Travar o Governo, enquanto é tempo
por Octávio Teixeira
O Governo é insaciável. Ainda a procissão do
orçamento para 2013 vai no adro e já quer que em 2014 o esbulho
seja agravado com um corte de 4.000 milhões de euros, basicamente nas
funções sociais do Estado. Esbulho dos cidadãos porque
reduzir as dotações àquelas funções é
retirar esse montante aos seus benefícios sociais, é
obrigá-los a pagar os benefícios que deixam de ter na
educação e saúde e reduzir-lhes as pensões,
reformas e subsídios de desemprego. Sejamos claros:
redução do Estado social é sinónimo de
espoliação dos cidadãos.
Na 5.ª revisão do memorando troika e Governo fixaram o tecto da
despesa para 2014 em 77,1 mil milhões. E no relatório
orçamental o Governo prevê para 2013 uma despesa de 78,1. Ou seja,
na perspectiva do Governo e troika a despesa deveria ser reduzida em mil
milhões. Porquê, passados dois meses e sem redução
da carga fiscal, a quadruplicação desse corte? Das duas, uma: ou
o Governo está convicto que a execução orçamental
de 2013 será mais um enorme fiasco, ou tem prazer mórbido em
despojar os cidadãos.
A propaganda de que as despesas sociais em Portugal são superiores
às da União Europeia é falsa. O Eurostat ou a OCDE mostram
que o peso da protecção social está abaixo da média
europeia e que na saúde as despesas públicas são
inferiores enquanto as pagas pelos cidadãos são superiores.
E é em tempos de crise que se exige uma mais justa
repartição do rendimento através da
protecção social.
O que se impõe fazer é inverter o caminho da
redução das "possibilidades do país" que resulta
da recessão provocada por opção ideológica e
irresponsável do Governo.
O Governo está agir como um bombeiro pirómano e comporta-se como
uma máquina de chacina dos direitos sociais. Há que
travá-lo, enquanto é tempo.
06/Novembro/2012
O original encontra-se em
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