Patriot Act
: Universidades do Canadá procuram esconder o seu trabalho
da espionagem americana
por Caroline Alphonso
[*]
Preocupadas com os olhos bisbilhoteiros do governo dos EUA, um certo
número de universidades do Canadá estão a mudar o modo
como os seus professores e estudantes efectuam investigação
online.
Muitas bibliotecas universitárias assinam a
RefWorks
, uma ferramenta de
Internet com base nos EUA que permite a académicos e estudantes criarem
contas pessoais e armazenarem informação de pesquisa, bem como
gerar citações e bibliografias.
Mas o Patriot Act que foi aprovado após os ataques terroristas do
11 de Setembro e que potencialmente permite às autoridades americanas
vasculharem em bases de dados como a RefWorks estimulou as
instituições superiores canadianas a abandonar o servidor
americano por outro abrigado na Universidade de Toronto.
"Há com certeza preocupação dentro das bibliotecas
universitárias canadianas. É uma preocupação com o
facto de um país estrangeiro ter acesso à sua
informação pessoal sem uma boa causa", disse William Maes,
bibliotecário da Dalhousie University, em Halifax. "É o
efeito sorrateiro do Patriot Act, eles podem fazer isto sem que ninguém
saiba".
Com o RefWorks, professores e estudantes criam contas pessoais em bases de
dados americanas e podem então salvar títulos de jornais para os
seus registos de investigações. Em meio a temores acrescidos
acerca de actividades terroristas, responsáveis de universidades
canadianas preocupam-se com o facto de investigações de natureza
delicada poderem ser mal interpretadas.
Exemplo: um académico a investigar a Coreia do Norte ou armas nucleares
poderia ter o seu trabalhado assinalado pelo governo Bush, temem
bibliotecários de universidades. Em consequência, a Dalhousie, o
Memorial University of Newfoundland e a Universidade de Alberta estão
entre as instituições que comutaram para o servidor canadiano.
A esperança é de que os dados num servidor canadiano
estarão protegidos do Patriot Act, o qual dá às
autoridades poderes de investigação virtualmente ilimitados.
O sr. Maes considera que ainda é possivel ao RCMP e ao CSIS sondarem o
servidor de Ontario, mas no Canadá pelo menos há
supervisão judicial.
Ele acrescenta que a Universidade de Halifax tem estado a utilizar o RefWorks
desde há dois anos, mas o fortalecimento da legislação de
privacidade na Nova Escócia juntamente com o Patriot Act levaram a
Dalhousie, bem como outras instituições atlânticas, a
mudarem para o servidor de Ontário neste ano académico.
As universidades ainda têm acesso ao RefWorks, mas agora a
informação pessoal de professores e estudantes é
armazenada em Ontario. O servidor da Universidade de Toronto, administrado em
nome do Ontario Council of University Libraries, foi criado quatro anos
atrás a fim de dar às instituições da
província mais controle sobre a maneira como a informação
de pesquisa é administrada.
As universidades pagam à RefWorks pelas licenças de sítio,
e a seguir pagam uma pequena comissão à Universidade de Toronto
para compensar o custos da utilização do servidor.
"Se se trata de trabalho académico canadiano faz mais sentido que
ele seja alojado num servidor académico canadiano", afirmou John
Teskey, director de bibliotecas na Universidade de News Brunswick.
Karen Adams, director da biblioteca da Universidade de Alberta, disse que a sua
instituição mudou para o servidor de Ontario no mês
passado, depois de usar o RefWorks durante vários anos. Razão:
"Nós temos forte legislação de privacidade aqui em
Alberta, e o U.S. Patriot Act era simplesmente um outro ângulo que nos
levou a perceber a importância de tudo isto [proteger os
utilizadores]".
A presidenta da RefWorks, Colleen Stempien, disse compreender as
preocupações de algumas universidades canadianas e que a
companhia faz grandes esforços para proteger os dados dos seus clientes.
A sra. Stempien afirmou que os juristas da companhia estão a verificar
que poderes tem o governo americano sob o Patriot Act.
Ela considerou que não era um problema para a RefWorks que universidades
canadianas pedissem para mudar de servidores.
"Se os nossos clientes estão preocupados com isso, queremos que
eles fiquem confortáveis", disse ela. "Uma vez que havia uma
oportunidade para abrigá-los em algum lugar onde eles se sentissem mais
confortáveis não havia razão para dizer não".
Na verdade, alguns investigadores da Memorial recusaram-se a assinar a RefWorks
até que se verificasse a mudança, disse Karen Lippold,
responsável pela divisão de serviços de
informação da universidade.
A universidade assinou a RefWorks durante o verão, e mudou-se para o
servidor canadiano no mês passado. Há cerca de 300 professores e
estudantes da Memorial a utilizarem o serviço.
"Temos algumas pessoas que não parecem pensar que isto era um
problema. Temos algumas outras que sentiam que era um problema e estamos a
afastar-nos e não vamos estabelecer uma conta até que haja a
mudança [de servidor]", disse a sra. Lippold. "Agrada-nos que
agora esteja no Canadá".
Enquanto algumas universidades já fizeram a mudança por receio do
Patriot Act, outras fora de Ontario ainda estão a considerar a medida.
Michelle Lamberson, director do gabinete de tecnologia da aprendizagem da
Universidade da Columbia Britânica disse que os utilizadores da
instituição recebem uma advertência de que a sua
informação está a ser armazenada nos Estados Unidos quando
se conectam à RefWorks. A UBC considera a mudança para o
servidor com base em Ontario a fim de garantir que a informação
privada fique segura, afirmou ela.
[*]
Do
Saturday's Globe and Mail
O original encontra-se em
http://www.theglobeandmail.com/
Esta notícia encontra-se em
http://resistir.info/
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