Dois projectos sem consistência técnica e baseados no
arbítrio:
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RESUMO DESTE ESTUDO
Mesmo antes de ter entregue aos sindicatos os projectos de decreto com as propostas de "Tabela remuneratória única" para a Adm. Pública e de fusão das carreiras, o governo divulgou as suas propostas através da comunicação social. E têm-se verificado diferenças, para pior, entre as propostas do governo divulgadas pela comunicação social e as que depois entrega aos sindicatos. Por ex., a tabela remuneratória dos "Técnicos Superiores" entregue pelo governo aos sindicatos é inferior entre 50 euros e 400 euros, nas posições remuneratórias mais elevadas, aos valores divulgados pelos media. Parece assim haver um claro propósito de manipulação da opinião pública. O governo pretende "negociar" em duas reuniões (9 e 15 de Abril), portanto em apenas 4 horas, aquelas 2 propostas, o que mostra bem o que este governo entende por negociações. É necessário que os trabalhadores conheçam as consequências delas na sua vida futura. Este estudo tem como objectivo divulgar alguns dos aspectos mais importantes e graves dessas propostas. As remunerações máximas e mínimas da última versão de "Tabela remuneratória única " do governo para cada uma das novas carreiras são inferiores às remunerações máximas e mínimas das actuais carreiras que serão integradas em cada uma das novas carreiras, com excepção de Técnico Superior Em relação a duas novas carreiras Assistente Técnico e Assistente Operacional as remunerações máximas actuais dos trabalhadores que vão ser integrados naquelas duas novas carreiras já são superiores aos valores máximos das novas carreiras. Assim, em relação à nova carreira de "Assistente Técnico", cuja remuneração máxima é de 1.117,60 euros, já existe actualmente "Assistentes Administrativos" que ganham 1.124, 72 euros e "Técnicos Especialistas Principais" que também já auferem 1201 euros, portanto valores estes já superiores ao valor máximo da nova carreira Assistente Técnico - que é apenas de 1.117,60 euros; em relação à nova carreira de "Assistente Operacional" cuja remuneração máxima é de 814,01 euros, já existem "Operários principais", que é uma carreira que será extinta e integrada na de Assistente Operacional, que ganham 950,79 euros, portanto mais do que 814,01 euros, que é a remuneração máxima da nova categoria onde serão integrados. Em relação aos valores mínimos, ou seja , aos valores de entrada nas novas carreiras, é que se verifica, em relação a várias das actuais carreiras, uma diminuição significativa. Assim, em relação à carreira de Técnico Superior, a remuneração mais baixa de entrada, que era de 1.070,89 euros (a de estagiário) é diminuída para 967,47 euros; a remuneração de entrada de "Assistente Administrativo" e a do "Pessoal Técnico Profissional" mantém-se (663,89 euros). Mas em relação às actuais carreiras Operário, Auxiliar Técnico, Motorista, Fiscal de Obras, Auxiliar Administrativa e Telefonista verificam-se reduções significativas nas remunerações de entrada, pois a remuneração mínima da nova carreira Assistente Operacional onde todas aquelas são integradas - 426 euros- é inferior à remuneração mínima de todas as carreiras de Pessoal auxiliar com excepção apenas do "Pessoal de limpeza" em que o valor é igual. Uma rápida comparação entre as actuais carreiras e as novas carreiras, mostra que o enquadramento feito não tem como base um estudo técnico sério e profundo, baseando-se no puro arbítrio. Por ex., a nível da carreira de Técnico Superior qual é a equiparação a nível de requisitos, de competências e de funções, por ex. entre um consultor jurídico, um consultor económico, um consultor informático, um engenheiro e um técnico de contabilidade, ou de de formação profissional que são "encaixados" pelo governo na mesma carreira de Técnico Superior? E entre um administrativo, um desenhador, e um técnico de ambiente que são integrados pelo governo na nova carreira de "Assistente Técnico" ? E entre um operário altamente qualificado (por ex., electricista), um motorista e uma auxiliar de limpeza que são enquadrados pelo governo na nova carreira de "Assistente Operacional"? Para além disso, 253 categorias não são enquadrados ficando penduradas o que poderá determinar a curto/media a colocação dos trabalhadores que estão actualmente nelas na SME. Os comentários parecem desnecessários perante o absurdo destas fusões. Para terminar, há um aspecto para o qual é importante chamar já a atenção dos trabalhadores, pois podem-se gerar falsas expectativas e ilusões. E esse aspecto é o seguinte: alguns trabalhadores, pelo facto de serem enquadrados numa carreira, cujo valor máximo é muito superior ao máximo que actualmente podem atingir (ex. auxiliares de limpeza e serventes cujo remuneração máxima actual é de 630,52 euros, são integrados na nova carreira de "Assistente Operacional" cuja remuneração máxima é de 814,01 euros) poderão pensar que depois terão possibilidade de vir auferir essa remuneração máxima. A mesma ilusão se poderá colocar em relação às restantes carreiras. Isso certamente não sucederá pois a nova situação será de congelamento de facto durante muitos anos. |
O governo pretende "negociar" em apenas duas reuniões
dias 9 e 15 de Abril de 2008 , portanto, em apenas 4 horas, os projectos
de lei de "Tabela remuneratória única" para a
Administração Pública e o projecto de fusão de
carreiras, o que mostra bem o tipo de "negociação" que
pretende. Estes projectos, se forem aprovados e publicados, vão ter
consequências graves para todos os trabalhadores da
Administração Pública como vamos mostrar. É urgente
que cada trabalhador o análise na parte que terá reflexos na sua
vida, nomeadamente na sua carreira e na sua remuneração futura e
que, apesar do tempo ser muito reduzido, envie a sua opinião ao seu
sindicato, ou então que envie para o nosso endereço
electrónico que se encontra no fim deste artigo. Todas as
opiniões são necessárias e úteis. Este nosso
estudo, ao analisar alguns dos aspectos mais importantes dos projectos do
governo, tem fundamentalmente como objectivo facilitar e contribuir para essa
reflexão e participação colectiva. As versões
iniciais dos projectos, que já são suficientemente
esclarecedoras, qualquer trabalhador poderá obtê-las,
através da Internet, no sítio
www.dgap.gov.pt
No entanto, os sindicatos, no caso de já existirem versões mais
actualizados, poderão disponibilizá-las.
O governo já apresentou duas versões do projecto sobre a
"Tabela remuneratória única", a segunda pior que a
primeira, pois baixa os valores das remunerações da carreira de
Técnico Superior como iremos mostrar. Em relação à
fusão de carreiras, o governo apresentou aos sindicatos um projecto de
lei, com base no qual pretende impor a integração/fusão de
1669 carreiras e categorias do regime geral em apenas três carreiras. E
esta fusão é feita sem qualquer fundamentação
técnica, portanto é realizada de uma forma arbitrária. A
confirmar isso, está o facto que, embora o nº3 do artº 3º
e o nº 3 do artº 7º da Lei 23/98, estabeleçam que o
governo tem de entregar aos sindicatos o estudo técnico que fundamente
as suas propostas, até esta data ainda não entregou apesar de ter
sido já solicitado.
EM APENAS 23 DIAS, E ANTES DO INICIO DAS "NEGOCIAÇÕES",
O GOVERNO ALTEROU, PARA PIOR, O SEU PROJECTO DE TABELA REMUNERATÓRIA
ÚNICA PARA A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
Há pouco mais de três semanas, mesmo antes de ter entregue aos
sindicatos, o governo divulgou, através dos órgãos de
comunicação social, o seu projecto de "Tabela
remuneratória única" para a Administração
Pública. Com base nesse documento, muitos jornais escreveram que a
tabela do governo determinaria remunerações mais elevadas do que
as actuais para os técnicos superiores (ex.: DN de 06/03/2008). Em
28/03/2008, o governo enviou aos sindicatos um projecto de decreto-lei de
"Tabela remuneratória única", em que as
remunerações mais elevadas da carreira de "Técnico
superior" são já significativamente inferiores às
que, poucos dias antes, o governo tinha divulgado através dos media,
como mostra o quadro que a seguir se apresenta.
O governo diminuiu as remunerações referentes a seis
posições remuneratórias da "Tabela
remuneratória única" relativa à carreira de
"Técnico superior" entre 50 euros e 400 euros. Esta
alteração, em apenas três semanas, prova também que
o governo não estuda de uma forma profunda as suas propostas
reforçando a ideia da sua falta de consistência técnica. Ou
será que o objectivo da tabela que o governo divulgou no inicio do
mês de Março, através da comunicação social,
era precisamente o de manipular a opinião pública? Mesmo que
tenha sido esse objectivo, tal facto reforça também a falta de
rigor e de seriedade do governo nesta matéria.
OS VALORES MÁXIMOS E MINIMOS DA NOVA TABELA REMUNERATÓRIA
SÃO INFERIORES A MUITAS DAS REMUNERAÇÃO MÁXIMAS E
MINIMAS RECEBIDAS ACTUALMENTE PELOS TRABALHADORES
Como mostram os dados constantes do quadro seguinte, se se excluir as chefias,
os valores máximos e mínimos constantes da última
versão de "Tabela remuneratória única " para
cada uma das novas carreiras são inferiores aos valores máximos e
mínimos das remunerações actuais dos trabalhadores que
vão ser integrados em cada uma das novas carreiras.
Exceptuando a carreira de Técnico Superior, em relação
às outras duas novas carreiras Assistente Técnico e
Assistente Operacional as remunerações máximas
actuais dos trabalhadores que vão ser integrados nestas duas novas
carreiras já são superiores aos valores máximos das novas
carreiras. Assim, já existem actualmente "Assistentes
Administrativos" que ganham 1.124, 72 euros e "Técnicos
Especialistas Principais" que também já auferem 1201 euros
que vão ser integrados na nova carreira de "Assistente
Técnico", cuja remuneração máxima é
apenas de 1.117,60 euros, portanto um valor inferior aos daquelas duas. Em
relação à nova carreira de "Assistente
Operacional" cuja remuneração máxima é de
814,01 euros, já existem actualmente "Operários
principais", que é uma carreira que será extinta e integrada
na de Assistente Operacional, que ganham 950,79 euros, ou seja, mais 136,78
euros do que o valor máximo da nova carreira onde serão
integrados. Mesmo em relação à carreira de Técnico
Superior, e como mostram os dados do quadro, a diferença entre a
remuneração máxima da nova carreira e da carreira actual
é de apenas de cerca 167 euros.
Perante o escândalo que era os valores máximos das novas carreiras
serem inferiores aos valores máximos das actuais carreiras que
serão integradas naquelas, o governo criou aquilo a que chamou
"posições remuneratórias transitórias" ,
cujos valores de remunerações são praticamente iguais aos
valores máximos das actuais carreiras, e que desaparecerão no
futuro (é por isso, que se chamam transitórios), não sendo
seguro que outros trabalhadores, para além daqueles que já
auferem actualmente esses valores máximos, os venham a receber no futuro
como sucederia se as actuais carreiras se mantivessem (ver o nosso estudo
anterior "O GOVERNO PRETENDE ACABAR COM AS CARREIRAS").
Em relação aos valores mínimos, ou seja , aos valores de
entrada nas novas carreiras, é que se verificam reduções
significativas relativamente à maior parte das actuais carreiras. Assim,
em relação à carreira de Técnico Superior, a
remuneração mais baixa de entrada, que era de 1.070,89 euros (a
de estagiário) é diminuída para 967,47 euros; a de
"Assistente Administrativo" e a do "Pessoal Técnico
Profissional", cuja remuneração de entrada é
actualmente de 663,89 euros é que se mantém, pois é igual
à remuneração mínima da nova carreira onde
são integrados (Assistente Operacional). Em relação
às actuais carreiras Operário, Auxiliar Técnico,
Motorista, Fiscal de Obras, Auxiliar Administrativa e Telefonista
registam-se diminuições significativas nas
remunerações de entrada, pois a remuneração
mínima da nova carreira Assistente Operacional onde todas
aquelas são integradas é a do actual "Auxiliar de Limpeza
/servente apenas 426 euros que é inferior à de
todas as outras actuais carreiras de Pessoal auxiliar. Portanto, no campo
remuneratório, e relativamente a todos estes trabalhadores verifica-se
um importante retrocesso o que determinará naturalmente uma fuga
relativamente a estes empregos na Administração Pública
com consequências negativas quer em relação ao
funcionamento dos serviços quer em termos de custos pois o Estado
será obrigado a recorrer a empresas privadas em sistema de
"outsourcing", portanto com custos muito mais elevados.
O ARBITRIO E A FALTA DE CONSISTÊNCIA TECNICA NA FUSÃO DAS ACTUAIS
1669 CARREIRAS EM APENAS TRÊS CARREIRAS
Uma rápida comparação entre as actuais carreiras e as
novas carreiras, que o governo pretende fundir em cada uma das novas carreiras,
mostra rapidamente que o enquadramento feito não tem como base um estudo
técnico sério e profundo, baseando-se no puro arbítrio. E
isto apesar de afectar centenas de milhares de trabalhadores da
Administração Pública. O quadro seguinte mostra isso
rapidamente.
Para tirar alguns conclusões importantes, basta analisar, comparando com
um mínimo de atenção algumas das profissões das
actuais 1669 carreiras/categorias que o governo pretende encaixar/fundir em
cada uma das três novas carreiras (Técnico Superior, Assistente
Técnico e Assistente Operacional). É evidente que muitas das
carreiras/categorias que o governo pretende encaixar numa das novas carreiras
exigem competências e realizam funções completamente
diferentes. Por ex., a nível da carreira de Técnico Superior qual
é a equiparação a nível de requisitos, de
competências de funções, por ex. entre um consultor
jurídico, um consultor económico, um consultor
informático, e um engenheiro e um técnico de contabilidade, ou de
formação profissional ou de um técnico de secretariado,
todos eles "encaixados" pelo governo na carreira de Técnico
Superior? E entre um administrativo, um desenhador, e um técnico de
ambiente que são integrados pelo governo na nova carreira de
"Assistente Técnico" ? E entre um operário altamente
qualificado (por ex., um electricista), um motorista e uma auxiliar de limpeza
que são enquadrados pelo governo na nova carreira de "Assistente
Operacional"? Os comentários parecem desnecessários perante
o absurdo, sob o ponto de vista técnico, destas
equiparações e fusões.
Finalmente, interessa ainda referir um aspecto importante e grave que
não deverá ser esquecido. Duzentas cinquenta três
carreiras/ profissões, as que constam no Mapa VII da proposta do governo
não são integradas em qualquer uma das três novas
carreiras, ficando "penduradas". Isto significa que os trabalhadores
que se encontrem actualmente nessas carreiras poderão ser colocados a
curto/médio prazo na Situação de Mobilidade Especial (SME).
UMA ILUSÃO QUE É FUNDAMENTAL SER ESCLARECIDA PARA NÃO
CRIAR FALSAS EXPECTATIVAS
Há um aspecto para o qual é importante chamar já
também a atenção dos trabalhadores, pois podem-se gerar
falsas expectativas e ilusões. E esse aspecto é o seguinte.
Alguns trabalhadores, pelo facto de serem enquadrados numa carreira, cujo valor
máximo é muito superior ao máximo que actualmente podem
atingir (ex. auxiliar de limpeza cujo remuneração máxima
actual é de 630,52 euros, são integrados na nova carreira de
"Assistente Operacional" cuja remuneração máxima
é de 814,01 euros) poderão pensar que depois terão
possibilidade de vir auferir essa remuneração máxima. A
mesma ilusão se poderá colocar em relação às
restantes carreiras. Isso certamente nunca sucederá. A mudança de
uma posição remuneratória para outra mais elevada
tornar-se-á muito difícil e demorada com a nova Lei de
Vínculos, Carreiras e Remunerações (Lei 12-A/2008), pois
passa a depender do arbítrio do dirigente máximo e da
existência de disponibilidade orçamental, o que para a esmagadora
maioria dos trabalhadores da Administração Pública
representará o congelamento de facto da sua carreira por muitos anos.
Mesmo a alteração obrigatória de posição
remuneratória desde que o trabalhador some 10 pontos, mesmo com essa
norma o congelamento de facto a nível remunerações
será muito longo. Para concluir isso, basta ter presente que cerca de
75% dos trabalhadores da Administração Pública
necessitarão, pelo menos de dez anos, para somar 10 pontos para poderem
mudar de posição remuneratória, o que significa que
durante a maior parte da sua carreira a esmagadora maioria dos trabalhadores
terão, de facto, a sua carreira remuneratória congelada. O que
acontecerá se o governo conseguir impor a passagem das actuais carreiras
para as novas carreiras é o seguinte:- Os trabalhadores
continuarão a receber o que recebiam; os únicos aumentos que
terão são os que resultarão da actualização
anual das remunerações que têm sido inferiores à
taxa de inflação, o que tem determinado que, nos últimos
anos, tenham perdido poder de compra; e de 10 em 10 anos, na melhor das
hipótese, então poderão ter uma mudança de apenas
uma posição remuneratória.
O ATAQUE À ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA E AOS SEUS
TRABALHADORES JÁ ESTÁ A AFECTAR TODOS OS PORTUGUESES
O ataque à Administração Pública, aos direitos e
condições de trabalho e de vida dos seus trabalhadores que este
governo está a levar a cabo vai ter, ou melhor já está a
ter consequências graves quer nos serviços públicos
essenciais prestados à população (ex.: saúde,
educação, segurança social, etc.) quer na qualidade desses
mesmo serviços, pois está a determinar ou a
desmotivação geral ou a saída da
Administração Pública dos melhores profissionais. A
própria ministra da Saúde deste governo, na entrevista que deu ao
Diário de Noticias
e à TSF, divulgada também no
Público
de 06/04/2008, foi obrigada a "considerar muito preocupante a
fuga de profissionais do sector público para o privado". Se este
ataque do governo continuar é de prever que a prazo quem "quiser
saúde ou educação em Portugal terá de pagar",
ou seja, será apenas para os que têm meios financeiros e
deixarão de ser um serviço cujo acesso, de acordo com a
Constituição, o Estado deverá garantir a todos os
portugueses.