Negócios sem dinheiro:
Aumentam em todo o mundo as transacções por permuta
por Valentin Katasonov
Como parte da história humana, a moeda não perdurará para
sempre. É verdade que, com a oferta global em ascensão, a moeda
é cada vez mais procurada. A razão é simples: ao
invés de economia real a produção das máquinas
impressoras vai para mercados financeiros, onde transacções de
risco são amplamente praticadas. Mesmo que alguém tenha moeda no
banco, está a tornar-se difícil usá-la pois transforma-se
num instrumento de especulação em benefício dos donos das
impressoras.
As pessoas respondem utilizando moeda menos frequentemente, ou mesmo fazendo-o
sem qualquer divisa. Hoje a permuta
(barter)
é o melhor meio de executar transacções sem moeda,
trocando uma mercadoria por outra.
Normalmente, o barter ascende drasticamente em qualquer momento em que a
economia atravesse períodos de baixa
(slumps)
com queda da procura do consumidor.
Corporações multinacionais gigantes frequentemente praticam
preços de transferência o estabelecimento do preço
para bens e serviços vendidos entre entidades legais controladas (ou
relacionadas) dentro de uma empresa. Elas também podem recorrer a
transacções por permuta para reduzir pagamentos fiscais.
Além disso, grandes corporações normalmente funcionam como
partes de cartéis internacionais que estabelecem preços
uniformes. Numa tentativa de ganhar uma maior fatia de mercado, elas utilizam
diferentes métodos para contornar o preço, incluindo o bartering.
Nos dias de hoje, cada vez mais frequentemente os media contam acerca de tais
casos. Exemplo: Uma crise política, económica e financeira
atingiu a Grécia no Verão de 2015. Faltou moeda à economia
do país. As coisas ficaram piores em consequência de
restrições impostas pelo governo sobre transacções
em dinheiro e pagamentos por transferência. A resultante escassez de
moeda provocou crescimento rápido do comércio barter que envolveu
corporações gigantes, pequenos negócios e
indivíduos.
Redes especiais de distribuição de dados são utilizadas
para expandir o bartering, proporcionando informação sobre oferta
e procura relativa a diferentes bens e serviços. Com o passar do tempo,
algumas delas transformam-se em companhias especializadas em barter, clubes e
centros de intercâmbio para oferecer um vasto leque de serviços a
clientes, especialmente serviços de corretagem como encontrar parceiros,
criar cadeias de distribuição de bens, preparar contratos e
monitorizar seus termos. Os centros de bartering mais avançados criam
moeda barter para a compra bens através da transferência em
contas. Vendedores podem utilizá-la para comprar outros bens e
serviços, ou mesmo obter empréstimos de moeda barter.
Em alguns países a informação sobre o bartering
está demasiada fragmentada. Não há estatísticas
para apresentar o quadro completo. É fácil entender porque.
Primeiro, agências de arrecadação de impostos dificultam o
desenvolvimento do bartering, porque só arrecadam impostos quando
é paga moeda. Muitas transacções barter não
são controladas por governos. As tentativas estão em curso para
mudar isto. Exemplo: nos Estados Unidos a lei Tax Equity and Fiscal
Responsibility Act entrou em vigor em 1982 a fim de reduzir o fosso
orçamental pela geração de receita através do
encerramento de alçapões fiscais e a introdução de
regras fiscais mais duras, incluindo as transacções barters.
Além disso, acordos barter reduzem a procura pela produção
das máquinas impressoras dos bancos centrais. Naturalmente, o barter
provoca o ressentimento dos prestamistas. A Índia e a Espanha são
consideradas pelos peritos como países com tradições
barter enraizadas. A cidade indiana de Kochi orgulha-se do mais antigos mercado
barter do mundo, criado 200 anos atrás. A Espanha tem grandes mercados
barter em Barcelona, Catalunha e [no município de] Mieres.
Actualmente, o barter não é algo sem precedentes na
América do Norte. Companhias barter tem operado nos EUA durante
dúzias de anos promovendo trocas de bens e ajudando a encontrar
parceiros de negócios. Algumas delas transformaram-se em centros de
trocas barter. A maioria das cidades dos EUA e Canadá, incluindo
grandes, têm seus próprios centros de trocas barter. Hoje o
International Monetary Systems é o maior grupo de troca barter nos
Estados Unidos. No Canadá o Tradebank é o maior centro barter
multi-direccional.
A National Association of Trade Exchanges (NATE) nos Estados Unidos foi criada
para proteger os interesses daqueles que estão envolvidos no
comércio barter. O NATE tem a sua própria divisa, o
BANC
.
De acordo com algums estimativas, em 2010 mais de 450 mil companhias dos EUA
estavam envolvidas no comércio barter. Não há
dúvida de que elas normalmente fazem transacções de
comércio tradicionais, mas os excedentes são vendidos
através do barter. As transacções barter nos EUA
representam mais de US$10 mil milhões por ano. Provavelmente isto
é apenas o topo do iceberg.
Vale a pena
mencionar
o Euro Barter Business International Limited, EBB.
O EBB une mais de 17 mil companhias de pequena e média dimensão
na Europa e mesmo na Turquia. Os participantes pagam taxas anuais e obtêm
acesso à base de dados de comércio barter que proporciona
informação coleccionada de todas as partes da Europa.
A Austrália e a Nova Zelândia criaram a bolsa
Bartercard
em 1991. Com o tempo, foram estabelecidos ramos no Reino Unido, Chipre,
Emirados Árabes Unidos e Tailândia. Hoje o Bartercard é o
principal mercado barter do mundo, com 75 mil possuidores de cartão.
Há cerca de 400 companhias barter à escala mundial, providenciado
transacções em comércio barter para conectar companhias de
todos os cantos do globo. A International Reciprocal Trade Association,
IRTA
coordena suas actividades. Ela coopera estreitamente com a Bartercard e
recomenda utilizar a Universal Currency (UC).
Acordos barter estão a tornar-se mais populares actualmente, porque os
Estados Unidos utilizam cada vez sanções económicas como
instrumento para exercer pressão sobre outros países. As medidas
punitivas incluem o bloqueio de transacções em US dólares
e outras divisas de reserva. O comércio barter é um método
eficaz para contrariar as sanções. O Irão esteve durante
muito anos sob as sanções impostas pelos Estados Unidos e seus
aliados. Ele utilizou amplamente a troca barter no seu comércio com
outros países, como por exemplo acordos barter "petróleo por
bens". Enquanto esteve sob sanções, o comércio barter
com a China, Índia e Coreia do Sul permitiu ao Irão importar de
tudo desde telemóveis a equipamento ferroviário.
Em 2014 a Federação Russa iniciou conversações
sobre um grande acordo barter com o Irão. No caso de Teerão, o
petróleo devia tornar-se o artigo básico de
exportação a ser revendido por Moscovo a outros países. A
Federação Russa devia vender um amplo conjunto de bens, bem como
construir infraestrutura energética. O acordo estava contemplado para
perdurar por um certo número de anos. Segundo os media, a soma total do
acordo poderia ascender a US$20 mil milhões. Quando o ocidente
finalmente levantou as sanções, as conversações
sobre o acordo foram suspensas.
Em 2016 Teerão disse que não recusaria completamente o
comércio barter. Ela ainda está a ponderar a ideia de fazer
negócios na base da fórmula tradicional "petróleo por
bens". "Petróleo por activos" também é uma
opção.
Exemplo: o Irão tem estado em conversações para comprar
refinarias de petróleo na Suíça e em França. O
processo de negociações foi suspenso devido à
pressão de Washington. Hoje, o Irão está em
conversações para construir refinarias na Espanha e exprimiu
interesse em comprar e construir refinarias na Índia e no Brasil.
21/Fevereiro/2016
O original encontra-se em
www.strategic-culture.org/...
Este artigo encontra-se em
http://resistir.info/
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