Enterro da Europa Connosco
25 de Maio
Participe na Cerimónia

por César Príncipe

No próximo domingo, a política de confisco vai a votos. Uma política que não merece prova de vida continuada. Jaz morta & arrefecida segundo as leis da razão geral, embora se mantenha ligada à máquina da usura & da vilania. Assim sendo, para os defensores dos interesses electivos-colectivos, a pauta da austeridade soa a música fúnebre. De facto, esta UE é mais um cadáver adiado que procria. [1] Sendo o que é, o corpo presente será velado em milhares de urnas. Os que insistam em celebrar o Roubo do Século & a Ocupação do Exército da Finança têm uma bela ocasião para expressar os seus sentimentos à Famiglia do Arco, a quem os portugueses agradecem, entre outras benesses & bençãos, os Fundos Perdidos, o BPN, o BPP, as PPP, os Swap, os Submarinos, a Corrupção em Grande Escala, o Assalto Fiscal aos Indefesos, o Desemprego Massivo, a Emigração em Massa, a Miséria Máxima Garantida, o Desmantelamento do Serviço Nacional de Saúde, da Segurança Social, da Escola Pública. Os programadores de ilusões & emoções apreciam eleitores de lágrima fácil, dados a amores de perdição. Domingo, demasiados farão fila para manifestar sua fidelidade à troika de residência fixa & confessar a sua eterna saudade à troika da falsa partida.

Por outro lado, nós, tendencialmente mais dos que os do costume, denunciaremos as propostas indecentes da Frau Merkel & do Mister Obama, ela, Mordoma dos Donos da Europa, ele, Porteiro dos Senhores do Mundo. Os mandatários & os paus-mandados do Capitalismo Global afivelarão a máscara da vontade popular, uns com ar de velório (temem funestos desfechos), outros com expectativa nas maçãs do rosto (apostam na inércia rotativista). Olhai-os de frente. São eles. Em pose cívica-cínica. Porventura, amáveis. Se mediaticamente correcto, pesarosos. Milhões de empobrecidos & devorados pelos gangsters em três anos de ajuste-saque? É de lastimar. Ninguém ficaria indiferente. Os crocodilos comovem-se. Se for conveniente dar corda ao coração, imitam as vítimas. Partilham as dores da pátria & da mátria. Fingirão pertencer à comunidade. São predadores de boas famílias & de bons princípios. Alguns frequentaram universidades à bolonhesa. Alguns especializaram-se no mundo do crime. Ei-los. Habitualmente rodeados de câmaras, microfones, toma-notas, guarda-cabeças, guarda-costas. Ei-los. Os Trigémeos da Democracia Cristã na Gaveta, da Social-Democracia na Gaveta, do Socialismo na Gaveta. Da Democracia cada vez mais engavetada. Fixai-os de perfil. São eles. Os da Democracia Cristã da Sopa dos Pobres, os da Social-Democracia dos Barões, os do Socialismo da Face Oculta.

Entretanto, nós, os do dia limpo, [2] pronunciar-nos-emos contra o embuste da Europa connosco, daremos a cara pela Civilização Humana, pelos Valores Constitucionais, pela Inalienável Soberania, pela Indesarmável Resistência, pela Efectiva Ruptura, pela Mudança de Projecto/Trajecto. Não faltaremos, pois, à chamada de domingo, 30 dias após o 25 de Abril, a três dias do 28 de Maio.

Participaremos, consequentemente, com a nossa pazada, no euro-enterro.

(1) Fernando Pessoa, Mensagem, Parceria António Maria Pereira, 1934.
(2) Sophia de Mello Breyner Andresen, O Nome das Coisas, Moraes Editores, 1977.


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20/Mai/14