Camp Bucca: A baía de Guantanamo iraquiana
por David Enders
Pode ser difícil imaginar um lugar onde pessoas encarceradas pelo
Exército norte-americano tenham menos direitos que na Baía de
Guantanamo.
Bem-vindos ao Iraque.
Passa pouco das 4 da madrugada e centenas de iraquianos fazem fila para visitar
os seus parentes à entrada de Camp Bucca, que em Agosto mantinha cerca
de 18 mil prisioneiros. Perto da fronteira com o Kuwait, Bucca brilha
intermitentemente nas horas antes da madrugada do deserto sul-iraquiano, um
farol de luz num país onde a electricidade funciona não mais que
doze horas por dia. É o maior centro de detenção
norte-americano no Iraque. O número oficial total de prisioneiros sob
custódia do exército norte-americano no Iraque tem flutuado entre
um mínimo de 7.200 e mais de 26 mil desde 2005.
Os três hotéis em Zubair, uma das cidades mais próximas de
Bucca, estão sempre cheios. "Não temos turismo aqui",
diz Jabbar Mubarak, recepcionista no Torre de Babil, o maior hotel de Zubair.
"Toda a gente que vem para o nosso hotel, vem para visitar os seus
filhos". A entrada está cheia de famílias, algumas das
quais guiaram mais de dez horas para aqui chegar. Apesar das grandes ofensivas
do ano passado contra o exército Mahdi, a maior milícia xiita,
cerca de 80 por cento daqueles que estão sob custódia aqui
são sunitas e provêm do centro e norte do país.
Uma das maiores queixas é que a maioria dos detidos não foram
acusados de qualquer crime. "Porque é que as forças
americanas não o acusam se ele fez algo? Aí pelo menos
saberíamos quanto tempo ele ficaria aqui", diz Hadia Khalaf, cujo
filho Qusay foi preso em Setembro de 2007. "Ele era o nosso
sustento", diz, reflectindo a situação apertada de muitas
famílias que dependem de família mais afastada e de caridade para
sobreviver.
Desde 2003 aproximadamente 96 mil iraquianos foram oficialmente detidos pelo
exército norte-americano, com outros 100 mil a terem sido detidos
temporariamente mas nunca tendo sido enviados para uma estrutura de
detenção oficial como Bucca. A outra estrutura a este
nível actualmente em funcionamento é Camp Cropper no Aeroporto de
Bagdad, que serve como sistema de processamento de entrada e de saída e
que mantém cerca de 3.000 detidos, incluindo aproximadamente 300 menores.
A base legal para as detenções deriva de uma única linha
de uma resolução do Conselho de Segurança das
Nações Unidas de 2004, que tem sido renovada todos os anos por
acordo entre os governos dos EUA e do Iraque. Esta resolução, que
justifica legalmente a ocupação militar continuada pelos EUA,
permite "internamento onde este seja necessário por razões
de segurança imperativas".
O primeiro-ministro iraquiano Nuri Kamal al-Maliki e a secretária de
Estado norte-americana Condoleezza Rice estão a negociar um acordo de
estatuto de forças entre os dois governos que esperam concluir
até ao final do ano, quando o actual mandato das Nações
Unidas expira. Um dos assuntos chave são as detenções,
parte de uma alargada área de desacordo entre os dois governos acerca
dos direitos das tropas norte-americanas de operar unilateralmente no Iraque. O
governo iraquiano exige que os militares norte-americanos não possam
mais deter cidadãos iraquianos sem a sua aprovação. O
Departamento de Estado e a Casa Branca têm estado em geral silenciosos
acerca das discussões, enquanto o gabinete de Maliki tem deixado escapar
regularmente partes do acordo e dito que os pontos finais para que este seja
alcançado dependem da continuação ou não da
imunidade dos militares norte-americanos à acusação sob a
lei iraquiana e da necessidade destes militares de coordenar e receber
aprovação do governo iraquiano antes de lançar
operações.
Quanto às detenções Joseph Logan, pesquisador da
secção do Médio Oriente e Norte de África da Human
Rights Watch crê que a amnistia poderia ser a resposta. "Se
não existem provas para transferir alguém para o sistema
iraquiano, é provavelmente um caso que exige considerar a
libertação imediata," diz Logan. "Parece que eles
têm acelerado os processos de clarificação das
acusações, o que é digno de louvor. Mas isso não
lida com o problema legal subjacente que estas pessoas não podem
contestar a sua detenção e que não têm
aconselhamento".
O que constitui uma ameaça "imperativa" à
segurança é deixado nas mãos daqueles responsáveis
pela revisão dos casos dos detidos. "A ideia é não
atar as mãos das tropas no terreno" afirma o Capitão Dylan
Imperato, advogado militar em Cropper. Logan crê que a
definição é propositadamente vaga. "Os EUA exigem por
um lado poderes alargados de detenção e por outro vão
afirmando que esta não é uma guerra de
ocupação", afirma. "Não podem ter as duas
coisas. Se querem ter poderes irrestritos de detenção, têm
de ocupar o país de novo" isto é reverter o estatuto
legal àquele anterior à resolução de 2004 das
Nações Unidas.
Antes de serem enviados para Cropper, ocorre um processo inicial dos casos de
cada um dos detidos, mas estes não são autorizados a estar
presentes. Os processos são conduzidos por um painel de três
oficiais militares norte-americanos. Os detidos são autorizados a estar
presentes em procedimentos processuais posteriores, mas em altura alguma
têm acesso a um advogado.
"Para condenar num tribunal criminal seria necessário um
nível muito mais elevado do que aquele necessário para determinar
se o detido constitui um ameaça imperativa à
segurança," diz Imperato. "Nós não limitamos (os
painéis processuais) de nenhum modo sério. Damos-lhes margem de
manobra para que cheguem a essa determinação". Imperato diz
ainda que existem várias considerações para determinar se
um detido será mantido mais seis meses ou para que seja recomendada a
sua libertação. "Não estamos a determinar culpa ou
inocência, e não estamos a olhar especificamente para a conduta
que fez com que fossem detidos em primeira lugar. Estamos a tentar descobrir
quais são os seus planos para quando saírem", diz. "Ele
tem alguma coisa para a qual voltar? Uma família, um trabalho? Algo que
o deixasse menos susceptível à Al Qaeda ou qualquer outro
grupo?"
A detenção pode ser estendida indefinidamente. De acordo com um
porta-voz militar, cerca de 10 por cento dos detidos estão nessa
situação desde 2005 ou antes, 20 por cento desde 2006, 50 por
cento desde 2007 e 20 por cento foram detidos este ano. Os números
estão a cair, com uma média de quarenta e cinco detidos a serem
libertados e trinta a entrarem no sistema diariamente.
As operações de detenção têm sido uma estrada
turbulenta. Tortura e abusos em Abu Ghraib em 2003 e 2004 receberam a maior
cobertura, mas milhares de prisioneiros vivendo em tendas húmidas no
exterior da estrutura "sólida" da prisão queixaram-se
de falta de cuidados médicos, tratamento indiferente e hostil dos
guardas, alimentação não comestível e
exposição a fenómenos meteorológicos extremos,
incluindo cheias. As tropas norte-americanas admitiram inclusivamente na altura
que acreditavam que mais de 80 por cento dos detidos eram inocentes das
acusações. Iraquianos recentemente libertados, assim como
oficiais iraquianos, dizem que esta estatística é provavelmente
verdadeira.
A tortura também continuou após 2004. Numa visita a Abu Ghraib em
Março de 2005 (foi no entanto fechada), vi um detido que havia sido
amarrado a uma cadeira e deixado à chuva. Após ler o livro do
antigo interrogador Tony Lagouranis,
Fear Up Harsh,
é que descobri que esta era uma táctica destinada a induzir a
hipotermia. Na altura os guardas haviam dito que o prisioneiro tinha sido
imobilizado por que se recusara a parar de atirar fezes aos seus captores.
O sistema já evoluiu bastante. Em geral, os prisioneiros libertados com
quem falei dizem que a comida era boa e que o tratamento era bastante melhor do
que seria de esperar numa prisão gerida pelo governo iraquiano. Nenhum
dos prisioneiros que entrevistei falou dos programas vocacionais com a estima
que os porta-vozes norte-americanos o fazem, mas afirmaram que alguns destes
estavam disponíveis. Nenhum se queixou de maus-tratos durante as
detenções ou interrogatórios uma vez em Cropper ou Bucca,
embora alguns tenham dito que foram espancados e interrogados violentamente
antes de serem introduzidos no sistema oficial de detenção.
"Nos três primeiros dias não me deram comida", diz Samir
Mohamed, que foi preso em 2007 enquanto guiava entre Damasco e Bagdad. Diz que
foi vendado durante três dias enquanto era interrogado e espancado.
"Apagaram cigarros no meu corpo", afirma. Um soldado norte-americano
com quem falei, que me pediu anonimato, disse que a CIA mantinha (pelo menos
até meio de 2007) campos secretos de detenção em Camp
Anaconda, perto de Balad. Não pude obter confirmação
independente desta afirmação.
Alguns detidos, incluindo um que acredita ter sido preso por forças
especiais norte-americanas, disseram que esperaram mais de duas semanas antes
de serem introduzidos no sistema de detenção, uma
violação das regras militares. E Mohamed, o detido que afirma ter
sido espancado, diz que ficou sem audição de um dos ouvidos
durante oito meses, antes de ter sido subitamente libertado.
Mas se o tratamento antes do encarceramento parece ser na generalidade melhor
que no passado, a informação que põem os iraquianos no
sistema não parece sê-lo. "Estava a trabalhar como guarda
numa bomba de gasolina", diz Jassim, que foi preso em Agosto de 2007,
durante a insurgência em Bagdad. "Éramos oito a trabalhar
como guardas e eles alinharam-nos e disseram: Levamos os primeiros
quatro". Os militares norte-americanos admitem que a insurgência
levou a um aumento das detenções, como resultado do aumento dos
raids, o que pôs sob stress um sistema já sobrelotado. Admitem
ainda que existem relatórios de detenções
arbitrárias.
O número de tropas e contratados destacados para as
operações de detenção cresceu consideravelmente e
os totais actualmente são de aproximadamente 10 mil homens, de acordo
com um porta-voz. O aumento de mão-de-obra permitiu que os casos
passassem a ser revistos a cada seis meses, e o exército diz que a
duração média de detenção é de 330
dias. Não obstante, representantes norte-americanos admitiram
recentemente que os insurgentes encarcerados têm feito funcionar os seus
próprios tribunais no interior das prisões. Os prisioneiros dizem
que a situação dentro das prisões pode ir de aborrecida a
perigosa e os militares vieram afirmar que os insurgentes não aplicam
mais a sua justiça.
Da primeira vez que Abu Wissam de 58 anos foi preso pelos militares
norte-americanos foi numa ronda em Dezembro de 2003. Foi preso novamente em
Setembro de 2007. Passou a maior parte da sua segunda detenção no
Campo 26 de Camp Bucca, que é conhecido como um campo de takfiri, uma
vez que os takfiris (extremistas sunitas que consideram que os xiitas
são heréticos e não-muçulmanos) foram autorizados a
geri-lo. "Por vezes queriam punir um prisioneiro," diz Abu Wissam.
"Punham alguém nesse campo e diziam aos takfiris: 'Este trabalhou
com a polícia.' Os takfiris odeiam qualquer um que trabalhe com o
governo iraquiano ou a Sahwa ou a polícia."
"As pessoas Sahwa tinham medo de dormir lá dentro", conta Abu
Wissam, referindo-se ao movimento de antigo resistentes sunitas que fizeram um
casamento de conveniência com os militares norte-americanos desde o fim
de 2006 para combater a Al Qaeda. Ele e outros prisioneiros que entrevistei
dizem que os interrogatórios se baseavam em questões
generalistas. Para Abu Wissam eram coisas como "Lutaste contra
Israel?" durante a guerra de 1973, aparentemente considerada uma
questão suspeita pelos interrogadores norte-americanos, mas cuja recusa
no exército iraquiano na altura daria azo à morte. Abu Wissam diz
que lhe foi dado um papel para assinar, admitindo a culpa de uma lista de
acusações que incluíam assassinato, ataque a tropas
norte-americanas, rapto e limpeza étnica sectária. Em Julho os
militares norte-americanos admitiram que os extremistas islâmicos geriam
tribunais dentro de Bucca há anos e que inclusivamente levavam a cabo
penas capitais.
Abu Wissam conta ainda que o campo takfiri recebia menos serviços que os
outros campos e que o tratamento médico era restringido segundo o
código de cor de cada campo vermelho quando havia
agitação, laranja quando as coisas estavam calmas. "Se
alguém estava doente, tínhamos de pôr a sua cama perto da
porta do campo e deixá-lo para que os soldados pudessem ver que estava
doente e necessitava tratamento médico." Abu Wissam diz que se
queixou deste tratamento, especialmente pelo facto de todos os prisioneiros
sofrerem devido às acções de alguns. "Perguntei ao
oficial norte-americano: 'Porque é que nos tratam a todos como
takfiris?; e ele respondeu: 'Vocês mataram os nossos amigos. Vocês
são todos takfiris'."
Se as transferências de prisioneiros sugerem punição
colectiva de prisioneiros, os processos gritam-no. As audições
processuais em Camp Cropper são feitas num reboque escassamente
mobilado. Uma bandeira iraquiana está pendurada na parede, sem
dúvida uma ironia involuntária. Os prisioneiros fazem um
juramento sobre o Corão à frente de três oficiais
norte-americanos, que lhes lêem a lista de acusações.
Numa audição a que assisti no início de Agosto, o
réu tinha sido preso com familiares após a descoberta nas
vizinhanças de um esconderijo de armas. Os militares acreditavam
seriamente que o pai do jovem era um insurgente, mas os oficiais pensavam que o
que era mais provável era que o acusado tivesse apenas tido o azar de
estar no local errado na altura. Independentemente, tinha sido suficiente para
mantê-lo detido por pelo menos quatro meses.
"Eu só quero voltar para a escola", disse o jovem aos oficiais
quando lhe foi dada a oportunidade de falar. "Já perdi o ano por
causa disto." "Ainda és jovem," respondeu um dos
oficiais. "Ainda tens tempo de recuperar".
Antes de ser dispensado, e apesar dos três oficiais terem dito que
acreditavam que o jovem não tinha nada que ver com as armas encontradas
perto da sua casa, ainda teve de ouvir um discurso que parece ser standard.
"É tua responsabilidade informares [acerca de actividades
suspeitas] o governo ou a polícia", disse um dos oficiais ao jovem.
Apesar do capitão Imperato ter insistido que o propósito das
audições não é a determinação da
culpa, em outra audição a que assisti os oficiais perguntaram aos
detidos se eles tinham sido responsáveis pelos alegados crimes e, numa
terceira audição, se o detido era membro do exército Mahdi
ou se conhecia alguém que o fosse.
"Não creio que exista uma lei que cubra aquilo que nós
estamos a tentar fazer aqui isto é, deter pessoas
indefinidamente. Têm havido actos terroristas através de toda a
História, por isso esta guerra nunca vai acabar", diz o almirante
na reserva John Hutson, um perito em direito militar. "Os 250 detidos em
Guantanamo podem ter direito a
habeas corpus,
mas os milhares de detidos noutros sítios não têm
quaisquer direitos. Creio que nos focámos como lasers em Guantanamo
porque é uma situação icónica e por que está
a 145 km da nossa costa. Mas não podemos fazer distinções
legais, diplomáticas ou morais baseadas na localização de
um detido. Temo-nos preocupado com Guantanamo, mas há mais prisioneiros
em outros locais. Quaisquer que sejam as regras que nós fazemos
têm de ser aplicadas com respeito a todos".
Mas uma discussão com a coronel na reserva Janis Karpinski, que foi a
primeira encarregada das operações de detenção no
Iraque indica que o sistema se manteve em muitos aspectos igual desde 2003.
(Era Karpinski, na altura general, a responsável pelo brigada de
polícia militar que dirigia Abu Ghraib quando as fotos de torturas foram
libertadas em 2004. Foi acusada de negligência dos seus deveres e
despromovida a coronel; Karpinski afirma que os abusos que ocorreram sob o seu
comando nominal foram cumpridos sob ordens de oficiais que respondiam a uma
outra cadeia de comando.) Os militares ainda tentam conciliar o direito
internacional com um conflito que o governo dos EUA de recusa a definir quer
como guerra quer como ocupação.
"Nunca houve uma situação, uma guerra,
construção de nação em lado algum, onde as unidades
de polícia militar fossem chamadas a dirigir os sistemas prisionais de
um país," diz Karpinski. "Porquê? Porque eles chamam as
forças das Nações Unidas uma vez que a área tenha
sido limpa".
Bucca esteve originalmente pronto para ser encerrado no fim de 2003, segundo
Karpinski, antes de o major general Geoffrey Miller e o seu estado-maior, que
era responsável pela instalação do X-Ray Camp em
Guantanamo, ter substituído Karpinski. Afirma que Miller lhe disse que
ia "guantanamizar" o sistema, ao que se seguiu a
transformação de Abu Ghraib e Cropper nos principais centros de
interrogatório.
"Bucca mantém esta maciça população de
iraquianos que foram arrebanhados aí e que são detidos de
segurança que não têm qualquer valor informativo. Quando se
determina que não têm valor informativo, são transferidos
para Bucca", afirma Karpinski.
Quando Miller visitou o Iraque em 2003, antecipando a sua entrada no sistema de
operações de detenção, Karpinski perguntou à
principal advogada deste, a tenente-coronel Diane Beaver, qual era a
política de libertações em Guantanamo. "Perguntei-lhe
especificamente acerca dos procedimentos de libertação em
Gitmo," diz Karpinski. "Pensando, ingenuamente, que poderíamos
aprender algo com os seus métodos. Beaver olhou para mim como se eu
fosse louca e disse arrogantemente, 'Libertá-los, senhora? Não
há nenhum plano para a libertação dos nossos prisioneiros.
A maioria deles, se não todos, passará cada dia do resto das suas
vidas em Gitmo.'"
À entrada de Bucca, enquanto o sol nasce, Ali, de 12 anos, lê a
carta que escreveu para o seu pai. "Querido Papá, como
estás? Espero que estejas bem. Sinto muito a tua falta e sinto a falta
dos teus abraços. Querido Papá, nós estamos todos bem,
graças a Deus! Rezo a Deus para que me dê a mim, à
Mamã e à minha irmã Nour a paciência para sobreviver
enquanto tu estiveres ausente. Pedi a Deus para te ajudar e a todos os outros
presos para que sejam libertados. Querido Papá podes confiar em Deus, e
depois em mim, para tomar conta da casa e da família. Choro todos os
dias, todos os dias pensando em ti. Choro porque és oprimido.
Peço a Deus que te liberte do teu sofrimento, Inshallah!"
À sua volta outras famílias, quase só mulheres, acenam
fotografias aos encarcerados. Uma mulher tem cinco filhos lá dentro;
outra tem um irmão que tem estado em prisões norte-americanas
desde 2004. Outra diz que é a sua décima segunda visita a Bucca.
Todas dizem que a viagem é uma despesa incomportável. Uma diz que
sem o seu marido para ajudar, é obrigada a mendigar. Outras queixam-se
que os seus filhos estão deprimidos e a reprovar na escola.
"A maior parte da visita passamo-la a chorar," diz Shaimaa Jumaa.
"Não é apenas porque os mantêm presos e não
sabemos de que é que são acusados. É porque estão
separados das suas famílias".
08/Outubro/2008
O original encontra-se em
http://www.pulitzercenter.org/openitem.cfm?id=1173
e em
http://www.uruknet.de/?p=m48022&hd=&size=1&l=e
. Tradução de João Camargo.
Este artigo encontra-se em
http://resistir.info/
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