O Programa de Empobrecimento Colectivo (PEC)
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| Superior | 14 | 34 | 26 | 10 | 29 | 32 |
| Secundário, superior e pré-universitário | 15 | 23 | 49 | 14 | 23 | 44 |
| Primário e secundário inferior | 71 | 43 | 25 | 76 | 48 | 24 |
Estes elementos, só excepcionalmente foram divulgados pelo INE, na
edição de 2007, acima referida. E percebe-se porquê.
Não convém que se saiba que o patrão médio,
além de ter uma qualificação muito inferior à da
"concorrência" espanhola e europeia, tem um perfil
culturalmente mais baixo do que os trabalhadores por conta de outrém.
Como os ditos empresários são, mediaticamente, sempre
apresentados com auras de superioridade, como entes eleitos recheados de valias
merecedoras de atenções especiais e de todas as mordomias,
não cai bem a evidência dessa lacuna enorme para o
desenvolvimento, a revelação que o rei vai nu. Dito de outro
modo, os cerca de cinco milhões de trabalhadores portugueses vendem a
sua força de trabalho a um conjunto de iletrados biltres, composto por
287,2 milhares de indivíduos.
Por outro lado, o mandarinato ajuda a essa mistificação,
esfalfando-se em ostentar a baixa produtividade como culpa dos trabalhadores
portugueses; ou, não fosse grande a osmose entre mandarins e o mundo
empresarial.
A necessidade do aumento das qualificações e
formação dos trabalhadores é um elemento constante,
indiscutível, um factor natural e desejável na
evolução de qualquer sociedade. O mandarinato esconde que a baixa
produtividade se prende, essencialmente, com a especialização
produtiva desajustada construída por uma burguesia frágil e
ignorante, no quadro de uma posição subalterna na hierarquia do
capital global.
O empresariado luso sempre foi avesso ao investimento produtivo nas empresas,
preferindo a aposta em mão-de-obra barata, a compra de carros de alta
cilindrada, sendo comum a coexistência de empresas falidas e endividadas,
com patrimónios pessoais avultados, dos seus donos. Nesse contexto, o
trabalho qualificado em Portugal é mal pago, porque o nível
salarial global é baixo; e assiste-se ao escandaloso desperdício
de jovens qualificados serem obrigados, para subsistir, a exercer
funções cuja realização está longe de exigir
a sua qualificação, recebendo por isso, um salário
miserável, com todo o impacto na motivação e no desempenho.
Na realidade, o "empreendorismo" dos empresários portugueses
só sobrevive à custa dos impostos pagos, essencialmente pelos
trabalhadores (v.
"Capitalismo e Estado: a mesma luta"
)
[6]
, à total promiscuidade com o aparelho de Estado, à
persistência do modelo de baixos salários e muito menos às
capacidades realizadoras da burguesia.
Essa mesma ignara burguesia não sente particularmente a necessidade de
uma forte elevação do padrão de
qualificações dos trabalhadores e da população em
geral:
Toda a exposição anterior serve para oferecer uma
justificação parcial para o sistemático atraso da
adaptação da especialização portuguesa na
divisão internacional do trabalho, no quadro mais alargado e intensivo
criado pela globalização neoliberal.
Até à descolonização de 1975, as colónias
foram sempre a jóia mais valiosa para a burguesia portuguesa, desde o
tempo da monarquia. A sua existência permitiu um intermediarismo
estagnante próprio das "burguesias compradoras" que, no caso
lusitano, se habituou a uma dependência total do Estado, garante da
ausência da concorrência externa e do baixo preço do
trabalho. Nos anos 60, o verdadeiro início da entrada de capitais
externos compensou os meios em que o Estado se esvaia nas guerras coloniais,
permitindo o arrastar da reconversão produtiva, bem evidente na fuga de
muitos milhares de trabalhadores que, transformando a fronteira em verdadeiro
passador, procuravam na Europa Ocidental trabalho e bem estar.
Para sair desse impasse e atrelar-se ao comboio do enriquecimento global que
então se observava na Europa Ocidental, os mais lúcidos dos
capitalistas lusos aproveitaram o descontentamento dos militares com a
duração e o desfecho das guerras, para mudar o regime
político e acabar de vez com a intermediação colonial.
Porém, decididamente, a burguesia portuguesa teve dois azares:
O sector nacionalizado poderia ter sido uma alavanca poderosa no
desenvolvimento capitalista se, constituído duas décadas
atrás e inserido numa política económica semelhante
à dos "tigres asiáticos"; isto é, regimes mais
ou menos autoritários, forte investimento e financiamento
público, proteccionismo feroz, em contraponto com forte apoio à
exportação. Num congresso de economistas nos anos 80, quem ouviu
o então primeiro-ministro Balsemão referir que Portugal teria de
seguir o exemplo da Holanda ou da Coreia do Sul, percebeu que o homem
não percebia nada de geografia e estava desfasado no tempo.
A inevitável integração europeia no quadro do
neoliberalismo, promoveu transformações que só vieram
adiar os problemas actuais:
Os dois últimos anos têm sido férteis na
demonstração do fracasso das várias formas de
regulação global e das atitudes voluntaristas de aprofundamento
de uma mítica UE, à revelia dos povos europeus.
É, neste contexto que, na paróquia lusa, se iniciou com o
milénio, um longo período de estagnação,
desemprego, dívida, perda de poder de compra, empobrecimento e
acréscimo das desigualdades, tudo condimentado com a
mediatização de casos judiciais que só evidenciam quem
manuseia o aparelho judiciário e o incremento da ausência de uma
real democracia. Uma década de recessão já está
garantida e várias safras se preparam nos próximos anos.
Em 2008, a crise financeira constituiu a cereja no bolo da festa neoliberal que
tem Sócrates e o PS/PSD como faxinas em permanência, na ocidental
praia lusitana. Salvo o sistema financeiro, sobram, aumentados, o défice
e a dívida, o desemprego e a contracção do poder de
compra, a deterioração das condições de vida.
Sem a imprevisibilidade da mosca no prato da sopa, ressurge o PEC que dá
pelo nome ridículo de Programa de Estabilidade e Crescimento quando
deveria representar um Programa de Empobrecimento Colectivo. Da sua
análise redunda o que se poderia considerar um programa de total
estupidez; se não fosse uma acção criminosa.
Neste quadro não é difícil que se vá manter a
recessão bem para além de 2013, data a partir da qual o PEC
é estritamente omisso. Por um lado, a recessão ou o baixo
nível de crescimento na Europa impedem que a economia portuguesa reanime
aliás ela tem-se mantido pouco dinâmica mesmo quando, neste
século, a Europa apresentava taxas de crescimento menos
miseráveis que agora. Por outro, as debilidades estruturais de Portugal
situação periférica, desajustada
especialização produtiva, mais sentida concorrência dos
países com baixos salários interagem com a crise
económica europeia e ampliam as dificuldades portuguesas.
Um elemento pouco referido cujos efeitos se irão fazer sentir a partir
de 2014 é o fim do QREN cuja substituição por qualquer
outro pacote de apoios comunitários, não corresponderá ao
volume dos financiamentos registados com o QREN; pese embora a descolagem de
Portugal na hierarquia das capitações do rendimento que balizam o
patamar desses apoios financeiros. Ora, se no QREN o nível dos fundos
comunitários distribuídos representa 1,8/1,9 do PIB, qualquer
redução desse indicador, num contexto de crise,
contribuirá decerto para a complicação da
situação económica global.
Sublinham-se, em seguida, as principais malfeitorias do PEC, inspiradas pelas
instâncias do "mercado" e passadas a texto pelos assessores do
sádico Teixeira dos Santos; que nem sequer obteve o aplauso de algumas
figuras gradas do seu próprio gang.
3.1- O RSI ou Regime de Supressão de Indigentes
O RSI nunca foi do agrado da direita para a qual a pobreza não é
produto das desigualdades sistémicas mas, resultado da preguiça,
defendendo para tanto que acabem essas ajudas públicas para que os
pobres sejam obrigados a trabalhar. É óbvio, que criando-se
condições para a aceitação de salários como
esmolas concedidas por magnânimos "empregadores", aposta-se
deliberadamente num rebaixamento global do preço do trabalho.
Há hoje, quem procure trabalho na restauração, a troco de
200/mês mais comida o que faz crer que a CIP teria razão ao
considerar exorbitante a subida do SMN para 475, tendo em conta o
trabalho semi-escravo que se vem estendendo por aí. Recorda-se que
já se abordaram (v.
"O novo valor do salário mínimo nacional é um
logro"
)
[7]
os benefícios colaterais pouco divulgados sobre as
finanças dos partidos representados na AR.
Por outro lado, muitos dos beneficiários do RSI não são
facilmente integráveis no mundo do trabalho por razões de idade
(crianças e velhos), de doença ou qualificação.
Recorde-se que o xenófobo Paulo Portas, defendeu, demagogicamente, a
distribuição do dinheiro afecto ao RSI pelos reformados, durante
as últimas eleições.
A evolução para a despesa com o RSI, real e prevista no PEC
é, em milhões de euros):
Sabendo-se que havia recentemente 404 mil beneficiários, a
capitação em 2009 teria sido próxima de 1257 por ano
ou, cerca de 100 por mês, o que naturalmente terá provocado
um esgotamento do caviar nas prateleiras dos supermercados.
Os indicadores que adiante se descrevem permitem alguns exercícios sobre
o projecto da santa aliança PS/PSD/CDS para uma população
que actualmente representa perto de 4% do total.
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| PIB | 0.0 | -2.7 | 0.7 | 0.9 | 1.3 | 1.7 |
| Consumo privado | 1.7 | -0.8 | 1.0 | 0.8 | 0.9 | 1.0 |
| Desemprego (%) | 7.6 | 9.5 | 9.8 | 9.8 | 9.5 | 9.3 |
Na continuidade da lógica da direita de criminalização da
pobreza, o PEC contempla lógicas persecutórias de efeitos muito
limitados mas que, a serem concretizados envolvem custos de pesquisa e
fiscalização pouco enquadrados numa análise
custos-benefícios. Assim, irão reforçar
fiscalizações domiciliárias, verificações
semestrais dos rendimentos, proceder a cruzamentos de dados, procurando
património e rendimentos de capitais.
Os nazis davam-se ao trabalho de pegar em judeus, ciganos, comunistas e
anarquistas, encerrá-los em campos de concentração e abrir
as torneiras do gás. Os genocidas PS/PSD, mais económicos, fecham
as torneiras da subsistência física a 4% da
população e permitem que morram por aí; outros estratos da
população seguem dentro de momentos.
3.2- Subsídio de desemprego
Actualmente, o subsídio diário de desemprego corresponde a 65% da
remuneração de referência e é calculado como 1/360
do rendimento recebido no último ano. Porém, não pode ser
inferior ao IAS Indexante dos Apoios Sociais ( 419,22 em 2010) e
que o governo já congelou até 2013; não pode ser superior
a 3 IAS ( 1257,66); nem poderá superar o valor líquido da
remuneração de referência. Engenhoso, tem a marca do
Pedrinho Marques, socratóide de estado da Segurança Social,
genocida da cantera PS, menino formado na London School of Economics.
Assim, o PEC ordena:
Felizes dos cidadãos que têm um governo tão incentivador do
emprego! O desemprego em massa sempre foi um factor de redução de
salários, em todas as latitudes e todas as épocas, por parte dos
capitalistas e o governo socratóide, por consequência, não
fomenta o emprego, criando obrigações nesse sentido às
empresas que contrata, que subsidia e que apoia de várias formas.
Pelo contrário, à tensão e ansiedade de quem perdeu o
emprego, acrescenta a penalização de obrigar à
aceitação de um rendimento mais reduzido, definido pelo Estado e
que, naturalmente os "empregadores" vão considerar como
referência, rebaixando os níveis salariais globais. E, por outro
lado, o PEC não investe no combate à precariedade, mesmo nas
empresas que têm contratos ou fornecem o Estado, as autarquias, etc.
O rebaixamento dos salários em Portugal, o seu nivelamento por baixo,
pode ser observado pela parcela de trabalhadores que são abrangidos pelo
SMN, que duplicou em três anos; nada indicando, os órgãos
do Estado, sobre o trabalho com paga inferior ao SMN, na
restauração e no comércio a retalho, por exemplo.
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| 4.0 | 4.5 | 5.5 | 6.0 | 6.8 | 7.4 | 8.2 |
Já aqui se disse (v.
"Capitalistas e Estado: a mesma luta"
)
[6]
que, no contexto da profunda injustiça que se vive em Portugal,
criminalizar os pobres que enganam o Estado socratóide é apoiar o
rebaixamento do nível salarial global e subscrever o pendor genocida da
máfia PS/PSD. Por isso, saúda-se a criatividade, a capacidade de
sobrevivência dos pobres em geral e em nada se condena a sua habilidade
em subtrair, ao Estado cleptocrático, rendimentos que, de outro modo lhe
são recusados.
Ao que parece, haverá milhares de queixas junto do IEFP, de empresas que
não conseguem recrutar trabalhadores para certas funções,
num total de 10/12000 apetecíveis empregos, na concepção
demasiado parcial dos indómitos "empresários" queixosos
[8]
.
Esta questão exige algumas reflexões:
Posto isto, o governo socratóide, à sombra do PEC e sempre
solícito para com os dinâmicos "empresários"
promete através da bruxa Helena André, cortes na
prestação e condições mais duras ao acesso,
já para o ano em curso. Disse Jorge Sampaio (22/3/2010) que
"Portugal tem uma fraca iniciativa privada"; perante estas atitudes
conclui-se que afinal ao empresariado luso e aos seus mandatários
não falta espírito de iniciativa.
Voltando à já referida bruxa, o cinismo não poderia ser
maior quando afirma que "todas as medidas que permitam apoiar os
desempregados a voltar ao mercado de trabalho são, para o Governo, um
objectivo prioritário". A utilização do verbo apoiar
oculta os seus obscuros desígnios; ela pensa em "obrigar",
herdeira da lógica esclavagista que, no passado, colocou Portugal na
História mundial.
De acordo com o texto do PEC o acréscimo das prestações
com o subsídio de desemprego e o apoio ao emprego foi de 0.3% do PIB
entre 2008 e 2009; o que está longe de contribuir especialmente para o
défice e o descalabro da economia portuguesa.
3.4- Apoios para manutenção do emprego ou aos desempregados
A Iniciativa Emprego-2009 abrangeu 310864 pessoas, contra os previstos 533418
enquanto que o prolongamento do subsídio social de desemprego, de 12
para 18 meses, só beneficiou 44730 pessoas para uma previsão de
50000
[9]
.
A propaganda socratóide pretende beneficiar em 2010, com a mesma
Iniciativa, 760115 pessoas, afectando-lhe um orçamento de 490 M,
contra 580 M em 2009, de onde resulta um apoio médio, por pessoa,
substancialmente mais reduzido:
Perdida nas entrelinhas das boas intenções do governo ficou uma
redução de 3% das contribuições patronais para
pequenas empresas, com trabalhadores com mais de 45 anos e que abrangeu 194529
trabalhadores, quando se previa meio milhão.
3.5-O papel do congelamento do IAS (Indexante dos Apoios Sociais)
O salário mínimo tem servido como elemento de nivelamento por
baixo das remunerações do trabalho; e isso, porque de facto,
não constitui um limite mínimo dado o enorme volume de
trabalhadores cuja remuneração fica aquém desse valor
pois, trabalham a tempo parcial ou, são obrigados a aceitar pagamentos
inferiores, para sobreviverem.
O IAS, por seu turno é uma referência para a fixação
de pensões e outras prestações sociais. Trata-se de uma
criação socratóide, em 2006, com a assinatura do
plasmódio Vieira da Silva, agora ministro da Economia (ou dos apoios aos
"empresários", se se preferir).
O IAS foi criado com um valor de 397,86 para 2007 e está, de 2009
a 2013, fixado em 419,22; os seus valores com decimais só revelam
o carácter tecnocrático e mesquinho dos seus patrocinadores,
incapazes de proceder a simples arredondamentos. Porém, mais importante
neste IAS, é que se projecta para um período de sete anos um
aumento estagnado de cerca de 21, uma verdadeira fortuna que, na
linguagem corrente dos mafiosos, convém manter para incentivar os seus
beneficiários a encontrar emprego.
A partir de 2014 o IAS irá substituir o SMN como elemento de
referência para os níveis de dedução em sede de IRS,
ficando entretanto o SMN também congelado até lá. Hoje, a
dedução em IRS inerente a uma criança com menos de quatro
anos corresponde a 80% do SMN ( 380) e como ninguém acredita que
em 2014 o IAS atinja o valor actual do SMN ( 475), é óbvio
que só lá para 2016/17 a dedução para a
criança-tipo definida atingirá o valor de hoje. Entretanto, as
famílias pagarão mais caro por creches e infantários que o
PS/PSD não cria, o custo de vida aumentará, os salários
(para quem os tiver) pouco progredirão, os juros irão
aumentar
Está à vista toda a estratégia de
redução do preço da força de trabalho em geral, de
empobrecimento colectivo e fomento da miséria. Para além disso,
neste exemplo concreto, o apoio público à natalidade irá
descer e isso, é uma parte da estratégia global do capital para
reduzir a população mundial.
3.6- O aumento da carga fiscal
O sistema fiscal português é um emaranhado onde se congregam taxas
de imposto, benefícios, deduções, isenções,
reduções, valores máximos ou mínimos,
condições. Tudo isso se torna nebuloso para a
população em geral, criando-se a ideia da existência de uma
(pouca) progressividade dos impostos directos para disfarçar que os
indirectos, com relevo para o IVA, são socialmente regressivos e
arrastam essa característica para todo o sistema.
É essa complexidade socialmente inigualitária que permite ao
dueto Sócrates-Teixeira dos Santos afirmar, capciosamente, que os
impostos não sobem, só porque as taxas de referência dos
impostos não têm alterações. Quando reduzem a vasta
gama de benefícios, deduções, etc. aumentam, naturalmente
o que para os cidadãos são custos fiscais; e, como os rendimentos
estão em contracção
é evidente que aumenta a
carga fiscal da maioria.
O aumento da carga fiscal em 2012
[10]
será de 2,2% do PIB (e ficará pelo patamar dos 34,8% do
produto), só ultrapassada pela Grécia (+4,6%) e a Espanha (+3%);
no caso específico da tributação indirecta, o ministro das
Finanças manifesta-se como o campeão europeu (+1,7%), ocupando a
Bélgica e a Espanha os outros lugares do pódio. Ele, como se
vê, é um ás em impostos indirectos
e ainda tem o
aumento do IVA na manga.
Os elementos fornecidos pelo Teixeira dos Santos (excepto a
última coluna, por nós calculada)
[11]
são reveladores dos níveis actuais dos benefícios em sede
de IRS:
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| Até 4639 | 37 | 0,85 |
| 4640 7017 | 328 | 5,63 |
| 7018 - 17 401 | 788 | 6,45 |
| 17 402 - 40 020 | 1165 | 4,06 |
| 40 021 - 58 000 | 1397 | 2,85 |
| 58 001 - 62 564 | 1484 | 2,46 |
| Mais de 62 564 | 1623 | 2,50 |
Para além do IRS, existe uma outra forma fácil e eficiente de
exercer a pulsão fiscal sobre os trabalhadores e os pobres em geral
o IVA.
O Teixeira, em 2008, reduziu o IVA de 21 para 20% para aumentar
encapotadamente as receitas das empresas dependentes do mercado interno, (v.
"Aumento dos preços dos bens alimentares e redução do
IVA para 20%"
), quando já se via o fumo da catástrofe financeira. E talvez
nisso, para se não ver a sua estupidez, esteja uma das causas para
não aumentar o IVA
para já, embora o retorno aos 21%
pudesse render 1500 M até 2013. E não está sozinho,
tem ao seu lado, o balofo Proença, semovente acampado numa coisa
vagamente sindical chamada UGT.
Isso provavelmente acontecerá em 2011 quando se verificar que o
crescimento não se verificou, que o défice marcou passo, que as
empresas de rating e o "mercado" apertam, que o Almunia e o BCE
torcem o nariz. Por outro lado, a própria taxa reduzida do IVA (5%) que
somente onera os bens essenciais vendidos no mercado interno, não
prejudica a competitividade das empresas; e a competitividade é o
fetiche em torno do qual se colocaram as vidas dos 10,6 milhões de
residentes em Portugal.
Por outro lado, aumentos da taxa de IVA em Espanha tenderão a facilitar
as exportações portuguesas e a retirar margem de manobra para os
produtores espanhóis, nas suas vendas para Portugal.
3.7- Rendimentos de gestores de empresas com prejuízos
É, naturalmente, uma "medida", não uma medida.
Cosmética pura para confortar a ala menos à direita do PS e gente
idiotizada pelos telejornais. Por um lado, atinge muito poucos e por outro, o
que vier a ser arrecadado por esta via, não dará para fornecer um
prato de tremoços a cada um dos ministros.
Dentro de "determinados limites" os salários de
administradores, sócios ou gerentes de empresas com prejuízos
serão tributados autonomamente. Acha-se curiosa essa
indeterminação quando a máfia se mostra particularmente
atenta, precisa, detalhada e persecutória para com os
funcionários públicos, os pobres, os desempregados.
Essa indeterminação poderá conduzir a um esquecimento na
sua precisão e, por outro lado, os visados saberão como evitar
essa "tributação autónoma" com serviços e
bens pessoais pagos pelas empresas e que o habitual laxismo fiscal não
deixará de permitir.
3.8- Pagamento de prémios a gestores
O governo decidiu cancelar os bónus de gestores de todas as empresas
públicas, maioritariamente detidas ou participadas pelo Estado, a pagar
em 2010 e 2011 mas, exceptuando aqueles que já os receberam ou decidiram
proceder ao seu pagamento. Criam-se assim dois grupos de gestores, os que
recebem e os que não recebem essas prebendas. Nas empresas meramente
participadas mantém-se uma mesma dicotomia, pois os gestores nomeados
por privados podem levar o óbulo para casa.
Entretanto, ainda não se sabe se o famoso José Penedos, arguido
na "Face Oculta" vai receber o prémio relativo à sua
rigorosa gestão em 2009; por seu turno, o menino-prodígio Rui
Pedro Soares foi para casa com um milhão de euros. Empresas onde os
contratos de gestão prevêem esses prémios ameaçam
com o tribunal que, certamente, neste caso será mais lesto que na Casa
Pia, dado estarem em jogo os interesses da pátria. Os media vão
ter matéria de entretenimento durante algum tempo.
Os serviços socratóides de propaganda são uma verdadeira
lástima. Nem com truques de moralização sabem arquitectar
uma campanha de convencimento da plebe.
3.9 - Eliminação dos benefícios fiscais associados a
seguros de vida e acidentes pessoais
Na sua maioria, estes seguros têm como beneficiários condutores de
veículos e devedores de empréstimos para habitação.
No primeiro caso, o valor é baixo mas, no segundo, é
significativo, proporcional ao volume da dívida, à idade e estado
de saúde dos segurados. Para tudo isso, o benefício em sede de
IRS não vai, hoje, além dos 128 anuais.
No caso do seguro de vida associado aos empréstimos para
habitação, trata-se de obrigações impostas pelos
bancos, para além das hipotecas dos imóveis. Portanto, o fim da
dedução, em nada prejudica as seguradoras, não vai condoer
os bancos e irá corresponder a um acréscimo real de encargos para
as famílias pois, fora desses casos, somente pessoas com maiores
rendimentos têm seguros de vida.
No capítulo dos seguros de vida, em 2007, as deduções em
IRS valiam 71 milhões, valor aproximado do que vai ser subtraído
ao rendimento das famílias portuguesas, para queima no altar do
défice a partir da declaração de IRS a entregar em 2011.
3.10 - As privatizações
Não há um sector nacionalizado em Portugal, com coerência e
potenciador de desenvolvimento ou promoção do bem-estar da
multidão. Há apenas empresas mais ou menos dominadas pelo Estado,
num conjunto que se pretende desconexo e interpenetrado com interesses
privados, que contribuem para essa incoerência estratégica e que
dela beneficiam.
A existência de empresas nacionalizadas ou participadas constitui forma,
entre outras, de gestão capitalista, em qualquer latitude, seja em
regimes políticos de "democracia (liberal) de mercado", de
capitalismo de Estado ou híbridos como a China. E, nesse contexto,
têm vários objectivos, raramente virtuosos do ponto de vista dos
cidadãos, da multidão (v. "Nacionalização da
banca piada ou mistificação"
[14]
e "Para um programa de medidas favoráveis aos trabalhadores"
[15]
).
Entendemos que o poder alternativo ao capitalismo contempla a existência
não de empresas estatais, nacionalizadas ou geridas por
mandarins, mais ou menos autoritários, corruptos e defensores
encapotados do capitalismo mas, pelos seus próprios
trabalhadores, em auto-gestão e com a divisão do trabalho
consensualizada entre si, depois de extirpados accionistas, patrões,
seus mandarins e mandaretes.
A história recente das privatizações demonstra que
não tiveram impacto nenhum no défice, desde que se iniciaram
depois do acordo Cavaco/Constâncio, nos anos 80.
Dívida directa do Estado (média do período)
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| 40,5 | 55,4 | 55,4 | 58,1 | 58,4 | 71,9 |
Assim, cada um se pode interrogar sobre o que fez o PS/PSD e os seus estimados
"empresários" com o produto da venda de bancos, seguradoras,
transportadoras, cimentos, telecomunicações, energia
para
não referir as muitas dezenas de milhões de fundos
comunitários. Cada um se pode interrogar, no contexto atrás
exposto, para que vão servir as privatizações anunciadas
pelo dueto Sócrates-Teixeira dos Santos. E colocar uma terceira
questão, a de que irão os mandarins vender para aplacar a gula do
capital financeiro e ajudar os capitalistas nacionais? Expropriar as nossas
casas para pagamento do défice, tal como foi proposta a venda de ilhas
do Egeu a milionários, para redução do défice
grego?
Numa lógica estritamente económica, sendo as antigas empresas
nacionalizadas "activos", a sua venda só faria sentido se o
produto fosse investido em outros activos mais rentáveis. Uma empresa
que vende activos para financiar fundo de maneio tem a falência à
porta, tal como quem vender o prédio da herança para gastar o
dinheiro em viagens e carros caros, tem a ruína anunciada. No entanto,
é esse o caminho imposto ao PS/PSD, assumidamente aceite.
Os Estados não são empresas, pois têm o poder de cobrar
compulsivamente rendimento dos cidadãos. Quando alguém paga
impostos, o dinheiro não é consignado a fins específicos,
tanto podendo ser utilizado na compra de submarinos, na
construção de uma escola, como num subsídio a uma empresa
do regime. Considera-se que as pessoas são simples "obrigados
fiscais", servos sem direito de escolha sobre a aplicação do
seu dinheiro. E, mesmo a posteriori, são afastados de qualquer controlo
sobre a forma como o seu dinheiro foi utilizado.
Entre as empresas, há as que se têm de desenvencilhar com os seus
próprios meios e algumas que recebem fundos do Estado ou mordomias
à custa do dinheiro dos cidadãos, numa relação de
difusa promiscuidade financeira e de direitos com o (seu) Estado.
As privatizações constituem formas de apropriação
barata de bens públicos por empresas e "empresários"
que, esses sim, sabem bem o que fazer com elas "criar valor para os
accionistas" (engordá-los) pretendendo com essa
afirmação convencer os incautos que isso é sinónimo
de criar valor social. As privatizações colocam-se na mesma
lógica das concessões de estradas e serviços
médicos, do recurso permanente a contratações de empresas
para o desempenho de funções públicas, como das parcerias
público-privadas. Também se lhes pode chamar saque.
As privatizações anunciadas no PEC não obedecem a qualquer
avaliação seguida de uma planificação. Trata-se de
uma listagem elaborada à pressa para apresentar em Bruxelas, apaziguar
as empresas de
rating
e os tais "mercados" que naquelas têm os olhos. E essa
precipitação, esse improviso, a par com a pública
aflição do Estado é bem acompanhada pelo sobrevoo dos
abutres que assim saberão propor preços de saldo pelas empresas
à venda e que ainda ficarão mais rentáveis depois do
posterior
downsizing,
à custa de despedimentos e da degradação da
prestação dos seus serviços. Prevê-se a
criação de muito valor
para os accionistas.
Por outro lado, os lucros das grandes empresas não cresceram em 2009, a
facturação também não, a turbulência da
finança internacional não está ultrapassada, as
exportações dificilmente crescem e o consumo interno degrada-se;
e é preciso encontrar uma boa justificação para as ajudar
nesta má conjuntura. O défice é essa recorrente
justificação para animar a iniciativa privada.
E, em 2013, já com pouco para privatizar ainda haverá
défice, qual ogre ameaçador, a exigir mais impostos para
alimentar a burguesia portuguesa e pagar juros à finança.
Não é este o cenário já traçado pelo PS/PSD
e pelos seus donos?
O capital, apesar da crise económica internacional e do definhamento da
economia portuguesa não deixa, contudo, de acumular o capital
necessário para o assalto, para a época de saldos que o combate
ao défice vai abrir. Assim, em 2009:
Este facto permite-nos enunciar algumas questões:
Diz a prostituição mediática que, se não se pagar
estes valores aos altos gestores, eles vão para o estrangeiro.
Não é bem assim pois só nos lembramos do António
Borges saído recentemente da famosa Goldman Sachs e do Horta
Osório que largou o Santander Totta para rumar a Inglaterra; todos os
eméritos gestores que andam por aí, vivem demasiado bem para o
país e muitos deles sob o aval do Estado ou do PS/PSD, que é a
mesma coisa que Estado.
Dizem alguns dos globalizados plumitivos que temos de acompanhar aquela gente
como se paga lá fora, tal como pagamos pelos bens e serviços
disponíveis em Portugal, o mesmo que os outros europeus. E se lhes
levantarem a questão dos muito mais baixos salários que vigoram
em Portugal, dir-vos-ão que a produtividade é mais baixa, embora
se saiba que a produtividade depende muito mais do investimento, dos
equipamentos, da qualidade da gestão, do que do nível salarial.
Cada um deles canta de acordo com as ordens do seu
Kappelmeister.
Recentemente, um estudo
[17]
revela os custos e os benefícios sociais de várias
profissões. Assim, um operário da reciclagem gera o valor de
£12 por cada libra que recebe ao passo que um banqueiro destrói
£7 de valor social por cada uma libra das £500 mil a £10
milhões que aufere. E essa análise confirma o que modestamente
já afirmámos em
"Afinal qual a função social do capitalista"
[18]
; isto é, capitalista é desperdício sob a forma de gente.
Finalmente, em relação a Mexia, o homem do avental (v.
"A gestão energética, a REN e as mexidas de Toto Mexia na
EDP"
)
[19]
recordamos que o famoso gestor antes de ir para a EDP demonstrou as suas
qualidades na Galp, onde a sua preocupação exclusiva pela
criação de valor para os accionistas o fez esquecer a
segurança da refinaria de Matosinhos onde morreram dois trabalhadores.
Incompetências de alto coturno branqueadas, mesmo que possam ser
configuradas como crime de assassínio por negligência.
3.11 - Os intocáveis na gestão do Estado socratóide
O caso do TGV
Um dos factores de gasto público para os próximos anos é o
TGV Lisboa-Madrid. Considera-se que a alta velocidade se trata de um
investimento estruturante na integração territorial e no
alívio da carga poluente do sistema de transportes. Isso, se for
complementado com políticas de penalização do transporte
rodoviário e aéreo por conta da sua pegada ecológica, que
favoreçam a utilização do caminho de ferro na
movimentação de mercadorias em longas distâncias (> 600
km). Porém, nada obriga ao sacrifício da grande maioria da
população com a sobrecarga necessária para pagamento de um
TGV, francamente adiável por uns anos.
Gastos militares
Outro factor é o caso dos parasitários gastos militares. Enquanto
a despesa orçamental para 2010 decresce, as verbas para a defesa
(ninguém sabe onde está o inimigo) cresce 15,8%.
Orçamento (serviços integrados e autónomos)
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|
| Defesa nacional | 1.919 | 2.222 | +15,79 |
| Total da Despesa | 193.892 | 184.575 | - 4,81 |
Por outro lado e para se ter uma noção mais prática do que
significa o desperdício militar, refira-se que, no total dos programas
orçamentais do governo português se incluem 2412
milhões com a defesa, o que representa o valor necessário para a
manutenção de 360 centros de saúde.
Benefícios em sede de IRC
No capítulo dos benefícios fiscais em sede de IRC, o PEC diz
tanto como nada; nem sequer no que se refere aos apoios aos traficantes que
utilizam o offshore da Madeira que se mantém, enquanto se abocanha o
parco rendimento dos mais pobres.
Política de regeneração urbana que não há
Numa conjuntura recessiva manda o catálogo keynesiano proceder a um
acréscimo de gastos públicos com rápido efeito
multiplicador no produto e no emprego. Neste contexto, poderia ser promovida a
expropriação dos prédios devolutos que os
proprietários não recuperem ou parcerias com os
proprietários na sua recuperação com
aplicação do dinheiro da Segurança Social em
habitações económicas. Claro que a
especulação imobiliária e a banca não gostariam
desta concorrência
A evasão fiscal: dois pesos, duas medidas
Amaral Tomás, antigo secretário de Estado do Teixeira dos Santos
revela que no PEC se verifica "um apagão relativamente à
fraude e à evasão fiscal"; e, por seu turno, Leite de Campos
refere que existem 13000/14000 milhões de dívidas ao
Estado a boiar nos tribunais, naturalmente pouco recuperáveis, para
não prejudicar a competitividade dos nossos
"empresários".
Sobre este tema há muito pormenor a listar. Debruçámo-nos
recentemente (
"Capitalistas e Estado: a mesma luta
")
[6]
sobre o assunto.
A propaganda socratóide afadiga-se a apontar baterias para um objectivo
de cobrança, em 2010, de 400 milhões de dívida
à Segurança Social. Parece muito mas não é, pois a
esse ritmo a dívida total precisaria quase de dez anos para ser
recuperada, sem contar que todos os dias há nova dívida a
constituir-se, sem que a Segurança Social estabeleça formas
práticas de intervir, tempestivamente, nessas situações.
Inversamente, a bruxa Helena André informou um combate, com meios
reforçados, contra os "recibos verdes" que têm
dívida contabilizada na Segurança Social por não pagarem
do seu bolso os 159 mensais, independentemente da
remuneração. Na realidade esses valores deveriam ser pagos pelos
empresários negreiros, por conta das suas responsabilidades para com os
assalariados mas, a lei da cleptocracia isentou-os dessa responsabilidade, em
nome da omnipresente competitividade.
O financiamento do SNS-Serviço Nacional de Saúde
Outro intocável é o modelo de financiamento do SNS, sobre o qual
vamos fazer preencher algumas linhas.
Ana Jorge chegou a ministra porque a sua voz de constipada induz a
doença, constituindo portanto, uma excelente promotora da venda de
vacinas da gripe A, como se recordam. E, por isso, mostra-se admirada pelo
facto de os médicos, acossados pelas penalizações para a
reforma, se sentirem animados na antecipação da saída, com
eventual transferência para o sector privado, numa estratégia,
aliás, há bastante tempo concertada pelos governos e pelos grupos
privados, à procura de uma maior rentabilidade.
Na sequência desses abandonos, o governo, para gradualizar a morte do
SNS, procura soluções engenhosas e caras que passam por contratos
com empresas de fornecimento de serviços médicos (aluguer de
gente), reformados a recibo verde, encontrando aliados objectivos nas
corporações médicas (Ordem, SIM, etc) que procuram esticar
a corda do saque.
Para reduzir os gastos públicos com a saúde, qualquer estudante
de gestão pode conceber soluções fáceis, como
estas, a título de exemplo:
Este assunto é o grande tabu da política portuguesa, a sua grande
face oculta. Não consta do OE; não contribui para a
suavização dos sacrifícios impostos à plebe;
não é referida pelos media, embora estes andem sempre em
entrevistas com os mandarins, tomando nota de todas as suas futilidades,
evasivas e mentiras. E o PEC não os toca.
Mesmo relativamente às pessoas com quem trabalham, os mandarins
consideram-se como uma casta de novos brâmanes, com direitos especiais.
Segue-se uma revelação pitoresca.
Na AR existe um restaurante para deputados onde não podem entrar
livremente outras pessoas, se não por convite de uma eminência.
Para funcionários da AR, assessores e até polícias existe
um refeitório, frequentado também pelos deputados do BE, do PCP e
dos Verdes, por opção. Há, portanto uma postura elitista e
racista de quem montou esta discriminação, acatada gostosamente
por toda a direita, PS/PSD e CDS.
Naturalmente, os aspectos aqui tratados, não esgotam as malfeitorias do governo e, de modo mais alargado do PS/PSD, anos após ano. Essas malfeitorias atingem a esmagadora maioria da população e reveste formas triviais de crime, como nos vários casos, mais ou menos encalhados nos tribunais, sendo o mais recente o dos submarinos, revelador de como se geram rapidamente fortunas.
Notas: