Os editoriais do
Wall Street Journal
A página editorial do
Wall Street Journal
é a fonte ideológica do fanatismo de extrema-direita nos EUA.
Ela não é um fórum para debate aberto e sim um viveiro de
ideias tóxicas que minam as instituições
democráticas. Todos os dias, há todo um novo conjunto de
opiniões extremistas a defenderem um absurdo após outro.
Tipicamente, os artigos focam as duas questões de importância
crucial para todos os conservadores: a guerra e os impostos. É
espantoso quantas variações podem ser feitas sobre os mesmos
temas triviais.
Os conservadores são naturalmente desconfiados quanto a ideias, de modo
que criaram uma plataforma onde podem exprimir as suas visões
reaccionárias num linguajar de ressonância académica sem
qualquer tentativa real de se actualizarem em matéria de política
social. Aparentemente há uma reserva infindável de
fanáticos da "supply side" da era Reagan e enfatuados
think-tanks mais do que ansiosos por promover o assunto do dia, seja ele qual
for. Através da utilização de celebridades da extrema
direita como porta-bandeira, o WSJ é capaz de elevar os argumentos mais
vulgares e sem sentido do mundo a um nível de respeitabilidade. E este
é o objectivo fazer com que o chauvinismo endurecido e estreito
apareça como política esclarecida.
Tipicamente, os editoriais tomam como alvo qualquer
regulamentação que restrinja a indústria ou qualquer lei
que proteja o cidadão. Os artigos são escolhidos na base de como
seriam recebidos por um pequeno grupo de mandarins corporativos cujas
visões acerca de "como o mundo deveria ser organizado"
são praticamente idênticas. Por outras palavras, é uma
"câmara de eco" para a classe dos investidores. Eis porque os
liberais deveriam prestar-lhe atenção. Os homens que actualmente
dirigem o mundo não têm timidez quanto a revelar o que têm
em mente para o resto de nós. Será que não vale o
preço de uma assinatura para descobrir o que é?
Nos últimos dias o WSJ publicou artigos a defender a Exxon contra a
multa de US$2,5 mil milhões a que foi condenada pelo Tribunal de
Apelações do Nono Circuito pela fuga de petróleo
maciça no Alasca há cerca de duas décadas atrás.
Eles também publicaram uma enfadonha defesa do juiz Robert Bork, a
alegada vítima de uma caça às bruxas da esquerda.
Estamparam um arrazoado jurídico em defesa dos Marines envolvidos na
"orgia de sangue" em Haditha; mais uma promoção das
extorsões do Banco Mundial; um pedido emotivo para "Salvar os
cortes fiscais de Bush" e, naturalmente, uma tese com 1500 palavras (o
máximo permitido) sobre porque "A vitória está ao
nosso alcance no Iraque" escrito pelo lunático neoconservador
Michael Ledeen.
Na segunda-feira, 22 de Outubro, o WSJ publicou um artigo de David Rivkin,
"Getting Serious about Torture", o qual na essência defende o
tratamento "cruel, desumano e degradante" de suspeitos de terror
destacando a natureza relativas destas expressões. (Não é
estranho que as questões relativas à tortura nunca tenha surgido
antes de Bush tomar posse?).
Como disse Rivkin: "As palavras cruel, desumano e degradante, se sim ou
não um método particular de interrogatório choca a
consciência depende muito das circunstâncias".
Claro, David, é tudo relativo, não é? E se
arrancássemos olhos, também estaria bem?
Recordam quando os conservadores utilizaram o refrão contra o
"relativismo moral"? Naquele momento, parecia uma questão de
princípio. Agora podemos ver que era apenas uma postura oca.
No fim do artigo Rivkin recorda-nos que "Não há
almoço gratuito: Interrogatórios coercivos têm sido chave
para impedir ataques sobre solo americano após o 11 de Setembro".
Realmente. Para mim isto soa como uma linda e fogosa defesa da tortura.
Será que me escapou algo?
Nenhuma teoria é demasiado louca ou obscena para a página
editorial do WSJ na medida em que se conforme à tendência de
extrema-direita dos seus leitores. Por apenas um dólar qualquer um pode
sentar no campo do inimigo e ouvi-lo. Parece-me um bom negócio.
26/Outubro/2007
[*]
fergiewhitney@msn.com
O original encontra-se em
http://www.counterpunch.org/whitney10262007.html
Este artigo encontra-se em
http://resistir.info/
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