Tensão explosiva
Há uma tensão explosiva entre a não-resposta de Villepin e
as expectativas sociais urgentes expressas a 4 de Outubro.
O governo atem-se à impotência deliberada, organizada,
provocadora, do estado face a escândalos como este dos despedimentos
bursáteis da Hewlett-Packard, e face às pressões dos
liberais da comissão Barroso para privatizar a SNCM! A luta deve
continuar: o apelo assinado pelo PS, PCF, Verdes, LCR é não
só um apoio político mas um incitamento a prosseguir o movimento
que se exprime novamente desde o princípio do ano 2005 por greves,
manifestações e as eleições (18-20/Janeiro,
5/Fevereiro, 10/Março, 16/Maio, 29/Maio, 4/Outubro).
O sr. De Villpin faz-se de surdo ou de cego, cinge-se ao método
Coué para não reconhecer a profundidade da oposição
social à sua política, mas ele corre o risco de levar a
França não "à ruptura" mas sim à
explosão!
Jamais, talvez desde os anos 1963-67, houve uma tal crescendo regular, vindo de
baixo: todos os sinais estão lá, no plano das greves, das
manifestações, confortadas pelo magnífico
"não" de 29 de Maio. Os socialistas devem estar na primeira
linha.
Exigir o restabelecimento de um controle do poder público sobre os
despedimentos bursáteis e abusivos, estes devem poder ser juridicamente
suspensos quando não são fundamentados económica e
socialmente.
Defender o serviço público contra as pretensões
guerreiras da "concorrência livre e não falsificada"
promovida pelos integristas liberais Barroso e Bolkestein. Deixem a EDF e a
GDF ao público, aos utilizadores, aos que têm direito, não
aos accionistas nem "aos clientes"! Não toquem nas
auto-estradas! Não toquem na SNCF! É preciso re-ampliar o
serviço público às telecomunicações,
à água, ao crédito!
O aumento maciço dos salários é
A
resposta para permitir o relançamento e a saída da crise: ele
é tanto mais possível quando nunca as empresas na história
da França obtiveram tantos lucros, mais nos últimos seis meses do
que em todo o ano passado, ano récord! É preciso repartir as
riquezas produzidas numa França que nunca foi tão rica entre os
assalariados que são os mais produtivos do mundo!
A hora não é de destruir o Código do Trabalho, mas de
reforçá-lo. Contrariamente aos discursos sumários da sra.
Parisot cujo programa é "a precariedade para todos", é
o progresso e a segurança social que são necessários.
Não toquem na segurança social, retirada imediata do forfait de
18 euros sobre os actos superiores a 91 euros!
57% dos franceses confiam nos sindicatos, é preciso dar-lhes mais
direitos, mais poderes, mais meios. Segunda-feira passada, dois inspectores do
trabalho foram ameaçados de morte (por um empregador em Pas de Calais)
no exercício da sua função. É preciso revalorizar
a inspecção e duplicar os seus efectivos, por em
acção uma verdadeira política penal para defender o estado
de direito nas empresas contra os patrões rufiões e os
accionistas predadores.
[*] Inspector do Trabalho, membro do Bureau Nacional do PS, colaborador do mensário
D&S .
05/Outubro/2005
Para aqueles que não tomaram conhecimento, o texto abaixo merece ser
divulgado. Ele não foi tratado devidamente na grande imprensa.
Constitui quase um programa! Reflecte a pressão social exercida sobre
os seus signatários a fim de se porem de acordo, pela primeira vez na
história da França... GF
Apelo para o apoio à jornada de acção de 4 de Outubro
Os Verdes, a LCR, o PCF e o PS apoiam a jornada nacional de acção
e de mobilização de 4 de Outubro convocada na unidade pelos
sindicatos.
Esta mobilização é inteiramente justifica pela ofensiva
liberal e repressiva organizada pelo governo Chirac-Villepin-Sarkozy. Uma
ofensiva que exactamente o oposto das exigências populares expressas nos
grandes movimentos sociais, aquando das eleições de 2004 e em 29
de Maio último e que se caracteriza por:
desenvolvimento da precariedade, estilhaçamento do código do
trabalho com o "contrato novos empregos"
("contrat nouvelles embauches")
e ordenações governamentais
(ordonnances gouvernementales).
encorajamento das práticas de baixos salários;
ataques contra os direitos dos desempregados;
privatização das empresas, planos de licenciamentos,
desmantelamento dos serviços públicos e reduções de
empregos na função pública;
colocação em causa do sistema de aposentadoria por
repartição e racionamento dos cuidados;
política fiscal ultrajantemente favorável às categorias
possidentes;
política securitária de repressão e de
criminalização sindical;
atentados às liberdades individuais, colocação em causa
do código da nacionalidade e ataques contra os direitos dos migrantes.
A luta contra o desemprego e a precariedade, a defesa do poder de compra dos
assalariados, dos desempregados e dos aposentados, a crise ao alojamento exigem
respostas que rompam com a lógica reaccionária e ultra-liberal do
governo.
Os partidos infra-assinados exigem a anulação do
"contrat nouvelles embauches"
e das ordenações governamentais, das medidas permitindo impedir
os planos de despedimentos e as deslocalizações, a travagem das
privatizações e da venda em saldo
(bradage)
de empresas públicas tais como a EDF e a SNCM. Exigem medidas de
promoção dos serviços públicos, aumento dos
salários, das aposentadorias e dos mínimos sociais,
disposições imediatas contra a especulação
imobiliária e pelo relançamento do alojamento social. Sustentam
a acção dos assalariados, dos utilizadores e das
organizações sindicais contra a reformas Fillon sobre a
protecção social e a educação.
Eles ficam ao lado do assalariados do sector privado e do público face
aos métodos brutais e às violências policiais.
Nossos partidos, que anunciaram sua participação na
manifestação, apelam às suas estruturas locais e aos seus
militantes a apoiar todas as formas de manifestações e de
acções definidas pelas organizações sindicais a fim
de fazer recuar o governo e o Medef.
Paris, 1º de Outubro de 2005
O original encontra-se em
http://www.legrandsoir.info/article.php3?id_article=2736
Este artigo encontra-se em
http://resistir.info/
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