar a fundo todo o errado pensamento anti-marxista, e estabelecer ordem a partir deste caos a fim de assegurar o status condutor do marxismo. Sugerimos que o 17º Congresso do Partido tome decisões para restaurar o partido como uma vanguarda da classe trabalhadora, corrigir as ideias erradas das "vanguardas duais" e mudar os regulamentos erróneos que permitem aos capitalistas aderirem ao partido. A natureza de vanguarda da classe trabalhadora tem sido claramente reconhecida desde o Manifesto Comunista. Já em 1879, quando os chefes dos sociais democratas, Bernstein e outros, abriram as portas de partidos comunistas aos activos "educados e filantrópicos", e tentaram mudar o Partido para um "partido normal", Marx e Engels imediatamente denunciaram a ideia e disseram que se persistissem na mesma eles teriam de renunciar ou pelo menos afastar-se das posições de liderança do Partido (ver Obras Completas de Marx e Engels, 3º volume, 367). Desde a fundação do Partido Comunista da China temos mantido o princípio fundamental de que o PCC é a vanguarda da classe trabalhadora. Em 9 de Junho de 1952 do Comité Central do PCC enfatizou num documento que "A nenhum membro do partido não será permitido explorar outros (pouco importando se se trata de exploração feudal ou de exploração capitalista). Se eles estiverem relutantes em abandonarem a exploração, ou continuarem a explorar através do kulak ou outras formas, deveriam ser incondicionalmente expulsos do partido". Em 16 de Setembro de 1956, Deng Xiaoping, em nome do Comité Central do PCC, destacou que "no relatório sobre as emendas para a constituição do Partido, os membros do Partido devem empenhar-se no trabalho e não explorar o povo trabalhador. Devemos fazer com que todo o membro do Partido trace firmemente uma linha entre trabalho e exploração". Estes princípios fundamentais foram mantidos até o 16º Congresso do Partido. Desde o 16º Congresso do Partido tem havido um relacionamento mais estreito entre o Partido e a burguesia mas um relacionamento mais distante entre o Partido e os trabalhadores, camponeses e a intelligensia trabalhadora, e isto é bastante perigoso. Recomendamos que o 17º Congresso do Partido restaure as regulações anteriores acerca das características do Partido e as exigências para a condição de membro, readoptando a correcta postura marxista.

Para aqueles capitalistas que já se tornaram membros do Partido, podemos oferecer-lhes duas opções: 1) Continuarem a ser membros do Partido finalizando a exploração, devolvendo os instrumentos de produção habitualmente utilizados para a exploração ao Partido e ao governo do Povo, e tornando-se trabalhadores que dependem do seu próprio trabalho; ou 2) Automaticamente demitir-se do Partido e continuarem a ser capitalistas, mas amar o país, obedecer às leis e dar contribuições para a pátria. Alguns deles poderão aderir a partidos democráticos numa base voluntária.

Ao examinar os factos actuais temos de confessar que a reforma da China está a direccionar-se da mudança da propriedade pública para a propriedade privada e do socialismo para o capitalismo. Se o 17º Congresso do Partido continuar a seguir por este caminho abaixo, alguma pessoa do tipo Yeltsin emergirá, e em breve o Partido e o país serão tragicamente destruídos. Contudo, uma vez que as condições específicas na China são diferentes daquelas na antiga União Soviética, a versão chinesa de Yeltsin pode não anunciar publicamente a dissolução do Partido Comunista, a mudança do nome do país, ou a venda do nosso território. Ao invés disso eles utilizarão o marxismo-leninismo e a bandeira das cinco estrelas para disfarçarem-se a si próprios e enganarem o povo. Como começou este problema? A resposta reside em 20 anos de implementação de políticas erradas guiadas pela ideologia errada.

Não podemos resolver os problemas fundamentais apenas pela adição de umas poucas políticas de bem estar e de aprisionamento de alguns responsáveis corruptos se não formos capazes de romper contenções ideológicas, corrigir a privatização da reforma política e mudar a regulação errada que permite aos capitalistas se tornarem membros do Partido. Sem estas mudanças, enfrentaremos desastres sem fim. Esperamos que os camaradas na liderança do Comité Central possam verdadeiramente entender a significância destas questões.

Esperamos e sugerimos sinceramente que neguemos a fundo as teorias e caminhos errados, pensemos e abordemos caminhos que rompam completamente com as ideias teóricas erradas. Deveríamos tomar acções firmes para retornar à estrada revolucionária e registar o marxismo-leninismo-pensamento de Mao Zedong como a única ideologia condutora do Partido, ao invés de apenas despejar uma outra onda de palavras. Na medida em que implementarmos com dedicação as políticas acima, todos os sérios problemas existentes na política, teoria, ideologia, cultura, educação, economia, agricultura, indústria, forças armadas, defesa nacional, diplomacia, comércio exterior, responsáveis de governo, corrupção e a eliminação de pornografia, publicações ilegais e gangs serão fundamentalmente resolvidas.

Confrontados com tão amarga situação e neste momento histórico extremamente importante, também recomendamos que o Comité Central Permanente e a Comissão Política considere as melhores opções, elimine os vários factores negativos, e ultrapasse a adversidade a fim de mudar a presente situação negativa. A Comissão Política do Comité Central do PCC deveria conclamar todo o partido a relacionar a realidade da China de hoje com o marxismo-lenismo-pensamento de Mao Zedong sobre a revolução proletária e a ditadura do proletariado, a história do Partido Comunista da China, a história da classe trabalhadora internacional, da história colonial e estudá-las. Os quadros principais não deveriam preocupar-se acerca de ganhos ou perdas pessoais, mas ao invés disso assegurar que todos os verdadeiros pontos de vista dos membros do Partido possam ser expressos.

Dada a longa ausência de Democracia dentro do Partido e a hierarquia rígida, os líderes do Partido separaram-se do povo, e estilos de trabalho erróneos, tais como burocratismo, sectarismo, formalismo, oportunismo e liberalismo desencadearam-se velozmente. A maior parte das pessoas habituou-se a adoptar pontos de vista (cues) do patrão ao invés de falar com a sua própria cabeça ou avançar com ideias diferentes. Se este problema não puder ser resolvido, o Congresso do Partido e o NPC não terão resultados positivos.

Portanto, recomendamos que o Comité Central do PCC tome uma decisão oficial e informe todo o partido de que os membros do Comité Central, os membros da Comissão Central para a Inspecção da Disciplina, os representantes do 17º Congresso do Partido e todos os membros do Partido que criticarem o governo ou avançarem com ideias diferentes não deveriam ser culpabilizados, colocados na prisão, supervisionados ou mortos, e que os seus parentes e amigos devem ser mantidos seguros. Devemos permitir a todos que falem a verdade. É imperioso recordar e transmitir o espírito e as lições da Reunião de Zunyi durante a Longa Marcha e a Campanha de Rectificação de Yanan na década de 1940.

Enquanto isso, o nosso Partido deveria tomar a decisão de saudar os antigos retirados do Partido e líderes do estado para apoiar o Congresso do Partido e o NPC. Quanto à propaganda que se demonstrou errada, os camaradas relacionados deveriam, seguindo a disciplina do Partido, evitar activamente qualquer reiteração destas exposições e serem cuidadosos a fim de não cometerem erros históricos. Os líderes centrais deveriam manter hasteada a grande bandeira do marxismo-leninismo-pensamento de Mao Zedong como guia, e tomar a dianteira ao conduzir a auto-crítica. Eles deveriam procurar a verdade dos factos e adoptar a atitude de "falar a verdade sem se importar em perder a face" a fim de sistematicamente e abrangentemente resumir a experiência e abertura nos últimos 30 anos — que progressos ou erros foram feitos e que lições podem ser aprendidas a fim de manter a verdade e corrigir os nossos erros. Deveríamos elaborar políticas que verdadeiramente considerassem os princípios do socialismo e os interesses dos trabalhadores, camponeses e o povo. Pouco importando como os princípios e políticas são elaborados ou quem é responsável por elas, na medida em que elas são anti-marxistas elas são inconsistentes com os interesses do povo mencionados anteriormente e deveriam ser totalmente rejeitados.

A economia pode temporariamente sofrer impacto, mas ela ganhará o apoio sincero das vastas massas e portanto promoverá grandemente a unidade políticas e económica, bem como um maior desenvolvimento. Temos amigos por todo o mundo, e desenvolveremos [esta amizade].

Acerca da questão de como seleccionar candidatos para o 17º Congresso do Partido, sugerimos que o Comité Central adira ao princípio da meritocracia. Os candidatos devem ser aqueles que sustentam o marxismo-leninismo-pensamento de Mao Zedong, ficaram próximos do povo, contribuíram para os interesses do povo, bem como para a causa do Comunismo, ousam sustentar a verdade, corrigir erros e ter altos padrões morais e capacidade, e são auto-disciplinados ao invés de cuidar demasiado acerca de ganhos ou perdas pessoais.

Sugerimos que o Comité Central ajuste a lista de nomes de acordo com a situação do 7º Plenário do 16º Congresso do Partido e do 17º Congresso do Partido. A decisão deveria ser tomada através de eleições competitivas reguladas pela Constituição do Partido, o que foi o caso no 7º Congresso do Partido.

Sugerimos que o Comité Central Permanente da Comissão Política e o Secretário Geral sejam eleitos por todos os representantes do 17º Congresso do Partido ou do Comité Central em eleições competitivas directas.

Acreditamos firmemente que se os camaradas na liderança do Comité Central do Partido puderem arrumar as sua mentes, perceber os problemas que enfrentamos, e verdadeiramente retornar à posição revolucionária marxista-leninista Mao Zedong sem temor de sofrimento, vergonha, maldade ou pressão, poderemos evocar o espírito da luta revolucionária, do trabalho conjunto, para ultrapassar dificuldades, mudar as coisas, cativar o mundo e corrigir firmemente a direcção do socialismo.

Também podemos unir todo o Partido e todos os camaradas que participam no 17º Congresso do Partido e fazer corrigir políticas marxistas e socialistas através do estudo, da discussão, do debate e do entendimento unido no pensamento e na acção.

Só através das acções acima o 17º Congresso do Partido pode ser um êxito, estar unido e ser historicamente importante, o que consistem em manter alta a grande bandeira do pensamento marxista-Mao Zedong e seguir o caminho correcto. O povo chinês e os nossos amigos de todo o mundo nos apoiarão e louvarão. Os Jogos Olímpicos de Beijing e a Exposição Mundial de Shangai também terão êxito. Certamente serão capazes de construir um país melhor, e o povo chinês será capaz de ter um futuro melhor.

Finalmente, vamos referir-nos ao famoso poema escrito por Mao que provoca emoção em todos nós: "Um cuco chora pela meia-noite até que vomita sangue; ele acredita que o seu choro pode trazer de volta o vento do leste!" Temos a profunda esperança de que os nossos respeitados líderes estimularão o vento do leste!

É favor considerar profundamente as propostas acima adoptá-las.

[*] Ma Bin (antigo consultor do Centro de Investigação para o Desenvolvimento do Conselho de Estado)
Zhou Chuntian (antigo director do Comité Consultivo da Região Autónoma de Guangxi Zhuang)
Li Chengrui (antigo director do Departamento de Estatísticas do Estado)
Qin Zhongda (antigo ministro da Industria Química)
Mao Linchun (antigo Ministro-adjunto da Indústria Metalúrgica)
Wu Fanwu (antigo membro do Departamento de Peritos Estrangeiros)
Yang Shouzheng (antigo Embaixador Chinês na União Soviética)
Hua Guang (esposa de Zhang Haifeng, antigo embaixador chinês na Roménia, e antigo responsável para as questões políticas na Embaixada da China na Roménia)
Han Xiya (antigo secretário rotativo da Federação Chinesa de Sindicatos)
Zang Naiguang (antigo director-executivo-adjunto do Banco da China)
Xu Chengzhi (antigo director do Departamento para as questões Políticas do Exército de Libertação do Povo – Unidade Ferroviária)
Long Guilin (antigo Comandante do Exército de Libertação do Povo – Unidade Ferroviária)
Bai Xuetian (antigo comissário político do Exército de Libertação do Povo –Divisão de Tanques)
Chen Xiao (antigo Director-Geral-Adjunto do Departamento para as questões Políticas do Exército de Libertação do Povo – Marinha)
Yu Quanyu (membro do Comité Nacional do CPPCC, investigador na Academia Chinesa de Ciências Sociais)
Xu Fei (Professor Associado da Universidade de Comunicação da China)
Mo Mengzhe (editor, Instituto da China Contemporânea)

12/Julho/2007

[1] O caso da olaria conhecida como "Forno do tijolo preto", amplamente relatado pelos media chineses, provocou um enorme escândalo pois foi ali descoberto trabalho escravo de crianças. A olaria fica na Aldeia Caosheng, município de Hongdong, província de Shanxi. O pai do seu proprietário foi delegado e responsável local do Partido, tendo já sido expulso.

A versão em inglês encontra-se em http://mrzine.monthlyreview.org/china070807.html

Esta carta aberta encontra-se em http://resistir.info/ .
15/Ago/07