O governo grego acaba de anunciar a execução de um plano de
austeridade que foi muito bem acolhido pela União Europeia e pelo Fundo
Monetário Internacional (FMI). Mas para o CADTM, as medidas inscritas
neste plano são simplesmente inadmissíveis. Isto que o governo de
Atenas apresenta como uma solução face à crise não
é senão a tomada da população grega como
refém, intimada a arcar com a irresponsabilidade dos actores financeiros
que provocaram ou agravaram a crise.
Este plano de austeridade pretende economizar 4,8 mil milhões de euros
sobre as costas da população grega para reembolsar os credores.
Servirão igualmente para pagar os honorários do banco Goldman
Sachs, o qual sabe-se agora que ajudou o governo a dissimular uma parte da sua
dívida. Na ementa, nomeadamente, estão:
-
congelamento do recrutamento e redução dos salários dos
funcionários (importante baixa do montante dos 13º e 14º
mês, diminuição dos prémios, após uma
redução dos salários de 10% decidida em Janeiro);
-
congelamento das aposentadorias;
-
alta do IVA de 19% para 21%, quando se trata de um imposto injusto que atinge
mais os mais desfavorecidos;
-
alta dos impostos sobre o álcool e o tabaco;
-
redução drástica dos orçamentos sociais, como o
da Segurança Social.
Para o CADTM, estas medidas fazem parte do problema e não da
solução. A crise actual é utilizada para acabar com as
resistências face aos direitos sociais obtidos com muita luta. Longe de
extrair os ensinamentos, os dirigentes das grandes potências e do FMI
exercem uma pressão intensa para impor novas medidas neoliberais, para
agravar as desigualdades, para precarizar ainda mais as
populações. Ao mesmo tempo, nenhuma medida eficaz é tomada
para fazer com que o peso da crise seja suportado por todos aqueles que
são responsáveis e para impedir que novas crises se reproduzam no
futuro.
O CADTM pede aos países afectados pela crise financeira para deixarem de
escolher a opção neoliberal que levou o mundo ao impasse actual,
quando existem escolhas radicalmente diferentes. O CADTM apoia a
população grega que se mobiliza maciçamente em favor de
uma ruptura com o modelo neoliberal. A socialização das perdas e
a privatização dos lucros são princípios a rejeitar
com urgência.
05/Março/2010
[*] Comité para a Anulação da Dívida do Terceiro Mundo
O original encontra-se em
http://www.cadtm.org/Grece-le-CADTM-condamne-le-plan-d
Este artigo encontra-se em
http://resistir.info/
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