Impostos sobre trabalhadores disparam,
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A Associação Portuguesa de Bancos acabou de divulgar os resultados da banca referentes a 2009. E apesar dos lucros terem atingindo 1.725 milhões , a banca deverá pagar, dos lucros obtidos em 2009, apenas 74 milhões de imposto (IRS mais derrama), o que corresponde a uma taxa efectiva de imposto de 4,3%. E isto porque a banca conseguiu diferir 201 milhões de impostos que podem "ser recuperados no futuro se forem gerados lucros suficientes" (pág. 21, Boletim Informativo 45 da Associação Portuguesa Bancos). E certamente a banca vai gerar lucros suficientes. Se considerarmos o período 2004-2009, segundo dados divulgados pela Associação Portuguesa dos Bancos, os lucros, antes de impostos, da banca somaram, 13.425 milhões , tendo o valor dos impostos pagos (IRC mais derrama) atingido apenas 1.740 milhões , o que corresponde a uma taxa efectiva de imposto de apenas 12,96%. Se a banca tivesse pago a taxa legal, teria sido obrigada a pagar 3.557,6 milhões de euros de IRC e de derrama; portanto, a banca pagou menos 1.818 milhões de euros de imposto do que teria pago se fosse tributada à taxa legal de 26,5% (IRC mais derrama), aumentando mais os seus lucros à custa de impostos não pagos ao Estado. O governo quando o confrontamos na legislatura anterior na própria Assembleia da República com estas taxas, nega-as apresentando taxas, que embora ainda inferiores às taxas legais, são mais elevadas. E procurando iludir a opinião pública e os próprios deputados recusa-se a explicar como chegou às taxas que apresenta. E a "habilidade" que utiliza é a seguinte: calcula as taxas efectivas não com base no lucro real efectivo dos bancos, aquele que eles anunciam e que serve de base para distribuir os dividendos aos accionistas, mas com base no lucro tributável, ou seja, aquele que se obtém depois de retirar aos lucros reais da banca o valor dos benefícios fiscais mais os prejuízos de empresas pertencentes ao grupo bancário que são deduzidos no lucro do banco. É desta forma, que o governo procura ocultar, defendendo assim os elevados lucros da banca, as baixíssimas taxas efectivas de imposto que a banca continua a pagar em Portugal. Mas não é só ao Estado que a banca não paga o que devia pagar. O mesmo acontece em relação aos seus trabalhadores cuja parcela do VAB (riqueza apropriada e a criada pela banca) para eles é cada vez menor. Em 2004, as Despesas de Pessoal da Banca representavam 44,8% do VAB e, em 2009, apenas 36,5%. Se a banca, ao longo do período 2004-2009, tivesse dispendido com Despesas de Pessoal a mesma percentagem do VAB que gastou em 2004 44,8% - teria gasto mais 2.782 milhões de euros. E tenha-se presente que nas Despesas com Pessoal estão incluídas muitas outras despesas para além dos salários dos trabalhadores (por ex., as elevadas remunerações e bónus recebidos dos administradores, as despesas com transportes etc..). Portanto, uma parte dos lucros da banca foi conseguida também à custa da redução do VAB utilizado para pagar as despesas com os trabalhadores. Enquanto o governo, com o apoio do PSD, trata desta forma a banca, e ajuda com avales e mesmo suportando elevados prejuízos de má gestão ou mesmo de gestão danosa, como sucedeu nos casos do BPN e BPP, em relação aos trabalhadores e pensionistas a carga fiscal dispara, agravando ainda mais as suas já difíceis condições de vida. Só o aumento de 1 ponto percentual na taxa de IRS que incide nos rendimentos tributáveis até ao 3º escalão (17.979 /ano), e de 1,5 pontos percentuais nos escalões superiores determina que o valor das retenções feitas aos trabalhadores aumente, por ano, em cerca de 653,7 milhões de euros, sendo 318,2 milhões de euros feitas aos trabalhadores com rendimentos tributáveis até 17.979 /ano, ou seja, até 1284/mês, portanto com rendimentos que podem ser muito baixos. Se considerarmos o período que esta medida vigorará em 2010 (7/12 ), conclui-se que já este ano serão retidos aos trabalhadores, a mais, cerca de 381,3 milhões só a nível de IRS. Se somarmos o IVA que se terá de pagar a mais devido ao aumento de 1 ponto percentual nas taxas, incluindo a que incide sobre os produtos e bens de 1ª necessidade mais 461 milhões em 2010, e mais 1.155 milhões nos outros anos , segundo o Relatório de Orientação da Politica Orçamental o aumento da carga fiscal que incide sobre os portugueses é inaceitável quando se continua a assistir a uma situação de verdadeiro favorecimento da banca o que mostra de uma forma clara a subordinação do poder politico ao económico. Tudo isto revela que não existe qualquer repartição justa dos sacrifícios, e que quem está a suportar os custos da crise são essencialmente os trabalhadores, revelando a politica deste governo, e o PSD que a apoia, uma chocante insensibilidade social para os pesados sacrifícios que estão a ser exigidos aos portugueses. |
Os trabalhadores e os pensionistas já começaram a sentir os
efeitos dos aumentos impostos resultantes do PEC1 e do PEC aprovado pelo
governo, com o apoio do PSD, que ainda serão mais pesados em 2011 e anos
seguintes. Durante o debate na Assembleia da República, o governo
forneceu dados, embora referentes a 2008, sobre a massa salarial sujeita a
retenção. Utilizando dados do Relatório do Banco de
Portugal sobre o aumento das remunerações nominais em 2009, e
admitindo uma subida das remunerações em 2010 de apenas 1,5% para
compensar a taxa mínima de inflação que se prevê
para 2010, as conclusões que se tiram são claras e
dramáticas sobre quem está a pagar esta crise. O quadro seguinte
mostra com clareza isso.
QUADRO I Aumento da retenção de IRS aos trabalhadores
devida à subida da taxa de IRS em 1 ponto percentual até ao
3º escalão e de 1,5 pontos percentuais nos escalões
superiores
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segundo o Ministério das Finanças |
devido à subida de 1% (1 pp) na taxa de IRS até ao 3º escalão e 1,5% (1,5 pp) nos escalões superiores Milhões |
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Milhões (Dados do Ministério das Finanças) |
Milhões (Estimativa) |
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Até 3º escalão
(rendimento tributável até 17.979/ano) |
30.321,1 | 31.822,3 | 318,2 |
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Do 4º ao ultimo
(superior a 17.979/ano) |
21.307,8 | 22.362,7 | 335,4 |
| SOMA (12 meses) | 51.628,8 | 54.185,0 | 653,7 |
| 2010 (7/12 meses) | 381,3 | ||
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Milhões |
Milhões |
Milhões |
Milhões |
Milhões |
Milhões |
| PRODUTO BANCÁRIO | 6.825 | 7.803 | 9.435 | 10.065 | 11.207 | 10.760 |
| Gastos Gerais Administrativos | 1.718 | 1.870 | 1.954 | 2.060 | 2.179 | 2.105 |
| VAB | 5.107 | 5.933 | 7.481 | 8.005 | 9.028 | 8.655 |
| Custos de Pessoal | 2.287 | 2.524 | 2.922 | 3.040 | 3.082 | 3.161 |
| RESULTADOS ANTES DE IMPOSTOS | 1.366 | 1.802 | 3.004 | 3.034 | 2.494 | 1.725 |
| Impostos | 136 | 204 | 582 | 426 | 318 | 74 |
| RESULTADOS DEPOIS DE IMPOSTOS | 1.230 | 1.598 | 2.422 | 2.608 | 2.176 | 1.651 |
| % Custos Pessoal do VAB | 44,8% | 42,5% | 39,1% | 38,0% | 34,1% | 36,5% |
| % Impostos dos RESULTADOS ANTES IMPOSTOS | 10,0% | 11,3% | 19,4% | 14,0% | 12,8% | 4,3% |