por
La Jornada,
Editorial
No 67º aniversário da nacionalização do
petróleo há um coro que exige a participação do
capital privado na Petróleos Mexicanos (Pemex) naqueles sectores que
mais valor acrescentado produzem. Isso no momento em que o petróleo
é cada vez mais caro e produzi-lo é um negócio para o
Estado, pois um barril custa cerca de três dólares e é
vendido a quase 40, e porque dos impostos da Pemex sai o financiamento de um
terço do orçamento nacional. Qual companhia petroleira pagaria
ao Estado, a título de impostos, 75 por cento dos seus rendimentos
totais, 110 por cento dos seus lucros antes de impostos? Privatiza-la
equivaleria a provocar a derrubada do Estado nacional: manter a
ficção da estatização da companhia, mas conceder
aos capitais privados os sectores produtivos, seria dar-lhes o controle real do
petróleo mexicano e da economia nacional, atentando contra a
independência do país.
A Pemex é a companhia petroleira mais endividada do mundo. Isso se deve
ao saqueio que sofreu durante os governos do PRI e durante o governo actual
que, com suas exportações desmedidas impostas pelos Estados
Unidos, em quatro anos reduziu à metade as reservas provadas, as quais,
se se mantiver o nível de produção actual, durariam agora
apenas 11 anos. A Pemex também foi depredada pela
corrupção dos seus dirigentes passados, aliados a uma
direcção sindical do PRI, a de Carlos Romero Deschamps, que
é das mais corruptas do aparelho da Confederación de Trabajadores
de México. Seja dito de passagem, o presidente Fox que em certo momento
declarou querer encarcerar esse líder, acaba de aliar-se a ele para
abrir "com discreção e audácia", segundo
palavras do líder petroleiro, novos caminhos para a
intervenção dos capitais transnacionais na Pemex.
A companhia estatal, que é vital para o México, poderia ser
saneada e salva se o governo deixasse de ordenhá-la e promovesse, em
troca, o desenvolvimento industrial que as políticas neoliberais
condenam, assim como a cobrança dos impostos ao nível dos demais
países da Organização para a Cooperação e o
Desenvolvimento Económico, que os grandes capitais não pagam.
Pode-se eliminar as dívidas com transparência nas compras e nos
investimentos, e ao deixar de exportar sobretudo o bruto podem salvar-se
milhares de milhões mediante a democratização da empresa e
do sindicato, e a condenação dos corruptos que são em
simultâneo grosseiros, parlamentares do PRI e aliados do governo do
Partido Acción Nacional. Com os preços do petróleo em
ascenso e diante do papel estratégico deste recurso nacional, a Pemex
mais do que nunca deve ser estatal e deve funcionar sem reforçar a
corrupção e a anti-democracia e sim de forma plenamente
democrática.
19/Mar/05
O original encontra-se em
http://www.jornada.unam.mx/2005/mar05/050319/edito.php
Este artigo encontra-se em
http://resistir.info/
.