A última valsa?
O fim anunciado da super-potência americana
por Paul Craig Roberts
[*]
A economia americana caminha em direcção à crise, e a
liderança política do país se é que se pode
chamá-la de liderança está preocupada com armas de
destruição maciça não existentesno Médio
Oriente.
A economia está americana está a cair. As aflições
são sérias. Elas podem ser fatais mesmo se diagnosticadas e
tratadas. A América está a perder o poder de compra da sua
divisa e a capacidade para criar empregos para as camadas médias.
O agudo declínio do dólar e as contínuas
projecções comerciais e orçamentais em tinta vermelha
estão a minar o papel do dólar como divisa de reserva. Um certo
número de bancos centrais anunciou que estará a diversificar os
seus haveres em divisas e que não comprarão dólares ao
mesmo ritmo do passado.
Isto fará mais pressão sobre o dólar. Em algum ponto
começará a fuga. Ao invés de comprar menos
dólares, os bancos centrais venderão dólares com a
esperança de caírem fora antes de este chegar ao fundo.
Subitamente, a vantagem de ser a divisa de reserva torna-se um pesadelo
quando as acumulações de dólares do mundo forem trazidas
ao mercado. Uma oferta enorme e uma procura fraca significam uma taxa de
câmbio muito baixa para o outrora poderoso dólar americano.
Do dia para a noite, aqueles bens baratos no Wal-Mart, os quais são a
justificação fácil dos economistas que não pensam
para a dizimação de comunidades, de pequenos negócios e
do emprego, dispararão em preço.
As taxas de juro escalarão na medida em que o governo luta para
financiar a sua infindável tinta vermelha. Americanos, pesadamente
endividados com taxas de hipotecas ajustáveis, tentarão vender
casas no momento em que as taxas ascendentes das hipotecas reduzem os
compradores. Os activos imobiliários, cujo valor crescente tem estado a
manter a economia em andamento, devolverão o que foi ganho.
Os EUA perderam a sua capacidade de criar empregos para as camadas
médias ou, quanto a isso, quaisquer empregos. Durante os últimos
quatro anos os EUA experimentaram uma perda líquida de 760 mil empregos
no sector privado (Janeiro/2001 - Janeiro/2005). Pensem o que significa isto
para os que estão a graduar-se e as pessoas que chegam na idade de
entrar para a força de trabalho.
Além disso, a composição dos emprego mudou muito: dos
empregos com alto valor acrescentado e alta produtividade em bens
comerciáveis e serviços para empregos de produtividade mais baixa
em serviços internos que não podem ser dados externalizados
(outsourced).
Mesmo aqui, na última área remanescente de empregos para
americanos, a força de trabalho dos EUA está a perder
oportunidades de emprego para enfermeiras estrangeiras e professores de escolas
trazidos com os vistos de trabalho H-1b, em resultado de pressões
orçamentais sobre orçamentos de escolas e hospitais.
Economistas e políticos que não pensam continuam a propor o
seguro de desemprego e de educação como remédios para o
problema dos empregos. Estas propostas são disparatadas
(mindless),
para dizer o mínimo. O mesmo incentivo para externalizar verifica-se
para todas as qualificações comerciáveis. Se a verdade
fosse conhecida, a externalização do emprego e a
produção offshore soaria como a sentença de morte para a
educação superior norte-americana.
Americanos incapazes de encontrar empregos em sectores competitivos de
importação e exportação descobrem-se a si
próprios à procura de empregos em serviços
domésticos não comerciáveis, quando o seu influxo para
dentro destes mercados de trabalhos é aumentado pelos imigrantes ilegais
e estrangeiros com vistos H-1b. Obviamente, a pressão sobre os
salários é para baixo.
Os economistas que não pensam explicam as dificuldades como um
"ajustamento à globalização" que exigirá
aos americanos restringir o seu consumo de bens importados. Estes economistas
são ignorantes acerca da dependência americana quanto à
importação de bens manufacturados. Mesmo bens americanos com
nomes de marca são feitos no estrangeiro, no todo ou em parte. Apertar
o cinto significará muito mais do que suprimir produtos de luxo
fabricados no estrangeiro.
O declínio do dólar conduzirá à subida de todos os
inputs excepto o trabalho americano, o qual está a ser expulso das
funções de produção e substituído por
trabalho estrangeiro.
Inconsciente da realidade, a administração Bush propôs uma
privatização da Segurança Social que custará US$
4,5 milhões de milhões
(trillion)
em empréstimos só ao longo dos próximos 10 anos! A
América não tem poupanças internas para absorver esta
dívida, e os estrangeiros não emprestarão somas tão
enorme a um país com uma divisa em processo de colapso
especialmente um país atolado numa guerra no Médio Oriente que
incorre em centenas de milhares de milhões de dólares em
dívidas de guerra.
O venal e arrogante
establishment
de Washington, combinado com uma mentalidade corporativa globalizada, deram
cabo dos padrões de vida ascendentes da América. Os dias da
América como uma super-potência estão a chegar ao fim
rapidamente. Isolado pelo unilateralismo nacionalista dos neoconservadores que
controlam a administração Bush, os EUA não podem esperar
simpatia ou ajuda dos antigos aliados e das novas potências em
ascensão
01/Mar/05
[*]
Ex-secretário do Tesouro na administração Reagan.
Trabalhou como Associate Editor da página editorial do
Wall Street Journal
e Contributing Editor da
National Review.
É co-autor de
The Tyranny of Good Intentions.
O seu email é
pcroberts@postmark.net
.
O original encontra-se em
http://www.counterpunch.org/roberts03012005.html
.
Tradução de JF.
Este artigo encontra-se em
http://resistir.info/
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