Protestos orquestrados por Washington desestabilizam a Ucrânia
por Paul Craig Roberts
[*]
Os protestos no ocidente da Ucrânia são organizados pela CIA, pelo
Departamento de Estado dos EUA e por organizações não
governamentais (ONGs) financiadas pela UE que trabalham em conjunto com a CIA e
o Departamento de Estado. A finalidade dos protestos é anular a
decisão do governo independente da Ucrânia de não aderir
à UE.
Os EUA e a UE inicialmente estavam a cooperar no esforço para destruir a
independência da Ucrânia e torná-la uma entidade
subserviente ao governo da UE em Bruxelas. Para o governo da UE, o objectivo
é expandir a UE.
Para Washington as finalidades são tornar a Ucrânia
disponível para o saqueio por bancos e corporações dos EUA
e trazer a Ucrânia para dentro da NATO de modo a que Washington possa
ganhar mais bases militares na fronteira da Rússia.
Há três países no mundo que estorvam o caminho da hegemonia
de Washington sobre o mundo a Rússia, a China e o Irão.
Cada um destes países é atacado por Washington para derrube ou
para que a sua soberania seja degradada pela propaganda e bases militares dos
EUA que deixam os países vulneráveis a ataque, portanto
coagindo-os a aceitar a vontade de Washington.
O problema que se levanta entre os EUA e a UE em relação à
Ucrânia é que os europeus perceberam que a tomada da Ucrânia
é uma ameaça directa à Rússia, a qual pode cortar o
petróleo e gás natural à Europa, e se houver guerra
destruir a Europa completamente. Consequentemente, a UE tornou-se mais
favorável a parar de provocar protestos na Ucrânia.
A resposta da neoconservadora Victoria Nuland, nomeada secretária de
Estado Assistente pelo Obama de duas caras, foi "F**-se a UE", quando
tratava de descrever os membros do governo ucraniano que Washington pretendia
impor sobre um povo tão inconsciente a ponto de acreditar que
estão a alcançar a independência ao precipitar-se nos
braços de Washington. Outrora eu pensava que nenhuma
população do mundo podia ser tão inconsciente quanto a
população dos EUA. Mas eu estava errado. Os ucranianos ocidentais
são ainda mais inconscientes do que os americanos.
A orquestração da "crise" na Ucrânia é
fácil. A neoconservadora secretária de Estado Assistente Victoria
Nuland contou no National Press Club, em Washington, dia 13/Dezembro/2013, que
os EUA "investiram" US$5 mil milhões em agitação
na Ucrânia.
A crise assenta essencialmente na Ucrânia ocidental, onde ideias
românticas acerca da opressão russa são fortes e a
população é menos russa do que na Ucrânia oriental.
O ódio da Rússia na Ucrânia ocidental é tão
disfuncional que os ludibriados protestantes não percebem que aderir
à UE significa o fim da independência da Ucrânia e o
domínio por parte dos burocratas da UE em Bruxelas, do Banco Central
Europeu e de corporações dos EUA. Talvez a Ucrânia seja
dois países. A metade ocidental poderia ser dada à UE e a
corporações dos EUA e a metade oriental poderia ser reincorporada
como parte da Rússia, onde assentava toda a Ucrânia desde que os
EUA existem.
A insatisfação para com a Rússia que existe na
Ucrânia ocidental torna fácil para os EUA e a UE provocar
perturbações. Aqueles em Washington e na Europa que pretendem
destruir a independência da Ucrânia retratam-na como uma
refém da Rússia, enquanto a Ucrânia na UE estaria
alegadamente sob a protecção dos EUA e da Europa. As grandes
somas de dinheiro que Washington despeja em ONGs na Ucrânia propagam esta
ideia e trabalham a população para uma inconsciência
frenética. Nunca na minha vida testemunhei um povo tão
inconsciente como os protestantes ucranianos que estão a destruir a
independência do seu país.
As ONGs financiadas pelos EUA e UE são quinta colunas destinadas a
destruir a independência dos países nos quais operam. Algumas
pretendem ser "organizações de direitos humanos".
Outras doutrinam pessoas sob a capa de "programas de
educação" e de "construção da
democracia". Outras ainda, especialmente aquelas dirigidas pela CIA,
especializam-se em provocações, tais como as "Pussy
Riot". Poucas, se é que alguma, destas ONGs são
legítimas. Mas elas são arrogantes. O chefe de uma da ONGs
anunciou antges das eleições iranianas na qual Mousavi era o
candidato de Washington e da CIA que a eleição resultaria numa
Revolução Verde. Ele sabia antecipadamente, porque havia ajudado
a financiá-la com dólares do contribuinte estado-unidense.
Escrevi acerca disso na altura. Isso pode ser encontrado no meu sítio
web,
www.paulcraigroberts.org
, e no meu livro que acaba de ser publicado, How America Was Lost.
Os "protestantes" ucranianos têm sido violentos, mas a
polícia tem sido contida. Washington tem um interesse oculto em manter
os protestos em andamento na esperança de transformá-los numa
revolta de modo a que possa apossar-se da Ucrânia. Esta semana a
Câmara de Deputados dos EUA aprovou uma resolução a
ameaçar sanções se os protestos violentos fossem sufocados
pela polícia.
Por outras palavras, se a polícia ucraniana comportar-se com
protestantes violentos do mesmo modo como a polícia dos EUA comporta-se
com protestantes pacíficos, isso é uma razão para
Washington interferir nos assuntos internos da Ucrânia. Washington
está a utilizar os protestos para destruir a independência da
Ucrânia e já tem pronta uma lista de fantoches que pretende
instalar como o próximo governo do país.
[*]
Ex secretário Assistente do Tesouro para Política
Económica e editor associado do
Wall Street Journal.
Colaborou na
Business Week, Scripps Howard News Service
e Creators Syndicate. Seu livro mais recente é
The Failure of Laissez Faire Capitalism and Economic Dissolution of the West
.
O original encontra-se em
www.globalresearch.ca/...
Este artigo encontra-se em
http://resistir.info/
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