Centrais sindicais: confrontarem-se ou acompanharem?
Um dos elementos característicos do movimento actual, inédito,
contra a reforma das aposentadorias é a unidade sindical que perdura
até hoje. Esta unidade das direcções sindicais é
percebida por uma larga faixa dos assalariados, da população,
como um trunfo, um ponto de apoio para o movimento. O calendário das
greves e manifestações não é considerado como
"manifestações rituais" sem perspectivas, como foi o
caso nos últimos anos, mas ao contrário e até agora como
manifestações permitindo mobilizar, fazer a plena
mobilização dos diferentes sectores. O movimento intersindical
surge portanto para a maior parte da população como uma
oposição ao governo e a Sarkozy.
A manutenção desta unidade explica-se sobretudo pelo facto de que o governo
permanece inflexível acerca do cerne da sua reforma (o adiamento para 62
anos da idade legal de aposentadoria e para 67 para uma aposentadoria sem
desconto) e não dá, assim, nada a negociar às
direcções sindicais mais abertas ao diálogo social. Mas
ela se explica também pela profundidade das mobilizações,
do descontentamento, pondo em dificuldade que se afastar do movimento nos
próximos meses. Ela permite também a certas
direcções, em particular na
CFDT
, recuperarem o seu crédito depois de terem dado aval à reforma
das aposentadorias em 2003.
Mas esta unidade não impede as divergências de fundo e de
estratégia de acção entre os oito. No fundo, a
intersindical no seu conjunto não reclama a retirada do projecto de lei
mas apenas novas negociações para poderem emendar a reforma.
Somente a
FSU
e
Solidaires
reivindicam claramente a revogação da lei.
Além disso, a estratégia de acção da intersindical
é uma verdadeira fraqueza para o movimento. Com efeito, ainda que o
calendário escolhido tenha permitido fazer a mobilização
plena nas manifestações, ele não corresponde ao que era
necessário por em acção para construir uma
mobilização ampla, pela greve prorrogável
(reconductible)
no próprio momento em que esta questão era colocada em numerosos
sectores. Foi assim nomeadamente na véspera da grande jornada de
mobilização de 23 de Setembro.
Finalmente, decidir após o êxito da jornada de 7 de Setembro por
uma nova jornada após o voto na Assembleia Nacional, e fazer a mesma
coisa no momento da votação no Senado, é transmitir uma
mensagem clara ao governo: não vos impediremos de votar a vossa lei!
Assim, se bem que as direcções sindicais organizem, acompanhem a
mobilização planificando jornadas de acção, elas
recusam, na maioria delas, ir à grande confrontação social
com este governo, generalizar o movimento e nestes últimos dias
têm mesmo reacções pusilânimes quando os assalariados
mais combativos como os das refinarias são atacados, quando o direito de
greve é posto em causa.
Através deste movimento vê-se ainda que as direcções
sindicais não escolheram claramente a confrontação para
manter uma aquisição social tão importante como a das
aposentadorias. Mas será isto espantoso?
27/Outubro/2010
O original encontra-se em
www.npa2009.org/...
Este artigo encontra-se em
http://resistir.info/
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