Capacidades militares do Irão
por
Russia Today
O Irão desempenha um papel crítico no Golfo Pérsico e, com
a sua geografia estratégica, domina totalmente o Norte do golfo e o
Estreito de Ormuz. Mas será que tem recursos suficientes para bloquear e
reter aquela rota estratégica no caso de conflito militar?
Política de guerra assimétrica
O Irão é uma potência militar relativamente inferior em
comparação com os EUA e outros países NATO, mas tem a
capacidade de proporcionar grandes golpes que para forças convencionais
maiores são difíceis de conter.
O editor chefe da revista
Defesa Nacional,
Igor Korotchenko, acredita que a força militar do Irão
não é capaz de alcançar uma vitória contra os EUA
numa confrontação directa.
"No caso de um conflito militar global directo [com o Irão], os EUA
certamente assegurarão uma vitória", disse ele. "Mas a
questão é: a que custo?".
Devido a medidas assimétrica que o Irão pode por em
acção num conflito, o preço da vitória poderia ser
inaceitável para os EUA, disse Korotchenko.
"O Irão pode atacar bases e instalações militares
estado-unidenses na região", disse Korotchenko. "Eles podem
utilizar elementos do Hamas e do Hezbollah, bem como outros movimentos radicais
que estão prontos a apoiar o Irão. Podem desestabilizar a
situação no Iraque. Estas seriam medidas
assimétricas".
Tendo activos limitados em mãos, o Irão tem de desenvolver uma
estratégia de guerra assimétrica. Portanto a guerra do
Irão está orientada para a utilização do seu
armamento em modos não convencionais e para a
capitalização da geografia favorável do país.
A liderança do Irão adopta uma "doutrina do não
primeiro ataque" e portanto o Irão não tem lançado
guerras na historia moderna. A constituição iraniana
proíbe o estabelecimento de quaisquer bases militares estrangeiras no
país, mesmo para finalidades pacíficas.
A seguir à Revolução Islâmica de 1979, o Irão
dividiu as suas forças armadas nos componentes regular e
revolucionário. Isto significa que o Irão tem dois
exércitos activos: o Exército da República Islâmica
do Irão (exército regular) e o Exército dos Guardas da
Revolução Islâmica (Guardas Revolucionários, IRGC).
O IRGC é uma força de armas combinadas com as suas
próprias forças de terra, Marinha (IRGCN), Força
Aeroespacial (IRGC-AF), Inteligência e Forças Especiais.
Considerando que os militares regulares defendem as fronteiras do Irão e
mantêm a ordem interna, os Guardas Revolucionários são
destinados a proteger o sistema islâmico do país. Ambas as
forças operam em paralelo e partilham instalações
militares, mas o IRGC tem um estatuto mais elevado e uma preferência na
recepção de material moderno.
A estratégia assimétrica demonstrou-se eficiente durante a Guerra
Irão-Iraque (1980-1988). O Irão efectuou operações
bate-e-foge com êxito utilizando grupos de pequenos botes contra navios
que passavam através do Estreito de Ormuz. Combinada com a vasta
colocação de minas no estreito, as tácticas de guerrilha
permitiram ao Irão afundar mais de 500 navios durante a guerra. Contudo,
numa confrontação directa com uma frota estado-unidense depois de
uma mina iraniana ter danificado uma fragata dos EUA, a Marinha iraniana foi
esmagada.
Hoje a IRGCN opera mais de 1500 pequenos botes, os quais podem ser facilmente
escondidos na zona costeira e não precisam de um grande porto para serem
abastecidos. A maior parte destes botes pode estar ou já está
equipada com mísseis de alcance curto e com minas. Um ataque inesperado
de um grupo destes botes pode deitar abaixo quase qualquer navio que ouse
entrar em águas iranianas.
As forças do Irão são cobertas por uma rede vasta de
mísseis anti-navios baseados na costa e por sistemas de defesa
aérea. Sendo bastante vulnerável a uma campanha aérea
séria, o Irão descentralizou sua estrutura de comando, melhorando
portanto a resiliência das suas forças após um ataque
inicial.
Eficiência inferior em batalha?
O Irão tende a manter o seu equipamento militar em boas
condições, pronto para ser utilizado onde e quando
necessário. Isto foi confirmado durante exercícios navais
regulares do Irão. Em muitos casos o Irão utilizou ensaios para
testar seus novos armamentos, tais como o novo míssil balístico
de médio alcance Chadr. O êxito deste último em testes de
lançamento dia 3 de Janeiro fez o chefe da Marinha iraniana, almirante
Habibollah Sayyari, declarar que a partir dali o Estreito de Ormuz estaria
completamente sob o controle do Irão.
O Ghadr-110 é um míssil balístico de médio alcance
concebido, desenvolvido e fabricado totalmente no Irão. É uma
versão melhorada do míssil Shahab-3 com a manobrabilidade mais
alta e um tempo de preparação mais curto, de apenas 30 minutos. O
míssil tem um alcance de cerca de 2.100 quilómetros. Ele foi
lançado em teste com êxito durante os últimos
exercícios militares Velayat-90 entre 24/Dezembro/2011 e 03/Janeiro/2012.
O objectivo dos exercícios navais do Irão é não
apenas flexionar seus músculos frente ao mundo mas também
melhorar seu treino e proficiência militar e afinar a estratégia
de conduzir operações dentro das suas águas territoriais.
Os militares do Irão têm uma quantidade significativa de hardware
militar produzindo pelo ocidente, alguns com mais de 30 anos de idade, o qual
é difícil fazer manutenção sob o embargo. A frota
do Irão consiste de navios de concepção estado-unidense,
francesa e britânica. Os três maiores submarinos do Irão,
os quais foram fornecidos pela Rússia, têm mais de 15 anos e
não há relatos de quaisquer grandes revisões de
manutenção efecuadas. A base da sua força aérea
é constituída por jactos MiG-29 e SU-24 russos, e F-6 e J-7
chineses.
O Irão substitui activamente o hardware estrangeiro descomissionado por
armamento produzido internamente e aumenta constantemente sua eficiência
militar.
Indústria militar
Após a revolução, o Irão encontrou-se gravemente
isolado devido a sanções económicas e a um embargo de
armamento que lhe foi imposto pelos Estados Unidos, e teve de confiar
principalmente na sua indústria interna de armas. O IRGC foi encarregado
de criar a moderna indústria militar iraniana.
Hoje o Irão é capaz de produzir um vasto conjunto de armamento
desde aviões com asas fixas, helicópteros, botes e submarinos bem
como sistemas de radar e sistemas de defesa aérea refinados. Contudo, os
sistemas que os EUA fornecem a aliados seus no golfo são muito mais
avançados do que a tecnologia militar iraniana.
O Irão tem-se centrado no desenvolvimento de munições
inteligentes, embarcações leves de ataque, minas e mísseis
balísticos para neutralizar outras potência militares.
O Irão dedicou um bocado de esforço ao desenvolvimento dos seus
próprios mísseis balísticos. Em anos recentes desenvolveu
armas tais como os mísseis balísticos de médio alcance
Fajr-3 e Kowsar, os quais tornaram-se a coluna dorsal do seu stock de
mísseis estratégicos.
Para a sua força submarina, o Irão desenvolveu o torpedo de
super-cavitação Hoot, alegadamente uma engenharia reversa do
russo VA-111 Shkval.
O Irão fabrica localmente os sistemas de mísseis de defesa
aérea Shahin e Mersad, os quais são versões melhoradas do
sistema estado-unidense MIM-23-Hawk da década de 1960. O Irão
também sabe produzir e operar drones não manejados, os quais
são utilizados para vigilância.
Força Aérea do Irão
A Força Aérea do Irão opera cerca de 200 aviões de
combate, uns 120 de transporte e mais de 500 helicópteros. A lista de
bases e aeroportos operados pelos militares do Irão inclui 14 bases
tácticas da força aérea, 18 campos de pouso militares e 22
aeroportos civis que podem ser utilizados para finalidades militares.
A força aérea do Irão é constituída
principalmente por aviões soviéticos e chineses, bem como
aviões ex-iraquianos postos em serviço. Alguns dos aviões
mais antigos são americanos, os quais a Força Aérea tem
conseguido manter em serviço.
O Irão é capaz de produzir caças a jacto de um só
lugar Azarakhsh e Saeqeh de segunda geração, derivados do
Northrop F-5 americano. Oficiais iranianos afirmam que o Saegeh é
semelhante ao McDonnell Douglas F/A-18 Hornet de construção
americana. Segundo relatos recentes o Irão tem cerca de 30 destes
aparelhos em operação.
Todos os aviões iranianos são equipados com mísseis de
fabricação local e não dependem de fornecimentos
estrangeiros.
Força naval iraniana
Segundo fontes abertas as forças navais do Irão têm um
total de cerca de 26 submarinos, 4 fragatas, 3 corvetas, 24
embarcações de patrulha com mísseis, 7 navios
lança-minas e mais de 270 embarcações de patrulha costeira.
Três dos submarinos do Irão são russos da classe Kilo,
diesel-eléctrico, destinados principalmente a operações
anti-navio e anti-submarinas nas águas relativamente rasas do golfo.
O Irão também tem cerca de 17 pequenos submarinos produzidos
internamente da classe Ghadir, capazes de disparar o torpedos Hoot de
super-cavitação, os quais são uma ameaça
significativa para navios e submarinos hostis.
O Ghadir é uma classe de mini submarinos construídos pelo
Irão especificamente para navegar dentro das águas rasas do Golfo
Pérsico. O submarino está equipado com o equipamento militar e
tecnológico mais recente e acredita-se que as suas capacidades sejam
iguais às de tipos estrangeiros. Os submarinos da classe Ghadir
são capazes de disparar rocket-torpedos Hoot de
super-cavitação. Os submarinos Chadir também podem ser
utilizados para instalar diversas operações especiais, tais como
lançamento de minas.
Considerando que o Estreito de Ormuz é bastante raso e tem apenas dois
estreitos canais navegáveis, não seria de modo algum um desafio
bloquear a passagem estratégica, especialmente com a experiência
do Irão em operações de lançamento de minas, afirma
Korotchenko.
"Operações de lançamento de minas podem ser executadas
de modo bastante encoberto e depois disso o Irão pode anunciar que o
Estreito de Ormuz está bloqueado", disse ele. "Além
disso, o Irão é capaz de atingir petroleiros e outros navios
dentro do estreito com mísseis anti-navio disparados de botes velozes
ou directamente da costa".
Programas balísticos e nucleares
A principal preocupação do ocidente são os programas de
mísseis balísticos e nuclear iranianos. O Irão criou
forças de mísseis balísticos armados que são
capazes de atingir quaisquer aliados dos EUA e bases estado-unidenses na
região.
Afirma-se que o Irão acumulou vários milhares de mísseis
balísticos móveis de alcance curto e médio. Os
mísseis balísticos do Irão também poderiam ser
configurados para transportar ogivas nucleares se o Irão puder
desenvolvê-las.
O Irão ainda afirma que o seu programa nuclear é pacífico,
mas muitos na comunidade mundial acreditam que é destinado a produzir
armas nucleares. Segundo um de tais gurus, Anthony H. Cordesman do Center for
Strategic and International Studies, é bastante possível que o
Irão possa adquirir armas nucleares operacionais
(deliverable)
dentro dos próximos cinco anos.
Igor Korotchenko acredita que o Irão utilizaria seu poder
balístico sem hesitação se exigido. A única
questão que permanece é quão efectivamente isto
funcionaria do lado da engenharia.
"Os mísseis balísticos Shahab-3 e os mísseis mais
recentes baseados naquela tecnologia são de facto mísseis
semi-estratégicos", disse ele. "É possível
atacar instalações militares na região com aqueles
mísseis, numa certa extensão. A questão é
quão efectivamente o Irão utilizará suas unidades de
mísseis".
"As unidades de mísseis são controladas pelos Guardas
Revolucionários e estão incluídas na sua estrutura
operacional", acrescentou Korotchenko. "Portanto podemos esperar que
pelo menos no contexto da prontidão moral, os homens dos mísseis
iranianos cumprirão o seu dever profissional".
15/Janeiro/2012
O original encontra-se em
http://www.globalresearch.ca/index.php?context=va&aid=28668
Este artigo encontra-se em
http://resistir.info/
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