As portas giratórias na Comissão Europeia
Os comissários de Bruxelas: ao serviço de si próprios e das multinacionais

por Bernard Gensane

Dos comissários da época Barroso, um terço é agora influente membro executivo de grandes empresas.

Um levantamento da ONG, Corporate Europe Observatory , cuja razão de ser é estudar os grupos de pressão que operam em Bruxelas, estabeleceu uma lista dos ex-membros da Comissão presidida por Durão Barroso tendo encontrado chorudas situações em empresas multinacionais.

A porosidade entre a Comissão e estas grandes empresas é tal que constituem um único e o mesmo mundo. Assim, quase não ficamos surpreendidos ao saber que a Comissão estava perfeitamente ao corrente das tramoias em larga escala da Volkswagen e que o Parlamento tinha decidido votar contra uma Comissão de inquérito antes de autorizar uma margem de tolerância para as emissões de gasóleo que continuarão a matar cerca de 100 mil pessoas por ano na Europa.

Se nos debruçarmos sobre a lista de antigos comissários, o conflito de interesses é quase a regra. Um terço dos comissários da época Barroso são agora influentes executivos de grandes empresas privadas. A luxemburguesa Viviane Reding que, do alto de sua grandeza moral, comparou a política da França em relação à etnia cigana à da Alemanha nazi, foi comissária da educação e cultura e depois da justiça, tendo sido autorizada pela Comissão Europeia a tornar-se membro do Conselho de administração da empresa mineira belga Nyrstar , bem como do Kuratorium uma instituição que trabalha para a promoção do Tratado de livre comércio entre a Europa e os Estados Unidos.

Karel de Gucht, ex-comissário para o comércio e o negociador do referido Tratado transatlântico, está agora em funções como gestor de património da Merit Capital. A empresária holandesa Neelie Kroes, cabeça da privatização dos correios no seu país, antiga comissária para a concorrência, foi para a Merrill Lynch. A sua nomeação fora criticada pelo Parlamento Europeu, porque ela havia detido mandatos de administradora em 43 grandes empresas (incluindo a Thales e a PriceWater House Coopers, gabinete de auditoria próximo dos serviços secretos dos EUA).

Ela também havia sido posta em causa na Holanda pela gestão do seu património imobiliário: efetivamente omitira a declaração de vários imóveis que lhe pertenciam em Roterdão, jurando não mais se lembrar como tinham sido financiados. Enfim, criticaram as suas relações de negócios com o enxofrado promotor Willem Holleeder, condenado a 11 anos de prisão pelo sequestro do magnata da cerveja Heineken . Foi ela quem intimou o primeiro-ministro Villepin a não se opor a aquisição da Arcelor pela Mittal, em nome da concorrência livre e não falseada. A Arcelor, uma empresa siderúrgica franco-luxemburguesa, que se tornou, concluído o negócio, um conglomerado anglo-indiano.

Igualmente preocupante é o caso do antigo comissário para o ambiente, o esloveno Janez Potoènik. Este antigo Professor Universitário, membro do Forum for the Future of Agriculture , um grupo de pressão criado pela agroquímica Syngenta , líder mundial em pesquisas relacionadas com a agricultura, especialmente na produção de pesticidas e que só nos quer bem…

Quanto a José Manuel Durão Barroso, aloja-se em 22 organizações, certamente a maior parte honoríficas mas, no entanto, muito influentes, como as conferências de Bilderberg ou a European Business Summit.

Para o Corporate Europe Observatory, o microcosmo de Bruxelas "conduziu a uma proximidade de relações nocivas entre legisladores e os que são objeto da legislação” Estas elites econômicas e políticas não querem saber dos povos. A Comissão está estruturada para reinar a opacidade, para que a finança governe sem controlo dos governos nacionais. Os comissários são os intermediários e agentes da globalização liberal, o que implica, concretamente, o fim das prerrogativas de governos e parlamentos nacionais. A Comissão está a serviço da otimização (fuga) fiscal, paraísos fiscais e do mínimo social.

Estas políticas são implementadas por homens e mulheres cujo objetivo de vida é servir os grandes interesses e que, portanto, são recompensados nos finais das suas vidas profissionais, com grandes sinecuras, quando não se trata de tráfico de influências.

O original encontra-se em www.legrandsoir.info/... . Tradução de DVC.

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .
09/Nov/15