"Enfrentemos juntos o pesadelo da guerra civil"
por PCL
Mais uma vez o Líbano vive o pesadelo de uma eventual guerra civil que
ameaça sobretudo os cidadãos, os jovens e os pobres, que pagariam
o preço do seu sangue, do seu futuro e da entidade do seu país.
Uma vez mais o regime político reproduz as circunstâncias da
guerra civil que transforma o Líbano em país aberto aos projectos
externos, tanto internacionais como locais, em particular o projecto
estadunidense que visa, hoje, o esmigalhamento da região árabe em
entidades confessionais e étnicas, com o objectivo de liquidar todos os
efeitos do conflito árabe-israelense e de por os povos árabes
face a conflitos intestinos que colocariam as riquezas que as suas terras
abrigam sob o domínio completo dos Estados Unidos.
Nesta conjuntura, os apelos à sabedoria e à
ponderação lançados pela classe política não
são suficientes. Porque aqueles que devem agir razoavelmente não
são os jovens que desceram às ruas de Beirute e outras
localidades libanesas e sim os líderes políticos e confessionais
que transformaram estes jovens em instrumentos das suas ambições
que, para assim fazer, mobilizaram os instintos confessionais a tal ponto que
foi quase impossível travá-los.
Nosso apelo à sabedoria visa sobretudo o governo, que deve demitir-se
imediatamente a fim de abrir o caminho a uma solução real para a
crise que vive o país.
Nosso apelo visa o primeiro-ministro e aquilo que resta do seu governo,
crê poder aproveitar a ajuda externa contra o seu povo. E isto
não é uma acusação vazia, pois o discurso da
senhora Condoleeza Rice, ontem, quinta-feira, durante a terceira
conferência de Paris, é uma prova tangível e confirma o
facto de que este governo é o principal responsável do impasse no
qual se encontra o país e em todos os planos.
No mesmo contexto, os diferentes partidos da oposição não
estão isentos da sua quota de responsabilidade, porque não
souberam, até à data, redigir um verdadeiro programa de reforma
democrática que teria podido, por si só, encontrar a
solução adequada para a crise original do Líbano. E
não basta aliviar momentaneamente tal ausência por uma escalada
nas formas de acção utilizadas, porque isto não faz
senão dar álibis ao governo nas suas tentativas
partidárias e confessionais.
O Partido Comunista Libanês lança um apelo urgente a todos os
libaneses de todas as regiões e de todas as confissões, os
jovens, os operários, os camponeses, os funcionários e os
intelectuais.
Conclama-os a unificarem-se em torno dos seus interesses patrióticos e
sócio-económicos, contra as tentativas de partição
em bases confessionais.
Conclama-os a enfrentar os objectivos do regime confessional de classe que
ameaça a unidade do nosso país e que tenta sacrificar-nos, uma
vez mais, no altar das tutelas estrangeiras.
Conclama-os a enfrentar os projectos concretos que visam o seu empobrecimento,
o aumento da dívida pública e da corrupção, a um
novo movimento de emigração dos jovens, mas também a
esvaziar todas as conquistas sociais que o seu movimento reivindicativo
já realizou.
Conclama-os, cada um na oposição que ocupa, a fazer
pressão a fim de que o governo actual demita-se e ceda o lugar a um
governo provisório que teria as prerrogativas mais amplas permitindo-lhe
supervisionar novas eleições legislativas, na base de uma nova
lei eleitoral adoptando a proporcionalidade sem quotas confessionais. Isto
colocaria os fundamentos de um Estado que exprimisse os interesses de todo o
povo libanês e faria do Líbano o ponto de partida de um projecto
árabe progressista e democrático.
Nosso partido conclama os jovens do Líbano, os operários e os
quadros, os intelectuais e os artistas, a participar em todas as
espécies de actividades que façam pressão sobre o governo
de Fuad Saniura, ou o que dele resta, a fim de pressionar a partir, mas
também sobre certos partidos da oposição a fim de os
pressionar a corrigir sua trajectória, tanto no sentido da
resistência aos efeitos do projecto americano no Líbano e na
região como naquele da elaboração de um programa de
reforma democrática, o único capaz de salvaguardar o povo
libanês da crise que o bloqueia e dos perigos que o ameaçam.
A Comissão Política do Partido Comunista Libanês
Beirute, 26/Janeiro/2007
O original encontra-se em
http://www.aloufok.net/article.php3?id_article=3650
Este documento encontra-se em
http://resistir.info/
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