Os media corporativos dos EUA fazem campanha golpista
Bilionários não compram media para ganhar dinheiro,
compram-nos para manipular a opinião pública
por Tyler Durden
Penso que neste momento a cidadania estado-unidense está a ser assolada
por uma espécie de insânia em massa. Não pode haver bons
resultados se isto continuar. Em consequência, sinto-me obrigado a
proporcionar uma voz àqueles de nós que se perderam nesta
selvajaria política. Devemos perseverar e não nos deixarmos
manipular pelas tácticas óbvias de divisão e conquista que
estão a ser desencadeadas agressivamente através de todo o
espectro da sociedade. Se perdermos nossas bases e nossa fortaleza de
ânimo, quem restará para falar em nome daqueles entre nós
que
simplesmente não se ajustam dentro de quaisquer das ideologias
políticas actualmente dominantes?
in
Lost in the Political Wilderness
Ao invés de centrar sua energia jornalística na
descrição da insegurança económica que atormenta
muitos dos nossos compatriotas, os media possuídos por
bilionários parecem totalmente obcecados em tagarelar infindavelmente
acerca de teorias de conspirações russas e tramas golpistas
internas. Ao invés de olharem no espelho e admitirem que os seus
incontáveis erros e propaganda provocaram múltiplos desastres
humanitários ao longo de duas décadas, os oligarcas
proprietários dos media de referência
(mainstream)
insistem numa narrativa em que Trump, individualmente, está na raiz dos
nossos problemas, em oposição ao obstinado ramo executivo com
poder excessivo. Isto acontece porque os media de referência não
estão realmente preocupados acerca do nosso sistema canceroso em
metástase para o estatismo, eles simplesmente não querem Trump
à frente dele. Eu, por outro lado, quero desmantelar totalmente este
estado inconstitucional e transferir poder para o povo americano a que ele
pertence auto-governo.
Será que alguém realmente pensa, por um segundo, que os media
seriam um adversário assim se Hillary vencesse?
O artigo de Nicholas Kristof no
New York Times
deste fim de semana
representa uma espécie de início da festa para os media
corporativos
possuídos por bilionários. Mais do que qualquer outro que eu
tenha visto, ele demonstra perfeitamente como os media de propriedade de
bilionários estão completamente desconectados e sem valor.
É o máximo dos absurdos que estas organizações
de media, possuídas por bilionários ou conglomerados corporativos
gigantescos, estejam a desempenhar o papel de vítimas
quando têm sido eles os violadores primários durante todo o
século XXI.
Pode-se ser um firme defensor da liberdade de imprensa e da Primeira Emenda e,
ao mesmo tempo, denunciar que os media de propriedade de bilionários
falharam. Esta é a minha posição e a
eleição de Trump não a alterou. O punhado de
corporações e bilionários que controlam a imprensa de
referência não equivale a "a imprensa". Eles (e o Estado
Profundo) actualmente tentam convencer o público de que são os
únicos a erguerem-se contra o fascismo. Isto é uma
estupidez completa e, se cairmos nisso, obteremos o que merecemos.
Os media possuídos por bilionários são mais
cúmplices na criação da presidência imperial do que
Donald Trump, que simplesmente imaginou um meio de obter o seu controle.
Agora estes mesmos charlatães estão a pretender extinguir um
incêndio ateado por eles próprios e querem ser louvados
por serem tão corajosos. Isto é assustadoramente semelhante
à trapaça efectuada pelo Federal Reserve durante e após a
crise financeira.
Com esta introdução inabitual, vamos dar uma olhadela a uns
poucos excertos da alucinante peça explícita publicada no
New York Times
do último fim de semana, intitulada de forma bastante descarada como
"Como nos podemos livrar de Trump?"
(
How Can We Get Rid of Trump?
)
Talvez as coisas se estabilizem. Mas o que é gritante acerca de Trump
não é apenas a disfuncionalidade da sua
administração mas também as energicamente negadas
alegações de que a equipe de Trump pode ter cooperado com
Vladimir Putin para roubar a eleição. O que também
é diferente da ampla preocupação de que Trump é
tanto: A) inadequado para o gabinete; como b) perigosamente instável. Um
líder pró-americano num país estrangeiro telefonou-me
outro dia e saltou as [saudações] preliminares, começando
com "O que está errado com o seu país?"
Assim, vamos investigar: Haverá algum caminho de saída?
Trump ainda tem apoio político significativo, de modo que os
obstáculos são colossais.
Mas o meio mas limpo e mais rápido para remover um presidente envolve a
Secção 4 da
25ª Emenda
e nunca foi tentado.
Ela estabelece que o gabinete pode, por votação de maioria
simples, despojar o
presidente dos seus poderes e transferi-lo imediatamente ao vice-presidente. A
armadilha é que o presidente removido pode objectar e, nesse caso, o
Congresso deve aprovar a remoção por uma maioria de dois
terços em cada câmara, ou o presidente recupera o mandato.
Isto nunca foi tentado na história do país, mas vamos
promovê-lo de qualquer modo!
A rota da 25ª Emenda destina-se a ser usada quando um presidente é
"incapaz" de exercer seus deveres. Perguntei a
Laurence Tribe
, professor de direito constitucional de Harvard, se isso poderia significar
não apenas incapacidade física mas também instabilidade
mental. Ou, digamos, a mácula de se ter secretamente conluiado com a
Rússia para roubar uma eleição?
Tribe disse que acreditava que a Secção 4 poderia ser utilizada
numa tal situação.
"No evento improvável de que Pence e uma maioria do bizarro
gabinete de Trump ganhassem a coragem necessária para fazer a coisa
certa em relação ao processo estabelecido por aquela
disposição, certamente estaríamos numa
situação em que uma muito grande maioria do público,
incluindo uma percentagem muito substancial dos apoiantes de Trump, apoiariam
se não mesmo insistiriam num tal movimento", disse Tribe.
"Nesta circunstância, não posso imaginar Trump e seus
advogados a terem êxito em conseguir a interferência de tribunais
federais".
Como recordatório, aqui está um exemplo do deserto intelectual e
ético agora conhecido como a mente de Laurence Tribe.
Agora, de volta a Kristof:
O melhor caminho é o impeachment. Mas por agora é difícil
imaginar uma maioria da Câmara a votar pelo impedimento e ainda menos
concebível que dois terços do Senado votassem a
condenação de modo a remover Trump.
Além disso, o impeachment e julgamento no Senado se arrastariam durante
meses, paralisando a América e deixando Trump no gabinete com o seu dedo
sobre o gatilho nuclear.
Na mente de Kristof, uma grande desvantagem em avançar com o impeachment
é que não derrubaria Trump suficientemente rápido.
Será este realmente um jornal em que o público possa remotamente
confiar para informar sobre os problemas do país de maneira
razoável?
Agora aqui começa simplesmente a ficar cómico o que
Kritoff escreve:
Algumas pessoas acreditam que as eleições intercalares de 2018
serão tão catastróficas para o Partido Republicano
que toda a gente estará pronta a livrar-se dele. Sou
céptico. No Senado, o mapa é desastroso para os democratas em
2018. Os republicanos estarão
a defender
apenas oito lugares no Senado, ao passo que os democratas estão
efectivamente a defender 25.
Assim, se bem que democratas possam ranger dentes,
caberá a republicanos decidir se obrigam Trump a sair. E isso
não acontecerá a menos que o vejam a arruinar o seu partido assim
como a nação.
Talvez, ao invés de "ranger os dentes", os democratas pudessem
sair-se com uma plataforma coerente que não girasse em torno do culto
à Wall Street.
Finalmente, aqui está como Kristoff termina a sua petição
patética pelo derrube de Trump:
E o que dizer acerca de uma presidência que, com apenas um mês em
exercício, já estamos a discutir se ela pode ser terminada
antecipadamente?
Não Nicholas, "nós" não estamos a discutir isso.
Você é que está. Você e seus colegas dos media.
Os quais levam-me ao aspecto mais enfurecedor do que está a acontecer
hoje no discurso americano. O que é que alguém como eu, que
não gosta de Trump, mas desgosta ainda mais dos media corporativos, se
supõe que faça?
Esta é a posição inconfortável em que me encontro
hoje e, se estou nela, milhões de outros também estão.
Trump entende isto, razão pela qual continua seus ataques
implacáveis a elementos da imprensa corporativa. Pessoalmente, meu
desgosto com Trump seria ainda mais agudo se não fosse o meu desprezo
total em relação aos media possuídos por
bilionários. Supõe-se que jornalistas sejam geralmente adversos
ao poder, não sejam selectivos quanto a que figuras poderosas desafiar
com base na ideologia política. Os media corporativos enfraqueceram
claramente o país, portanto Trump está a ser politicamente
hábil ao iniciar um combate com eles. Como observei na semana passada no
Twitter:
Eu sempre disse isto.
Se Trump alvejar instituições elitistas, ele vencerá.
Se alvejar o povo médio, perderá.
Não é complicado.
Michael Krieger (@LibertyBlitz)
February 17, 2017
Mais uma vez, os media corporativos estão a provar a sua inutilidade ao
fazerem [girar] tudo em torno de um homem, em contraste com o desastre
sistémico que é a sociedade controlada oligarquicamente em que
vivemos. O actual presidente não é suficientemente
carismático e não advoga os lugares comuns habituais como
bombardear mulheres e crianças muçulmanas. Está é
aparentemente a linha vermelha dos media.
Se isto soa como se eu estivesse contra tudo, há uma razão. Nossa
cultura está demente e os media corporativos merecem um bocado da culpa
por isso.
Finalmente, aqui está um artigo publicado pela [revista]
Forbes
no ano passado que ajuda a entender rapidamente contra o que estamos:
These 15 Billionaires Own America's News Media Companies
.
Bilionários não compram media para ganharem dinheiro, eles
já o tem.
Eles compram-nos para manipular a opinião pública.
20/Fevereiro/2017
Ver também:
MSNBC Anchor: "Our Job" Is To "Control Exactly What People Think"
O original encontra-se em
www.zerohedge.com/...
Este artigo encontra-se em
http://resistir.info/
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