Acerca da criação de campos de concentração para imigrantes

por KKE

Padrão NATO. O governo de sociais-democratas (PASOK) e liberais (ND) prosseguirá com a criação de campos de concentração para imigrantes, utilizando financiamento da UE. Estes campos funcionarão com o objectivo de deportar pessoas desamparadas, as quais em resultado de guerras e intervenções imperialistas e da barbárie capitalista nos seus países procuram um melhor destino nos países da UE.

É característico que eles terão cercas de arame farpado triplas com três metros de altura, de acordo com os padrões da NATO. A guarda externa será executada por equipes de polícias armados e a interna por pessoal de segurança privada. Isto será apoiado por ferramentas técnicas de vigilância (CCTV, televisão em circuito fechado).

Por este meio a coligação governamental dos dois maiores partidos burgueses afirma que por um lado resolverá a questão dos imigrantes ilegais e por outro criará empregos, supostamente combatendo o desemprego.

A declaração do Gabinete de Imprensa do CC do KKE diz o seguinte:

"A intenção da coligação governamental PASOK-ND, com o acordo ou a tolerância dos partidos e comissários regionais do capital, de criar 30 campos de concentração para imigrantes em 10 das regiões do país, a começar por Neapoli Kozani, deve receber uma encarniçada resistência do povo. Trata-se de uma parte da ofensiva mais geral e impiedosa contra os direitos dos trabalhadores locais e estrangeiros e não tem como objectivo aliviar os seus problemas explosivos. Aqueles que prestam culto no altar do lucro capitalista não têm nem a capacidade nem o desejo de tratar do crime, da prostituição, das drogas e do encerramento do pequeno comércio. As áreas que serão "limpas" de imigrantes serão entregues para serem exploradas pelo grande capital. Eles querem livrarem-se das manifestações e mobilizações do movimento popular. As operações de limpeza, as detenções em massa e deportações de imigrantes serão acompanhadas pela intensificação da intimidação e repressão, atacando os direitos tantos dos trabalhadores locais como dos estrangeiros.

A criação de campos de concentração para imigrantes foi programada durante muitos anos pelos partidos do capital que governam o país. Já há uma série de estados membros da UE e países terceiros "dispostos" que têm recebido financiamento para isto da UE. Isto está a ser executado por aqueles que são responsáveis pela imigração em massa e pelas ondas de refugiados na Grécia e na UE, aqueles que sacrificaram os povos e conduziram-nos à fome e à imigração. Trata-se das mesmas pessoas que empobreceram e repetidamente enviaram sectores do povo grego para o caminho da imigração. Eles querem os imigrantes como uma força de trabalho barata e sem direitos de modo a que possam aumentar os lucros parasitários do capital. Isto é a "civilização" e estes são os "valores" do capitalismo. Os estratos populares das comunidades locais não devem ser enganados pelas promessas de alegados benefícios compensatórios do funcionamento dos campos.

Eles têm como objectivo aprisionar pessoas em massa nas mais inaceitáveis e insuportáveis condições de vida por períodos de até 18 meses, apesar do facto de que a maior parte deles quer ir para outros estados da UE e estão imobilizados na Grécia devido a Schengen e ao Regulamento Dublin II . Eles querem igualmente aprisionar refugiados que pediram asilo de modo a que sejam deportados para países onde as suas vidas correm perigo, violando abertamente os direitos dos refugiados descritos na Convenção de Genebra.

Os problemas explosivos da imigração em massa e o aumento do crime são parte integral do sistema de exploração capitalista e do imperialismo. Eles são intensificados pelas rivalidades inter-imperialistas e a crise do sistema e não pode ser resolvido por medidas repressivas, campos, cercas de arame e pelos apoiantes da barbárie capitalista e do mercado livre.

As propostas do KKE atacam as próprias causas da imigração em massa, do crime, fenómenos sociais que demonstram o apodrecimento do capitalismo e que são intensificados pela crise e seus impasses. Com o desligamento da UE, da NATO e de organizações imperialistas, com a socialização dos monopólios, a economia centralmente planificada em benefício do povo, e o controle popular da classe trabalhadora atacará – no interesse dos produtores da riqueza – as raízes do moderno comércio de escravos, do trabalho não garantido, da prostituição e da violação de todo o direito humano.

O KKE apela aos trabalhadores, através da sua actividade e do seu voto, a que punam aqueles que são responsáveis pela criação de cada vez mais problemas sociais explosivos os quais mergulharam as vidas da classe trabalhadora e dos extractos populares na insegurança.

O KKE apela a gregos e estrangeiros para que combatam de um modo unido e lutem de imediato pelo seguinte:

1. Cancelamento dos planos do governo para a criação de campos de concentração.

2. Instalação de centros de recepção temporária humanos, decentes, abertos e públicos para imigrantes-refugiados onde sejam providenciados cuidados médicos, abrigo e habitação gratuitos, interpretação e apoio legal. Neles deve haver cuidado especial por parte dos corpos do estado para com refugiados e imigrantes não adultos, mães e crianças, as vítimas de redes de tráfico de pessoas.

3. O asilo ou um status humanitário temporário deve ser concedido a refugiados e àqueles que vêm de países sob ocupação imperialista ou são afectados por guerra civil.

4. Documentos de viagem deveriam ser providenciados para todos aqueles que desejem ir para outro estado membro da UE.   Desobediência ao Acordo de Schengen e ao Regulamento Dublin II.

5. As novas medidas repressivas contra imigrantes nas fronteiras devem parar e a atribuição de parte da guarda das fronteiras aos mecanismos da UE também deve cessar ( FRONTEX , European System for the Supervision of Borders).

6. A participação da Grécia em missões imperialistas em países estrangeiros deve cessar.

7. Os imigrantes que vivem e trabalham na Grécia devem ser legalizados e ter plenos direitos trabalhistas, sociais e democráticos.

Ver também:
  • http://iscte.pt/~apad/ACED/
  • http://owni.fr/2011/02/18/app-la-carte-des-morts-aux-frontieres-de-leurope/
  • http://clandestinenglish.wordpress.com/
  • https://www.imap-migration.org/

    O original encontra-se em http://inter.kke.gr/News/news2012/2012-03-29


    Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .
  • 01/Abr/12