Síndrome da turbina eólica
As turbinas eólicas majestosamente domam o vento que maravilha da
engenharia humana! Ficar debaixo de uma é de cortar a
respiração. Viver próximo de uma pode ser o inferno na
terra. Incontáveis pessoas disseram-me isso, pessoas que subitamente
ficaram muito mal devido ao subtil mas devastador infra-som perfurante gerado
por estes gigantes da energia "limpa, verde e renovável".
A explicação pode estar enfiada no ouvido interno num agregado de
minúsculos órgãos interconectados com um notável
historial evolutivo. Os órgãos vestibulares os canais
semi-circular, sáculo e utrículo funcionam como
giroscópio da Mãe Natureza, controlando nosso sentido de
movimento, posição e equilíbrio, incluindo nosso
pensamento espacial. (Recorda-se de quando em criança ficava enjoado num
carro? Ou do enjoo do mar?)
Os humanos partilham estes órgãos enigmáticos com um
conjunto de outras espécies vertebradas, incluindo os peixes e os
anfíbios. Alguns cientistas vêem-nos realmente como uma
espécie de chave-mestra pan-espécie para um extraordinariamente
vasto conjunto de funções cerebrais equivalendo a um sexto
sentido.
Uma daquelas funções, verifica-se agora, é registar e
responder aos sons e vibrações (infra-sons) que não
ouvimos conscientemente, mas sentimos como o das turbinas
eólicas. Para muitas pessoas, a resposta é imediata e desastrosa.
Por vezes é vantajoso ser um médico rural. Seis anos atrás
comecei a ouvir queixas quanto à saúde de pessoas que viviam na
sombra destas turbinas gigantescas. A princípio era meramente local e
regional, depois global. De forma reveladora, virtualmente todos descreviam a
mesma constelação de sintomas. Sintomas que eram disparados,
começo a suspeitar, pela desregulação do vestibular.
(1) Perturbação do sono. Não simplesmente despertar, mas
despertar em pânico (reacção "fuja ou combata").
(2) Dor de cabeça.
(3) Zumbido.
(4) Pressão no ouvido.
(5) Estonteamento.
(6) Vertigem.
(7) Náusea.
(8) Turvamento visual.
(9) Taquicardia.
(10) Irritabilidade.
(11) Problemas com concentração e memória.
(12) Episódios de pânico associados com sensações de
pulsação interna ou vibração, os quais aumentam ao
acordar ou adormecer. (Esta última envolvendo outra,
órgãos não-vestibulares de equilíbrio, movimento e
sentido de posição).
Nenhuma destas pessoas experimentara estes sintomas em qualquer grau
apreciável antes de as turbinas ficarem operacionais. Todas disseram que
os seus sintomas desapareciam rapidamente sempre que passavam vários
dias longe de casa. Todas disseram que os sintomas reapareciam quando
retornavam à casa.
Muitas haviam apoiado o projecto do parque eólico antes de tudo isto
acontecer. Agora, algumas ficaram tão mal que abandonaram literalmente
as suas casas trancaram a porta e foram embora.
Aproveitando a pista de um médico rural britânico que relatou
idênticos sintomas da "turbina de vento" entre os seus
pacientes, fiz o que alguns clínicos chamam de "séries de
casos". Entrevistei 10 famílias (38 pessoas) tanto daqui como de
foram, as quais haviam ou deixado suas casas ou estavam prestes a
deixá-las. Descobri uma correlação estatisticamente
significativa entre sintomas relatados e pré-existentes sensibilidade ao
movimento, lesão do ouvido interno e perturbação de
enxaqueca. Cada uma é um factor de risco para o que agora baptizei
Síndroma da Turbina Eólica. Meus dados sugerem, além
disto, que crianças pequenas e adultos com mais de 50 anos também
estão em risco substancial.
A reacção de clínicos do ouvido, nariz e garganta
(otolaringologistas e neuro-otologistas) foi imediata e encorajadora. Um deles
foi o Dr. F. Owen Black, um neuro-otologista altamente considerado que
aconselha a US Navy e a NASA sobre desregulação vestibular.
Outro foi o Dr. Alec Salt da Washington University School of Medicine, o qual
recentemente publicou um estudo revisto
(peer-reviewed)
financiado pelo NIH
[1]
demonstrando que a cóclea (a qual liga-se aos órgãos
vestibulares) responde ao infra-som sem registá-lo como som. O
infra-som, de facto, aumenta a pressão interna tanto da cóclea
como dos órgãos vestibulares, distorcendo tanto o
equilíbrio como a audição.
Salt portanto destrói efectivamente o dogma de que "o que
você não pode ouvir, não pode prejudicá-lo".
Isto pode na verdade prejudicá-lo. O alvoroço crescente entre
vizinhos de turbinas eólicas testemunha esta verdade inconveniente.
Meu papel está acabado. Minha sala de espera está cheia. É
tempo de os governos estudarem este flagelo gerado pelo vento cuja cura
é simples. Um afastamento de 2 km (maior em terreno montanhoso)
repara-o. Os exploradores do vento, não inesperadamente, recusam-se a
reconhecer o problema. Eles ridicularizam-no como histeria e NMQismo
("Não no meu quintal!") e recusam-se a instalar suas
máquinas a 2 km de distância das casas.
"É difícil conseguir que um homem entenda algo quando o seu
salário depende do seu não entendimento dela", sugeriu Upton
Sinclair. Talvez seja. Nesse caso, espero mais casas vazias e sofrimento
(facilmente evitável).
[1]
NIH:
National Institutes of Health, agência do Departamento da
Saúde dos EUA responsável por investigação
biomédica.
[*]
Nina Pierpont, MD, PhD, é pediatra e autora de "
Wind Turbine Syndrome: A Report on a Natural Experiment
" (2009). Foi a oradora principal no simpósio internacional em Picton, Ontario, "
The Global Wind Industry and Adverse Health Effects: Loss of Social Justice?
"
O original encontra-se em
http://www.counterpunch.org/pierpont10292010.html
Este artigo encontra-se em
http://resistir.info/
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