Frente Popular anti-imperialista e antifascista
por PCV, PPT, REDES, PRT, BRAVO SUR, VOCES y GAYONES
[*]
|
|
sabemos que o processo revolucionário venezuelano precisa de uma
liderança coletiva e popular que represente os explorados e assente na
humildade, constância, produção e trabalho, única
forma de resolver as reivindicações e direitos populares, porque
a libertação do povo é obra do próprio povo.
Caracas, 23 de maio de 2017
|
A profunda crise política, económica e social na Venezuela exige
a mais ampla unidade das forças revolucionárias e populares, que
garanta uma vitória sobre o imperialismo e o fascismo
A República Bolivariana da Venezuela encontra-se ameaçada,
uma vez mais, pelo desenvolvimento das ações de
violência política de setores da extrema-direita, para a
execução de um plano desestabilizador urdido pelo imperialismo
estadunidense, com o objetivo de impor, por via da força e da chantagem,
um governo ao serviço da sua hegemonia no continente, desarticulando os
processos de libertação nacional iniciados na América
Latina no princípio deste século, revertendo as mudanças
progressistas que permitiram aos trabalhadores e trabalhadoras e ao povo em
geral estabelecer direitos e conquistas sociais negados historicamente por
governos que serviram absolutamente os interesses da grande burguesia,
associada, em condições de subordinação, ao
imperialismo norte-americano.
Compreendendo a alta responsabilidade que o momento exige, as
organizações
PCV, PPT, REDES, PRT, BRAVO SUR, VOCES y GAYONES
dirigem-se ao povo da Venezuela, aos revolucionários do mundo e aos
combatentes internacionalistas para informar que estamos a impulsionar uma
política unitária, para somar vontades a favor de uma
solução revolucionária para a crise que a Venezuela
atravessa, tendo como eixo central as maiorias populares que, definitivamente,
são o mais genuíno da pátria.
Os acontecimentos que se verificam no mundo, como consequência da crise
geral do capitalismo, demonstram o grau de agudização das
contradições e do perigo de guerras de agressão
imperialistas, expressão da ação desesperada dos
monopólios e dos seus representantes nos governos dominantes no mundo.
O imperialismo norte-americano conseguiu importantes avanços
estratégicos e táticos, ao recompor parte da
correlação de forças a favor das suas políticas,
com a mudança de governo na Argentina, o golpe de Estado nas Honduras,
os golpes parlamentares no Paraguai e no Brasil, a vitória da direita
nas eleições parlamentares na Venezuela, a
manutenção de bases militares em vários países da
região, a entrada da Colômbia na NATO, recompondo o seu
domínio no continente para continuar a agressão contra os
governos soberanos.
Em consequência, a América Latina vê-se agredida e vive uma
complexa situação, que exige dos revolucionários
análises acertadas e ações incisivas que consigam travar a
ofensiva neoliberal, sair do refluxo e colocar-nos na ofensiva, levando o
movimento popular a pôr-se à cabeça da luta social e
política com firmeza, denunciando a corrupção, o boicote
do patronato e dos latifundiários, a violência exploradora com a
sua sequela de pobreza, escassez de bens e fome, assim como o entreguismo e o
extrativismo como formas de aprofundar a dependência de uma ou outra
potência imperialista.
Como já afirmámos, no caso da Venezuela, a ofensiva da direita
mais reacionária atingiu níveis de violência, com
traços fascistas, que procuram criar as condições para uma
intervenção planificada do Departamento de Estado e da UE,
através de instrumentos como a OEA, o MERCOSUR, a Aliança
do Pacífico, com o apoio de alguns governos de extrema-direita da
região, mercenários que atuam como ponta de lança para a
agressão já em curso.
Está demonstrado que os grandes monopólios injetam dinheiro e
oferecem logística aos comandos mercenários terroristas,
bloqueiam o financiamento ao país, fazem lóbi comunicacional a
nível mundial, atentam contra a vida com ações terroristas
para acelerar as condições de intervenção
estrangeira, que preparam todos os dias e pela qual os traidores vorazes
anseiam.
Sabemos que o presente é de luta e que o caminho da unidade
autêntica está cheio de escolhos e dificuldades, mas estamos
determinados a construí-lo, começando pelo reconhecimento e o
respeito mútuo, encontrando-nos nas lutas do povo e, a partir
daí, construindo um programa para uma pátria melhor, porque
sabemos que o processo revolucionário venezuelano precisa de uma
liderança coletiva e popular que represente os explorados e assente na
humildade, constância, produção e trabalho, única
forma de resolver as reivindicações e direitos populares, porque
a libertação do povo é obra do próprio povo.Frente
à perigosa escalada terrorista que põe em risco a soberania e
independência nacionais e as conquistas do povo trabalhador, apelamos a
uma resposta unitária com contundência e coerência. É
necessário dinamizar sem perda de tempo a ampla aliança
anti-imperialista para derrotar o plano terrorista e golpista.
Sãonecessárias, urgentemente, a ação conjunta e a
articulação entre as organizações
revolucionárias, as forças do movimento operário e popular
e a oficialidade patriótica da FANB
[Força Armada Nacional Bolivariana]. É necessário um
PLANO UNITÁRIO PATRIÓTICO E POPULAR
para derrotar a direita terrorista e o imperialismo. Fazer o
contrário é atuar com irresponsabilidade, o contrário
é, na prática, entregar-se.
As e os verdadeiros revolucionários não se entregam, lutam unidos
até vencer.
Hoje, em que o povo explorado e oprimido se encontra ameaçado pelas
garras imperialistas e elementos fascistas, que avançam no seu
propósito de exterminar as ideias revolucionárias,
contra-atacamos com esta proposta unitária, levantando a voz para
resgatar o sonho e a esperança das maiorias populares, que anseiam por
uma profunda e decisiva transformação económica,
política e social. Convidamos todos os nossos irmãos de classe a
que, a partir das suas organizações sociais de base, partidos
políticos, grémios, sindicatos, cooperativas, movimentos sociais,
comunas e outras formas organizativas de luta que o povo construiu, se juntem,
em termos de igualdade, a esta Frente Popular que estamos empenhados em
construir. Sem unidade não haverá vitória e sem
vitória não haverá futuro.
O
PCV, o PPT, o PRT, Redes, Bravo Sur, Voces Anti-imperialistas y Gayones
manifestam com este documento o firme compromisso de abrir um espaço
amplo para organizar a mobilização e a luta, com energia e
consciência de classe para, a partir do povo e com o povo, satisfazer as
necessidade das maiorias através do desenvolvimento da
produção, da segurança alimentar, derrotando a
insegurança e a violência reacionária. Abrimos as portas a
quem está na disposição de lutar pelos direitos das
maiorias exploradas e oprimidas até à vitória.
Só a mais ampla unidade popular, com a classe operária
consciente e organizada na vanguarda, garante a defesa da pátria
bolivariana e o aprofundamento revolucionário das mudanças, com
os olhos postos na verdadeira construção do socialismo, em bases
científicas e consequentes.
Face à crise capitalista, a opção é a
revolução socialista!
Contra a agressão imperialista, Frente Popular Anti-imperialista e
Antifascista!
Por uma Assembleia Constituinte revolucionária!
Caracas, 23 de maio de 2017
[*]
PCV Partido Comunista da Venezuela
PPT Pátria Para Todos
REDES Redes Sociais na Venezuela
PRT Partido Revolucionário do Trabalho
BRAVO SUR Blog coletivo
sistematização da Assembleia Regional de Bravo Sur Carabobo
VOCES y GAYONES Vozes anti-imperialistas e movimento Gayones
(grupo indígena antes da chegada dos colonos, que habitava vastas zonas
da Venezuela)
O original encontra-se em
prensapcv.files.wordpress.com/2017/05/documento-fpaa.pdf
e a tradução em
pelosocialismo.blogs.sapo.pt/frente-popular-anti-imperialista-e-1617
Este documento encontra-se em
http://resistir.info/
.
|