A atribuição do Nobel da Paz à União Europeia
A CGTP-IN considera a atribuição do Prémio Nobel da Paz
à UE uma profunda afronta aos trabalhadores e povos que sofrem no seu
dia a dia as consequências das políticas e medidas crescentemente
anti-laborais, anti-sociais e anti-populares desenvolvidas pelas estruturas
dirigentes da União Europeia e por uma grande parte dos governos que a
constituem. Não é aceitável que se atribua este
galardão ressaltando a luta pela paz e
reconciliação, pela democracia e pelos direitos humanos, ao
mesmo tempo que se omite a profunda deriva de uma UE crescentemente neoliberal
e orientada por princípios e práticas que lesam os interesses dos
trabalhadores e dos povos, sobretudo dos países economicamente mais
débeis.
A evolução da União Europeia tem vindo a confirmar o
aprofundamento de uma estrutura política assente na submissão ao
poder económico dos grandes grupos económicos e financeiros.
O que tem caracterizado o desenvolvimento do processo de
integração europeia, contrariamente aos objectivos
inicialmente declarados aquando da constituição da CEE
promoção da coesão económica e social, do modelo
social europeu e da harmonização do progresso é um
constante ataque das instituições da UE às conquistas dos
trabalhadores e das camadas mais desfavorecidas dos Estados-membros.
O directório das grandes potências, hegemónico na UE, tem
vindo a impor a regra do mais forte, degradando as condições de
vida e de trabalho, acentuando as desigualdades e assimetrias, contribuindo
para o aumento exponencial da pobreza e da exclusão social e para o
cerceamento da soberania dos povos.
Com a aprovação dos sucessivos Tratados, destacando-me mais
recentemente o Tratado de Lisboa e o Tratado orçamental, acentua-se uma
ofensiva que tem uma profunda marca de classe e hoje agravada e ampliada com a
chamada crise da dívida e os processos de imposição de
violenta austeridade conduzidos por troikas da UE, Banco Central Europeu e
Fundo Monetário Internacional.
A União Europeia tem vindo a confirmar, por outro lado, a
dimensão militarista do actual projecto europeu. Basta
atentar nas intervenções militares da UE e de alguns
Estados-membros na ex-Jugoslávia e mesmo fora do seu espaço
geográfico. Estão ainda previstos mais avanços na
política comum de segurança e defesa e reforço de
capacidades civis e militares, num quadro de uma crescente
subordinação aos compromissos assumidos no âmbito da NATO.
O actual modelo de construção europeia conduzido pela UE e pelas
suas instituições é absolutamente contrário aos
interesses dos trabalhadores e dos povos do nosso Continente.
Não se pode premiar, em nome da paz, uma instituição que
de forma cada vez mais acentuada põe em causa direitos laborais,
sociais, culturais, da paz e da cooperação entre os povos.
Não é possível atribuir um prémio Nobel a uma
organização que, com as suas orientações e medidas,
legitima políticas anti-sociais e de exploração.
A CGTP-IN, tal como afirmou no seu último Congresso, contribui, com a
sua intervenção e luta para a edificação de
uma Europa dos trabalhadores e dos povos e pelo aprofundamento do modelo social
europeu.
Lutamos e lutaremos por uma alternativa a esta Europa do neo-liberalismo, do
militarismo e da regressão social, lutamos e lutaremos por uma
construção europeia, norteada por uma efectiva
cooperação entre países soberanos e iguais em
direitos, uma Europa solidária, democrática e mais
justa
com maior coesão económica e social e o respeito pelas
decisões soberanas dos povos.
O original encontra-se em
www.cgtp.pt/...
Esta declaração encontra-se em
http://resistir.info/
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