Notas sobre o renascimento cultural num tempo de barbárie

por James Petras [*]

'Abu Ghraib', de Fernando Botero. Vivemos tempos de guerras destrutivas conduzidas pelo império em nome da "democracia", de exploração selvagem em nome das "potências mundiais emergentes", de maciços deslocamentos forçados de populações em nome da "imigração" e de pilhagem em grande escala de recursos naturais em nome dos "mercados livres". Vivemos um tempo de barbárie e as elites bárbaras empregam um exército de manipuladores linguísticos e culturais para justificar as suas conquistas.

Os grandes crimes contra a maior parte da humanidade são justificados por uma corrosiva degradação da linguagem e do pensamento — uma deliberada fabricação de eufemismos, falsidades e enganos culturais. As expressões culturais são um determinante central nas relações de classe, nacionais, étnicas e de género. Elas reflectem e são produtos da política, da economia e do poder social. Mas assim como o poder é em última análise uma relação social entre classes antagónicas, as expressões culturais também são mediadas através das lentes, experiências e interesses das elites dominantes e dos seus subordinados rebeldes.

Enquanto os escritores das elites bárbaras fabricam um mundo linguístico de terror, de demónios e salvadores, de eixos do bem e do mal, de eufemismos que embelezam os crimes contra a humanidade, também novos grupos de escritores, artistas e colectivos participantes avançam para clarificar a realidade e elucidar as bases existenciais e colectivas a fim de desmistificar as mentiras e criar uma nova realidade cultural.

A despeito da elite bárbara, nasceu um renascimento cultural. Revelações de crimes são efectuadas através de investigações jornalísticas, peças e canções. Afirmações de integridade, solidariedade social e rejeições individuais da sedução monetária reforçam o compromisso moral, apesar das sempre presentes ameaças, assassínios e censura oficial.

Os grandes crimes das potências imperiais e dos seus clientes locais incluem os massacres e contagens diárias de mortes, propaganda, a qual declara toda a vítima como criminosa, e todo criminoso como um salvador. Os delinquentes políticos não têm, não querem e não podem silenciar, ensurdecer ou cegar uma nova geração de intelectuais, poetas e artistas críticos que dizem a verdade ao povo.

Há vários temas que são essenciais no avanço do renascimento cultural emergente e no nosso desafio ao reino da barbárie. Estes incluem a política da linguagem, ideias conceptuais erradas e coragem intelectuais na vida de todos os dias. O grande conflito é entre o poder do mass media e a solidariedade colectiva, e a falsa associação de classe entre a alta cultura e a cultura de massa.

A política da linguagem

A corrupção da linguagem é uma receita para a cumplicidade em crimes políticos. A corrupção da linguagem assume a forma de eufemismos cozinhados por propagandistas, transmitidos através dos mass media, reflectidos na linguagem pomposa de académicos, juízes, e traduzida na linguagem obscena da imprensa sensacionalista amarela. Crimes monstruosos contra comunidades rurais perpetuados pela polícia do Estado são descritos como "pacificação", redução de salários e serviços sociais são descritos como "estabilização", e a eliminação de legislação trabalhista que protege o emprego de despedimentos arbitrários e o enfraquecimento de sindicatos é descrito como "flexibilização do trabalho".

Advogados de direitos humanos a defenderem vítimas de violência militar são chamados "cúmplices de terroristas"; violência sistemática do Estado e de paramilitares é chamada segurança nacional; oposição a ligações militares e políticas a esquadrões da morte é chamada terrorismo; planos de contra-insurgência em grande escala concebidos e financiados por potências imperiais estrangeiras são etiquetados como medidas para a "salvação nacional".

Também há o pretexto de proporcionar uma pseudo-científica terminologia neutra para actos desumanos — destruir milhares de comunidades e deslocar milhões é descrito como "liquidar elementos subversivos" e assimilado ao extermínio de insectos nocivos.

Os eufemismos são uma forma de anestesia colectiva — a fim de tranquilizar a população não afectada directamente pela violência do Estado. A imagem evocada pelos eufemismos é sempre retratada como benigna a fim de obscurecer a realidade maligna. "Pacificar" sugere um "pacificador", tal como um pai a acalmar delicadamente uma criança e eliminar o seu choro irritado. "Pacificação" de um povo significa o oposto: a violenta erupção de forças militares no interior de uma comunidade tranquila que provoca gritos de sofrimento e o tremor da morte.

Estabilização nas bocas de autoridades estatais significa reduzir défices comerciais e orçamentais através do rebaixamento de salários enquanto mantêm subsídios e isenções fiscais para a classe dominante. Estabilização para os grandes negócios e os bancos significa desestabilização para a classe trabalhadora e os pobres: as perda de serviços de saúde, aumentos nos preços de mercadorias básicas como alimentos e transportes e a perda de empregos que leva a dissoluções de famílias, crianças a abandonarem escolas, lares monoparentais e aumentos das taxas de suicídio e de alcoolismo.

O ensaio geral para qualquer transformação política e social é a clareza linguística — falar e escrever numa linguagem na qual as palavras e os conceitos evoquem a realidade que vivemos, especialmente o impacto de classe diferencial de políticas específicas. O desmascaramento do eufemismo não é uma tarefa para linguistas e sim para todos os intelectuais e artistas comprometidos.

A linguagem e a esquerda

Demasiadas vezes a esquerda deixa de elucidar o significado dos eufemismos — recorrendo ao artifício preguiçoso de pespegar sinais de aspas em torno da frase alvejada. A intenção das aspas é indicar ironia e crítica ou rejeição do eufemismo — mas elas são tão obscurantistas quanto os eufemismos que procuram desacreditar. Por exemplo: muitos escritores tratam de regimes autoritários ou de polícias de Estado que se afirmam democráticos simplesmente colocando aspas em torno de "democracia" — como se as aspas fossem auto-explicativas. Os críticos não se dão ao trabalho de gastar o tempo e o esforço necessários para encontrar um termo mais preciso, algo que capture o significado cognitivo do sistema político. O recurso aos sinais de aspas tem uma longa tradição de abuso na esquerda, um abuso que serve para minar os propósitos pedagógicos de educar as classes populares e proporcionar um vocabulário político novo e utilizável.

Mais recentemente, especialmente entre intelectuais que têm a pretensão de comunicar ou conduzir a classe trabalhadora e o campesinato, eles defraudam o entendimento popular com o praguejar. Ao utilizar "palavras sujas" os intelectuais abdicam da sua responsabilidade de ampliar o vocabulário dos activistas da classe trabalhadora e do campesinato. Quando trabalhadores ou camponeses recorrem a palavras sujas, determinar o seu significado depende muito do contexto e da tonalidade. A mesma palavra suja pode ser uma denúncia ou uma expressão de afeição, dependendo do contexto. Mas quando existe um vocabulário político que é mais preciso e diverso, o intelectual pseudo-populista deveria introduzir e definir o seu significado ao invés de pretender estabelecer relações na base do mais limitado e simplista dos níveis de comunicação: a vulgaridade.

O intelectual que subestima os trabalhadores e camponeses não eleva a sua compreensão; em contrapartida isso reduz a qualificação do intelectual.

O outro lado da moeda é o problema do exotismo do intelectual. A utilização de linguagem não familiar, abstracta, derivada de textos altamente especializados, os quais deixam de ter conexão às realidades e lutas concretas dos trabalhadores e camponeses. A tarefa para os intelectuais é tomar ideias complexas e torná-las compreensíveis — para ilustrar ideias da prática quotidiana. É mais fácil escrever para outros intelectuais do que fazer o esforço de explicar o conteúdo e significado de um conceito às classes populares. Mas isso é o que deve ser feito sem condescendência ou super-simplificação.

Clareza conceptual: Entre democracia e barbárie

A perversão conceptual é o ópio dos intelectuais apologistas do Estado terrorista. O que são os conceitos, quais são mais frequentemente pervertidos? O que são os actos de perversão mais frequente? Como e porque estas actividades obscenas têm lugar?

Os conceitos mais frequentemente sujeitos a perversão pelo poder estatal são democracia, cidadania, sociedade civil e eleições livres.

Democracia, tal como utilizada por apologistas nacionais e estrangeiros do terror estatal, reduz a democracia a um conjunto de procedimentos eleitorais, competição entre dois ou mais partidos e instituições legislativas e executivas com base nas eleições. Os elementos mais essenciais da democracia, a liberdade de falar, organizar, reunir e protestar são excluídos; esquadrões da morte, polícia e violência militar resultando em assassínio sistemático, sequestro e desaparecimentos minam todo o contexto que conduz à eleição. Por outras palavras, o Estado terrorista mina o contexto político para eleições livres, partidos concorrentes e candidatos críticos. A generalização e utilização intensa da força e da violência na campanha eleitoral determina as consequências das mesma: rotação de líderes dentro dos estreitos confins da oligarquia dominante. Procedimentos eleitorais sujeitos a um Estado terrorista, assassínios sistemáticos e intimidação são claramente incompatíveis com qualquer concepção substantiva de democracia. A sistemática eliminação física de opositores políticos e a intimidação psicológica da massa do eleitorado define um estado policial.

Associar terrorismo de Estado e ameaças políticas com democracia é uma grosseira perversão dos próprios fundamentos do processo democrático: a liberdade de escolher para concorrer ao posto e buscar alternativas ao sistema existente. Alguns escritores referem-se a democracias esquadrão da morte — Estados nos quais esquadrões da morte por ele promovidos condicionam processos eleitorais. A ironia desta expressão — a ligação de opostos é um recordatório da frase de George Orwell "escravidão é democracia". De modo análogo, alguns falam de democracia-imperial para mencionarem os EUA no qual a política interna é democrática ao passo que a política externa imperial dita as duras regras da violência e dos regimes ditatoriais. No entanto, estes termos ligados por hífens são concepções estáticas; a construção imperial, especialmente em período de derrota e inquietação interna, pode conduzir à usurpação ditatorial do poder executivo.— a democracia-imperial torna-se um Estado policial imperial.

Outro conceito que tem sido corrompido pelos apologistas do poder do Estado é sociedade civil — nomeadamente as classes sociais, organizações e associações que são independentes do Estado. Os apologistas do Estado terrorista, que clamam pela defesa da sociedade civil, referem-se apenas à elite específica de organizações civis e obscurecem as suas íntimas inter-relações com a polícia de Estado. A sua virtuosa sociedade civil exclui as associações de camponeses independentes e sindicatos com orientação de classe. Enquanto falam em defesa da sociedade civil, defendem a polícia de Estado empenhada no assassínio de líderes da sociedade civil quando estes são constituídos por juristas independentes, advogados, camponeses , trabalhadores e outros. A dizimação da sociedade civil em nome da sociedade civil descreve um estado de barbárie — o Estado bárbaro sob a fachada da política eleitoral competitiva da oligarquia.

Cidadania e Estado bárbaro

O exercício pleno ou parcial de virtudes cívicas é um empreendimento perigoso no Estado bárbaro. O récord está claramente na Colômbia: 3 milhões de cidadãos deslocados à força das zonas rurais, 40 mil cidadãos mortos pelos paramilitares e militares, dezenas de milhares de cidadãos forçados ao exílio ou a viverem escondidos. Para muitos cidadãos a decisão de continuar a exercer plenamente os seus deveres cívicos, exercendo os seus direitos sociais de organizar a acção cívica e os seus direitos políticos de questionar o arbitrário domínio oligárquico está repleto de perigos, todos os dias. Para muitos outros, os cidadãos mais prudentes, a escolha é operar dentro dos parâmetros institucionais impostos pela oligarquia, utilizando a linguagem de Esopo para exprimir a sua discordância contra o estado de violência. Presidentes de Estados bárbaros que denunciam publicamente cidadãos a exercerem os seus direitos cívicos estão a lavrar uma sentença de morte — habitualmente executada por motociclistas-sicários que disparam sobre sindicalistas a caminho do trabalho, advogados de direitos humanos ao saírem dos seus escritórios, activistas camponeses a cultivarem seus campos.

O exercício quotidiano de virtudes cívicas num Estado bárbaro é um feito heróico. Civilidade, em face de ameaças de mortes provenientes de líderes políticos com imunidade, é uma virtude que só pode ser atribuída ao cidadão. A civilidade não está incorporada no sistema politico; ela existe apesar e contra o Estado bárbaro. Sob condições extremas, a consciência cívica pode incluir o não votar ou a abstenção. Estes podem ser considerados actos espalhafatosos, particularmente onde os oligarcas controlam o processo político e a votação serve apenas para proporcionar um verniz de pseudo-legitimidade à barbárie no poder. Onde emergem alternativas políticas, livres do controle oligárquico, os cidadãos podem escolher exercer os seus direitos políticos de reunir e decidir colectivamente romper com o sistema e o aparelho de violência.

Tragédias políticas ou criminalidade política?

Muitos escritores e artistas progressistas, quando escrevem acerca da potencialidades perdidas de países com grandes riquezas materiais e humanas devido ao desgoverno, falam de tragédias políticas. Isto constitui um equívoco sério, o qual interpreta mal a natureza da tragédia e o abuso do poder político. Uma tragédia política existe, no sentido clássico, quando dirigentes bem intencionados com defeitos de carácter inadvertidamente cometem actos de horror – mortes de famílias – ou mergulham seus países em guerras devastadoras com ligeiros pretextos; em consequência do orgulho (excesso de confiança) individual

Os actos bárbaros de violência dos dirigentes oligárquicos não são o resultado de falhas individuais; eles são produtos de actos colectivos de pilhagem, deliberados, sistemáticos, da exploração da usurpação de pequenos proprietários de terra. Os actos de guerra são contra as comunidades no seu domínio. As razões para a guerra não são a indiferença pessoal, mas a defesa de privilégios indefensáveis, poder ilegítimo e grande concentração de riqueza.

A violência sistemática a longo prazo e em grande escala de uma série de governantes oligárquicos contra os seus cidadãos e o empobrecimento de um país potencialmente rico não é uma tragédia. É um crime político ou, mais precisamente, um crime contra a humanidade. Quando falamos de tragédias políticas estamos a falar da antiga Atenas clássica ou do Hamlet de Shakespeare, não da Colômbia contemporânea, um Estado onde a descrição é mais afim à genealogia da Máfia.

Tragédia refere-se a bons governantes que devido a um orgulho excessivo cometem um crime político. Os espectadores de uma tragédia identificam-se, pelo menos a princípio, com o dirigente e as suas aparentes virtudes e governação benigna. Quando o dirigente move-se inexoravelmente para a sua queda, os espectadores ficam repugnados com o crime, mas quando a justiça é aplicada a experiência é uma catarse — um senso de virtude cívica recuperada, mesmo um sentimento de que o absolutismo politico, mesmo exercido por um dirigente outrora virtuoso, foi devidamente punido. Um sentido de ambiguidade cidadã quanto à condição humana, mesmo entre aqueles que ocupam a mais elevada esfera da política, permanece na consciência pública.

Em contraste, os dirigentes oligárquicos contemporâneos começam o seu mandato no gabinete como delinquentes homicidas. As suas próprias campanhas eleitorais estão infestadas por assassínios, mutilações e massacres. Ainda antes de se tornarem chefes de Estado, não há ambiguidade. Os mais próximos associados do Presidente são oligarcas, seus apoiantes no Congresso são eleitos pelos fundos ilícitos de narco-traficantes e o domínio é imposto pelas armas e machados de assassinos pagos.

Os actos criminosos de governo continuam perpetuamente sem quaisquer virtudes redentoras. Em nenhum momento do tempo os espectadores — os cidadãos — exprimem qualquer identificação emocional. Ao contrário, quando os crimes se multiplicam, a sua indignação e repúdio emocional torna-se cada vez mais intenso. Com o sistema judicial tão completamente corrompido e a cumplicidade dos mass media, o povo não encontrar qualquer meio público de redenção — não emerge qualquer senso de justiça porque, ao contrário das tragédias gregas ou shakesperianas, não há fim para o horror. A criminalidade política que permeia o Estado bárbaro contemporâneo não emergirá de uma elite redentora.

Colômbia: Heróis da vida quotidiana

Muitos são os críticos literários e amplo é o público que olha para celebridades num filme e vencedores desportivos e do Prémio Nobel como os seus heróis e heroínas virtuais. Devo confessor contudo que os meus heróis e heroínas não são tanto os santos ou os notáveis, nem mesmo os grandes críticos ou intelectuais dos EUA e da Europa de renome mundial.

Os mais admiráveis são aqueles colombianos que trabalham firmemente com grande energia e determinação na busca das virtudes cívicas da solidariedade de classe com as vítimas do Estado bárbaro e que afirmam a sua dignidade cívica por meio da sua defesa dos direitos humanos e sociais. Celebridades culturais e intelectuais — notáveis especialmente no Norte — têm a sua reputação mundial para protegê-los dos Estados predadores quando criticam a injustiça. Para eles isto é um ocasional grand moment — uma conferência de imprensa, uma reunião pública, assinar uma petição. Estes pequenos actos têm significado e carregam algum peso moral.

Mas, para mim, eles minguam de estatura quando confrontados com actos quotidianos de coragem e solidariedade, nos quais militam activistas sindicais – trabalhadores em bebidas e agrícolas, mineiros de carvão — e advogados de direitos humanos e profissionais em face de actos diários de assassínio e ameaças de morte. Há uma grande distância moral entre por a sua vida em risco a cada minuto do dia, como fazem camponeses colombianos activos nos seus movimentos, e os académicos que falam com a protecção das torres de marfim de universidades prestigiosas na Europa e na América do Norte. Estas últimas acções, devido ao seu status de celebridade, podem pressionar o Estado bárbaro a libertar uma vítima da tortura — e isto não é insignificante, especialmente para o indivíduo em causa. A redução temporária da intimidação proporciona um momento de alívio mas após as celebridades, os vencedores do Prémio Nobel voltam-se para os seus demais afazeres profissionais, são os trabalhadores, camponeses, os activistas e os movimentos sociais que têm de enfrentar a vida, ameaças de morte e desafios no seu trabalho quotidiano, nas suas famílias e vizinhanças. Suas virtudes de solidariedade e civilidade, de militância e as suas crenças consequentes são o que me inspira a acreditar que a barbárie nem é omnipotente nem é ela o nosso destino.

Apesar dos pomposos pronunciamentos de peritos e críticos da comunicação de massa que proclamam o poder dos mass media, sabemos que milhões por toda a parte desafiam a mensagens dos media. Eles organizam protestos populares, levantamentos, greves gerais, apesar do facto de que todos os mass media estão contra a acção de massa. Contra a conformidade maciça dos mass media, o espírito e as tradições de solidariedade de classe, família e comunidade tem sido de longe mais exitosa do que admitem os peritos em media. Na Venezuela todos os grandes monopólios privados de mass media denunciaram o Presidente Chávez e apoiaram um golpe contra ele — e ainda assim ele foi reinstalado no poder e reeleito três vezes, cada vez por uma maioria maior.

A verdade é que o Estado bárbaro é vulnerável, tacticamente poderoso devido ao dinheiro e às armas, mas estrategicamente vulnerável. Nenhumas instituições, nem mesmo aquelas que apoiam um Estado policial, podem permanecer em pé em face de uma resistência cultural e política que exponha os seus enganos, seus actos criminosos, sua corrupção e suas depredações. O presidente dos Estados Unidos e o seu mais leal cliente na América Latina podem empenhar-se no assassínio em massa mas ninguém acredita nas suas mentiras e enganos. Quando as suas justificações para a brutalidade repousam unicamente no seu controle da força eles já perderam a luta política.

Para promover o seu enterro político e, acima de tudo, para assegurar que nenhum outro oligarca bárbaro os substitua, uma revolução cultural profunda deve acompanhar a ruptura com o passado político. A ultrapassagem da barbárie exige um renascimento cultural; na qual a melhor arte, linguagem, dança e música não seja definida por fronteiras de classe e tabus.

15/Maio/2007

[*] Ex-Professor de Sociologia na Binghamton University, New York. jpetras@binghamton.edu .

O original encontra-se em
globalresearch.ca/index.php?context=viewArticle&code=PET20070515&articleId=5656
Tradução de JF.


Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .
22/Mai/07