por Matthias Chang
Em 27 de Agosto de 2009 escrevi o artigo "Apelo ao primeiro-ministro e
ministro das Finanças da Malásia Reexaminem a
estratégia do país quanto a reservas externas", urgindo o
nosso primeiro-ministro a examinar a necessidade crítica de diversificar
as nossas reservas estrangeiras, especificamente para aumentar os nossos
haveres em ouro.
O meu apelo não foi ouvido.
Chamo a atenção do nosso primeiro-ministro para o Central Banks
Gold Agreement (CBGA) de 14 de Agosto de 2009, especificamente para este trecho:
"O ouro permanecerá um elemento importante das reservas
monetárias globais".
- As vendas de ouro já decididas e a serem decididas pelas
instituições signatárias serão efectuadas
através de um programa concertado de vendas ao longo de um
período de cinco anos, começando em 27 de Setembro de 2009,
imediatamente após o fim do acordo anterior. As vendas anuais não
excederão 400 toneladas e as vendas totais ao longo deste período
não excederão 2000 toneladas.
- Os signatários reconhecem a intenção do FMI de vender
403 toneladas de ouro e observam que tais vendas podem ser acomodadas dentro
dos tectos acima.
- Este acordo será revisto após cinco anos.
"É significativo notar que o FMI pretende vender 403 toneladas de
ouro e é óbvio arriscar uma suposição sobre quem
será o comprador principal. A China está desesperada para
descarregar o seu papel higiénico estado-unidense em troca de ouro e
isto tem de ser feito cuidadosamente, pois tais vendas 'serão acomodadas
dentro dos tectos acima'."
Também chamei a atenção do primeiro-ministro para os
seguintes dados:
"A situação actual das reservas ouro dos principais bancos
centrais europeus em percentagem das suas reservas totais são como se
segue:
França: 73%
Alemanha: 69,5%
Itália: 66,1%
Holanda: 61,4%
Suíça: 37,1%
Em contraste, as proporções de reservas dos principais bancos
centrais asiáticos e da Rússia são como se segue:
Rússia: 4%
Índia: 4%
Formosa: 3.8%
Japão: 2.1%
China: 1.8%
Considerando este estado de coisas, quaisquer vendas de bancos centrais
europeus sob o
3º CBGA não deprimirão os preços do ouro, pois
será inevitável que os bancos centrais asiáticos, com
pouco peso de ouro nos seus haveres, colectem-no para reforçar as suas
minúsculas reservas do metal. Para mais dados, ver a referência do
World Gold Council.
A China tem dado atenção à necessidade de reforçar
as suas reservas estratégicas de ouro. Ela de facto convidou os seus
cidadãos a acumularem ouro!
Ontem, a Bloomberg informou que "O ouro saltou para um recorde depois de o
banco central da Índia ter comprado 200 toneladas do metal vendido pelo
Fundo Monetário Internacional, elevando a especulação
acerca de mais compras oficiais... A venda de US$6,7 mil milhões ao
Reserve Bank of India é "a maior compra única por parte de
um banco central que conhecemos durante pelo menos 30 anos num período
tão curto", afirmou Timothy Green, autor de "The Ages of
Gold". E acrescentou: "O único evento comparável foram
as compras firmes dos EUA nas décadas de 1930 e 1940".
O que é significativo é que a Índia capturou 50% das 403
toneladas distribuídas pelos FMI.
A Índia percebeu por fim a necessidade de diversificar as suas reservas
estrangeiras. Acredito que nos próximos meses outros países
asiáticos seguirão este rumo. Espero que a Malásia
não permaneça num estado de recusa.
E mais uma vez mostrei estar à frente da curva. No primeiro trimestre de
2010 testemunharemos a 2ª onda do tsunami financeiro global. A
acumulação de cash pelos grandes bancos globais não
será suficiente para deter a maré.
O 2º tsunami global será maior e mais devastador do que o primeiro.
Fiquem prevenidos.
O recente orçamento da Malásia não trata das
questões fundamentais
04/Novembro/2009
O original encontra-se em
http://www.globalresearch.ca/index.php?context=va&aid=15922
Enquanto isso em Portugal
O Banco de Portugal, governado por Vitor Constâncio, esteve a
vender
as suas reservas ouro precisamente no momento em que as cotações
do ouro
estavam baixas. Entre 2002 e 2005 o Banco de Portugal efectuou vendas de ouro
num total de 190 toneladas (15 t em 2002; 30+45 t em 2003; 35+20 t em 2004 e
35+10 t em 2005).
Ver a propósito o Projecto de Resolução nº 541/X
sobre as reservas de ouro do Banco de Portugal, apresentado pelo PCP na
Assembleia da Republica em 16/Julho/2009:
http://www.pcp.pt/index.php?option=com_content&task=view&id=34372&Itemid=195
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Este artigo encontra-se em
http://resistir.info/
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