O imperialismo e Portugal
por Carlos Plácido de Sousa
[*]
De Janeiro a Junho de 1916, Lenine, então exilado em Zurique, escreveu
uma das suas mais importantes obras, a qual se tornaria também num dos
textos políticos fundamentais de todo o século XX.
Só em meados de 1917 esse texto foi publicado na então Petrogado,
já sem o czarismo, com um prefácio de Lenine datado de 26 de
Abril desse ano, sendo-lhe dado o título de O imperialismo fase
superior do capitalismo, a que se acrescentou o algo modesto
subtítulo de Ensaio popular.
Na verdade a elaboração dessa obra fora precedida, da parte de
Lenine, por um enorme esforço de recolha de dados e
actualização, que sabe-se ter envolvido a consulta de centenas de
livros, revistas e jornais em várias línguas.
Entre os autores consultados Lenine destacou o inglês Hobson, que em 1902
publicara a sua obra O imperialismo; e o austríaco
Hilferding, que em 1910 dera à luz o seu livro O capital
financeiro. Lenine salientou alguns aspectos importantes das obras destes
e de outros autores, mas a sua análise crítica e informada trouxe
sem dúvida perspectivas novas e revolucionárias para a
caracterização do sistema que se lançara então na
corrida ao domínio mundial; e que hoje, passados perto de 90 anos e
muitos e variados acontecimentos, com terríveis danos e perigos para
toda a Humanidade, continua a ter esse objectivo supremo na sua ordem do dia.
Outros sistemas imperiais que desde tempos remotos se sucederam, tiveram
traços comuns com o de hoje, de uso da força, de domínio e
de exploração intensiva de vários povos e
nações; mas assentaram em outras bases económicas e
tiveram consequências de diferente ordem, como se evidencia no texto de
Lenine.
Outros sistemas imperiais que desde tempos remotos se sucederam, tiveram
traços comuns com o de hoje, de uso da força, de domínio e
de exploração intensiva de vários povos e
nações; mas assentaram em outras bases económicas e
tiveram consequências de diferente ordem, como se evidencia no texto de
Lenine.
Há nesta sua obra uma passagem bem conhecida, mas também
frequentemente olvidada. Por isso, e por razões ainda actuais,
atrever-me-ei a citá-la. Diz ela o seguinte:
O exemplo de Portugal mostra-nos uma forma, um pouco diferente, de
dependência financeira e diplomática, ainda que conservando a
independência política. Portugal é um estado independente,
soberano, mas na realidade há mais de 200 anos, desde a Guerra de
Sucessão de Espanha (1701-1714) que está sob o protectorado da
Inglaterra. A Inglaterra defendeu-o e defendeu as possessões coloniais
portuguesas para reforçar as suas próprias posições
na luta contra os seus adversários, a Espanha e a França. A
Inglaterra obteve em troca vantagens comerciais, melhores
condições para a exportação de mercadorias e,
sobretudo, para a exportação de capitais para Portugal e suas
colónias: podendo ainda utilizar os portos e ilhas de Portugal, etc, etc.
Este género de relações entre pequenos e grandes Estados
sempre existiu mas na época do imperialismo capitalista tornam-se
sistema geral, entram como um elemento, entre tantos outros, na
formação do conjunto de relações que regem a
partilha do mundo, passando a ser elos da cadeia de
operações do capital financeiro mundial.
Estas poucas linhas são, quanto a mim, uma magnífica
síntese de duzentos anos de História portuguesa, que
também explica muito do que sucedeu nos quase cem anos subsequentes
até ao presente. Mesmo levando em linha de conta
modificações ocorridas, entre as quais sobressaem as
alterações surgidas na composição relativa das
forças dominantes no campo imperialista, bem como os 48 anos da ditadura
fascista em Portugal até 1974 e a posterior independência das
colónias portuguesas. E ainda muito, a luta do povo português por
um futuro melhor e mais digno.
Nessa luta não é possível ignorar o lugar cimeiro
desempenhado pelo Partido Comunista Português.
Após a sua fundação em 1921, o golpe militar de 1926 e o
regime fascista que se lhe seguiu, forçaram o PCP à luta
clandestina. Uma luta em que o domínio imperialista em Portugal
não podia ser esquecido pela única força política
organizada a encabeçar a longa resistência antifascista. E assim o
PCP definia o governo fascista português como executor da ditadura
terrorista dos monopólios capitalistas, associados ao imperialismo
estrangeiro e aos latifundiários nacionais.
A Inglaterra, que exercia uma influência dominante em Portugal a quando
da instauração do regime fascista, nada fez para suster a sua
implantação e a consequente e violenta repressão
política levada a cabo. Pelo contrário, os governos ingleses da
época contribuíram para reforçar o equipamento militar do
regime ditatorial português, e nenhuns obstáculos financeiros ou
diplomáticos lhe levantaram na cena internacional. Outras
potências imperialistas, tais como os Estados Unidos, a Alemanha, a
França e a Itália, interessados sobretudo nos ricos recursos
naturais das colónias portuguesas, acompanharam, em
competição, as posições seguidas pela Inglaterra.
A derrota, na 2ª Guerra Mundial, dos fascismos alemão e italiano
aliados na prática ao salazarismo não alterou as
posições do imperialismo face ao regime português. Deu-se
inclusivamente o seu escandaloso reforço com a presença do
governo fascista de Portugal entre os fundadores da NATO em 1949, em
Washington; e também com a concessão de créditos do plano
Marshall e o acordo bilateral com os Estados Unidos em 1948. Seguidos pela
integração do regime na Associação Europeia de
Livre Comércio, onde a Inglaterra pontificava; e ainda pela
adesão ao GATT, antecessor da Organização Mundial do
Comércio. Investimentos financeiros do imperialismo muito beneficiaram
igualmente o regime fascista.
Mas a resistência antifascista, com destaque para o PCP, persistia
corajosamente. A acumulação capitalista pelos monopólios
nacionais e estrangeiros baseava-se na exploração desenfreada dos
trabalhadores portugueses, contando para isso com o apoio do vasto aparelho
repressivo do regime. Não admira pois que os trabalhadores estivessem na
primeira linha da luta contra o governo fascista; e que o PCP contasse nas suas
fileiras com uma maioria dos assalariados, a que se juntavam também
membros das classes intermédias, sujeitos igualmente à
exploração dos monopolistas.
Em 1961 inicia-se a luta de libertação nas colónias
portuguesas em África, abrangendo sucessivamente Angola,
Guiné-Bissau e Moçambique. Centenas de milhares de soldados
portugueses, num país com menos de 10 milhões de habitantes,
foram mobilizados para as guerras coloniais do regime, nas quais mais de 10 mil
foram mortos e dezenas de milhares estropiados, nunca esquecendo também
as enormes perdas humanas dos povos daquelas colónias. E nunca é
demais acentuar que as maiores riquezas dessas colónias para
citar apenas o exemplo relevante do petróleo e dos diamantes de Angola
estavam nas mãos dos imperialistas estrangeiros; e que, para
proteger os interesses destes, iriam com o apoio da NATO, morrer muitos
milhares de portugueses, os quais se tentava enganar com patrioteirismos
hipócritas.
Em 1964, Álvaro Cunhal, então secretário-geral do PCP,
elabora um relatório para o Comité Central do partido, que seria
depois publicado clandestinamente com o profético título de
Rumo à Vitória, e que, na minha opinião,
constitui uma das obras políticas de maior relevo de toda a
História de Portugal. Nela se enunciavam já os 8 pontos que
resumiam o Programa do PCP para a revolução democrática e
nacional; a qual se tornara absolutamente necessária para os portugueses
poderem conquistar a democracia e uma vida melhor. O 6º desses pontos
apontava frontalmente para a necessidade de libertar Portugal do imperialismo.
Este Programa e o relatório de Álvaro Cunhal foram aprovados no
VI Congresso do PCP, em Setembro de 1965, o qual foi o último dos quatro
congressos que o partido teve de realizar em condições de
clandestinidade.
A luta antifascista continuou, dura e difícil mas progredindo, sempre
com o PCP na vanguarda, até à madrugada libertadora do 25 de
Abril de 74. E a sua componente anti-imperialista, encorajada primordialmente
pelo PCP, também prosseguia. Por exemplo em 1970 a editora clandestina
do Avante publicou uma pequena brochura com os textos sobre
Portugal contidos nas obras de Lénine. Não eram muitos, mas entre
eles destacava-se a passagem que aqui citamos inicialmente. Isto a acrescentar
a muitos outros artigos sobre o assunto publicados nos clandestinos
Avante e O Militante. A que se juntaram
acções públicas contra a presença e a
actuação do imperialismo em relação a Portugal.
Como Álvaro Cunhal apontara em 1974, lutando contra o imperialismo
lutava-se também contra o regime fascista.
O 25 DE ABRIL E O IMPERIALISMO
Uma revolução, iniciada por um levantamento militar, mas logo
apoiada pelas grandes massas do povo português, sequiosas por
mudanças democráticas e por uma vida melhor, não podia ser
do agrado dos círculos dirigentes do imperialismo. Assim sucedeu em
Abril de 1974. E a existência dum partido comunista, com o seu longo
historial de luta em defesa dos trabalhadores e oprimidos, apoiando
decididamente os revolucionários anseios populares, reforçou
aquele desagrado em relação ao 25 de Abril.
Participando ardorosamente na luta revolucionária e popular que se
seguiu a Abril, o PCP, consciente da realidade política,
económica e geográfica de Portugal, não incitou a um
choque frontal entre o país e as potências imperialistas.
Mas da parte destas últimas houve, desde a primeira hora, hostilidade
firme à Revolução, e o desejo que ela levasse apenas a
mudanças cosméticas após a queda do fascismo. Contava o
imperialismo para isso com o seu poderio económico e militar e com os
seus aliados em Portugal.
Em 18 de Junho de 74, o Presidente Nixon atolado em escândalos e a
caminho da sua demissão tem na base americana das Lajes, nos
Açores, um encontro com dois daqueles aliados: o general
Spínola, escolhido para novo Presidente da República, e Sá
Carneiro, secretário-geral do PPD, então membro do governo.
E nos meses seguintes chegam a Lisboa outros visitantes americanos de peso,
para novos encontros e manobras. Veio o tenente-general Vernon Walters,
subdirector da CIA. Vieram os peritos da divisão sindical Irving Brown e
Michael Boggs, da AFL-CIO. E vieram muitos outros, apontados como trabalhando
para a CIA.
Em Setembro de 74 Spínola tenta uma conspiração para
travar o curso progressista da Revolução, apelando a um
hipotético apoio popular. Mas em vez disso a resistência popular
derrota-lhe os planos e segue-se a sua demissão da Presidência da
República.
Outras medidas do campo imperialista acompanhavam estes acontecimentos. Os seus
poderosos meios de comunicação, desde as rádios como a
Voz da América,
a
Deutsche Welle
e a BBC batiam a tecla do anticomunismo e dos ataques ao PCP, acompanhadas
pela grande imprensa. Surgiam pressões económicas, tais como o
encerramento de empresas americanas instaladas em Portugal e despedimentos dos
seus trabalhadores; ou tais como as manobras da famigerada ITT para provocar a
desestabilização social manipulando reivindicações
salariais; ou ainda como as ameaças de bloqueio económico e
comercial. Chegou a haver ameaças de repatriamento forçado para
Portugal do enorme número de emigrantes portugueses trabalhando em
países capitalistas. Da parte de responsáveis alemães
tentaram-se manobras para dificultar as relações comerciais com a
Alemanha Federal, então o maior parceiro comercial de Portugal. E o
dirigente trabalhista inglês James Gallahan, ministro dos Negócios
Estrangeiros de 1974 a 1976, chegou a aventar a hipótese de uma
intervenção militar em Portugal.
Enquanto isto ia ocorrendo, também os grupos esquerdistas portugueses,
com as suas reivindicações irrealistas e provocatórias,
contribuíam para agudizar a situação política e
para favorecer na prática os planos dos imperialistas e da
contra-revolução.
Surge então no final de 1974, a nomeação por Henry
Kissinger de tão má memória de um novo
embaixador americano em Portugal. Tratava-se de Frank Carlucci, que passara
antes pela África do Sul sob o jugo do apartheid
; pelo ex-Congo Belga onde Patrice Lumumba ia ser assassinado
; e pelo Brasil onde um regime militar era apoiado pelos Estados
Unidos. Carlucci chega a Lisboa em Janeiro de 1975, e começa, logo no
mês seguinte a viajar pelo país, principiando pelo Norte. A
seguir viriam os seus contactos com variados políticos portugueses,
desde os do PS em especial com Mário Soares até aos
do PPD, CDS e outros.
Quase em simultâneo iniciam-se manobras navais da NATO, sugestivamente
denominadas "Portão Encerrado"
(Locked Gate-75).
O poderoso porta-aviões Saratoga, da 6ª Esquadra dos
Estados Unidos, entra no Tejo, rodeado de navios de guerra de outros
países, e vai ancorar à vista do Palácio Presidencial de
Belém.
E, para culminar, o General Spínola mais os seus acólitos
lançam-se, a 11 de Março de 75, numa intentona militar contra a
Revolução, ordenando um bombardeamento aéreo e um ataque
com paraquedistas a um quartel apoiante do MFA. Mas militares, auxiliados por
trabalhadores e populares, resistem, os paraquedistas confraternizam,
Spínola é derrotado e foge de Portugal.
Em consequência do falhado golpe, o MFA, os trabalhadores e os sindicatos
clamam por medidas capazes de defenderem a revolução, o
país e a economia ameaçada. Um número das mais importantes
e vitais empresas, bancos e companhias de seguros são nacionalizadas;
enquanto no Sul os trabalhadores agrícolas incentivam o fim dos
latifúndios com a Reforma Agrária já iniciada em fins de
74.
Mas cedo surgem as notícias do aparecimento de
organizações contra-revolucionárias prontas a usarem
métodos terroristas, apoiadas por serviços secretos como a CIA e
outros, e contando também com ex-agentes da odiada Pide. As suas siglas
são o ELP e o MDLP. Os seus apoios, além do imperialismo, incluem
bases na Espanha e a inspiração de Spínola.
Em fins de Maio de 75 iniciam-se os ataques terroristas às sedes das
organizações progressistas. Até Agosto desse ano deram-se
105 assaltos, 34 atentados à bomba, 20 incêndios provocados, 5
apedrejamentos e 3 atentados a tiro. O PCP foi a vítima principal de
mais de 100 destas acções terroristas.
Isto era acompanhado de auxílios financeiros do imperialismo aos
partidos políticos que combatiam o PCP. Ao mesmo tempo ocorriam as
ameaças separatistas na Madeira e nos Açores; bem como os
esforços para provocar a debandada maciça de 400 mil colonos
portugueses, de Angola para Portugal. E alguns sectores da hierarquia
católica incentivavam a histeria anticomunista, especialmente no Norte,
onde o terrorismo contra-revolucionário mais atacava.
E é oportuno agora lembrar que os grandes meios internacionais de
comunicação dominados pelo imperialismo, que hoje se arvoram em
arautos de uma chamada luta contra o terrorismo à escala
mundial, foram os mesmos que no verão quente de 1975
aplaudiram entusiasticamente a selvática violência terrorista
contra o PCP.
A desestabilização provocada por todos os variados meios citados
levou em Agosto de 75 à demissão imposta ao governo presidido por
Vasco Gonçalves, figura impar da Revolução de Abril.
Desde então, e até ao presente, tem continuado a acintosa
ofensiva contra-revolucionária, apoiada pelo imperialismo, alvejando as
conquistas e ganhos populares de Abril, embora tenha encontrado pela frente a
luta decidida e corajosa do PCP em defesa dos interesses dos trabalhadores, de
classes sociais intermédias e de outros explorados.
Em 1976 ainda houve atentados bombistas, salientando-se o que levou à
destruição da embaixada de Cuba em Lisboa, e mais dois outros
contra o PCP. Carlucci ainda se encontrava por cá, tecendo as sinistras
teias da CIA, como espectacularmente se confirmou com a sua transferência
no ano seguinte directamente para o cargo de vice-director da mesma CIA. A
seguir vem a sua fulgurante ascensão, certamente pelas provas que dera,
para conselheiro de Segurança do Presidente Reagan e mais tarde para seu
secretário de Defesa. A carreira de Carlucci também teve o apoio
de uma longa amizade pessoal com Donald Rumsfeld, o mesmo que tão
recente e triste destaque tem tido com a criminosa invasão e
ocupação do Iraque pelos Estados Unidos.
Tem interesse ainda, confirmando as íntimas relações entre
a administração americana e o mundo dos grandes negócios,
que Carlucci foi também alto funcionário de uma grande empresa
americana, a Sears World Trade. E, nunca esquecido da sua cruzada em Portugal,
ele formou mais tarde uma empresa denominada Euro-Amer para explorar vultuosos
empreendimentos imobiliários no nosso país; a que juntou
recentemente a sua participação no poderoso grupo financeiro
americano Carlyle, interessado na negociata da privatização da
nossa Galp
O COMBATE DE IDEIAS
Em todo o processo contra-revolucionário português, apoiado pelo
imperialismo, tem tido papel de destaque a manipulação
ideológica, graças ao uso dos poderosos meios de
comunicação capitalistas, bem como de outros meios mais
primitivos, tais como falsos boatos, rumores e calúnias, transmitidos
oralmente. Sempre deturpando o presente e tornando confusos e sem significado
os dados do passado.
Mas a História do nosso país, como a de outros, tem ensinamentos
preciosos para a compreensão dos tempos presentes. O texto de Lenine que
atrás citámos é prova disso. E muitos outros exemplos de
tempos anteriores ou posteriores se poderiam apontar.
Entre os primeiros é de salientar-se o da revolução
popular e progressista que nos longínquos anos de 1383 a 1385
lançou os fundamentos da epopeia dos navegadores marítimos
portugueses, mais tarde desvirtuada pelos condicionalismos da época; e
pelas novas classes dirigentes em Portugal, cada vez mais dependentes de
várias potências estrangeiras em busca de novos impérios e
arrastando o nosso país para uma longa decadência.
Mas, na verdade, no impulso revolucionário de 1383 teve a maior
importância a luta pela nossa independência nacional; e o mesmo
continuou a acontecer em vários episódios de progresso social e
político que se lhe sucederam entre nós até ao presente.
São estas lições da História, são estas
provas de uma íntima ligação entre progresso social e
defesa duma efectiva independência nacional, que continuam perfeitamente
actuais, face às tentativas de domínio mundial pelas grandes
potências imperialistas com os Estados Unidos à cabeça.
O não se ter conseguido, no curto período revolucionário
de 74-75, a libertação de Portugal do domínio imperialista
como o PCP desejava, contribuiu decisivamente embora não
exclusivamente para os êxitos da contra-revolução. E
para tais êxitos muito contribuíram também os efeitos
negativos das políticas imperialistas da União Europeia sobre a
situação política e económica de Portugal,
especialmente após a sua adesão à mesma em 1986.
Na verdade o imperialismo, graças à colaboração e
subserviência dos sucessivos governos portugueses desde 1976, tem
incrementado muito o seu domínio sobre o nosso país, no plano
económico, político, social e cultural. Até a vizinha
Espanha já vem partilhando desse domínio, umas vezes como
intermediária do imperialismo, outras vezes com os seus próprios
meios de dominação.
Por tudo isto a luta anti-imperialista do PCP continua a ter hoje a maior
actualidade. Não podendo também ignorar todas as
lições a tirar do cataclismo subversivo que, com o apoio decisivo
do imperialismo, levou à derrota e desintegração da
União Soviética e de outros pises socialistas nos anos 90 do
século findo.
O internacionalismo assente em sólidos critérios de classe
permanece hoje igualmente bem actual; e os partidos comunistas fiéis aos
seus melhores princípios continuam a ter um decisivo papel a desempenhar
à escala mundial.
E com a preciosa ajuda teórica do marxismo-leninismo, acompanhada sempre
por uma cuidada análise da situação que se está
desenvolvendo no terreno da luta de classes, será sem dúvida
possível caminhar para uma alternativa à barbárie
imperialista do presente, na perspectiva de um futuro cada vez mais
necessário de Paz mundial e de verdadeira civilização com
o socialismo e o comunismo.
[*]
Médico. Comunicação apresentada no Encontro Internacional "Civilização ou
Barbárie",
Serpa, 23-25 de Setembro de 2004.
Este artigo encontra-se em
http://resistir.info/
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