Um novo século americano?
O Iraque e as guerras ocultas do euro-dólar

por F. William Engdahl

Apesar do aparentemente rápido êxito militar dos Estados Unidos no Iraque, o dólar americano ainda está à espera de obter benefícios enquanto divisa de porto seguro. Este é um desfecho inesperado, já que muitos negociantes de divisas estavam à espera de um reforço do dólar quando fosse conhecida a vitória dos Estados Unidos. O capital está a fugir do dólar, em grande parte em benefício do euro. Muita gente começa a interrogar-se se a situação objectiva da economia americana não estará muito pior do que o mercado de acções sugere. O futuro do dólar está longe de ser uma preocupação menor que interessa apenas aos bancos ou aos negociantes de divisas. Está no cerne da Pax Americana ou, como se diz, do Século Americano, o sistema de acordos sobre o qual assenta o papel da América no mundo.

No entanto, apesar de o dólar estar a cair firmemente em relação ao euro após o fim das lutas no Iraque, parece que Washington piora deliberadamente a queda do dólar com comentários públicos. O que se está a passar é um jogo de poderes do mais alto significado geopolítico, talvez o mais sinistro, desde o aparecimento dos Estados Unidos em 1945 como líder do poder económico mundial.

A coligação de interesses que convergiu na guerra contra o Iraque, uma necessidade estratégica para os Estados Unidos, não incluiu apenas os falcões neo-conservadores altamente audíveis e visíveis em redor do secretário da Defesa Rumsfeld e do seu representante, Paul Wolfowitz. Também incluiu poderosos interesses permanentes, de cujo papel global depende a influência económica americana, tais como o influente sector energético em redor da Halliburton, da Exxon Mobil, da Chevron Texaco e doutras gigantescas multinacionais. Incluiu também os enormes interesses da indústria de defesa americana em redor da Boeing, da Lockheed-Martin, da Raytheon, da Northrup-Grumman e doutras. O objectivo destes gigantescos conglomerados da defesa e da energia não é apenas conseguir uns tantos gordos contratos do Pentágono para reconstruir as instalações petrolíferas iraquianas e encher as algibeiras de Dick Cheney ou doutros. É um jogo pela própria continuação do poder americano nas próximas décadas do novo século. Não quer dizer que [não] haja lucros no processo, mas isso é apenas um subproduto do objectivo estratégico global.

Neste jogo pelo poder, o que é menos visível é o papel de preservação do dólar como divisa de reserva mundial, factor motor principal que influenciou a ambição de Washington pelo poder sobre o Iraque nos últimos meses. Vendo bem as coisas, o domínio americano no mundo assenta sobre dois pilares — a superioridade militar esmagadora, principalmente no mar; e o controlo dos fluxos económicos mundiais através do papel do dólar enquanto divisa de reserva mundial. Cada vez é mais evidente que a guerra do Iraque foi travada principalmente por causa da preservação do segundo pilar – o papel do dólar – e não do primeiro – o militar. No papel do dólar, o petróleo é um factor estratégico.

O SÉCULO AMERICANO: AS TRÊS FASES

Se olharmos para trás, para o período desde o fim da II Guerra Mundial, podemos identificar várias fases distintas da evolução do papel americano no mundo. A primeira fase, que começou no período imediatamente pós-guerra de 1945-1948 e no início da Guerra Fria, podia ser designado por sistema de Padrão de Ouro de Bretton Woods.

Logo a seguir à Guerra Mundial, com o sistema de Bretton Woods a ordem era relativamente pacífica. Os Estados Unidos tinham emergido da guerra claramente como a única superpotência, com uma forte base industrial e as maiores reservas de ouro de qualquer outra nação. A tarefa inicial era reconstruir a Europa Ocidental e criar uma aliança atlântica NATO contra a União Soviética. O papel do dólar estava directamente ligado ao do ouro. Enquanto a América desfrutasse das maiores reservas de ouro, e a economia dos Estados Unidos fosse de longe a mais produtiva e a mais eficiente, toda a estrutura da divisa Bretton Woods se mantinha estável, desde o franco francês à libra esterlina inglesa e ao marco alemão. Os créditos em dólares foram alargados com a ajuda do plano Marshall e com os créditos para financiar a reconstrução da Europa devastada pela guerra. As companhias americanas, entre as quais as multinacionais, obtiveram bons lucros com o domínio do comércio no começo dos anos 50. Washington até encorajou a criação do Tratado de Roma em 1958 como forma de incentivar a estabilidade económica europeia e de criar maiores mercados de exportação americanos. Na sua maior parte, esta fase inicial daquilo que o editor da revista Time Henry Luce chamou de “O Século Americano”, em termos de lucros económicos, foi relativamente 'benigna' tanto para os Estados Unidos como para a Europa. Os Estados Unidos ainda tinham flexibilidade económica para se movimentarem.

Esta foi a era da política externa americana liberal. Os Estados Unidos eram o poder hegemónico na comunidade ocidental das nações. Como dominavam as esmagadoras reservas de ouro e os recursos económicos em relação aos estados ocidentais ou ao Japão e à Coreia do Sul, os Estados Unidos bem podiam permitir-se abrir o seu comércio às exportações europeias e japonesas. Em compensação tinham o apoio europeu e japonês para o papel dos Estados Unidos durante a Guerra Fria. A liderança americana era baseada, durante os anos 50 e princípios dos anos 60, não tanto na coerção directa mas sobretudo na tentativa de chegar a um consenso, quer se tratasse de circuitos comerciais GATT ou de outros objectivos. As organizações de elites, tais como as conferências Bilderberg, eram organizadas para partilhar o consenso resultante entre a Europa e os Estados Unidos.

Esta primeira fase, mais benigna, do Século Americano chegou ao fim por volta dos primeiros anos da década de 70.

O Padrão Ouro Bretton Woods começou a fraquejar, quando a Europa se firmou economicamente nas pernas e começou a tornar-se uma forte exportadora nos meados dos anos 60. Esta força económica crescente na Europa Ocidental coincidiu com elevados défices públicos americanos quando Johnson entrou na escalada da trágica guerra no Vietnam. Durante os anos 60, o francês de Gaulle começou a arrecadar os seus lucros de exportação em dólares e exigiu ouro da Reserva Federal americana, legalmente de acordo com a Bretton Woods daquela época. Em Novembro de 1967 o escoamento de ouro dos cofres dos Estados Unidos e do Banco de Inglaterra tornou-se crítico. O elo fraco no acordo do Padrão Ouro Bretton Woods era a Inglaterra, o 'doente da Europa'. O elo partiu-se quando a libra esterlina foi desvalorizada em 1967. Isso acabou por acelerar a pressão sobre o dólar americano, quando os franceses e outros bancos centrais aumentaram a sua exigência de ouro americano em troca das suas reservas de dólares. Calcularam que, com os elevados gastos de guerra do Vietnam, seria apenas uma questão de meses até que os próprios Estados Unidos fossem forçados a desvalorizar em relação ao ouro, por isso seria melhor obter o ouro de imediato a um preço mais alto.

Em Março de 1971 o escoamento do ouro da Reserva Federal americana tornou-se alarmante, e até o Banco de Inglaterra se juntou ao francês a pedir o ouro americano em troca dos seus dólares. Tinha-se chegado ao ponto em que, em vez de arriscar um colapso das reservas de ouro dos Estados Unidos, a administração de Nixon optou por abandonar totalmente o ouro, indo para um sistema de divisas flutuantes em Agosto de 1971. A ruptura com o ouro abriu a porta a uma fase inteiramente nova no Século Americano. Com efeito, nesta nova fase, o controlo sobre a política monetária foi privatizado, e os grandes bancos internacionais tais como o Citybank, o Chase Manhattan ou o Barclays Bank assumiram o papel que os bancos centrais tinham tido num sistema de ouro, mas agora sem ouro nenhum. Doravante as 'forças de mercado' é que determinavam o dólar. E fizeram-no duma forma vingativa.

A flutuação livre do dólar, aliada à subida de 400% dos preços do petróleo da OPEP em 1973, após a guerra de Yom Kippur, criaram a base para uma segunda fase do Século Americano, a fase Petrodólar.

RECICLAGEM DOS PETRODÓLARES

A partir dos meados dos anos 70, o sistema do domínio económico global do Século Americano sofreu uma mudança dramática. Um choque do petróleo anglo-americano criou subitamente uma enorme procura do dólar flutuante. Os países importadores de petróleo desde a Alemanha à Argentina e ao Japão, foram todos confrontados com a necessidade de exportar dólares para pagar as suas novas enormes contas de importação de petróleo. Os países petrolíferos da OPEP ficaram inundados com novos dólares de petróleo. A maior parte desses dólares do petróleo ia para os bancos de Londres e de Nova Iorque onde tinha sido instituído um novo procedimento. Henry Kissinger chamou-lhe 'reciclagem do petrodólar'. A estratégia da reciclagem já tinha sido discutida em Maio de 1971 na conferência de Bilderberg em Saltsjoebaden, na Suécia. Foi apresentada pelos membros americanos da Bilderberg, como pormenorizado no livro 'Mit der Ölwaffe zur Weltmacht'. [1]

Subitamente a OPEP ficou afogada em dólares que não podia utilizar. Os bancos americanos e ingleses recebiam os dólares da OPEP e voltavam a emprestá-los sob a forma de obrigações Petrodólar ou empréstimos, a países do Terceiro Mundo, desesperados por obter dólares para financiar as importações de petróleo. A constituição destas dívidas de petrodólares nos fins dos anos 70, criou a base para a crise da dívida do Terceiro Mundo nos anos 80. Centenas de milhares de milhões de dólares foram reciclados entre a OPEP, os bancos de Londres e de Nova Iorque e foram emprestados aos países do Terceiro Mundo.

Em Agosto de 1982 a cadeia acabou por se partir e o México anunciou que não estava disposto a pagar os empréstimos de Petrodólares. A crise da dívida do Terceiro Mundo começou quando Paul Volcker e a Reserva Federal americana aumentaram unilateralmente as taxas de juro americanas nos finais de 1979 para tentar salvar a queda do dólar. Após três anos em que as taxas de juro americanas subiram de forma recorde, o dólar estava 'salvo' mas todo o sector de desenvolvimento estava sufocado economicamente debaixo das taxas americanas de juros agiotas sob os seus empréstimos de petrodólares. Para forçar o reembolso da dívida aos bancos de Londres e de Nova Iorque, os bancos levaram o FMI a actuar como um 'polícia cobrador de dívidas'. Sob as ordens do FMI os gastos públicos com a saúde, a educação, a assistência social foram reduzidos drasticamente para garantir que os bancos recebessem atempadamente as dívidas dos seus petrodólares.

A fase da hegemonia do petrodólar foi uma tentativa do establishment dos Estados Unidos para abrandar o seu declínio geopolítico enquanto centro hegemónico do sistema pós-guerra. Desenvolveu-se o 'Consenso de Washington' do FMI para reforçar a colecta draconiana da dívida dos países do Terceiro Mundo, para forçá-los a pagar as dívidas de dólares, para impedir qualquer independência económica das nações do Sul, e para manter à tona os bancos americanos e o dólar. David Rockefeller e outros criaram a Comissão Trilateral em 1973 para lidar com o recente aparecimento do Japão como um gigante industrial e tentar trazer o Japão para dentro do sistema. O Japão, como importante nação industrial, era um dos maiores importadores de petróleo. Os excedentes comerciais do Japão das exportações de automóveis e de outros bens eram utilizados para comprar petróleo em dólares. Os excedentes que sobravam eram investidos em obrigações do Tesouro americanas para obter juros. O Grupo dos 7 foi fundado para manter o Japão e a Europa Ocidental dentro do sistema do dólar americano. De tempos a tempos, durante os anos 80, levantar-se-iam vozes no Japão em prol de três divisas – o dólar, o marco alemão e o iene – para partilha do papel de reserva mundial. Isso nunca aconteceu. O dólar manteve-se dominante.

De um ponto de vista muito estreito, a fase de hegemonia do petrodólar parecia estar a funcionar. Mas no fundo baseava-se num declínio económico cada vez pior dos padrões de vida em todo o mundo, pois as políticas do FMI destruíam o crescimento económico nacional e abriam os mercados às multinacionais globalizantes que, nos anos 80 e principalmente nos anos 90, procuravam mão-de-obra exterior para produção barata.

No entanto, mesmo na fase do Petrodólar, a política económica externa e a política militar americanas estavam dominadas pelas vozes do consenso liberal tradicional. O poder americano estava dependente da negociação de novos acordos periódicos no comércio ou noutras áreas com os seus aliados na Europa, no Japão e na Ásia de Leste.

UM PETRO-EURO RIVAL?

O fim da Guerra Fria e o surgimento de uma nova Europa Única e da União Monetária Europeia no princípio dos anos 90, começou a apresentar um desafio inteiramente novo para o Século Americano. Demorou alguns anos, mais do que uma década após a Guerra do Golfo em 1991, até que este novo desafio emergisse em toda a sua dimensão. A actual guerra do Iraque só é compreensível enquanto batalha principal nesta nova fase, a terceira, pela defesa do domínio americano. Esta fase já foi apelidada de 'imperialismo democrático', um termo favorito de Max Boot e de outros neo-conservadores. Como os acontecimentos no Iraque demonstram, não tem aspecto de ser muito democrática, mas é de facto bem imperialista.

Ao contrário dos primeiros períodos após 1945, na nova era, desapareceu a liberdade americana de garantir concessões aos outros membros do Grupo dos 7. Agora o poder bruto é o único veículo para manter o domínio americano a longo prazo. A melhor expressão deste argumento vem dos falcões neo-conservadores em redor de Paul Wolfowitz, Richard Perle, William Kristol e outros.

Um ponto a sublinhar, contudo, é de que a grande influência de que desfrutam os neo-conservadores desde o 11 de Setembro se deve ao facto de que uma maioria no establishment do poder americano considera as suas opiniões como úteis para avançar com um novo papel agressivo americano no mundo.

Mais do que trabalhar em áreas de acordo com os seus parceiros europeus, Washington vê cada vez mais a Zona do Euro como a maior ameaça estratégica à hegemonia americana, em especial a 'Velha Europa' da Alemanha e da França. Tal como a Inglaterra em declínio após 1870 recorreu a guerras imperiais cada vez mais desesperadas na África do Sul e noutros locais, também os Estados Unidos estão a utilizar o seu poderio militar para tentar progredir naquilo que já não consegue por meios económicos. O dólar aqui é o calcanhar de Aquiles.

Com a criação do Euro nos últimos cinco anos, introduziu-se um elemento inteiramente novo no sistema global, que define aquilo a que podemos chamar a terceira fase do Século Americano. Esta fase, na qual a recente guerra do Iraque desempenha um papel principal, ameaça trazer uma fase nova, perniciosa ou imperial que substitui as fases anteriores da hegemonia americana. Os neo-conservadores estão abertos a esta agenda imperial, enquanto que as vozes políticas americanas mais tradicionais tentam negá-la. A realidade económica que o dólar enfrenta no início do novo século define esta nova fase duma forma agoirenta.

Há uma diferença qualitativa que emerge entre as duas fases iniciais do Século Americano – a de 1945-1973, e a de 1973-1999 – e a fase que agora surge de domínio continuado na esteira dos ataques de 11 de Setembro e da guerra do Iraque. O poder americano desde o pós-1945 até agora era predominantemente o de uma hegemonia. Embora uma hegemonia seja o poder dominante, numa distribuição desigual de poder, o seu poder não é gerado apenas pela força, mas também por consenso entre os seus poderes aliados. Isto porque a hegemonia é obrigada a prestar certos serviços aos aliados tais como protecção militar ou regulação dos mercados mundiais para benefício dum grupo mais lato, onde ela própria se inclui. Um poder imperial não tem tais obrigações para com os aliados, nem liberdade para o fazer, apenas a crueza decreta como assegurar o seu poder em declínio – aquilo a que alguns chamam 'a demasiada extensão imperial' (imperial overstretch). Este é o mundo que os falcões neo-conservadores em redor de Rumsfeld e Cheney sugerem que a América tem que dominar, com uma política de guerra preventiva.

No cerne desta nova fase está uma guerra oculta pela hegemonia global entre o dólar e a nova divisa euro.

Para compreender a importância desta batalha oculta pela hegemonia da divisa, temos primeiro que compreender que, desde o surgimento dos Estados Unidos como a superpotência global dominante após 1945, a hegemonia americana assentou sobre dois pilares incontestados. Primeiro, a esmagadora superioridade militar americana sobre todos os outros rivais. Os Estados Unidos gastam hoje na defesa mais do que o triplo do total de toda a União Europeia, uns 396 mil milhões de dólares contra 118 mil milhões de dólares no ano passado, e mais do que as outras 15 maiores nações em conjunto. Washington planeia um aumento na defesa para 2,1 triliões de dólares (1 trilião=10 12 ) para os próximos cinco anos. Nenhuma nação ou grupo de nações consegue aproximar-se nos gastos com a defesa. A China está pelo menos a 30 anos de distância até se tornar uma ameaça militar a sério. Ninguém pode falar a sério em destronar o poderio militar americano.

O segundo pilar do domínio americano no mundo é o papel dominante do dólar americano enquanto divisa de reserva. Até ao advento do euro nos finais de 1999, não havia adversário potencial para esta hegemonia do dólar no comércio mundial. O Petrodólar tem estado no centro da hegemonia do dólar desde os anos 70. A hegemonia do dólar é estratégica para o futuro do predomínio global americano, em muitos aspectos tão ou mais importante do que o esmagador poderio militar.

O DÓLAR, MOEDA FIDUCIÁRIA (FIAT MONEY)

A viragem crucial deu-se quando Nixon retirou ao dólar a reserva fixa de ouro e pô-lo a flutuar em relação às outras divisas. Isso eliminou os constrangimentos para imprimir novos dólares. O limite era apenas a quantidade de dólares que o resto do mundo iria aceitar.

Através do seu acordo firme com a Arábia Saudita, o maior produtor de petróleo da OPEP que é o "fiel da balança" ('swing producer') da principal commodity do mundo, o petróleo, a essência da economia de todas as nações, a base de todos os transportes e da maior parte da economia industrial, só podia ser comprada nos mercados mundiais em dólares. O acordo foi fixado em Junho de 1974 pelo secretário de Estado Henry Kissinger, que instituiu a Comissão Conjunta Estados Unidos-Arábia Saudita para a Cooperação Económica. O Tesouro dos Estados Unidos e a Reserva Federal de Nova Iorque 'permitiriam' ao banco central saudita, SAMA, comprar Obrigações do Tesouro dos Estados Unidos com petrodólares sauditas. Em 1975 a OPEP concordou oficialmente em vender o seu petróleo apenas em troca de dólares. Um acordo militar secreto americano para armar a Arábia Saudita foi a recompensa.

Até Novembro de 2000, nenhum país da OPEP ousou violar a regra do preço em dólares. Também, enquanto o dólar foi a divisa mais forte, não havia razão para tal. Mas foi em Novembro que os franceses e outros membros da Zona do Euro convenceram finalmente Saddam Hussein a desafiar os Estados Unidos vendendo aos iraquianos, no âmbito programa petróleo-por-comida, não em dólares, a 'divisa do inimigo' como o Iraque lhe chamava, mas apenas em euros. Os euros eram depositados numa conta especial das Nações Unidas do principal banco francês, BNP Paribas. A Radio Liberty do Departamento de Estado americano passou um curto telegrama no noticiário e a história foi rapidamente silenciada. [2]

Este pouco notado movimento do Iraque de desafio ao dólar em favor do euro foi, em si próprio, insignificante. Contudo, se se espalhasse, especialmente numa altura em que o dólar já estava a enfraquecer, poderia criar uma situação de pânico de liquidação de dólares nos bancos centrais estrangeiros e produtores de petróleo da OPEP. Nos meses anteriores à última guerra do Iraque, ouviram-se rumores neste sentido vindos da Rússia, do Irão, da Indonésia e mesmo da Venezuela. Um funcionário iraniano da OPEP, Javad Yarjani, produziu uma análise detalhada sobre como a OPEP num qualquer futuro poderia vender o seu petróleo à União Europeia em euros e não em dólares. Falou em Abril de 2002 em Oviedo, na Espanha, a convite da União Europeia. Todos os indícios são de que a guerra do Iraque foi aproveitada como a forma mais fácil de enviar um aviso mortal preventivo à OPEP e outros, para não sonharem em abandonar o sistema de Petrodólar a favor doutro baseado no euro.

Círculos bancários bem informados na City de Londres e noutros lugares na Europa confirmam confidencialmente a significância desse movimento do Iraque, pouco divulgado, do petrodólar para o petroeuro. “O movimento do Iraque foi uma declaração de guerra contra o dólar', disse-me recentemente um importante banqueiro de Londres. “Logo que se tornou claro que a Inglaterra e os Estados Unidos tinham conquistado o Iraque, ouviu-se um grande suspiro de alívio nos bancos da City de Londres. Disseram em privado, “agora não temos que nos preocupar com o diabo daquela ameaça do euro”.

Porque é que algo tão pequeno podia ser uma ameaça estratégica tão grande para Londres e Nova Iorque, ou para os Estados Unidos, que levasse um presidente americano a pôr em risco cinquenta anos de relações de alianças globais, e ainda efectuar um ataque militar cuja justificação nem sequer podia ser provada perante o mundo?

A resposta é o papel sem igual do petrodólar para sustentar a hegemonia económica americana.

Como é que isso funciona? Como quase 70 % do comércio mundial é feito em dólares, o dólar é a divisa que os bancos centrais acumulam como reservas. Mas os bancos centrais, quer seja na China, no Japão, no Brasil ou na Rússia, não armazenam simplesmente os dólares nos seus cofres. As divisas têm uma vantagem sobre o ouro. Um banco central pode utilizá-las para comprar Títulos de Estado ao seu emissor, os Estados Unidos. A maior parte dos países em todo o mundo é forçada a controlar os défices comerciais, senão enfrentam o colapso de divisas. Mas não os Estados Unidos. Isto por causa do papel do dólar como divisa de reserva. E o suporte do papel da reserva é o petrodólar. Todas as nações precisam de arranjar dólares para importar petróleo, umas mais do que outras. Isto significa que o seu comércio procura países do dólar, acima de tudo os Estados Unidos.

Como o petróleo é um produto essencial para todas as nações, o sistema petrodólar, que existe até ao presente, exige a obtenção de enormes excedentes comerciais com o fim de acumular excedentes de dólares. Isto acontece com todos os países excepto com um - os Estados Unidos que controlam o dólar e o imprimem à sua vontade ou sem lastro (fiat). Como hoje em dia a maioria de todo o comércio internacional é feita em dólares, os países têm que ir buscar fora os meios de pagamento que eles próprios não conseguem emitir. Toda a estrutura comercial global de hoje funciona em volta desta dinâmica, desde a Rússia à China, desde o Brasil à Coreia do Sul e ao Japão. Todos pretendem maximizar os excedentes de dólares do seu comércio de exportação.

Para manter em andamento este processo, os Estados Unidos concordaram em ser 'importadores de último recurso' pois toda a sua hegemonia monetária depende desta reciclagem de dólares.

Todos os bancos centrais do Japão, da Coreia do Sul, da Rússia e do resto do mundo compram acções do Tesouro dos Estados Unidos com os seus dólares. Isto, em troca, permite aos Estados Unidos ter um dólar estável, taxas de juro bastante mais baixas, e manter um défice da balança de pagamentos anual de 500 mil milhões de dólares com o resto do mundo. A Reserva Federal controla as máquinas de impressãos do dólar, e o mundo precisa dos seus dólares. É tão simples como isto.

A AMEAÇA DA DÍVIDA EXTERNA AMERICANA

Mas, talvez não seja assim tão simples. Este é um sistema altamente instável, já que os défices comerciais americanos e a dívida líquida ou passivos nas contas externas estão agora bem acima dos 22% do PIB em relação a 2000, e estão a subir rapidamente. O endividamento externo dos Estados Unidos – tanto público como privado – está a começar a explodir agoirentamente. Nos três últimos anos desde o colapso dos fundos americanos e do reaparecimento dos défices orçamentais em Washington, a posição da dívida líquida, de acordo com um estudo recente do Instituto Pestel de Hanover, quase duplicou. Em 1999, ano do pico da bolha furiosa das 'dot.com', a dívida líquida externa dos Estados Unidos era de cerca de 1,4 milhão de milhões (trillions) de dólares! Antes de 1989, os Estados Unidos eram credores, e ganhavam mais com os seus investimentos externos do que pagavam em juros sobre as Obrigações do Tesouro ou outros activos americanos. Desde o fim da Guerra Fria, os Estados Unidos passaram a nação devedora ao exterior até ao valor de 3,7 milhões de milhões (trillions) de dólares! Não é aquilo a que Hilmar Kopper chamaria de 'trocos'.

Não é necessário ter grandes dons de previsão para ver a ameaça estratégica destes défices para o papel dos Estados Unidos. Com uma conta corrente anual (comercial principalmente) deficitária em cerca de 550 mil milhões de dólares, cerca de 5% do PIB, os Estados Unidos precisam de receber ou de atrair pelo menos 1,4 mil milhões de dólares por dia, para evitar um colapso do dólar e manter as taxas de juro suficientemente baixas a fim de aguentar a economia das empresas carregadas de dívidas. Esta dívida líquida está a piorar a um ritmo dramático. Se a França, a Alemanha, a Rússia e um certo número dos países petrolíferos da OPEP desviassem agora uma pequena parte das suas reservas de dólares para o euro para comprar obrigações da Alemanha ou da França ou doutros que tais, os Estados Unidos enfrentariam uma crise estratégica pior do que a de qualquer período do pós-guerra. Impedir esta ameaça, foi uma das razões ocultas mais estratégicas para a decisão de impor a chamada 'mudança de regime' no Iraque. É tão simples e tão cru como isto. O futuro do estatuto de única superpotência da América dependia do afastamento da ameaça que vinha da Eurásia e principalmente da Zona do Euro. O Iraque era e continua a ser uma peça de xadrez num jogo estratégico muito mais lato, um daqueles onde as apostas são mais altas.

O EURO AMEAÇA A HEGEMONIA

Quando no fim da última década foi lançado o euro, individualidades governamentais destacadas da União Europeia, o banqueiro Norbert Walker do Deutsche Bank, e o presidente francês Chirac dirigiram-se aos principais detentores de reservas de dólares – China, Japão, Rússia – e tentaram convencê-los a trocar dólares, pelo menos numa parte das suas reservas, por euros. No entanto, isso colidia com a necessidade de desvalorizar a cotação demasiado elevada do euro, para que as exportações alemãs pudessem estabilizar o crescimento da Zona do Euro. Até 2002 manteve-se um euro em queda.

Depois, com o desastre do arrebentamento da bolha das 'dot.com' americana, os escândalos financeiros da Enron e da Worldcom, e a recessão nos Estados Unidos, o dólar começou a perder a sua atracção para os investidores estrangeiros. O euro foi ganhando regularmente até ao fim de 2002. Então, quando a França e a Alemanha preparavam a sua estratégia diplomática secreta para bloquear a guerra no Conselho de Segurança da ONU, surgiram rumores de que os bancos centrais da Rússia e da China haviam começado discretamente a liquidar dólares e a comprar euros. O resultado foi uma queda livre do dólar na véspera da guerra. Estava criado o cenário caso Washington perdesse a guerra do Iraque, ou em alternativa cair num desastre longo e sangrento.

Mas Washington, os principais bancos de Nova Iorque e os escalões mais altos do establishment perceberam claramente o que estava em jogo. O problema do Iraque não era apenas o armamento químico ou mesmo nuclear de destruição maciça. A 'arma de destruição maciça' era a ameaça de que outros imitassem o Iraque e trocassem os dólares por euros, criando a destruição maciça do papel económico hegemónico dos Estados Unidos no mundo. Como foi disse por um economista, o fim ao papel do dólar como reserva seria uma 'catástrofe' para os Estados Unidos. As taxas de juro da Reserva Federal teriam que ser elevados a alturas maiores do que em 1979 quando Paul Volcker aumentou as taxas acima dos 17% para tentar fazer parar o colapso do dólar nessa altura. Pouca gente percebeu que a crise do dólar de 1979 foi também um resultado directo dos movimentos da Alemanha e da França, com Schmidt e Giscard, para defender a Europa juntamente com a Arábia Saudita e outros que começaram a vender obrigações do Tesouro americanas para protestar contra a política da administração Carter. Também vale a pena relembrar que depois da operação de salvamento do dólar de Volcker, a administração Reagan, apoiada por muitos dos falcões neo-conservadores de hoje, iniciou uma enorme gasto com a defesa militar americana a fim de desafiar a União Soviética.

A EURÁSIA VERSUS O PODER INSULAR ANGLO-AMERICANO

Esta guerra de petrodólares versus petroeuros, que começou no Iraque, está longe de estar acabada, apesar da aparente vitória dos Estados Unidos no Iraque. O euro foi criado pelos estrategas geopolíticos franceses para estabelecer um mundo multipolar após o colapso da União Soviética. O objectivo era equilibrar o domínio esmagador dos Estados Unidos nos assuntos mundiais. Significativamente, os estrategas franceses confiam num estratega geopolítico inglês para desenvolver a sua alternativa de poder rival aos Estados Unidos, ou seja, Sir Halford Mackinder.

No passado mês de Fevereiro, uma publicação ligada aos serviços de informação franceses, o Intelligence Online, escreveu um artigo, 'A Estratégia por detrás do Eixo Paris-Berlim-Moscovo'. Referindo-se ao bloco França-Alemanha-Rússia do Conselho de Segurança das Nações Unidas, que tentou impedir o movimento dos Estados Unidos-Inglaterra para a guerra no Iraque, a notícia de Paris anota os recentes esforços dos poderes europeus e outros para criar um contrapoder aos Estados Unidos. Referindo-se aos novos laços da França com a Alemanha e mais recentemente com Putin, fazem notar, 'parece ter surgido uma nova lógica, talvez mesmo uma nova dinâmica. Uma aliança entre Paris, Moscovo e Berlim desde o Atlântico até à Ásia pode prenunciar um limite ao poder dos Estados Unidos. Pela primeira vez desde o começo do século XX, insinuou-se nas relações internacionais a noção de uma área central mundial – o pesadelo dos estrategas ingleses – deslizou novamente para as relações internacionais.' [3]

Mackinder, o pai dos geopolíticos ingleses, escreveu no seu notável artigo, 'O Pivot Geográfico da História' ('The Geographical Pivot of History') que o controlo do coração da Eurásia, desde a Normandia na França até Vladivostoque, era a única ameaça possível a opor à supremacia naval da Inglaterra. Até 1914 a diplomacia inglesa era baseada em evitar qualquer ameaça da Eurásia, na altura em redor da política de expansão para leste do Kaiser alemão com o caminho de ferro de Bagdade e a construção da armada alemã de Tirpitz. O resultado foi a I Guerra Mundial. Referindo-se aos esforços em curso dos ingleses e posteriormente dos americanos para evitar uma aliança eurasiana como rival, o relatório dos serviços de informação de Paris sublinhava, 'Essa aproximação estratégica (i.e., criar a Área Central Eurasiana) assenta na origem de todas as fracturas entre os poderes continentais e os poderes marítimos (Reino Unido, Estados Unidos e Japão)... É a supremacia de Washington sobre os mares que, ainda hoje, dita o apoio inabalável de Londres aos Estados Unidos e a aliança entre Tony Blair e Bush.'

Outro diário francês bem relacionado, o Reseau Voltaire.net, escrevia, na véspera da guerra do Iraque, que o dólar era 'O calcanhar de Aquiles dos Estados Unidos da América'. [4] É uma afirmação suave, para colocar o problema moderadamente.

O IRAQUE FOI PLANEADO COM GRANDE ANTECEDÊNCIA

Esta ameaça proveniente duma política do euro, liderada pela França, com o Iraque e outros países, levou alguns círculos dominantes no establishment a começar a pensar nas ameaças antecipadas ao sistema Petrodólar muito antes de Bush ser presidente. Enquanto Perle, Wolfowitz e outros líderes neo-conservadores desempenhavam um papel dominante no desenvolvimento duma estratégia para impedir o sistema ainda balbuciante, formava-se um novo consenso que incluía elementos principais da instituição tradicional da Guerra Fria em redor de individualidades como Rumsfeld e Cheney.

Em Setembro de 2000, durante a campanha, um pequeno 'think-tank' (grupo de pesquisa – N.T.) de Washington, o Projecto para um Novo Século Americano ('Project for a New American Century', PNAC), publicou um importante estudo político: 'Reconstruir as Defesas da América: Estratégias, Forças e Recursos para um Novo Século'. O artigo é útil em muitas áreas para compreender melhor a actual política da administração. Sobre o Iraque, afirma, 'Os Estados Unidos tentaram durante décadas desempenhar um papel mais permanente na segurança da região do Golfo. Embora o conflito ainda não resolvido com o Iraque forneça a justificação imediata, a necessidade para uma presença substancial da força americana no Golfo transcende o objectivo do regime de Saddam Hussein.'

Este documento PNAC é a base essencial para o 'Livro Branco' presidencial de Setembro de 2002, 'A Estratégia de Segurança Nacional dos Estados Unidos da América'. O documento do PNAC estabelece um 'plano completo para a manutenção do predomínio americano global, impedindo o levantamento de um grande poder rival, e formatando a ordem de segurança internacional de acordo com os princípios e interesses americanos. A Grande Estratégia Americana tem que ser prosseguida no futuro tão longe quanto possível.' Mais ainda, os Estados Unidos têm que 'desencorajar as nações industriais avançadas de desafiar a nossa liderança ou mesmo de aspirar a um papel regional ou global maior.'

A lista de membros do PNAC em 2000 tem semelhança com a listagem da actual administração Bush. Incluía Cheney, a sua mulher Lynne Cheney, o neo-conservador ajudante de Cheney, Lewis Libby; Donald Rumsfeld; o representante de Rumsfeld, o secretário Paul Wolfowitz. Incluía também o chefe do NSC (Conselho de Segurança Nacional) no Médio Oriente Elliot Abrams; John Bolton do Departamento de Estado; Richard Perle e William Kristol. E também estavam no grupo o ex-vice-presidente da Lockheed-Martin, Bruce Jackson, e o ex-chefe da CIA James Woolsey, conjuntamente com Norman Podhoretz, outro achado neo-conservador. Woolsey e Podhoretz falam abertamente em estarem na 'IV Guerra Mundial'.

Cada vez se torna mais claro para muita gente que a guerra no Iraque se travou para evitar uma bancarrota do modelo de domínio global do Século Americano. Também é claro que o Iraque não é o fim de tudo. O que ainda não é claro e tem que ser amplamente debatido em todo o mundo, é como substituir a falida ordem do Petrodólar por um novo sistema que vise a prosperidade económica e a segurança global.

Agora que o Iraque ameaça explodir num caos interno, é importante repensar toda a ordem monetária pós-guerra, sob uma nova forma. A actual aliança França-Alemanha-Rússia para criar um contrapoder aos Estados Unidos exige não uma simples versão do sistema petrodólar liderada pela França, que dê continuidade ao Século Americano falido, só que com sotaque francês, e com euros em vez de dólares. Isso apenas continuaria a destruir os padrões de vida em todo o mundo, contribuindo para o desperdício humano e para o aumento do desemprego tanto nas nações industriais como nas nações em desenvolvimento. Temos que repensar inteiramente naquilo que começou timidamente com alguns economistas durante a crise da Ásia de 1998, a base de um novo sistema monetário que apoie o desenvolvimento humano em vez de o destruir.

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Notas
1. Engdahl, F. William. Mit der Ölwaffe zur Weltmacht, edition steinherz, Wiesbaden, 2002. Os capítulos 9-10 detalham a criação e o impacto da reciclagem do Petrodólar e o encontro secreto de Saltsjoebaden em 1973 para preparação do choque petrolífero.

2. Radio Liberty/RFE, comunicado de imprensa, Charles Recknagel, 'Iraque: Bagdade muda para o euro', 1 de Novembro de 2000. O telegrama foi publicado durante cerca de 49 horas pela CNN e outros meios de comunicação e desapareceu rapidamente dos cabeçalhos. Quando o artigo de William Clark As verdadeiras mas inconfessadas razões para a guerra do Iraque que se avizinha apareceu na Internet, em 2 de Fevereiro de 2003, assistiu-se a uma acesa discussão online sobre o factor petro-euro mas, exceptuando referências ocasionais na imprensa do Guardian londrino, pouca coisa foi dita nos principais meios de comunicação acerca deste factor de bastidores estratégico sobre a decisão de Washington de se lançar contra o Iraque.

3. Intelligence Online, nº 447: 20/02/2003. 'A Estratégia por detrás da União Paris-Berlim-Moscovo'. O editor da Intelligence Online, Guillaume Dasquie, é um especialista francês de informação estratégica, e trabalhou para os serviços de informação franceses no processo bin Laden e outras investigações. A sua referência à geopolítica da França e da Eurásia reflecte claramente o pensamento francês das altas esferas.

4. Reseau Voltaire.net, 'Suprematie du dollar: Le Talon d'Achille des USA' (A supremacia do dólar: O calcanhar de Aquiles dos EUA), apareceu em 4 de Abril de 2003. Detalha uma análise francesa sobre a vulnerabilidade do sistema do dólar nas vésperas da guerra do Iraque

31/Dez/04

O original encontra-se em http://www.williambowles.info/guests/euro_dollar.html e em
http://www.williambowles.info/guests/euro_dollar_2.html .
Tradução de Margarida Ferreira.


Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .
18/Jan/05