Obama contra Trump, Putin e Erdogan:
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"Muitos dos nossos interlocutores foram expurgados ou presos".
James Clapper, Director da Inteligência dos EUA acerca do golpe turco (Financial Times, 8/3/16, p. 4) |
Introdução
Washington organizou uma campanha sistemática, global e ilimitada para
expulsar o candidato presidencial republicano, Donald Trump, do processo
eleitoral. O virulento ânimo anti-Trump, os métodos, os objectivos
e os mass media assemelham-se a regimes autoritários a prepararem-se
para derrotar adversários políticos.
Esforços de propaganda comparáveis levaram a golpes
políticos no Chile em 1972, no Brasil em 1964 e na Venezuela em 2002. As
forças anti-Trump incluem partidos políticos, um juiz do Supremo
Tribunal, banqueiros da Wall Street, jornalistas e editorialistas de todos os
media mais importantes e os principais porta-vozes militares e da
inteligência.
O violento e ilegal esbulho de Trump por Washington é parte integral de
uma vasta campanha mundial para o derrube de líderes e regimes que
levantem questões acerca de aspectos das políticas imperiais dos
EUA e UE.
Trataremos de analisar a política da elite anti-Trump, os pontos de
confrontação e propagada, como um prelúdio para
impulsionar remover oposição na América Latina, Europa,
Médio Oriente e Ásia.
O golpe anti-Trump
Nunca na história dos Estados Unidos um Presidente e um Juiz do Supremo
Tribunal advogaram abertamente o derrube de um candidato presidencial. Nunca a
totalidade dos mass media empenhou-se dia e noite numa propaganda unilateral
para desacreditar um candidato presidencial ao sistematicamente ignorar ou
distorcer as questões sócio-económica centrais da sua
oposição.
O apelo ao derrube de um candidato eleito livremente é nada mais, nada
menos do que um golpe de estado.
As principais redes de televisão e colunistas pedem que as
eleições sejam anuladas, seguindo a pista do Presidente e de
líderes eminentes do Congresso e dos partidos republicano e democrata.
Por outras palavras, a elite política rejeita abertamente processos
eleitorais democráticos em favor da manipulação
autoritário e do engano. A elite autoritária confia na
ampliação de questões terciárias, em
discutíveis apelos de julgamento pessoal a fim de mobilizar apoiantes
para o golpe.
Eles evitam sistematicamente as questões económicas e
políticas centrais que o candidato Trump levantou e
atraíram apoio maciço as quais desafiam políticas
fundamentais apoiadas pelas elites dos dois partidos.
As raízes do golpe anti-Trump
Trump levantou várias questões chave que desafiam a elite
democrata e republicana.
Trump atraiu apoio de massa e ganhou eleições e inquéritos
de opinião pública ao:
A elite anti-Trump evita sistematicamente debater tais questões; ao
invés disso distorce a substância das políticas.
Ao invés de discutir os benefícios no emprego que
resultarão do fim das sanções à Rússia, os
que tramam o golpe berram que "Trump apoia Putin, o terrorista".
Ao invés de discutir a necessidade de redirigir investimento interno
para criar empregos nos EUA, a junta anti-Trump fala por clichés a
afirmarem que a sua crítica da globalização
"minaria" a economia dos EUA.
Para denegrir Trump, a junta Clinton/Obama recorre a escândalos
políticos para encobrir crimes políticos em massa. Para distrair
a atenção pública, Clinton-Obama afirmam falsamente que
Trump é um "racista", apoiado por David Duke, um advogado
racista da "islamofobia". A junta anti-Trump promoveu os pais
estado-unidenses-paquistaneses de um militar abatido em guerra como
vítima das calúnias de Trump mesmo quando eles aplaudiam Hillary
Clinton, promotora de guerras contra países muçulmanos e autora
de políticas militares que remeteram milhares de soldados americanos
para a sepultura.
Obama e Clinton são os racistas imperiais que bombardearam a
Líbia e a Somália e mataram, feriram e deslocaram mais de 2
milhões de africanos negros ao sul do Saara.
Obama e Clinton são os islamófobos que bombardearam e mataram e
expulsaram cinco milhões de muçulmanos na Síria e um
milhão de muçulmanos no Iémen, Afeganistão,
Paquistão e Iraque.
Por outras palavras, a política errada de Trump de restringir a
imigração muçulmana é uma reacção ao
ódio e à hostilidade engendrada por Obama e Clinton com o
genocídio de um milhão de muçulmanos.
A política
"America First"
de Trump é uma rejeição de guerras imperiais
além-mar sete guerras sob o governo Obama-Clinton. Suas
políticas militaristas incharam défices orçamentais e
degradaram padrões de vida nos EUA.
A crítica de Trump à fuga de capitais e de empregos
ameaçou a locupletação de mil milhões de
dólares por parte da Wall Street a razão mais importante
por trás do esforço bi-partidário da junta para afastar
Trump e o apoio que tem da classe trabalhadora.
Ao não seguir a agenda de guerra bi-partidária da Wall Street,
Trump esboçou uma outra agenda que é incompatível com a
estrutura actual do capitalismo. Por outras palavras, a elite
autoritária dos EUA não tolera as regras democráticas do
jogo mesmo quando a oposição aceita o sistema capitalista.
Além disso, a busca de Washington do "poder único"
estende-se através do globo. Governos capitalistas que decidam seguir
políticas externas independentes são alvos para golpes.
A junta Obama-Clinton torna-se frenética
O golpe contra Trump proposto por Washington segue políticas semelhantes
àquelas dirigidas contra líderes políticos na
Rússia, Turquia, China, Venezuela, Brasil e Síria.
O presidente russo, Putin, foi demonizado diariamente pelos media de propaganda
dos EUA durante quase toda uma década. Os EUA apoiaram oligarcas e
promoveram sanções económicas; financiaram um golpe na
Ucrânia; instalaram mísseis nucleares na fronteira da
Rússia e lançaram uma corrida armamentista para minar
políticas económicas do Presidente Putin a fim de provocar um
golpe.
Os EUA apoiaram o "governo invisível" do seu apaniguado
(proxy)
gulenista no golpe fracassado para derrubar o Presidente Erdogan, por este
deixar de adoptar totalmente a agenda dos EUA para o Médio Oriente.
Da mesma forma, Obama-Clinton apoiaram golpes bem sucedidos na América
Latina. Foram orquestrados golpes em Honduras, Paraguai e mais recentemente no
Brasil para minar presidentes independentes e assegurar regimes neoliberais
satélites. Washington apressa-se para impor à força o
derrube do governo nacional-populista do Presidente Maduro, na Venezuela.
Washington aumentou seus esforços para desgastar, minar e derrubar o
governo do Presidente Xi-Jinping, da China, através de várias
estratégias combinadas. Uma acumulação militar de uma
força de ar e terra no Mar do Sul da China e bases militares no
Japão, Austrália e Filipinas; agitação separatista
em Hong Kong, Formosa e entre os uigures; acordos comerciais de livre
comércio entre EUA, América Latina e Ásia que excluem a
China.
Conclusão
A estratégia de Washington de golpes ilegais e violentos para manter a
ilusão de império estende-se através do globo, indo desde
Trump nos EUA a Putin na Rússia, desde Erdogan na Turquia a Maduro na
Venezuela e Xi Jinping na China.
O conflito é entre o imperialismo dos EUA-UE apoiado pelos seus clientes
locais contra regimes endógenos enraizados em alianças
nacionalistas.
A luta é contínua e prolongada e ameaça minar o tecido
político e social dos EUA e da União Europeia.
A principal prioridade para o Império estado-unidense é minar e
destruir Trump por quaisquer meios. Trump já levantou a questão
de "eleições manipuladas"
("rigged elections").
Mas a cada ataque dos media da elite a Trump parece aumentar e fortalecer seu
apoio de massa e polarizar o eleitorado.
Quando as eleições se aproximam, será que a elite se
limitará à histeria verbal ou passará dos
assassínios verbais para os de "outra espécie"?
A estratégia global do golpe de Obama mostra resultados mistos: eles
tiveram êxito no Brasil mas foram derrotados na Turquia; eles tomaram o
poder na Ucrânia mas foram derrotados na Rússia; eles ganharam
aliados de propaganda em Hong Kong e Formosa mas sofreram graves derrotas
económicas estratégicas na região quando a China
avançou políticas comerciais asiáticas.
Quando as eleições estado-unidenses se aproximam, e o legado
imperial perseguido por Obama entra em colapso, podemos esperar maiores fraudes
e manipulações e talvez mesmo o recurso frequente a
assassínios daqueles que a elite designa como "terroristas".