Retornos usurários sobre dinheiro fantasma:
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O juro é na totalidade um "lucro fácil"
(gravy)
porque as transacções são de facto financiadas pelo
voucher assinado do pagamento emitido pelo utilizador do cartão no local
da compra. Assuma que as vendas brutas mensais que são incorridas
através de cartões de crédito duplicam globalmente, dos
US$300 mil milhões normais para US$600 mil milhões no
período de festas do fim do ano. As companhias de cartão de
crédito não têm de se preocupar acerca de onde virão
os US$300 mil milhões extras porque eles são proporcionados pelos
próprios US$300 mil milhões de vouchers assinados...
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Um imposto sobre vendas privadas
Tudo isto lança luz acerca da razão porque o negócio do
cartão de crédito tornou-se a ocupação mais
lucrativa da indústria bancária. No passado, a banca dedicava-se
a tomar depósito e fazer empréstimos comerciais e residenciais.
Mas nos últimos anos,
segundo o Federal Reserve
, "os ganhos com
cartões de crédito tem sido quase sempre mais elevados do que os
retornos sobre todas as actividades comerciais do banco".
Parcialmente, isto é porque o juro cobrado sobre a dívida no
cartão de crédito é mais alto do que sobre outros
empréstimos comerciais. Mas é nas taxas
(fees)
que os bancos realmente ganham o seu dinheiro. Há taxas sobre
pagamentos tardios, taxas por exceder o limite de crédito, taxas sobre
transferências de saldos, taxas sobre retiradas de cash e taxas anuais,
além das muito lucrativas taxas sobre comerciantes que acrescem o ponto
de venda se o cliente conforme o cliente pague ou não a sua conta. O
comerciante absorve as taxas e os clientes cobrem o custo com preços
mais altos.
Uma taxa de 2% sobre os comerciantes é o equivalente financeiro a um
imposto de vendas de 2% um imposto que alcança
mais de US$30 mil milhões por ano
nos EUA. O efeito sobre o comércio é pior tanto em
relação a um imposto público sobre vendas como a um
imposto sobre transacções financeiras (ou imposto Tobin), uma vez
que estes impostos são concebidos para serem revertidos outra vez na
economia na economia com serviços e infraestrutura. Um imposto sobre o
comerciante privado simplesmente remove poder de compra da economia.
Como observa o blogueiro Yves Smith:
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Quando alguém menciona impostos Tobin (pequenos encargos sobre todo o comércio [financeiro]) como um meio de pagar o salvamento e desencorajar a especulação, a indústria dos serviços financeiros torna-se absolutamente apoplética... Mas aqui, no nosso próprio meio, temos um equivalente um equivalente ao imposto Tobin sobre uma proporção muito elevada do comércio a retalho... Você pode pensar dos encargos predatórios do Visa e do Mastercharge pelo débito transacções ... como tendo dois componentes: a comissão (fee) que eles podem cobrar se forem confrontados com alguma competição e o prémio que extraem ao controlar o mercado e recusarem-se a competir em preços. Em termos dos seus efeitos sobre o comércio, este prémio é pior do que um imposto Tobin. |
Um imposto Tobin destina-se a ter o efeito positivo de amortecer a
especulação. Um imposto privado sobre vendas a retalho tem o
efeito negativo de amortecer o comércio do consumidor. É um
mecanismo auto-destrutivo que consome capital e crédito a cada volta do
ciclo de crédito.
O lucrativo negócio dos cartões de crédito é um
factor importante no
aumento da "financiarização" da economia
. Companhias como a General Electric estão em grande medida a abandonar
a inovação de produtos e a tornarem-se companhias de
cartões de crédito, porque é onde está o dinheiro.
A financiarização está a mater a economia, a
produtividade, a inovação e a procura do consumidor.
Quebrar o monopólio
Comissões exorbitanes sobre comerciantes são tornadas
possíveis porque o mercado é monopolizado por um número
minúsculo de companhias de cartões de crédito e entrada no
mercado é difícil. Para participar, é preciso fazer parte
de uma rede e a rede exige que todos os bancos participantes cobrem uma
comissão pré estabelecida.
As regras variam, entretanto, conforme o país. Uma opção
disponível em alguns países é proporcionar serviços
de cartões de crédito mais baratos através de bancos de
propriedade pública. Na Costa Rica, 80% dos depósitos são
mantidos em quatro bancos de propriedade pública; e todos oferecem
cartões de débito Visa/MC e aceitarão cartões de
crédito Visa/MC. Negócios que optam pelos dois maiores bancos
públicos não pagam comissões de transacção
pelos cartões do banco. E para os cartões de outros pagam eles
pagam apenas uma comissão muito pequena, suficiente para cobrir os
custos do banco.
Isso funciona na Costa Rica, mas nos EUA as comissões Visa/MC são
pré estabelecidas e os bancos públicos teriam de cobrar aquela
comissão para participar no sistema. Há um outro meio,
entretanto, pelo qual eles podiam recapturar as comissões dos
comerciantes e utilizá-las para o benefício do povo:
retornando-as na forma de impostos mais baixos ou serviços
públicos acrescidos.
Governos locais pagam comissões substanciais pela
utilização de cartões de crédito por si
próprios. Segundo o gabinete do tesoureiro, a Cidade e a Municipalidade
de São Francisco pagam US$4 milhões por ano só de
comissões a bancos e mais da metade desta soma refere-se as
comissões a comerciantes. Se o governo pudesse recapturar estes encargos
através do seu próprio banco, ele poderia utilizar as receitas
para expandir serviços públicos sem aumento de impostos.
Se permitirmos ao governo fazer realmente algum dinheiro, ele podia ser
auto-financiado sem tributar os cidadãos. Quando um sistema
público alternativo está em vigor, os dinossauros dos mega-bancos
privados não serão mais "demasiado grandes para falir".
Pode-se permitir-lhes que murchem até a extinção, num
processo natural de evolução rumo a um sistema mais eficiente e
mais sustentável.