A destruição do SNS pelo governo
o estrangulamento financeiro
a luta dos médicos em defesa do SNS
Numa altura em que os médicos recorreram à greve para defender o
SNS e os seus direitos, interessa recordar
(até para que possa ficar claro para todos portugueses a razão da
luta dos médicos),
a forma como este governo, através do seu ministro da saúde,
tem procurado destruir, de uma forma silenciosa, o SNS, através de
cortes brutais no seu financiamento e no dos hospitais públicos. Ao
mesmo tempo que faz isto tem-se revelado um "
mãos largas
" no financiamento dos grupos económicos privados
(Espírito Santo Saúde, José Mello e o grupos brasileiro
AMIL que adquiriu os Hospitais Privados à CGD, quando o governo
privatizou a área de saúde da "Caixa")
grupos esses que já controlam uma parte importante do serviço
público de saúde. O quadro 1, construído com dados
oficiais constantes da "
Síntese da execução orçamental"
divulgada mensalmente pelo Ministério das Finanças e do OE-2014,
mostra com clareza a fúria destruidora deste governo contra tudo que
é público.
Quadro 1- Corte brutal no financiamento do SNS e "mãos largas"
no financiamento dos grupos económicos privados da saúde
através do Orçamento do Estado pelo governo
Entre 2010 e 2014 a despesa pública a nível dos SFA com a
saúde dos portugueses diminuirá de acordo com a decisão
deste governo, em valores nominais, de 13.874,4 milhões para
apenas 8.289,6 milhões , ou seja, em 5.584,8 milhões
(-40,3%). No entanto, se a análise for feita em termos reais, ou seja,
entrando com o efeito do aumento de preços, a redução
é muito maior. Efetivamente, os 8.289,6 milhões previstos
de despesa para 2014 correspondem em poder de compra apenas a 7.675,6
milhões de 2010, e assim a redução em termos reais,
entre 2010 e 2014, atingirá 44,7% (menos .6.198,8 milhões
). A mesma evolução negativa verificar-se-á no
financiamento dos hospitais públicos (Hospitais EPE), cujas
transferências do Orçamento do Estado o governo tencionava
reduzir, entre 2010 e 2014, em valores nominais, de 4.741,6 milhões
para 4.075 milhões (- 666,6 milhões ) mas, em
termos reais
(entrando com o feito do aumento de preços)
passariam, também entre 2010 e 2014, de 4.741,6 milhões
para 3.773,1 milhões (-20,4%). Só a luta dos
médicos é que obrigou o ministro da saúde a
reforçar a verba de 2014 para os hospitais públicos em mais 300
milhões como noticiou o
Diário Económico
de 9/7/2014
É fácil de compreender que perante este corte brutal no
financiamento do serviço público de saúde desde 2011, ano
em que este governo entrou em funções, tudo falte no SNS e nos
Hospitais públicos (pessoal, remédios, consumíveis, etc.)
de que se queixam os médicos e os outros profissionais da saúde
com prejuízo grave para todos os portugueses. O que não tem
faltado é dinheiro do Orçamento do Estado para financiar os
grupos económicos privados da saúde, cujos pagamentos, por parte
do Estado, aumentaram, entre 2010 e 2014, em 166,7%, pois passaram de 160,4
milhões para 427,8 milhões como mostra
também os dados oficiais constantes do quadro1. Parece evidente que o
objetivo é destruir o setor público de saúde para assim
facilitar o negócio aos grupos económicos privados da
saúde e criar excedentes para pagar aos credores (para 2014, só
as despesas com juros previstas atingem o impressionante valor de 7.239,1
milhões ).
08/Julho/2014
[*]
Economista ,
edr2@netcabo.pt
,
www.eugeniorosa.com
Este artigo encontra-se em
http://resistir.info/
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