Onda crescente de censura na Internet
por James Corbett
Os êxitos recentes nos combates contra o controle da Internet
serão suficientes para impedir a tirania?
O foco das atenções voltou-se para a censura da Internet esta
semana, quando artigos foram publicados simultaneamente no
Time Magazine
e no
The New York Times,
defendendo a obrigatoriedade de licença para operar sítios na
Internet. Esses artigos foram
devidamente criticados
por Paul Joseph Watson como
uma tentativa coxa de apoiar o monopólio da mídia hoje em
desintegração em face de uma blogosfera que está
rapidamente a substituí-lo.
Os artigos seguiram-se a apelos de Craig Mundie chefe de pesquisas e
estratégias da Microsoft por um sistema de licenças para a
Internet. Introduzindo a idéia
ele disse
"Precisamos de um tipo de Organização Mundial da
Saúde para
a Internet".
Evidentemente sem saber da investigação em curso sobre o
papel da OMS na
fabricação do boato de pandemia da gripe H1N1
para encher os bolsos da grande indústria farmacêutica, Mundie
acrescentou que uma autoridade internacional sobre a Internet poderia exercer o
mesmo tipo de autoridade que a OMS tem para lidar com uma pandemia. "
Quando existe uma pandemia, ela organiza os casos de quarentena. Não nos
é permitido organizar a quarentena sistemática de máquinas
que estão comprometidas
". Tais apelos são preocupantes porque representam simplesmente o
exemplo mais recente de personalidades influentes a proporem com
insistência controles tirânicos sobre a liberdade de
expressão na Internet.
A presidência Obama tem assistido um crescente alarde sobre
ameaças à cibersegurança, com o influente
think tank
do CSIS (Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais) tendo
redigido
livros brancos
a proporem a cibersegurança como
questão-chave para a 44ª presidência.
Como informamos em Julho passado
, o CSIS argumenta por
"um mínimo de padrões para a segurança do
ciberespaço"
porque
"a ação voluntária não é
suficiente".
ROCKFELLER: "A INTERNET NÃO DEVIA TER SIDO INVENTADA"
Pouco depois de Obama assumir a presidência, no ano passado, o senador
Jay Rockefeller apresentou uma proposta de lei senatorial (S. 773) que daria ao
presidente o poder de "
declarar um estado de emergência cibernético
" e
encerrar
a Internet. A lei também exigiria dos
administradores de rede do setor privado que obtivessem uma licença
junto ao governo federal depois de se inscreverem em um programa de
certificação do governo. Durante as audiências do
Comitê, Rockefeller chegou ao ponto de afirmar que teria sido melhor
que a Internet nunca tivesse sido inventada
.
Em Novembro do ano passado
foi noticiado
que um acordo estava sendo negociado
pelos líderes das economias mais poderosas do mundo (aproveitando as
reuniões de Davos sobre a economia mundial) no sentido de forçar
os provedores a cortar as assinaturas de quem fosse apanhado mais de duas vezes
copiando conteúdos protegidos por direitos autorais. Reportagens
recentes indicam que essa proposta
não foi discutida
na reunião
de líderes das economias mais poderosas mês passado, mas já
foi
aprovada na França
com o nome de lei das três faltas.
No início desse ano,
foi revelado
que o czar das
informações de Obama, Cass Sunstein, reclamou que a blogosfera
espalha sentimentos anti-governamentais e defendeu que o governo atual empregue
pessoas para se infiltrarem em comunidades na Internet e publicarem
informações favoráveis ao governo num esforço para
desestabilizar essas comunidades. É notável como essa proposta
pode vir de um homem do alto escalão do governo, e é somente um
aspecto da estratégia do Pentágono para
combater a net
como se ela fosse uma arma dos inimigos do sistema.
Todas essas propostas e numerosas outras histórias que temos noticiado
no passado (p.ex.
aqui
e
aqui
) representam apenas as últimas tentativas de sufocar a liberdade de
expressão na Internet. Apesar de grupos como a Fundação
Fronteira Eletrônica (
Eletronic Frontier Foundation
) terem lutado contra
essa onda por muito tempo, o poder explosivo da comunidade on-line em
descarrilar a agenda carbônica-eugênica
e
desvendar o Federal Reserve
tem
despertado muitos para o potencial desse meio nascente... e esse é seu
valor. O valor da Internet é diretamente ligado à liberdade de
expressão, um princípio que é negado pelo monopólio
da mídia que prosperou por décadas em uma era virtualmente de
livre competição, antes do advento da Internet. Como um
comentário no
Time Magazine
disparou sobre o licenciamento para Internet,
"NÃO existe movimento popular em nenhum lugar reivindicando a
intervenção do governo na Internet. A Internet não
está com problemas. Ela funciona tão bem, que é um
problema para os tiranos".
Assim como acontece com tudo relacionado com a Internet, os esforços de
colaboração de cidadãos preocupados em se opor à
censura da Internet está sendo pago com desenvolvimentos positivos. A
nascente consciência do poder e importância da Internet está
sensibilizando as pessoas de que as liberdades on-line são de fato
direitos fundamentais que não podem ser negados. Mesmo a China foi
forçada a
recuar
de um regime de licenciamento da Internet (exatamente o
mesmo que foi proposto em Davos) devido à pressão pública.
Uma lei draconiana da Austrália que teria exigido em todos os
comentários políticos o nome completo e o endereço dos
comentadores provavelmente será
revogada pelo Procurador Geral
.
Se esses êxitos individuais na luta para impedir a tirania on-line
vão ou não finalmente descarrilar a agenda do
establishment
ainda veremos. Dependerá em grande medida de o clamor público
contra a perda das liberdades on-line se transformar em um genuíno
movimento popular de base.
05/Fevereiro/2010
O original encontra-se em
http://globalresearch.ca/index.php?context=va&aid=17433
e em
The Corbett Report.
Tradução de Alex Lombello Amaral.
Este artigo encontra-se em
http://resistir.info/
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