O que pode ser feito?
por Paul Craig Roberts
Está na dependência da Europa a Terra morrer ou não num
Armagedão nuclear.
Os governos europeus não percebem seu potencial para salvar o mundo da
agressão de Washington, porque os europeus ocidentais estão
habituados desde a II Guerra Mundial a serem estados vassalos de Washington e
os do leste e do centro da Europa aceitaram a vassalagem a Washington desde o
colapso da União Soviética. A vassalagem é compensadora se
não forem contados todos os custos.
Ao aderirem à NATO, os europeus do leste e do centro permitiram a
Washington que avançasse a presença militar dos EUA às
fronteiras da Rússia. Esta presença militar sobre as fronteiras
russas deu a Washington a confiança indevida de que a Rússia
também poderia ser coagida a uma existência como estado vassalo.
Apesar do terrível destino dos dois melhores exércitos já
reunidos o Grande Exército de Napoleão e a Wehrmacht da
Alemanha Washington não aprendeu que as duas regras da guerra
são: (1) Não marche sobre a Rússia. (2) Não marche
sobre a Rússia.
Devido à subserviência da Europa à Washington, é
improvável que esta aprenda a lição antes de marchar sobre
a Rússia.
Na sua arrogante idiotice, Washington já começou parcialmente
esta marcha com o golpe na Ucrânia e com seus ataques a
posições militares sírias. Como escrevi anteriormente,
www.paulcraigroberts.org/2018/04/30/syrian-cisis-escalates/
, Washington está a escalar a crise na Síria.
O que pode travar isto antes que expluda em guerra é uma decisão
da Europa Oriental e Central de se desvincular da condição de
facilitadora da agressão de Washington.
Para a Europa não há benefícios em estar na NATO. Os
europeus não estão ameaçados pela agressão russa,
mas eles estão ameaçados pela agressão de Washington
contra a Rússia. Se os neoconservadores americanos e seu aliado
israelense tivessem êxito em provocar uma guerra, toda a Europa seria
destruída. Para sempre.
O que haverá de errado com políticos europeus que assumem este
risco com os povos que governam?
A Europa ainda é um lugar de beleza construída pelos humanos ao
longo de eras arquitecturalmente, artisticamente e intelectualmente
e o museu não deveria ser destruído. Uma vez livre da
vassalagem a Washington, a Europa poderia mesmo retornar à vida criativa.
A Europa já está a sofrer economicamente com as
sanções ilegais de Washington contra a Rússia impostas aos
europeus pelos EUA e com os milhões de refugiados não europeus a
inundarem seus países fugindo das guerras ilegais de Washington contra
povos muçulmanos, guerras que americanos são forçados a
combater em benefício de Israel.
O que é que os europeus obtêm das penalidades extremas impostas
sobre eles como vassalos de Washington? Eles não obtêm nada
excepto a ameaça do Armagedão. Um pequeno punhado de
"líderes" europeus obtém enormes subsídios de
Washington para permitir as suas agendas ilegais. Basta olhar para a enorme
fortuna de Tony Blair, a qual não é a recompensa normal para um
primeiro-ministro britânico.
Os europeus, incluindo os "líderes", têm muito mais a
ganhar em estarem conectados ao projecto Estrada da Seda, da Rússia e da
China. É o Oriente que está em ascensão, não o
Ocidente. A Estrada da Sede ligaria a Europa à ascensão do
Oriente. A Rússia tem um território subdesenvolvido cheio de
recursos a Sibéria que é maior do que os Estados
Unidos. Na base da paridade de poder de compra, a China já é a
maior economia do mundo. Militarmente a aliança russo-chinesa é
muito mais do que aquilo com que Washington pode competir.
Se a Europa tivesse qualquer bom senso, qualquer liderança, ela diria
adeus a Washington.
O que é que vale para a Europa a hegemonia de Washington sobre o mundo?
Como é que europeus, excepto um punhado de políticos que recebem
de Washington sacos cheios de dinheiro, recebem benefícios da sua
vassalagem a Washington? Nenhum benefício pode ser identificado.
Apologistas de Washington dizem que a Europa está temerosa de ser
dominada pela Rússia. Então por que é que os europeus
não estão temerosos dos seus 73 anos de dominação
por Washington, especialmente uma dominação que está a
levá-los para o conflito militar com a Rússia?
Ao contrário dos europeus e dos russos, os americanos têm escassa
experiência com baixas em tempo de guerra. Só uma batalha da I
Guerra Mundial, a Batalha de Verdun, produziu mais baixas do que as mortes em
batalha que os EUA experimentaram em todas as guerras da sua existência,
a começar pela Guerra Revolucionária pela independência
contra a Grã-Bretanha.
A Batalha de Verdun da I Guerra Mundial, que se verificou antes da entrada dos
EUA na guerra, foi a mais longa e a mais custosa batalha da história
humana. Uma estimativa feita em 2000 descobriu um total de 714.231 baixas,
377.231 franceses e 337.000 alemães, numa média de 70 mil baixas
por mês. Outras estimativas recentes aumentam o número de baixas
para 976 mil durante aquela batalha, com 1.250.000 feridos em Verdun durante a
guerra.
Em contraste, as baixas dos EUA na I Guerra Mundial após a sua entrada
foram de 53.402 mortos em batalha e 200 mil feridos não mortais.
Aqui está a lista dos mortos estado-unidenses em batalha desde a Guerra
Revolucionária até a "guerra global ao terror" em
Agosto de 2017:
Revolução americana: 4.435
Guera de 1812: 2.260
Guerras contra nativos americanos (1817-1898): 1.000
Guerra mexicana 1.733
Guerra de agressão nortista:
Norte: 104.414
Sul: 74.524
Guerra hispano-americana: War 385
II Guerra Mundial: 291.557
Guerra da Coreia: 33.739
Guerra do Vietname: 47.434
Guerra do Golfo: 148
Isto dá um total de 561.629 mortes em batalha.
Se acrescentarmos as mortes em batalha da guerra global ao terror a partir de
Agosto de 2017 6.930 temos 568.550 mortes estado-unidenses em
batalha em todas as guerras dos EUA. Ver:
www.infoplease.com/us/american-wars/americas-wars-us-casualties-and-veterans
A comparar com as 714.231 baixas, de que não sou capaz neste momento de
separar as mortais das não mortais, da única batalha da I Guerra
Mundial que não envolveu soldados estado-unidenses.
Por outras palavras, excepto para os Estados Confederados e americanos nativos,
que aguentaram enormes crimes de guerra da União, os EUA não
têm experiência de guerra. Por isso Washington entra em guerra com
facilidade. Da próxima vez, contudo, serão o Armagedão e
Washington deixará de existir. Assim como o resto de nós.
As mortes estado-unidenses na I Guerra Mundial foram baixas porque os EUA
não entraram na guerra senão no último ano. Analogamente,
na II Guerra Mundial, o Japão estava derrotada pela perda da sua Marinha
e Força Aérea pelo bombardeio incendiários de
Tóquio e outras cidades japonesas, o que exigiu poucas mortes em batalha
estado-unidenses. Os ataques nucleares a Hiroshima e Nagasaki foram gratuitos e
tiveram lugar quando o Japão queria render-se. Aproximadamente 200 mil
civis japoneses morreram nos ataques nucleares e não havia quaisquer
prisioneiros de guerra americanos naquelas cidades. Na Europa, como na I Guerra
Mundial, os EUA não entraram na guerra contra a Alemanha até no
ano final em que a Wehrmacht já havia sido derrotada pelo
Exército Vermelho soviético. A invasão da Normandia
enfrentou escassa oposição pois todas as forças
alemãs estavam na frente russa.
Se houvesse uma 3ª Guerra Mundial os EUA e todo o mundo ocidental seria
imediatamente de destruído pois não há nada entre o
ocidente e a extraordinária capacidade nuclear da Rússia excepto
a probabilidade da destruição da totalidade do mundo ocidental.
Por que a Europa facilita este cenário? Não haverá nenhuma
humanidade, nenhuma inteligência, que reste na Europa? Será a
Europa algo como um ajuntamento de gado à espera da carnificina
proveniente dos enlouquecidos neocons americanos? Não haverá
líderes políticos europeus com um grama de senso comum, um grama
de integridade?
Se não houver, o colapso está sobre nós pois não
há humanidade ou inteligência em Washington.
A Europa deve tomar a liderança, especialmente os centro-europeus.
Trata-se de povos que foram libertados dos nazis pelos russos e que no
século XXI experimentaram muito mais agressão vinda de
Washington, em busca da sua hegemonia, do que experimentaram vinda de Moscovo.
Se a Europa se desligar do controle de Washington, há esperança
de vida. Do contrário, estaremos mortos.
30/Abril/2018
O original encontra-se em
www.paulcraigroberts.org/2018/04/30/can-done-paul-craig-roberts/
Este artigo encontra-se em
http://resistir.info/
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