O que deve ser feito?
por Fred Magdoff
[*]
e Michael D. Yates
[**]
As economias capitalistas estão atualmente numa
perturbação profunda. Alguns economistas teorizaram que os
vínculos entre os Estados Unidos e o resto do mundo foram enfraquecidos
à medida que outras nações adquiriram maior autonomia
econômica. Apresentou-se já para esse desacoplamento uma tese
segundo a qual uma crise numa parte do sistema (por exemplo, a América
do Norte) não afetaria outras partes importantes (como a Europa e a
Ásia). Sabemos agora que isso não é verdade. Ativos
tóxicos foram vendidos pelo mundo todo, e bancos na Europa, Ásia
e Japão estão com problemas também. Bolhas
imobiliárias estouraram na Irlanda, Espanha e muitos outros
países. Na Europa Oriental, compraram-se casas com empréstimos da
Suíça, Áustria e outros bancos europeus, pagáveis
em divisas européias. À medida em que as economias da Hungria e
outras nações na região, que financiaram seu crescimento
explosivo com pesados empréstimos de bancos ocidentais, entraram em
recessão, suas divisas foram fortemente depreciadas. Isso significa que
o pagamento de hipotecas subiu violentamente, já que agora são
necessárias muito mais unidades monetárias de divisa local para
comprar os francos suíços ou euros necessários para o
pagamento dos empréstimos. Em alguns casos, o pagamento das hipotecas
duplicou.
Muitos países abraçaram o neoliberalismo de maneira tão
fervorosa como os Estados Unidos, e estão agora pagando o preço
de anos de des-regulamentação. O caso mais extremo até
agora é o da Islândia, que efetivamente faliu e teve que buscar
ajuda do Fundo Monetário Internacional. Países fortemente
baseados em exportação, como Alemanha, Japão e China,
enfrentam uma séria erosão nas condições
econômicas agora que os consumidores americanos, antes compradores
universais, cortaram enormemente seus gastos. Os vínculos
econômicos internacionais conspiram para tornar a crise
intratável. Quando alguma coisa ruim acontece num lugar, repercute em
muitos outros. A procura declinante nos Estados Unidos leva a menores
salários em toda parte, o que derruba os salários aqui ainda mais
e assim por diante. Se húngaros deixam de pagar suas hipotecas,
bancos suíços e alemães podem falhar, causando problemas
para bancos americanos e assim por diante. Na primavera de 2009 o FMI,
que havia recentemente injetado fundos na comunidade européia, ajudou a
Europa Oriental a dar um "passo para trás na beira do colapso"
(de acordo com o
Wall Street Journal)
fazendo empréstimos à Hungria, Belarus, Ucrânia,
Letónia, Sérvia, Romênia e Polônia.
Essas ações drásticas são necessárias mesmo
nos termos do próprio capitalismo. Não há dúvida de
que o caminho mais direto e eficiente para agir teria sido a
nacionalização, pelo governo federal, de alguns grandes bancos, o
expurgo de seus acionistas e o restabelecimento desses bancos em bases
sólidas. A indústria automobilística americana deve ser
tanto salva quanto transformada, para que milhões a menos fiquem
desempregados. Um plano nacional de saúde é obrigatório,
tanto para reduzir os custos operacionais quanto para manter os trabalhadores
saudáveis. Proprietários de domicílio devem ter algum
alívio, e a dívida habitacional deve ser reduzida, se o que se
quer é que a procura algum dia seja novamente robusta. Idealmente, o
sistema financeiro deveria ser estritamente regulamentado se se pretende que o
capitalismo evite bolhas futuras (apesar desta regulamentação
estrita ser provavelmente impossível no atual sistema). A
distribuição obscenamente desigual de rendimento e riqueza tem
que sofrer uma mudança dramática para que algum tipo de
crescimento equilibrado possa ocorrer. Os salários devem crescer pelas
mesmas razões, assim como deve-se reduzir o fardo das dívidas que
agora oprimem tantas famílias das classes trabalhadoras.
O problema, todavia, é que mesmo que essas mudanças possam ajudar
a desenvolver um capitalismo mais robusto, da perspectiva dos próprios
capitalistas muitas dessas ações não são
desejáveis nem é muito provável que possam ser ou
sejam feitas. Os negócios encontram-se inseridos num sistema com base na
competição viciosa, um bem evidente empreendimento tipo
"empobrece o teu vizinho". Além disso, cada setor de
negócios exerce pressão sobre alguns políticos, e
influencia todas as agências públicas. Washington está
repleta de lobistas, e essas pessoas freqüentemente redigem as leis que
deveriam ser feitas no interesse público. Não importa qual seja a
iniciativa governamental, partes com interesses próprios tentam, e
muitas vezes conseguem, torcer a legislação e sua
implementação para atender às suas necessidades.
Não podemos ter um verdadeiro sistema nacional de saúde porque as
companhias de seguros e farmacêuticas, mais os seus aliados na medicina,
não permitiriam, e têm poder para evitar isso. O governo
não pode manter ordem no sistema financeiro porque os políticos
são muito chegados aos bancos que regulam. Interesses em moradias
privadas se levantam como obstáculo à habitação
pública. O mesmo vale para o trânsito público, e quase
qualquer outra coisa boa em que se pense. Se a nova administração
se move decididamente para combater o aquecimento global
[1]
e construir uma economia mais verde, podemos estar seguros de que não
importa qual a gravidade do problema, o cálculo do interesse privado
prevalecerá no fim. Do ponto de vista da sociedade, e certamente da
perspectiva dos trabalhadores, o capitalismo é um sistema irracional.
E, como se tudo isso não fosse suficientemente problemático,
resta a tendência subjacente de desaceleração do
crescimento ou estagnação. O pacote de incentivos do presidente
Obama não chega nem perto de resolver o problema fundamental da
estagnação, ainda que possa ajudar um grande número de
pessoas. Alem disso, algum auxílio e conforto estão sendo
fornecidos através da extensão dos benefícios para
desempregados, aumento de fundos para programas como
vale-alimentação e a criação de trabalho por
programas de gastos. Os programas originais da Grande Depressão
não acabaram com a Depressão, então por que haverá
razões para supor que programas de gastos governamentais mais limitados
acabarão com esta? É verdade que os programas de trabalho da
Grande Depressão não foram grandes o bastante para trazer de
volta a prosperidade. Mas hoje, mesmo com os insights de John Maynard Keynes e
décadas de pesquisa econômica, o pacote fiscal de programas de
custeio, corte de impostos e financiamento de déficits são, de
acordo com os melhores e mais brilhantes economistas tradicionais,
lamentavelmente insuficientes para a tarefa: substituir os vários
milhões de milhões
(trillions)
de dólares equivalentes à redução de gastos pela
economia privada, bem como pelos governos estaduais e locais. O fato de que o
governo americano não vai fazer o que deveria ter sido feito no final da
Grande Recessão não surpreenderá leitores que compreendem
a razão pela qual a Grande Depressão não acabou
até que os gastos "epoch-making" da Segunda Guerra Mundial
fizessem o trabalho. Interesses privados em busca do lucro sempre se
atravessavam no caminho. E, infelizmente, o pacote americano de
estímulos não é muito maior que o da União
Européia e do Japão.
A economia americana enfrenta inevitavelmente um longo período de
crescimento anêmico e alto desemprego. Não há nenhuma fonte
de procura que possa crescer o suficiente para sobrepujar os inúmeros
fatores que reprimem esta procura. Não é claro o quê, se
é que existe, pode substituir o enorme crescimento da dívida, a
especulação e as bolhas que impulsionam a economia já
há anos. Tempos difíceis vieram, e tempos difíceis
estão por vir. Certamente, os governos, aqui e em todos os lugares,
fizeram e continuarão fazendo coisas que estimulem algum crescimento e
aliviem a miséria de alguns. E pode ser que se desenvolva uma nova
bolha, talvez com base em algum tipo de "reflorescimento" do
capitalismo, estimulado por grandes gastos governamentais. Então o
processo começará de novo, com conseqüências
desconhecidas. A esse respeito, é profundamente perturbador observar
que a política econômica parece ser subserviente aos mesmos
interesses financeiros que nos trouxeram a este estado lamentável, em
primeiro lugar. O governo federal não parece disposto a pisar muito
forte nos pés das finanças, e recheou quase todos os seus
programas com incentivos monetários significativos aos grandes bancos e
outras companhias financeiras. Estamos ou dando a eles dinheiro diretamente, ou
fazendo empréstimos a taxas de juros de balcão de
liquidação, mas não lhes fazemos qualquer exigência
para que modifiquem seu comportamento. A idéia parece ser trazer o
sistema financeiro de volta à sua estrutura pré-crise. Se isso
não é uma receita para um futuro desastroso repetindo o que
está acontecendo agora, não sabemos o que é.
Mas façamos uma pergunta importante. O que queremos é andar na
montanha-russa que é o capitalismo? Suponhamos que, em alguns anos, de
alguma forma as coisas voltem "ao normal", com o PIB crescendo entre
2,5 e 3%, com o desemprego oficial entre 4 e 5%, com salários crescendo
somente o necessário para compensar a inflação. Suponhamos
ainda que tenhamos um melhor sistema de saúde que agora. E daí? A
"saúde" da economia americana depende hoje da
exploração crescente do trabalho, supostamente compensada por um
consumo privado constantemente crescente. Quais seriam as
conseqüências disso? Jornadas de trabalho mais longas e penosas
teriam comprometido a saúde e a qualidade de vida dos trabalhadores,
reduzindo suas melhores horas a servidão sem sentido. O aumento do
consumo de mais "coisas" insignificantes poluiu nosso planeta; lotou
nossas casas com lixo que nunca usamos; induziu-nos a pensar que precisamos de
casas cada vez maiores, o que por sua vez nos compele para os subúrbios
e exúrbios, desperdiçando energia e água, criando vastas
extensões de feio progresso, e destruindo grande parte do nosso habitat
natural. O consumo individual, baseado na riqueza (poder de compra), aumenta o
poder político do comércio que beneficia a maioria de um sistema
baseado no lucro privado, colocando sempre, desta forma, as necessidades
coletivas em segundo lugar. A necessidade de um consumo privado continuamente
crescente também encoraja esforços de vendas muito maiores, para
nos convencer a continuar comprando e manter os lucros fluindo e a roda da
economia girando. A propaganda e os produtos que ela promove devem ser sempre
"novos" e "aperfeiçoados", para nos incitar a
comprar, mesmo que na realidade isso signifique que bens e serviços
devam ficar obsoletos com maior rapidez ainda, ou pelo menos percebidos assim.
O sistema inteiro se torna um sistema que fabrica coisas, joga-as fora, e faz
novas. Desperdício criando desperdício, que cria ainda mais
desperdício
Nao é possível que o aumento constante dos níveis de
consumo nos faça felizes. A lógica do sistema é que
devemos estar perpetuamente insatisfeitos, sempre querendo mais. Num sistema
que garante considerável desigualdade, estamos condenados a invejar o
consumo dos que são mais ricos que nós. Mas cada vez que pensamos
que atingimos um nível mais alto de consumo vemos que ainda há
muitas pessoas mais ricas acima de nós. E, se os que estão abaixo
nos alcançam, temos que consumir mais para ficar na frente. Poderia ser
argumentado que uma sociedade baseada no consumo seria mais aceitável se
houvesse uma igualdade aproximada para o poder de compra. Mas este é
e não pode ser o caso: a acumulação do
capital não o permitirá. Não estamos e não podemos
estar nos "arrastando para a utopia", para usar uma frase inapta do
economista J.Bradford DeLong em referência à utopia onde
uma maioria mundial de "classe média" de felizes consumidores
compram televisores de tela grande e lindos automóveis. E DeLong imagina
que o mundo poderia ecologicamente suportar milhares de milhões de seres
humanos consumindo no mesmo ritmo dos domicílios de classe-média
americanos? Estima-se que seriam necessários os recursos de quatro
mundos como o nosso para atender ao equivalente modesto do padrão de
consumo americano da classe média para todos os 6,5 mil milhões
de pessoas no planeta. Agora, certamente não estamos afirmando que todo
mundo devesse ser pobre, ou que aqueles que atualmente estão na base da
pirâmide não necessitem um nível adequado de consumo,
especialmente alimentação, vestimenta e abrigo. Mas estamos
dizendo que a chamada cultura do consumo que caracteriza os Estados Unidos e
alguns outros países ricos não é um modelo que deva ser
defendido, e nem é ecologicamente sustentável.
Pelo quê vale a pena lutar? Talvez esta severa recessão tenha nos
oferecido a oportunidade de perguntar isso. Esta crise revelou as raízes
podres de nossa economia, e colocou em questão as políticas
neoliberais e a ideologia que aprofundou a podridão. Não podemos
nos sustentar com doses cada vez maiores de dívida em
proporção à economia de base. Não podemos ser
felizes num mundo crescentemente inseguro. Como pagaremos as dívidas?
Onde acharemos emprego seguro e decente? Como vamos lidar com os problemas de
saúde? Como sobreviveremos na velhice? Nosso ar, nossa água e
nosso suprimento de alimento continuarão a ser envenenados? Não
podemos ser felizes num mundo no qual os frutos do trabalho humano são
distribuídos de maneira obscenamente desigual. A desigualdade por si
mesma causa uma multidão de problemas, desde menores expectativas de
vida até, indo ladeira abaixo, mais pessoas na prisão, e eleva o
nível de insegurança. A ira do pobre e o medo do rico são
os legados do crescente abismo entre eles.
Finalmente, e isso é da maior importância, não podemos
estar felizes com a natureza do trabalho que a maioria de nós é
obrigado a fazer. Milhões de nós estão desempregados, e
isso é uma coisa ruim. Mas para os que estão trabalhando o stress
está aumentando, na medida em que menos pessoas estão sendo
forçadas a trabalhar mais, e o emprego se torna mais precário. Os
empregadores usam períodos como esse para descobrir maneiras de reduzir
permanentemente o tamanho da força de trabalho, exercendo constantemente
mais pressão para que o trabalho seja acelerado, e então cortando
tantos benefícios quanto possível. Não há
possibilidade de que a maioria das pessoas possa realizar trabalho
significativo num sistema desse. O trabalho é apenas um custo de
produção, a ser minimizado da mesma maneira que um componente de
equipamento, ou combustível. O que isso significa quando "A
única coisa pior que estar empregado é estar desempregado"?.
Parece-nos que há muitas coisas pelas quais vale a pena lutar. Aqui
está uma lista, para iniciarmos. Os leitores, sem dúvida,
pensarão em outras.
Alimentação adequada para todos.
Por cinquenta anos, Cuba forneceu uma cesta básica para cada pessoa.
Imagine o que uma nação rica como os Estados Unidos podem fazer
por aqui. A produção de alimentos, e sua
distribuição, deveriam ser estudados com foco em produzir todo o
alimento de forma tão ecológica (talvez organicamente) quanto
possível, garantindo que qualquer pessoa ingira uma dieta
saudável e variada.
Moradia decente.
Como argumentamos acima, moradias atrativas e relativamente baratas poderiam
ser construídas por uma empresa pública, e os trabalhadores
poderiam, além disso, ser treinados para construir e manter casas.
Eficiência energética poderia ser agregada não somente no
projeto das casas mas também no desenho urbano e dos espaços
públicos. Prédios existentes poderiam ser reabilitados, e, caso
tivessem que ser demolidos, todo o material possível deveria ser
aproveitado. Imaginem quantas moradias poderiam ser construídas e
recuperadas, com o mesmo dinheiro que o governo deu à notória
companhia AIG.
Sistema de saúde universal.
O sistema de saúde nos Estados Unidos é uma desgraça
esbanjador, custoso e distribuído de forma extremamente desigual.
A saúde humana não pode estar sujeita ao lucro sem
conseqüências catastróficas, como qualquer um que esteja
doente e não tenha dinheiro sabe.
Empregabilidade total/bons empregos.
O trabalho é um empreendimento humano necessário e essencial.
É a maneira de transformarmos o mundo, e o modo fundamental pelo qual
usamos nossa capacidade de pensar e fazer. Portanto, emprego que encoraje o uso
pleno de nossas capacidades deveria ser um direito. O próprio governo
deve criar o máximo de emprego socialmente útil possível
para atingir esse objetivo. Bons trabalhos são aqueles em que as horas
de trabalho são curtas o suficiente para permitir aos trabalhadores
tempo bastante para lazer significativo. Um dia de trabalho e uma semana mais
curtos deveriam ser os benefícios agregados ao se criar mais empregos.
Educação de qualidade para todos.
A educação nos Estados Unidos se equipara à saúde
pública, em termos de inadequação. Uma boa
instrução não pode ser baseada em princípios
tão fúteis quanto a lei que foi chamada cinicamente de
"Nenhuma Criança Deixada para Trás". A
educação deve ser construída a partir das
experiências superficiais dos alunos, na direção de
idéias cada vez mais complexas e abstratas. Criatividade, pensamento
independente e corpos saudáveis devem prioridade em
construções e instalações que sejam
propícias à aprendizagem.
Rendimento adequado na terceira idade.
O atual sistema de Segurança Social é talvez o empreendimento
mais bem gerido do governo federal. É um sistema universal que fornece
recursos essenciais aposentadoria, auxílio-invalidez, cuidados
com a saúde, pensões para dependentes menores a dezenas de
milhões de pessoas. É um sistema que pode e deve ser muito mais
generoso, com menos dependência de impostos regressivos sobre os
salários.
Transportes públicos incentivados. Deveriam ser providas todas as
maneiras possíveis de transporte público eficiente, com pouca
procura de energia, barato e de alta velocidade.
Um compromisso com o desenvolvimento sustentável.
O que quer que aumente a poluição da água, terra e ar deve
ser rejeitado. O que quer que eleve a temperatura da terra deve ser rejeitado
[1]
. Devemos parar de pensar em nossos recursos naturais como propriedade privada,
a ser interminavelmente poluída e explorada, e começar a pensar
nelas como uma riqueza de todos nós. Devemos fazer uso mais intenso de
fontes renováveis, e planos para reduzir o uso das fontes
não-renováveis.
Tributação progressiva.
Vimos, nesta grande recessão, que fomos roubados e enganados por uma
micro-minoria de gente muito rica. Esses ladrões não contribuem
em nada com o bem estar social, e de fato se afastaram enormemente dele. O
rendimento dos muito ricos deveria ser punitivamente tributado, e o sistema de
impostos
deveria ter de novo um alto nível de progressividade. Toda e qualquer
atividade que vise meramente ao ganho de curto prazo e socialmente improdutivo
deve ser altamente tributada.
Um governo não-imperialista.
Há todas as razões para acreditar que as operações
militares externas dos Estados Unidos são extraordinariamente danosas,
tanto para as pessoas no resto do mundo como para os próprios
americanos. Devemos exigir a paz, e acabar com a violência de estado.
Ponto.
Comércio amigável do ponto de vista trabalhista e ambiental.
O comércio entre as nações e o deslocamento de pessoas de
um país a outro pode ser uma coisa maravilhosa. Todavia, para ser assim,
as relações econômicas entre as nações devem
se basear no fato de que os seres humanos e a Mãe Terra são o
fundamento de toda produção e troca. A preocupação
com ambos deve estar no centro de todas as relações
econômicas, dentro nas nações e fora delas.
Esses objetivos podem ser atingidos no atual sistema econômico? Talvez
alguns sim, de modo limitado, mas a maioria deles claramente não. O
sistema simplesmente não permitiria. Os pragmáticos dizem que
essas coisas são utópicas, que temos que trabalhar dentro do
sistema e conseguir o que pudermos, gradativamente, passo a passo. Parece-nos,
entretanto, que essa abordagem "pragmática" é que
é utópica. Temos que nos apegar aos nossos princípios,
chova ou faça sol. Somente se o fizermos, podemos manter esse sistema
econômico sob julgamento, desafiando-o a fazer o que seus apologistas
dizem que ele faz. Podemos até conseguir algumas migalhas dos que
controlam a política econômica, pelo menos para nos submeter e
pacificar. Mas, se continuarmos firmemente a exigir o que deveria ser nosso por
direito, por virtude ou pelo simples fato de sermos seres humanos, empurraremos
o sistema para uma crise de legitimidade. Então, na medida em que as
pessoas começarem a ver que esse sistema nunca poderá
proporcionar o que nos é necessário para realizar nossa
capacidade e saborear nossas vidas e não pode funcionar sem
causar degradação ambiental severa começarão
a considerar e a pôr em prática mecanismos alternativos de
produção e distribuição, aqueles que são
controlados democraticamente e têm como objetivo atingir o máximo
de felicidade humana
[2]
. Nossa economia e nossa sociedade poderiam ter propósitos que
não o ganho privado, mas sim servir às necessidades das pessoas
porque pertencem realmente às pessoas. Isso pode ser conseguido
atendendo (diretamente, se necessário) às necessidades vitais de
todos, protegendo ao mesmo tempo os sistemas de suporte da vida na Terra. O
povo decidindo democraticamente a direção e os pormenores da
economia a produção, assim como o consumo, com o
propósito de atender às necessidades humanas. Por outras
palavras, o socialismo.
Notas de resistir.info:
[1] Os autores aparentemente continuam convencidos da falácia do
aquecimento global, apesar das evidências empíricas em
contrário. Note-se que o artigo é anterior ao escândalo dos
pseudo-cientistas ao serviço do IPCC que trapaceavam estatísticas
a fim de "provar" a existência do dito aquecimento global.
[2] Parece perigosamente utópica a insinuação de que o
socialismo poderia nascer gradualmente no bojo do modo de
produção capitalista, dispensando portanto a necessidade da
ruptura.
[*]
Fredd Magdoff: Da Universidade de Vermont, diretor da Monthly Review
Foundation, tem escrito sobre política
econômica e questões agrícolas. Recentemente escreveu (com
John Bellamy Foster)
The Great Financial Crisis
.
[**] Michael D. Yates: Editor associado da
Monthly Review,
diretor editorial da Monthly Review Press, autor de
Why Unions Matter
e
Cheap Motels And a Hot Plate
.
O original encontra-se em
http://monthlyreview.org/091109magdoff-yates.php
. Tradução de RMP.
Este artigo encontra-se em
http://resistir.info/
.
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