Reverter as privatizações selvagens
1 de Outubro Dia Nacional da Água
O acesso à água pública um direito
inalienável!
por Associação Água Pública
[*]
O próximo dia 1 de Outubro, Dia Nacional da Água, tem lugar num
momento de particular importância para a vida das
populações, pelos impactos económicos e sociais em
consequência da pandemia do Coronavírus SARS 2
doença do COVID 19.
Saudamos todos os trabalhadores, em particular os trabalhadores dos
serviços de água, que continuam a assegurar este serviço
público essencial à vida e segurança de todos.
A situação actual demonstra que o acesso à água e
ao saneamento são um direito humano fundamental e comprova que a sua
gestão deve ser pública.
Demonstra também o papel insubstituível das autarquias na
assunção das respostas às populações, em
particular na garantia dos serviços de abastecimento de água e
saneamento.
A gestão dos recursos hídricos e do acesso universal à
água, por parte das populações, não se compadece
com a ausência da gestão integrada e sustentável e com uma
estratégia que tem vindo a ser prosseguida, nas últimas
décadas, de mercantilização e privatização.
Segundo a "Visão Estratégica para o Plano de
Recuperação Económica para Portugal 2020-2030",
"
sendo Portugal um país especialmente sujeito ao risco de
aumento da escassez de água, sobretudo num contexto de
alterações climáticas e em que depende de forma
significativa dos recursos hídricos dos rios transfronteiriços,
é fundamental gerir-se cada vez melhor as bacias
hidrográficas
".
Dai a relevância dos trabalhos que estão em curso, e de que pouco
se tem tido conhecimento, de elaboração dos Planos de
Gestão das Regiões Hidrográficas (PGRH 3.º
ciclo), para o período 2022-2027.
A grave situação de seca que enfrentamos exige o reforço
do investimento público, a concretização de investimentos
e a adopção de medidas de proteção e
conservação da água, do uso eficiente da água, da
gestão da procura, tendendo para uma situação de
permanência das utilizações que caia dentro dos limites de
disponibilidade dos recursos existentes.
Exige igualmente a defesa da soberania, do interesse nacional, nomeadamente,
uma partilha equitativas das águas nas bacias internacionais o
que é incompatível com convenções detalhadas
à medida de interesses estrangeiros nas hidroelétricas
portuguesas, patente na obrigatoriedade de escoamento na foz do Douro e na foz
do Tejo.
Saudamos a luta das populações em defesa da água
pública e da reversão de processos incompatíveis com esses
objectivos como se verificaram e estão a verificar em alguns
Municípios, como Gondomar, ou Penacova. Registamos positivamente a
decisão anunciada pela Câmara Municipal de Paredes de resgatar a
concessão dos serviços de água, que comprova, uma vez
mais, que estes serviços não devem sair da esfera pública.
Reafirmamos por isso a nossa determinação em prosseguir a defesa
da água pública, exigindo a cessação e o regresso
ao controlo público dos serviços privatizados, pondo fim
às gravosas consequências para os municípios e as
populações abrangidas por tais sistemas.
Lisboa, 30 de Setembro de 2020
[*]
aguapublica.associacao@gmail.com
, Rua D. Luis I, 20 F 1249-126 Lisboa
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