O crescimento e a inflação contra a dívida
Não é preciso ser marxista para constatar que a pertença
à zona Euro constitui uma grilheta que tolhe o desenvolvimento da
maioria dos países europeus. Isso pode ser visto por qualquer
economista sem viseiras, como é o caso do keynesiano Jacques Sapir.
Neste artigo ele demonstra, e bem, que até mesmo a França
seria beneficiada se abandonasse o euro e retornasse à sua antiga moeda
nacional, o franco.
Se isto é verdadeiro até para a França, o que dizer em
relação a Portugal? Neste país submetido aos tratos
brutais da troika FMI/BCE/UE, a recuperação da soberania
monetária constituiria uma verdadeira libertação
nacional.
Esta é a condição necessária e indispensável
(mas não suficiente) para o desendividamento e para qualquer
desenvolvimento digno desse nome.
Quanto mais tarde isso for percebido e quanto mais tarde forem dados passos
nesse sentido, mais escravizado e depauperado estará o país.
Pretender um novo governo mas sem dar este passo fundamental
mesmo que o dito governo se diga "de esquerda" é
enganar os outros e enganarmos a nós próprios.
resistir.info
A questão da dívida pública é objecto de
confusões importantes. Na realidade, ela gira inteiramente em torno da
questão do crescimento nominal (crescimento real + taxa de
inflação) e não da questão da pressão
fiscal. A questão da pressão fiscal é importante para
determinar o nível do défice orçamental que poderá
ser aceitável.
Dívida e crescimento nominal
A fórmula utilizada para medir o peso da dívida ou
Dívida/PIB
contém já uma confusão. Compara um stock (a
dívida) com um fluxo, a riqueza criada num período de
referência (neste caso um ano) e medida pelo PIB (soma dos valores
acrescentados). Uma medida mais coerente seria comparar a dívida com o
stock das imobilizações e do capital (infra-estruturas) que o
Estado possui. Este stock é largamente superior ao valor anual do PIB.
Se conservarmos a fórmula
Dívida/PIB
, que é uma fórmula de análise estática, a
fórmula dinâmica (derivada) escreve-se
Défice Orçamental/Crescimento Nominal do PIB.
Sendo o défice orçamental (numerador) medido aos preços
correntes, é preciso evidentemente que o denominador também o
seja. Recorde-se que o crescimento nominal é o produto do crescimento do
PIB em
termos reais pela taxa de inflação. O nível do
crescimento nominal depende pois daquilo a que chamamos
"crescimento" (na realidade, o crescimento do PIB em termos reais) e
do nível da taxa de inflação. O nível da taxa de
inflação aceitável depende da competitividade da
França em relação aos seus principais concorrentes.
Marcaremos com (f) os números relativos à França e com (c)
os que são relativos aos países concorrentes. Neste caso, e
tudo o mais permanecendo igual, a competitividade é medida pelo
diferencial da inflação (lf/lc) que mostra o crescimento
comparado da produtividade do trabalho entre a França e os países
concorrentes (Prodf/Prodc).
Temos portanto um limite fixado pelos
ganhos de produtividade
. Se a França tivesse ganhos muito grandes em relação aos
dos países concorrentes, podia permitir-se ter uma
inflação igualmente superior na mesma proporção.
Quando isso não acontece, a taxa de inflação potencial
é limitada pela competitividade. Mas, temos vindo a raciocinar
até aqui com taxas de câmbio fixas. Quando um país (como o
Japão) provoca uma depreciação da sua moeda em
relação ao Euro, isso equivale a um ganho em produtividade
aparente, e naturalmente o nível de inflação que o
Japão pode suportar aumenta.
Se passarmos a raciocinar considerando que a França recupera a sua
soberania monetária, uma desvalorização do franco em
relação às moedas dos países que são nossos
concorrentes permitiria ter uma taxa de inflação superior
à desses países.
O nível de inflação natural da França
Publicámos um "
working paper
" sobre este assunto em Junho de 2012.
[1]
Nele demonstra-se que em TODAS as inflações há uma
componente monetária e uma componente real, a que chamamos taxa de
inflação "natural". Os determinantes dessa
inflação "real" devem ser procurados nas estruturas
económicas. Esses determinantes decompõem-se em factores
"estruturais-técnicos", em factores "institucionais"
e em factores "sociais" (ver a tabela 1). Um dos principais
resultados demonstrados foi que toda a política que visa aproximar a
inflação do zero, teria um efeito tanto mais deletério
sobre o crescimento económico quanto mais alta fosse a
inflação "natural" dessa economia.
Tabela 1- Elementos da taxa de inflação dita "natural"
|
Determinantes
|
Categoria
|
Elementos de activação
|
|
(1) Mudanças internas no seio do aparelho produtivo tornando
necessárias variações dos preços e dos rendimentos
relativos.
|
Estrutural - Técnica
|
- Progresso técnico e tecnológico, ritmo da
inovação
- Introdução de novos métodos de gestão e de
organização
- Mudanças institucionais
|
|
(2) Desequilíbrio forte entre a estrutura técnica
necessária do capital produtivo e a estrutura presente que pode
necessitar uma recuperação de investimento.
|
Estrutural - Técnica
|
- Ruptura importante nos equilíbrios entre diversas tecnologias
- Inovação radical
- Atraso acumulado do investimento em períodos anteriores
|
|
(3) Forte rigidez das estruturas de consumos intermédias ligada
à forte especificidade dos activos
|
Estrutural - Técnica
|
- Aumento acentuado dos custos de consumos intermédios (preço da
energia e das matérias-primas).
|
|
(4) Forte dependência das fontes internas de financiamento devido tanto
ao mau estado das instituições financeiras como a assimetrias de
acesso a estas instituições.
|
Institucional
|
- Alta acentuada das necessidades de investimentos para enfrentar uma grande
mutação ou uma forte expansão da procura.
- Deterioração no acesso às fontes externas de
financiamento
devido tanto a uma crise das instituições financeiras como a
assimetrias fortes induzidas pelo racionamento do crédito.
|
|
(5) Comportamentos de curto-prazo privilegiando a maximização do
rendimento imediato e a detenção da liquidez.
|
Institucional
|
- Agravamento brutal da incerteza institucional e contextual.
- Erros e perversõos da política monetária
|
|
(6) Conflito de repartição Trabalhadores/Gestores ou
Gestores/Proprietários
|
Social
|
- Existência de desequilíbrios na repartição do
rendimento nacional
- Crise de legitimidade das formas de repartição devido
às condições de formação de certos
rendimentos
|
|
(7) Desequilíbrio entre consumo e poupança na procura nacional ou
no próprio interior da estrutura de consumo
|
Social
|
- Bloqueios no acesso dos agentes nacionais aos bens de consumo e apoios da
poupança.
- Incerteza grave sobre o futuro, criando um pico contextual na necessidade de
financiamento.
|
No caso da França, os factores ditos
"estruturais-técnicos" desempenham um papel evidente, assim
como alguns dos factores sociais. É pois lógico que a taxa de
inflação em França seja mais elevada do que em
determinados países vizinhos. Os economistas do BCE afirmam há
muito que a melhor taxa de inflação é a mais baixa
possível. Sustentam este objectivo com a afirmação de que
os
agentes económicos não são minimamente sensíveis
à
ilusão nominal.
Por outras palavras, que os agentes estão plenamente conscientes das
modificações presentes e futuras dos preços de todos os
produtos e de todos os activos, e que determinam a sua atitude em
relação à sua riqueza real. Recordemos que era a mesma
hipótese que um dos pais teóricos do Euro, Mundell, tinha
mobilizado. Em meados dos anos 90, George Akerlof e os investigadores da
Brookings Institution nos Estados Unidos demonstraram a persistência
dessa
ilusão nominal
tão referida nos escritos monetaristas.
[2]
Isso levou-os a reconhecer que era necessária uma certa
inflação para o desenvolvimento económico. Deduziram que a
importância da rigidez resultante do sector real e das
instituições económicas tinha consequências
importantes sobre a taxa de inflação. Esta rigidez traduz a
individualidade da trajectória social e histórica de cada
país.
[3]
Ora, constata-se que, mesmo com uma política monetária uniforme
(levada à prática pelo BCE), as diferenças de taxas de
inflação entre os países da zona Euro não
são negligenciáveis.
Tabela 2- Variação das taxas de inflação
médias nos países da zona Euro
|
|
Média 2001-2007
|
Média 2007-2011
|
|
Áustria
|
1,7
|
1,4
|
|
Bélgica
|
2,2
|
1,7
|
|
Dinamarca
|
2,2
|
2,0
|
|
Finlândia
|
1,2
|
1,8
|
|
França
|
2,1
|
1,4
|
|
Alemanha
|
1,1
|
1,2
|
|
Grécia
|
3,2
|
2,7
|
|
Irlanda
|
3,2
|
-1,1
|
|
Itália
|
2,6
|
1,9
|
|
Luxemburgo
|
3,6
|
1,8
|
|
Países Baixos
|
2,6
|
1,4
|
|
Portugal
|
3,0
|
1,5
|
|
Espanha
|
4,1
|
1,4
|
|
Zona Euro
|
2,2
|
1,4
|
|
Total OCDE
|
2,6
|
1,8
|
Fonte : OCDE via J. Sapir,
Faut-il sortir de l'Euro
, Le Seuil, Paris, 2012.
Um estudo realizado sobre as dinâmicas da inflação nos
países da zona Euro reveste-se aqui duma importância especial.
[4]
O trabalho de Christian Conrad e Menelaos Karanasos, com data de 2004,
demonstra dois resultados essenciais. Primeiro,
não há uma dinâmica única da inflação
no seio da zona Euro e esta não influencia sempre negativamente o
crescimento económico.
Estamos na presença de dinâmicas diferenciadas e, em certos
casos, a inflação aparece mesmo como necessária ao
crescimento. Segundo, o trabalho deles mostra que a heterogeneidade dos
sistemas produtivos e das estruturas sociais se reflecte nas dinâmicas
monetárias. A moeda é um espelho, ou mesmo uma lente de aumentar,
das dinâmicas do mundo real. Podemos pois pensar que uma taxa de
inflação correspondente àquela a que chamamos
inflação "natural", ou seja, uma taxa não
penalizadora do crescimento e correspondente à maximização
do crescimento potencial (com um
"intervalo de crescimento" ou
output gap
nulo), seria para a França na ordem dos 3%, e isso sem um choque
inflacionista exógeno.
Os factores de crescimento
É necessário determinar agora quais são os factores que
influenciam mais o crescimento. O investimento, em capital fixo, em
infra-estruturas, mas também na educação, determina
globalmente o crescimento potencial máximo. O crescimento também
é sensível, sabe-se, a uma sobrevalorização ou a
uma desvalorização da moeda em relação às
divisas dos países concorrentes (efeito de competitividade). Finalmente,
está ligado a curto prazo à evolução da procura
tanto no interior do país como no exterior. Mas estes diferentes
factores são interdependentes. Uma subvalorização da
moeda e o crescimento da procura interna aumentam o
nível dos investimentos, o que se traduz depois de um certo prazo
num aumento do potencial de crescimento a longo prazo. Inversamente, se a
procura se contrai e se a taxa de câmbio é sobrevalorizada durante
um período relativamente longo, isso arrasta uma baixa do
investimento e portanto uma baixa do crescimento potencial. É de resto
o que observamos actualmente em Espanha, em Itália e em França.
Os factores sobre os quais podemos agir imediatamente são o valor da
moeda e a procura. Diversos estudos feitos, em particular no INSEE, mostram que
uma variação de 10% na taxa de câmbio (neste caso a taxa de
câmbio do Euro) arrasta uma flutuação em sentido inverso do
crescimento real de 0,6% no primeiro ano e de 1,2% no segundo ano. Há a
tendência para considerar actualmente que estes números até
estão subavaliados porque a procura interna está relativamente
deprimida, o que aumenta a importância potencial da procura externa (as
exportações).
Se supusermos, no quadro de uma saída do Euro, uma
desvalorização do franco de 20% em termos reais, isso implica um
crescimento suplementar de 1,2% no primeiro ano e de 2,4% no segundo ano. Mas a
desvalorização implica também um choque
inflacionista, que pode ser estimado, neste nível de
desvalorização, em 5% no primeiro ano e em 3% no segundo ano.
O ganho de competitividade assim conseguido pode ser mantido se o Banco da
França adoptar uma política direccionada para uma taxa de
câmbio de referência. Mas, para tal, serão certamente
necessários
controlos de capitais
.
Movimentos da dívida em simulação
Vamos agora comparar as trajectórias da dívida seguindo, por um
lado, as hipóteses do governo e, por outro lado, considerando a
hipótese da saída do Euro. Na hipótese H1, supomos
a saída do Euro, acompanhada por uma
desvalorização de 28%. O impacto desta
desvalorização sobre a dívida será limitado aos 14%
desta última que estão sob contratos de direito estrangeiro. O
défice [orçamental] é de 3,7% do PIB no primeiro ano, de
3,5% nos
dois anos seguintes e de 3% no resto do período. O crescimento real
é estimado em +1,2% no primeiro ano, +2,4% no segundo ano e
mantém-se em 2% nos anos seguintes. Isto provavelmente é
pessimista, porque subavalia o impacto do choque de competitividade na economia
francesa. Adoptemos então uma hipótese H1' que tem em conta um
efeito positivo mais importante da desvalorização sobre o
crescimento e uma taxa de crescimento residual de 2,3% no final do
período. Quanto à taxa de inflação supõe-se
que ela se mantém constante em 3% por ano (taxa natural) à qual
se junta um choque de 5% no primeiro ano e de 3% no segundo ano para ter em
conta os efeitos da desvalorização. Supõe-se que o Banco
de França deixa deslizar cerca de 2% por ano o valor do franco durante
dois anos para manter o efeito positivo da desvalorização.
Na hipótese H0, o défice atinge 3,7% no primeiro ano,
3,5% nos dois anos seguintes e seguidamente estabiliza em 3% do PIB. O
crescimento é nulo no primeiro ano (o que actualmente parece ser
optimista), depois é igual a 0,5% nos três anos seguintes e a 1%
no resto do período. A taxa de inflação é de 1,4%
ao ano o que corresponde à média do período 2007-2011.
Segundo esta hipótese, o endividamento da França continua a
aumentar.
Constata-se no gráfico 1 a divergência das
trajectórias. Aquela que corresponde às hipóteses do
governo mostra-se incapaz de travar o movimento da dívida. Quando muito,
atrasa-o. As hipóteses H1 e H1' permitem verificar ao longo de 10 anos o
decrescimento do peso da dívida relativamente ao PIB e isso sem ter em
conta hipóteses especiais sobre a dimensão do défice.
Gráfico 1
A evolução do défice orçamental
Constatamos que seria possível atingir um decrescimento da
dívida expressa em percentagem do PIB sem mobilizar novas
hipóteses quanto ao défice orçamental e sem
aplicar à França um choque fiscal demasiado forte. Mas se
observarmos
as receitas, as despesas e os benefícios fiscais e parafiscais,
constata-se que:
-
(i) Há cerca de 75 mil milhões (3,75% do PIB) em "nichos
fiscais" diversos. Uma série deles estão ligados à
necessidade de a França compensar o seu diferencial de competitividade
com os
outros países. No caso de uma forte desvalorização, uma
parte destes nichos fiscais torna-se supérflua. O ganho estimado
é de 25 mil milhões de Euros (orçamento de 2012), ou seja,
de 1,25% do PIB.
-
(ii) O crescimento implica automaticamente uma subida das receitas fiscais (em
especial via IVA). A diferença entre o crescimento na hipótese H0
e a hipótese H1 é em média de 1,5 pontos do PIB para os
primeiros 4 anos e de 1 ponto para os anos seguintes. Isso implica um ganho de
0,67 pontos do PIB em receitas suplementares nos primeiros 4 anos e de 0,45
pontos do PIB nos anos seguintes.
-
(iii) Com o regresso a um crescimento superior a 1,5%, como se simulou nas
trajectórias H1 e H1', observa-se uma descida do desemprego e portanto
uma baixa dos encargos ligados aos subsídios de desemprego. A
recuperação desses encargos pelas empresas e assalariados
poderá ser equivalente a 0,2% de crescimento suplementar a partir do
terceiro ano.
Chegamos pois, no quadro da hipótese H1 a um crescimento suplementar e a
receitas de 1,92 pontos do PIB para os primeiros quatro anos [isto é,
1,25 da alínea i, mais 0,67 de ii] e de 1,7 pontos
para os anos seguintes. Se aplicarmos estas vantagens na trajectória H1,
chamando H2 à nova trajectória, constata-se uma baixa muito mais
acentuada do peso da dívida pública.
Gráfico 2
Conclusão
Não há qualquer necessidade de considerar hipóteses extremas
do
ponto de vista das receitas e das despesas fiscais para obter uma baixa do peso
da dívida pública. A variável principal é o
crescimento nominal. Deste ponto de vista, uma saída do Euro acompanhada
por uma forte desvalorização dá já resultados
importantes. Se juntarmos a esta hipótese o efeito fiscal do
crescimento reencontrado, supondo ajustamentos marginais (1/3 dos
"nichos fiscais), os efeitos, bem entendido, multiplicam-se.
Podemos assim fazer baixar a dívida pública para menos de 65% do
PIB sem exigir sacrifícios suplementares aos contribuintes e diminuindo
o desemprego.
1. Jacques Sapir, Inflation monétaire ou inflation structurelle? Un
modèle hétérodoxe bi-sectoriel, FMSH-WP-2012-14, juin
2012. URL:
http://russeurope.hypotheses.org/61
2. G. A. Akerlof, W. T. Dickens et G. L. Perry, "The Macroeconomics of Low
Inflation" in Brookings Papers on Economic Activity, n°1/1996, pp.
1-59.
3. B.C. Greenwald e J. E. Stiglitz, "Toward a Theory of Rigidities"
in American Economic Review, vol. 79, n°2, 1989, Papers and Proceedings,
pp. 364-369. J.E. Stiglitz, "Toward a general Theory of Wage and Price
Rigidities and Economic Fluctuations" in American Economic Review, vol.
79, n°2, 1989, Papers and Proceedings, pp. 75-80.
4. C. Conrad e M. Karanasos, "Dual Long Memory in Inflation Dynamics
Across Countries of the Euro Area and the Link between InflationUncertainty and
Macroeconomic Performance", Studies in Nonlinear Dynamics & Econometrics,
vol. 9, n°4, nov. 2005 (publicado por The Berkeley Electronic Press e
consultável em
http://www.bepress.com/snde
)
10/Fevereiro/2013
Do mesmo autor em resistir.info:
Flexibilidade e desvalorização interna: Ideias perigosas na moda
, 24/Jan/13
[*]
Doctorat d'État em economia, autor de
Faut-il sortir de l’euro?
e de
La Démondialisation
. Actualmente dirige o Centre d'Études des Modes d'Industrialisation
(CEMI-EHESS).
O original encontra-se em
http://russeurope.hypotheses.org/855
. Tradução de Margarida Ferreira.
Este artigo encontra-se em
http://resistir.info/
.
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