por
Solidarité et Progrès
Segundo um artigo aparecido no
New York Times
, os bancos de investimento preparam-se para lançar novos produtos
financeiros exóticos. Vocês gostaram dos
subprimes?
Então agora vão adorar os
lifeprimes!
A ideia destes génios financeiros é comprar
life settlements,
isto é comprar as apólices de seguros de vida das pessoas
idosas e doentes. Elas ficarão bem contentes, em função da
sua esperança de vida, de as vender por um punhado de dólares a
fim de pagar os seus cuidados de saúde! Por exemplo, as apólices
com um valor de um milhão de dólares poderiam ser vendidas por
400 mil dólares.
A seguir, tal como os valorosos
subprimes,
titularizam-se estas apólices reagrupando-as em pacotes de centenas ou
de milhares. Os bancos revenderão então estes títulos a
investidores que receberão o usufruto dos seguros de vida quando as
pessoas morrerem.
A lógica informa-nos que a margem de lucro aumenta em
função da baixa da idade do morto detentor do seguro de vida.
Há todo o interesse em garantir que este último não viva
muito mais do que o esperado, senão o investidor veria os seus lucros
baixarem e perderia o seu investimento.
Para a Wall Street, é o jogo do ganha-ganha pois os bancos encaixariam
uma margem sumarenta pela emissão, depois pela venda e finalmente pelo
comércio dos títulos.
Há já nove propostas para titularizar apólices de seguros
de vida. Elas vêem de investidores privados e de sociedades financeiras,
como por exemplo o Crédit Suisse. O mercado de seguros de vida
representa mais de US$26 milhões de milhões, não é
nada mau!
O Crédit Suisse já comprou uma sociedade especializada na revenda
das apólices de seguros de vida e acaba de criar um pólo
financeiro encarregado de estruturar o mercado. O banco de investimento
nova-iorquino
Goldman Sachs
, que nunca fica atrás quando se trata de
esquecer a moral, acaba de elaborar um índex sobre a esperança de
vida das diferentes categorias de pessoas a fim de permitir aos banqueiros que
apostem no número certo.
O único risco dos investidores é de as pessoas viverem mais tempo
que o previsto. Mas, se a reforma da saúde de Obama for adoptada, com o
racionamento dos cuidados de saúde e a via da prevista eutanásia,
este risco torna-se próximo do zero.
Estes pequenos génios das finanças devem rir quando o
secretário americano do Tesouro,
Tim Geithner
, um ex-Goldman Sachs, levanta a sua voz para afirmar que
"está fora de causa que a indústria financeira retorne
às práticas anteriores ao crash. Isso não pode acontecer e
simplesmente não acontecerá. Haverá uma mudança
fundamental. A falha decisiva que levou a esta crise consistia em tolerar um
efeito de alavancagem enorme, em termos de risco, através de todos os
bancos do mundo e nos organismos financeiro que funcionam como bancos".
08/Setembro/2009
Ver também
Investors Recruit Terminally Ill to Outwit Insurers on Annuities
O original encontra-se em
http://www.solidariteetprogres.org/article5784.html
Este artigo encontra-se em
http://resistir.info/
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