O que nenhum dos candidatos disse acerca da energia e da economia
por Charles A. Hall
[*]
e Jan Lars Mueller
[**]
Está eleição está estruturada como uma
opção entre duas abordagens diferentes para retornar ao
crescimento económico robusto. Mas e se a ambos os lados está a
faltar um factor crítico subjacente às nossas
perturbações económica? E se ferramentas do passado
não mais se ajustarem à economia do futuro? O crescimento
económico, tal como o conhecemos até agora, está a ser
constrangido por uma redução sem precedentes do crescimento na
oferta mundial de petróleo. O caminho da América para a
prosperidade futura precisa reconhecer e enfrentar esta nova realidade
energética, e adaptar a nossa economia para funcionar com um bocado
menos de petróleo.
A produção mundial de petróleo bruto esteve numa
tendência ascendente durante um século de menos de um
milhão de barris por dia (mbpd) em 1900 para aproximadamente 75 mbpd
nos dias de hoje
[NR]
. Tem havido aberrações ao longo do caminho, tal como uma
grande queda de produção durante a Grande Depressão, mas a
tendência ascendente persistiu até recentemente. Desde
2005, a produção mundial de petróleo tem estado
basicamente estagnada. Houve planaltos
(plateaus)
antes, mas aquilo que agora é diferente é que os preços
reais do petróleo isto é, ajustados à
inflação grosso modo triplicaram no espaço de tempo
de uma década, mas verificou-se relativamente pouca
produção adicional.
Durante a maior parte do século XX, os preços do petróleo
em dólares de 2009 foram inferiores a US$35 por barril. Durante o boom
de 25 anos a seguir à II Guerra Mundial, eles permaneceram razoavelmente
baixos, em torno dos US$20. Os preços reais dispararam para a marca dos
US$50 no princípio da década de 1970, após o embargo
petrolífero árabe e atingiram os US$100 pouco após com a
crise iraniana dos reféns. Exceptuando aqueles choques
petrolíferos, os preços reais médios permaneceram
notavelmente baixos.
Mas algo parece ter mudado fundamentalmente na década passada. Desde
2000, pondo de lado uma alta e um crash em 2008 e 2009, os preços do
petróleo nos EUA subiram firmemente e estão agora fixados no
intervalo dos US$80-US$100 por barril, aproximadamente três vezes a sua
média histórica, apesar de uma recessão económica
mundial. Temos estado basicamente num longo, lento, mas igualmente danoso
choque petrolífero durante vários anos, só que este
não está associado a qualquer evento geopolítico
crítico.
Várias forças estão a contribuir para a ascensão
dos preços do petróleo, mas um factor incontornavelmente chave
é o acréscimo de custo e energia exigido para produzir cada novo
barril de petróleo. De um ponto de vista energético e
económico, o retorno sobre a energia investida em novas fontes de
petróleo tais como o petróleo confinado
(tight oil)
no Dakota do Norte, as areias betuminosas do Canadá ou o
petróleo de águas profundas é muito mais baixo do
que para os campos petrolíferos convencionais do passado, como mostrou
uma investigação da State University of New York Syracuse.
O que significa isto para a economia? Basicamente, o petróleo
está a proporcionar substancialmente menos "lucro" de energia
ou excedente de riqueza para a sociedade do que aquela que é utilizada
para obtê-lo. Preços mais altos significam mais dólares
americanos a fluírem para países exportadores do óleo,
menos dinheiro para famílias e negócios investirem ou gastarem em
outros bens e serviços, e preços ascendentes para produtos
dependentes do petróleo (uma lista longa). Tudo isto acrescenta um
grande lastro ao crescimento económico.
Há outra importante nova peculiaridade na história da era do
petróleo. Antes de 2000, não nos importávamos quanto a
outros países. Os Estados Unidos posicionavam-se basicamente como
primeiro comprador das exportações mundiais de petróleo.
Isso já não acontece. O consumo de petróleo em
países em desenvolvimento, especialmente a China, explodiu ao longo da
última década. Ao mesmo tempo, países exportadores de
petróleo estão a utilizar mais petróleo internamente. O
resultado: as exportações de petróleo disponíveis
no mercado global tem estado a declinar a uma taxa estimada em 0,7% ao ano
desde 2005, segundo a análise do geólogo Jeffrey Brown, do Texas,
e a competição por aquelas exportações em
declínio tem aumentado, pressionando preços mais uma vez para
cima.
Ao invés de agarrarem e enfrentarem esta nova realidade, muitos
candidatos estão, ao contrário, a bater na tecla da
"independência energética". Não só
é improvável que a produção estado-unidense de
petróleo atenda o consumo actual (ignore a publicidade, verifique os
números por si mesmo) como mais produção interna
não corrigirá o aumento do fardo do petróleo sobre a
economia. O Canadá, por exemplo, produz muito mais petróleo do
que aquele que consome; contudo, fazendo os ajustes dos impostos, nossos
vizinhos do Norte pagam na bomba aproximadamente o mesmo que nós.
Não importa quem sente na Casa Branca ou controle o Congresso, a
América não pode encontrar saída para a sua
aflição petrolífera e, ainda mais importante, não
pode apenas "crescer" para a prosperidade sem tratar desta nova
realidade energética e mapear uma nova rota rumo a uma economia de pouco
petróleo.
[NR]
Os autores referem-se a petróleo convencional.
[*]
Charles A. Hall: Professor da Fundação ESF Foundation na State
University of New York - Syracuse e co-autor de "Energy and the Wealth of
Nations."
[**] Jan Lars Mueller: Director executivo da Association for the Study of Peak
Oil & Gas USA, entidade não lucrativa e não partidária de
investigação e educação com sede em Washington DC.
O original encontra-se em
Peak Oil Review
, 05/Nov(2012
Este artigo encontra-se em
http://resistir.info/
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